Outra hipótese: e se todas as análises, embora divergentes entre si, estiverem igualmente erradas?
Parece estar acontecendo isso no panorama mundial. Por exemplo: haverá ou não recessão nos Estados Unidos? A resposta não depende da orientação deste ou daquele economista. Depende da semana em que é apresentada a opinião. Ou do dia.
O que nos leva a uma primeira conclusão unânime – a situação de fato é bastante complexa – e que não serve para nada.
Aqui no Brasil, a situação também é complexa, mas por causa dos políticos, não dos economistas. Os que estão no governo, Bolsonaro e o Centrão, promovem uma verdadeira farra fiscal. Sim, a expressão é antiga, mas fazer o quê? O hábito permanece.
No lado da oposição, Lula, o favorito, denuncia os “gastos eleitoreiros” para logo em seguida prometer um governo de mais … gastos. Diz, por exemplo, que não se pode colocar teto na despesa pública – o teto que Bolsonaro e sua turma já detonaram há muito tempo.
Vai daí que nenhum lado mostra como pretende lidar com o orçamento, já furado, do ano que vem e dos próximos.Pode-se tentar adivinhar, porque estamos tratando com um governante de plantão e um ex-governante.
De um segundo governo Bolsonaro, o que se pode esperar senão uma versão piorada? Mais confiante depois de uma reeleição, o presidente não precisará mais fingir que é um liberal e contra a corrupção. [Com as bênçãos de DEUS, em 1º janeiro 2023 Bolsonaro iniciará o seu segundo mandato, SEM pandemia, combatendo a corrupção, COM crescimento econômico = MAIS EMPREGO, MAIS DESENVOLVIMENTO, com condições de governar conforme seu plano de governo, ratificado por quase 60.000.00 de eleitores em 2018; com tais condições, governará SEM BOICOTES, que serão neutralizados.] Vai achar também que ganhou o direito de detonar a democracia. Em resumo: pior no primeiro mandato e depois piorando.
Do outro lado, quando perguntado sobre planos econômicos, Lula deu dois tipos de resposta. Primeiro, disse que só falaria disso após a eleição. Depois, a quem insistisse na questão, sugeria: vejam meus dois governos.
Excluiu o mandato e meio de Dilma, por razões óbvias. Não há como justificar a combinação de inflação e recessão, a maior proeza da ex-presidente.
Incluindo-se aí os episódios de corrupção, a questão fica mais complicada: qual Lula estará de volta? [o do segundo mandato, só que com mais experiência para aumentar a corrupção e com aplicação de métodos que não permitirão os erros que o comprometeram no segundo mandato.]
Nas pesquisas, o favoritismo do ex-presidente mostra-se
resiliente. A lembrança dos dois primeiros governos, com momentos de
clara prosperidade, continua dominante. Falta ainda um teste importante para Lula: a campanha no rádio e
tevê, quando os adversários vão se fartar com as denúncias de corrupção. [não existe mais espaço no Brasil para o rouba mas faz, apesar do descondenado não ter propiciado melhores condições de vida para o povo brasileiro = sua maior obra foi parir Dilma.]
Mas os outros, que estão escolhendo Lula como a mais adequada opção do momento, podem ficar em dúvida. Aí, olham para o outro lado e o que encontram?
A terceira via não decolando, voltam todos para Lula.Mario Covas dizia que um candidato amplamente favorito só perde a eleição se fizer alguma coisa muito errada na frente de muita gente. [Lula, cujo favoritismo só existe em pesquisas que não se sustentarão durante setembro próximo, se enquadra na 'sentença' de Mário Covas "fez muitas coisas erradas na frente de muita gente", sendo que parte das coisas erradas que fez, foi confirmada em três instâncias e por nove magistrados.].
Lula, um animal político do primeiro time, sabe disso por instinto. Daí sua preocupação em não criar caso e tentar agregar apoios em todos os lados do quadro partidário. Já fez isso outras vezes.
E assim entramos na fase final da campanha.
Nossa economia? Um problemaço, isso sem nenhuma dúvida.[excelente matéria - só foi esquecido que Lula renuncia em setembro próximo = não quer encerrar sua carreira política sendo abatido por Bolsonaro, que terá uma vitória esmagadora.]
A opção Lula não acaba com o problemaço da economia
Carlos Alberto Sardenberg - jornalista