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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Bolsonaro se assombra com fantasmas errados



Depois de culpar as ONGs pelas queimadas, Jair Bolsonaro responsabilizou as reservas indígenas pelas mazelas ambientais. "A Amazônia foi usada politicamente desde o [governo] Collor para cá", declarou o capitão em reunião com os governadores da região. "Foi uma irresponsabilidade essa política adotada no passado, usando o índio ao inviabilizar esses estados". Em matéria ambiental, o presidente se assombra com o fantasma errado há quase três décadas.

Bolsonaro estava no alvorecer de sua carreira política quando o então presidente Fernando Collor assinou, em maio de 1992, o decreto que homologou a reserva dos índios Yanomami. Num pronunciamento de novembro de 1995, o então deputado Bolsonaro declarou: "Com a indústria da demarcação das terras indígenas, assim como Quebec quase se separou do Canadá, num curto espaço de tempo, os Yanomamis poderão, com o auxílio dos Estados Unidos, vir a se separar do Brasil".

Decorridos 24 anos desse pronunciamento, o "curto espaço de tempo" de Bolsonaro ainda não chegou. Os Yanomamis continuam submetidos ao descaso do Estado brasileiro, que não consegue evitar a invasão de mineradores ilegais à reserva. Os Estados Unidos ainda não invadiram a Amazônia. O atual presidente norte-americano, Donald Trump, alia-se a Bolsonaro no embate contra o neocolonizador francês Emmanoel Macron. Enquanto o capitão transfere para o Planalto obsessões que cultivou em seus 28 anos de baixo clero parlamentar, a respeitabilidade ambiental que o Brasil levou duas décadas para conquistar vai virando cinzas. 

A boa imagem do Brasil arde graças a um governo que afrouxou a engrenagem fiscalizatória, rasgou dinheiro doado por parceiros estrangeiros, fechou os olhos para as violações à floresta e hostiliza índios num instante em que tenta apagar por pressão um fogo que não combateu por obrigação.  A gestão Bolsonaro é a verdadeira assombração, não as aldeias indígenas. Felizmente, fantasma não aparece em espelho. Do contrário, o capitão levaria um susto a cada manhã, quando fosse escovar os dentes.


[as aldeias indígenas podem e devem continuar existindo;
o inaceitável  é que um punhado de índios tenha, não se sabe para que, milhares de hectares, a título de reservas;

curioso é que todas essas reservas estão com sua localização vinculada a de outras, dando a entender que tem uma finalidade estratégica - contra o Brasil - a escolha da localização dos latifúndios indígenas.]



*Bomba! O grande brasileiro e indigenista,  Orlando Villas Boas, já previa, há décadas, há muito tempo atrás, 
para o que já foi dado o primeiro passo com a criação da reserva indígena "Raposa Serra do Sol". Vejam o vídeo e repassem em massa: O Bolsonaro está certo, ou não, em "colocar o dedo nesta ferida"?