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segunda-feira, 15 de maio de 2023

O agro exporta coisas inimagináveis - Evaristo de Miranda

Revista Oeste

Abriu-se o mercado do Chile para exportação de ovos férteis, aves de um dia e limão taiti. Além de gergelim para o México; sêmen bubalino para o Panamá; gengibre, algodão e sementes para o Egito

Ilustração: Shutterstock

Muita gente sabe: o Brasil é o maior exportador mundial de soja, açúcar, suco de laranja, café, carne bovina e de frango. Pouca gente sabe: as exportações agropecuárias não dependem apenas de comodities. Desde 2019, o país abriu mercados para mais de 200 novos produtos agropecuários em dezenas de países. E ninguém duvide: a concorrência internacional é acirrada e joga duro com o Brasil.

Abriu-se o mercado do Chile para exportação de ovos férteis, aves de um dia e limão taiti. A exportação de limões e limas, da ordem de US$ 125 milhões/ano, representa cerca de 10% do comércio internacional de frutas frescas do Brasil. Também houve acordo com os chilenos sobre os requisitos fitossanitários para exportar mamão fresco. Hoje, os principais destinos do mamão são Portugal, Espanha, Holanda, Reino Unido, Argentina e Itália.

O Brasil exporta maçãs para a Colômbia, Honduras, Nicarágua e outros países como a Índia, principal importador. A manga é a fruta mais exportada, cerca de US$ 248 milhões/ano e 20% do total na exportação de frutas. Seguem os melões, com US$ 165 milhões e 14% de participação. Nozes e castanhas ganham espaço na diversificação das exportações, com cerca de US$ 150 milhões/ano.

Mangueira em Goiânia, Goiás  -  Foto: Marcia Cobar/Shutterstock

Essa diversificação das exportações inclui novos mercados e produtos como: gergelim para o México; sêmen bubalino ao Panamá; gengibre, algodão e sementes ao Egito. Em 2022, o mel, um produto de baixo volume exportado, com pouco mais de 8 mil toneladas, chegou aos EUA, Alemanha, Canadá, Austrália, Bélgica, Reino Unido, Holanda, Panamá, China e Dinamarca.

Nos mercados abertos, a proteína animal tem destaque: gelatina bovina para a Malásia; carne suína e bovina ao México; carne de aves para a Polinésia Francesa; bovinos vivos a Argélia e Turquia; mucosa intestinal para o Chile; carnes bovina e suína ao Canadá; cortes suínos para a Coreia do Sul; genética, embriões e bovinos para o Iêmen, o Senegal e o Vietnã; ovos férteis, aves de um dia e embriões bovinos e bubalinos para Angola. Recentemente, foram aprovados os produtos de 11 plantas frigoríficas para a Indonésia e de quatro novas plantas para exportar carne bovina à China. E 183 mil cabeças de gado vivo foram para o exterior em 2022.

O protocolo para exportação de proteína processada de aves e suínos (farinha de carne, ossos, sangue, penas etc.), utilizada na fabricação de ração para animais, também foi aprovado com a China. Em abril passado, 63 indústrias de reciclagem animal receberam autorização para exportar proteína processada não comestível de aves e suínos, para uso na alimentação animal à China. Em maio, foi aprovada a exportação de subprodutos de origem animal (farinha de proteínas, sangue e gorduras de aves, suínos e bovinos) para alimentação animal na África do Sul, cuja negociação iniciara em 2017.

Granja em Bastos, São Paulo | Foto: Celio Messias/Shutterstock

A Argentina é o país com o maior número de novos mercados abertos recentemente para os produtos brasileiros: cerca de 30. Além de embriões de equinos congelados e aditivos à alimentação animal com componente lácteo, o país sul-americano passou a importar do Brasil pênis bovino. O vergalho ou pênis bovino serve de petisco desidratado mastigável a cães e gatos. Tem baixo teor de colesterol, é resistente e auxilia na limpeza de dentes e gengivas em animais domésticos. 

Essas aberturas para subprodutos de origem animal permitem diversificar e aumentar oportunidades aos produtores brasileiros. A mucosa intestinal dos suínos, por exemplo, é usada para obtenção da heparina, um anticoagulante usado na profilaxia, prevenção e tratamentos das tromboses. Essas matérias primas devem ser oriundas de animais nascidos e criados no Brasil em áreas livres de Febre Aftosa, Peste Suína Clássica, Peste Suína Africana, Doença Vesicular Suína e Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, abatidos em estabelecimentos oficialmente aprovados.

Todo novo mercado dessa natureza envolve negociação bilateral. Elas definem os parâmetros de sanidade animal, os certificados sanitários, fitossanitários, veterinários e até adequações na produção em função de costumes sociais e religiosos dos países destinatários.

É o caso das carnes halal exportadas a países muçulmanos. Halal significa permitido, lícito, autorizado pela Lei Islâmica (Shariah). No Brasil, o certificado Halal é concedido principalmente pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e por organizações certificadoras como a Fambras Halal. Se o sistema de produção afetou a saúde, o solo, comprometeu recursos naturais ou utilizou mão de obra infantil, não pode receber o certificado Halal. O Brasil é hoje o maior exportador mundial de proteína halal e referência nesse mercado. O mercado halal global está estimado em mais de US$ 3 trilhões, essencialmente nos 58 países de maioria muçulmana.

Na África, açúcar, soja, trigo, milho e carnes representam 87% das importações do Brasil. Arroz, feijão, farinha de milho e amendoim também são importados. Dos 54 países da África, 38 importam produtos brasileiros, inclusive genética animal, máquinas e equipamentos agrícolas.

Desde janeiro de 2019, o governo brasileiro abriu mais de 200 novos mercados para produtos da agropecuária brasileira. No total, mais 50 países passaram a receber alimentos

O Brasil, com 8% da produção total mundial, é o segundo maior exportador de grãos do mundo (19%). Globalmente, a China é o maior parceiro comercial do agronegócio: quase 32% das vendas externas do setor. As principais aquisições são soja em grão, carnes (bovina, suína e de frango), celulose, açúcar e algodão. Do outro lado, existe um número crescente de países adquirindo grãos do Brasil. Na soja, Irã, Vietnã, Espanha, Japão, Tailândia e Turquia importam quantidades significativas. No trigo, o crescimento da produção nacional refletiu-se nas exportações do cereal. Além da China, a Arábia Saudita, o Marrocos, o Sudão e o Egito são destinos das exportações do trigo brasileiro. Em 2021, os países árabes importaram 240 mil toneladas de trigo. Em 2022, o volume ultrapassou 1 milhão de toneladas.

Europa e Estados Unidos representaram 16% e 7% das exportações do agronegócio brasileiro em 2022. Os 27 países da Zona do Euro adquirem produtos florestais, café, frutas e suco de laranja. Por outro lado, como nos grãos, os dados globais das vendas externas do agro apontam para 38% do total adquirido por um grupo de mais de 180 países com pequena participação individual. Juntos, eles cresceram sua relevância em 2022.

A agropecuária nacional busca diversificar os destinos e as exportações brasileiras para reduzir a concentração da pauta exportadora em produtos e países. Aberturas de mercados são sempre resultado de negociações bilaterais. Elas resultam em acordos sobre os parâmetros de sanidade e os certificados correspondentes, sanitário, fitossanitário ou veterinário.

Desde janeiro de 2019, o governo brasileiro abriu mais de 200 novos mercados para produtos da agropecuária brasileira. No total, mais 50 países passaram a receber alimentos e tecnologia em um comércio cada vez mais globalizado do agronegócio. Abrir mercado não significa exportação imediata. Apenas os trâmites legais já estão acertados. Até chegar aos embarques é preciso preparar produtores e exportadores, atender às demandas de cada novo cliente, desenvolver a promoção comercial etc.

A ampliação da pauta de exportações de produtos agropecuários reforça a participação brasileira na segurança alimentar do planeta e mantém a balança comercial brasileira superavitária com o restante do mundo. Sem o agro, o saldo seria negativo. O Brasil gastaria mais com importação e ganharia menos com exportação. Quando isso ocorre, o país fica sem dólares, sem divisas. Tem dificuldades em importar bens como vacinas, medicamentos, equipamentos e até alimentos. É a crise atual da Argentina.

Graças ao agronegócio, o saldo positivo da balança comercial brasileira não para de crescer. Em 2000, o agronegócio exportou US$ 20 bilhões. Em 2022, apresentou um recorde histórico de US$ 160 bilhões. O índice de preços dos produtos exportados pelo agronegócio cresceu 22,1%, relativo a 2021. E o volume embarcado, 8,1%. As vendas externas do agronegócio representaram 47,6% do total exportado pelo Brasil em 2022. Alta de 32% em relação a 2021. E um superávit comercial da ordem de US$ 60 bilhões.


A entrada líquida de divisas ou de moeda estrangeira permitiu ao Brasil ampliar importações em outros setores da economia, sem pressão sobre o valor do câmbio. Houve até uma valorização do real diante do dólar, da ordem de 13%, apesar da disputa e das eleições presidenciais no Brasil.

As cooperativas são um dos caminhos para pequenos e médios produtores participarem da diversificação das exportações. Elas já respondem por quase 10% das exportações do agro. Convênio celebrado em 2022 entre o Sistema OCB e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) capacitará 50 cooperativas com potencial de exportação nas áreas de cafés especiais, frutas frescas, lácteos, meles e proteína animal.

Um paradoxo para as exportações do agronegócio nacional ocorreu, em março, durante evento em Pequim, na China. O novo presidente da Apex, Jorge Viana, relacionou problemas ambientais com a produção de grãos e a pecuária no Brasil (sic). Viana afirmou: “É preciso reconhecer que o Brasil tem problemas ambientais”. Até buscou números para impor uma relação entre o agronegócio brasileiro e a destruição da Floresta Amazônica. Ele opôs-se ao otimismo do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, na véspera, cuja intervenção fora bem adequada. A manifestação repercutiu mais aqui do que lá. Parece. Os produtos brasileiros exportados são a imagem do país no exterior. Mais uma vez: é preciso buscar convergências e a paz na terra pelos homens de boa vontade.

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Evaristo de Miranda


segunda-feira, 3 de abril de 2023

Sobre punks, PANCs e beldroegas - Evaristo de Miranda

Revista Oeste

Essas plantas reúnem tesouros nutricionais ainda pouco conhecidos (altos teores de ômega 3, proteínas, vitaminas e minerais). Muitas têm virtudes medicinais

Flores e plantas comestíveis, também conhecidas como Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) | Foto: Madeleine Steinbach/Shutterstock

 Flores e plantas comestíveis, também conhecidas como Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) | Foto: Madeleine Steinbach/Shutterstock 

“Beldros nem beldroegas se não semeiam,
porque nascem na infinidade de uns e de outros,
sem os semearem, nas hortas e quintais
e em qualquer terra que está limpa de mato.”
Tratado Descritivo do Brasil, 1587
Gabriel Soares de Sousa

Qual a diferença entre punks e pancs? A cultura punk é conhecida por sua aparência agressiva, estilo musical, sarcasmo niilista e busca de subversão do elitismo cultural. A cultura das PANCs é um patrimônio vegetal, genético, culinário e gastronômico. O acrônimo PANC significa “Plantas Alimentícias Não Convencionais”, sobretudo fruteiras e hortaliças. O interesse por essas plantas tão especiais não para de crescer.

A sigla PANC foi criada pelo doutor em agronomia Valdely Kinupp. No livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, ele catalogou 351 espécies, uma pesquisa de 12 anos, em parceria com Harri Lorenzi. Em seu trabalho pela conservação da flora brasileira, Lorenzi percorreu o Brasil, por mais de 40 anos, em expedições científicas. Levantou, catalogou e coletou plantas, sobretudo as com potencial econômico e ameaçadas de esquecimento e extinção.

Livro Plantas limentícias Não Convencionais (PANCS) no Brasil, de Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi
Livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, de Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi | Foto: Divulgação

Para o pesquisador de hortaliças PANCs da Embrapa, Nuno Madeira, existem pelo menos 10 mil espécies de plantas com partes comestíveis e alimentícias, não convencionais. “Apenas” umas 150, no máximo, em todo o Brasil, são comerciais, em maior ou menor escala. Dentre elas, algumas são consideradas PANCs, possuem uso tradicional e são encontradas em mercados e feiras livres, como bertalha, serralha, jambu, vinagreira, taioba, mostarda, almeirão-roxo, cariru e ora-pro-nóbis.

Sugestão de receita com a planta major gomes (cariru, joão-gomes)
 publicada pelo site da Embrapa | Foto: Divulgação

Entre hortaliças PANCs existem perto de duas dezenas mais conhecidas: almeirão-de-árvore; amaranto; anredera; araruta; azedinha; beldroega; bertalha; capuchinha; cará-moela; cariru (joão-gomes); caruru (bredo); dente-de-leão; físalis; jambu; mangarito; maxixe-do-reino; muricato; ora-pro-nóbis; peixinho; serralha; taioba e vinagreira. Boa parte delas pode ser cultivada em casa, em jardins e vasos. A Embrapa Hortaliças oferece cursos de produção de PANCs e manuais. As PANCs são encontradas cada vez mais em feiras livres, lojas de produtos naturais, supermercados com produtos raros e sofisticados e em sites para consulta, compra e entrega na internet. 

Existem milhares de espécies vegetais com alguma parte comestível de interesse para a culinária e a alimentação humana

A vinagreira é a base do arroz de cuxá, prato tradicional sobretudo no Maranhão. 
O jambu é ingrediente essencial do tacacá, muito consumido na Região Norte. 
O ora-pro-nóbis, a carne do pobre, é comum na culinária do interior de Minas Gerais e São Paulo, com diversidade de receitas a se comer de joelhos. 
O caruru, também conhecido como bredo, comum na culinária do Nordeste, na Bahia, dá nome a um dos pratos típicos do Estado, o caruru (sic), apesar de em geral nem ser mais usado neste. 
Ora-pro-Nóbis
Ora-pro-nóbis | Foto: Reprodução/Embrapa
Partes consideradas não convencionais de plantas alimentícias comuns também podem ser categorizadas como PANC. 
O consumo do “umbigo” ou “coração” (mangará) da bananeira é saboreado em muitas receitas. A flor de abóbora e abobrinha, a célebre fiore di zucca, empanada ou em sopa, tão apreciada na Itália e por seus milhões de descendentes no Brasil, além de dar nome a tantos restaurante no Brasil, é uma delícia PANC. 
As partes terminais de hastes e brotos de cucurbitáceas (abóboras, abobrinhas e chuchus) são utilizados como cambuquira na preparação de tortas, sopas ou omeletes, refogadinhos, cozidos e até como recheio de pastéis. 
Cambuquira, nome até de um município mineiro, é termo de origem tupi (ka’aumbykyra) e significa extremidade, rabadilha, grelo ou talo de folhas. A utilização da medula do caule do mamoeiro ou o consumo das folhas da batata doce e da mandioca são outros exemplos. O uso das folhas de mandioca na multimistura para ajudar a superar carências alimentares de crianças pela Pastoral da Criança (mesmo se não elimina a anemia) é um exemplo de PANC, valorizada no combate à desnutrição e à mortalidade infantil. licitados — passam a fornecer PANCs, surpresos pelo interesse dos consumidores por essas “verduras”. 

(...)

A beldroega é um exemplo. 

Beldroega
Plantação de beldroega | Foto: Reprodução/Embrapa

A beldroega é uma hortaliça herbácea anual, da família Portulacaceae, com 115 espécies e um único gênero: Portulaca. Possui folhas suculentas, espessas e pecioladas, com até 3 centímetros, flores solitárias amarelas e sementes pretas diminutas. Aparece em áreas de cultivos em todo o país como erva daninha, e poucos conhecem seu uso culinário. É uma planta rica em ômega 3, vitaminas, minerais (zinco e magnésio) e usada no preparo de saladas, sopas, bolinhos, chás e produtos cosméticos e medicinais. 

No conto O Luzeiro Agrícola, de Monteiro Lobato, o funcionário ministerial recém-contratado Sizenando Capistrano, inspetor agrícola, recebe como primeira demanda direta do ministro da Agricultura a elaboração de um relatório sobre a beldroega. “Sizenando deitou mãos à tarefa e levou a cabo um estudo botânico-industrial da beldroega, com afã tal que, transcorridos dez meses, dava a prelo o Relatório sobre (…) beldroega e sua aplicação na culinária.” Após “rever as provas do calhamaço, a modo de escoimá-lo dos mínimos vícios de linguagem (…) saiu obra papa-fina, em ótimo papel e com muitas gravuras elucidativas. Entre estas, em belo destaque, os retratos do ministro…”. Impresso pela gráfica oficial, o relatório foi entregue ao ministro da Agricultura. Este sugeriu a Sizenando a incineração imediata de todos os exemplares no forno da Casa da Moeda, antes de qualquer leitura. 

“Sizenando abriu a maior boca deste mundo. Compreendendo aquela estuporação, o ministro sorriu. — Então? Que queria que eu fizesse de cinco mil exemplares de um relatório sobre a beldroega? Que o pusesse à venda? Ninguém o compraria. Que o distribuísse grátis? Ninguém o aceitaria. Se é assim, se sempre foi assim, se sempre será assim com todas as publicações deste ministério, o mais prático é passar a edição diretamente da tipografia ao forno. Isso evitará a maçada de nos preocuparmos com ela e de a termos por aí a atravancar os arquivos. Não acha vossa senhoria que é o mais razoável? Retire o que quiser e forno com o resto. 

— E depois, que devo fazer? indagou Sizenando, ainda tonto com o expeditismo ministerial. 

— Escrever outro relatório, respondeu sem vacilar o ministro. 

— Para ser queimado novamente?, atreveu-se a murmurar o poeta-inspetor.” 

Beldroega
Beldroega - Foto: Shutterstock

A agricultura brasileira, seu ministério, ministros e funcionários mudaram muito desde o tempo dos personagens de Monteiro Lobato, como o Jeca Tatu e os do Luzeiro Agrícola. A bem da verdade, não todos. As PANCs não terão destino semelhante ao relatório de Sizenando, graças à valorização das tradições culinárias, à gastronomia sofisticada, ao movimento vegano, às oportunidades de negócio e renda para pequenos agricultores, às lojas e aos empórios de produtos naturais e ao trabalho de conservação, seleção e melhoramento das espécies e ao desenvolvimento de seus sistemas de cultivo por pesquisadores. 

O que é uma erva daninha? É uma planta cujas virtudes ainda são desconhecidas. E, talvez, candidata ao patrimônio culinário brasileiro. 

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Evaristo de Miranda, colunista - Revista Oeste