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terça-feira, 8 de agosto de 2023

A fábrica de números do PT - J. R. Guzzo

Revista Oeste

Pouca gente neste governo Lula preenche tão bem o perfil do incompetente metido a 'transformador social' quanto o novo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

 

Recenseadores do IBGE | Foto: Montagem Revista Oeste/Agência Brasil

Uma das maiores misérias que podem acontecer com um governo, ou melhor, com a população que sustenta esse governo, é a nomeação, para cuidar de qualquer coisa, do incompetente com planos
O incompetente básico, em geral, fica na sua — não faz nada de bom, nunca, mas também não dá muito prejuízo para a vida de ninguém. 
Já o incapaz que se acredita qualificado para ter ideias, ou que quer usar seu emprego público para “mudar a sociedade”, é uma máquina de fabricar o pior. 
Pouca gente neste governo Lula preenche tão bem o perfil do incompetente metido a “transformador social” quanto o novo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — e olhem que, em matéria de ruindade pura, simples e incurável, Lula conseguiu nomear o primeiro escalão mais horrendo que já se viu na história da República brasileira. 
O novo barão da burocracia lulista não entende nada de geografia nem de estatística, embora conheça muito bem o come e dorme desses “institutos” que vivem de mamar dinheiro público e jamais produzem um parafuso de rosca. 
Ele ganhou o cargo por ter passado a vida como militante do PT, desses que ficam grudados em Lula como ostra na pedra — e têm a ideologia de homem das cavernas socialisteiro que tanto agrada ao presidente em sua atual encarnação de “esquerdista” ao estilo Chico Anysio. 
 
O único aspecto positivo da escolha do novo estatístico-chefe do Brasil é que o IBGE não manda em nada — sua capacidade de tomar decisões erradas, portanto, fica limitada à insignificância prática daquilo que é resolvido ali. 
Em compensação, é um dos melhores recantos do governo para contar mentiras. 
Saem do IBGE os números oficiais sobre o desempenho da economia — da inflação à taxa de desemprego
E é de lá que saem, também, os dados públicos sobre a situação social, o recenseamento, o número de quilombolas e mais um monte de outras coisas que os operadores do aparelho estatal julgam importantes para o conhecimento do público. É o tipo de repartição pública de que Lula gosta. 
 
O presidente tem 40 anos seguidos de uso profissional e deliberado da mentira para subir na vida política. Sempre deu certo para ele, e não há razão para mudar de sistema. Lula, na verdade, não precisa do IBGE para mentir com números. 
Ele mesmo admitiu em público que inventou cifras sobre o número de “menores abandonados” no Brasil, para impressionar plateias amestradas de estrangeiros.  
Disse, por sinal, que é “impossível” ser político e não mentir. Lula mente, de olhos fechados, com os dois pés — para falar mal dos outros e falar bem de si mesmo
Ultimamente, quando estava na oposição e queria mostrar que o Brasil era um inferno, vinha repetindo que há “33 milhões” de brasileiros “passando fome”.
Agora, é claro, vai dar cifras provando que o Brasil é um paraíso.



O IBGE, na sua cabeça, vai servir exatamente para isso — e foi exatamente para isso que ele nomeou esse Marcio Pochmann para o emprego de presidente.  
Não falou uma palavra sobre a escolha com a pobre coitada que se apresenta como “ministra do Planejamento”, e a quem o instituto é subordinado. 
Ela admitiu, inclusive, que nunca tinha ouvido falar do nome que vai dirigir o IBGE. Para sapatear um pouco mais em cima da ministra, Lula chamou Pochmann para uma reunião com gatos gordos do governo antes mesmo de seu nome ser anunciado para a imprensa. 
Quem fez o anúncio oficial, a propósito, foi outro ministro, e não a infeliz que deveria ser a chefe do nomeado; parece que ela vai ser recebida por Pochmann um dia desses. (“Nada mais justo do que atender o presidente Lula”, disse a ministra, no desespero de segurar o emprego — e como se tivesse alguma escolha entre atender ou não. É um desempenho de “superação”, como dizem os cursos de autoajuda, levando-se em conta que a Brasília de hoje é a capital mundial dos puxa-sacos.) 
 

(....)

 

Pochmann é o subalterno ideal para tocar o IBGE do jeito que Lula gosta. Tem as piores relações pessoais com os números — em primeiro lugar porque não sabe nada sobre números e, mais ainda, por ser francamente contra eles —, não admite que possam mostrar uma realidade diferente daquela que está nos seus circuitos mentais. 
A aritmética, para ele, deve estar a serviço das “causas progressistas”; seno, cosseno ou raiz quadrada, mais todo o resto, só podem ter existência legal se ajudarem de alguma forma a propaganda do PT. Do contrário, serão denunciados como “golpistas” à Polícia Federal do ministro Flávio Dino ou deportados para o inquérito sobre “atos antidemocráticos” do ministro Alexandre de Moraes. 
Pochmann não tem o menor entendimento das regras elementares da ciência estatística nem qualquer interesse no assunto. Foi para o IBGE com a função “política” de massagear os números e de colocar uma fantasia matemática nas miragens que Lula vende aos devotos da sua religião — o “carrinho” popular, o “apartamentinho com varanda” dos pobres, o “precinho” barato para a batedeira de bolo e outras vigarices da mesma natureza. É claro que o presidente pode continuar com a sua conversa fiada, inventando números que não existem. Mas, já que está no governo e manda no que bem entender (“nada mais justo”, segundo a ministra a quem chamou de “Simone Estepes” na campanha eleitoral), por que não transformar o IBGE na sua fábrica pessoal de números, e colocar ali um Pochmann a mais? 
Não há nenhum risco, enquanto ele estiver lá, de sair estatística ruim.Marcio Pochmann, o escolhido de Lula para comandar o IBGE | Foto: Divulgação

É típico do PT. Se a população é a favor, da pena de morte à licença para comprar armas, o PT é contra; se a população é contra, da educação sexual nas escolas aos traficantes de drogas, o PT é a favor. Não falha

O novo presidente do IBGE, em termos de divulgação pública e maciça de ideias cretinas, é um vulcão em atividade permanente. É contra o Pix, que considera “neocolonial”, sabe lá Deus por quê. É difícil encontrar, em toda a história financeira deste país, alguma coisa que tenha tido tanta aprovação do povo brasileiro quanto o Pix; acaba de ser batido o recorde de 135 milhões de operações num único dia Pois então: o escolhido de Lula é contra
Todo mundo, obviamente, gosta da possibilidade de converter reais em dólares. Pochmann acha que isso transforma o Brasil num “protetorado dos Estados Unidos”. 
Diz que a taxa de juros não tem nada a ver com a inflação, e que o pecado mortal do Banco Central não está nas decisões que toma, mas no fato de ser independente dos políticos — e, neste momento, de Lula. Lá ele não manda, e Pochmann tem certeza de que a solução para qualquer problema do Brasil, ou do Sistema Solar, tem de ser dada por Lula ou pelo “Estado”. O novo chefe do IBGE imagina que a exploração do “espaço sideral” é uma ideia séria para o crescimento do Brasil. 
Pelo que dá para entender, Pochmann propõe uma “GPSbras”; segundo ele, país que “não tem GPS” não tem nada, porque está na dependência de “empresas estrangeiras”.


Pochmann diz que deveria haver um Imposto de Renda de 60% para quem ganha de 50 mil reais por mês para cima. (O que os juízes, procuradores etc. etc. do Brasil achariam disso?)

(...)

Enfim: Pochmann tem tudo para estar 100% alinhado com as coisas que Lula diz hoje e com o pensamento-raiz de Janja, Flávio Dino e outros grandes cérebros do governo. Mais que tudo, talvez, conseguiu perder as três eleições que disputou. Ou seja, a população disse, da forma mais clara possível, o seguinte: “Não queremos você”. Três derrotas seguidas? No Brasil atual de Lula e do PT, é a maneira mais eficaz de melhorar de vida.

A sorte do cidadão deste país é que ele não tem bala para acabar com o Pix, introduzir as quatro horas de trabalho diário ou criar uma estatal que vai inventar o GPS brasileiro
Pode vir com as estatísticas que quiser, mas não pode mudar nada. 
Deus é grande.  
 
 

Coluna -  J. R.Guzzo - Revista Oeste