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domingo, 31 de maio de 2015

Essa é a miséria que interessa ao PT manter - é desta miséria que seres tipo Lula, Dilma e outros da mesma laia tiram a fortuna e o poder, dos quais não querem abir mãos

Os miseráveis: retrato sem retoques de um Rio de excluídos

Este é o triste destino dos que votam, e votaram,  no PT - muitos ainda pensam em repetir o voto. Afinal, a fome destrói o raciocínio, a lucidez, o ânimo, o interesse pela próprivida.

Essa situação vergonhosa facilita aos atuais donos do poder, por colaborar com os seus planos diabólicos de permanecerem DONOS DO PODER

Não esqueçam: o aqui mostrado é uma fraçã da miséria que está em locais mais visiveis, mais acessiveis. Só que ela também está presente nos locais isolados, ermos, matando, destruindo, aviltando. Locais que uma vez a cada quatro anos vão visitados por prepostos dos políticos à caça dos votos que os manterão no poder e aos miseráveis na miséria crescente.


Estado tem 3,7% de seus moradores na extrema pobreza. Percentual só não é maior do que o do Norte-Nordeste


 O Estado do Rio tem 565.135 pessoas vivendo abaixo da linha da extrema pobreza. A série de reportagens "Os miseráveis" mostra como e onde vive quem precisa driblar dificuldades como desemprego e fome. São 3,77% da população do estado nessa situação, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O percentual é o maior entre todos os estados das regiões Sul e Sudeste, superado apenas pelos do Norte-Nordeste e Mato Grosso, no Centro-Oeste.

Em Japeri, o banho na casa de Roberto e Nilceia da Silva é só de baldeFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Pelanca é a sobra da carne, a parte desprezada que pode ir tanto para o cachorro quanto para fábricas de sabão, que usam sebo como matéria-prima. Mas, na casa de Lúcia Pereira da Silva, sem água ou esgoto, num mangue à beira da Baía de Guanabara, em Magé, pelanca é dia de festa. Sinal de que sobraram 40 centavos para comprar um quilo do que, para muitos, é lixo. “Às vezes vem um pedacinho de carne junto. Tempero com louro e ponho no feijão. Fica gostoso”, diz. A 60 quilômetros dali, em Belford Roxo, José Roberto Lima idoso esquálido que vive numa casa sem banheiro lança mão da pelanca para alimentar seus três cães magros. Mas guarda um tanto para a própria sopa, feita com grãos dos mirrados pés de feijão que planta no quintal. Lúcia e José Roberto não fazem parte do Rio do cartão-postal. Estão entre os 565.135 fluminenses que sonham alcançar a pobreza. Porque o lugar deles é outro. Eles vivem na miséria.

A fome está sempre à espreita de quem vive abaixo da linha da extrema pobreza, como José Roberto...Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Na indigência, como os dois, encontram-se 3,77% da população do estado, revelam números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Gente suficiente para encher uma cidade como Niterói. Os dados, que tomam como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2013, do IBGE, mostram ainda que o Estado do Rio, sexta maior renda per capita do país, fica mal perto de seus vizinhos. Tem um percentual maior de miseráveis do que todo o Sul e Sudeste. No Centro-Oeste, só Mato Grosso está em situação pior. Os deserdados do estado que sediará as Olimpíadas de 2016 são tema da série de reportagens “Os miseráveis”, que O GLOBO publica a partir de hoje. 

Durante um mês, equipes percorreram os bolsões de extrema pobreza para contar as histórias de cidadãos que têm renda per capita inferior a R$ 140,70, quantia necessária para comprar uma cesta de alimentos com a quantidade mínima de calorias, de acordo com os critérios do Ipea.

Valor, aliás, que é um sonho distante para José Roberto. Aos 69 anos, com as mãos calejadas depois de uma vida dividida entre a roça e a construção civil, ele não tem renda. Conta com a solidariedade dos vizinhos, que dão um jeito de dividir a comida para que ele não viva só de feijão. As doações vão parar no fogão a lenha, já que ele não tem R$ 50 para pagar o botijão de gás.  — Eu vivo com o que Deus me dá. E só. Roubar, eu não vou — afirma.

Lúcia, a senhora de 63 anos que engana o estômago com a pelanca, também dá seu jeito. Vive, junto do marido desempregado e tuberculoso, e do filho de 21 anos, tampouco com trabalho, com menos de R$ 200 do Bolsa Família. Não dá nem R$ 70 por pessoa — dinheiro insuficiente para pagar um cafezinho diário. Água, ela bebe a que é dada pela chuva. Está difícil para Lúcia, mas é o casal Luiz Cláudio Feliciano e Alana da Silva quem leva uma vida de cachorro. E não é figura de linguagem. Os dois moram, com os filhos, de 2 anos e de 10 meses, num canil em Tanguá, município com o terceiro maior percentual de miseráveis, atrás de São Francisco de Itabapoana e Porciúncula, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Social. O local foi adaptado, mas ainda é possível ver as divisórias para os animais. A família vive no espaço de três delas, e foi parar lá após Luiz Cláudio perder o emprego na vizinha Itaboraí. Como tantos excluídos, depende dos R$ 180 do Bolsa Família.
O eletrodoméstico que denuncia a penúria: na casa da família Ferreira, em Japeri, a geladeira praticamente só tem água - Márcia Foletto / Agência O Globo

DESEMPREGO QUE ANGUSTIA
Luiz Cláudio acorda todos os dias às 5h para procurar trabalho. Mas, em Belford Roxo, a reação de Marco Saboya diante do desemprego é outra. Desde que foi dispensado de uma obra, onde ganhava R$ 700 para sustentar a mulher, Mônica, e os filhos Adriel, Diana e Kailane, de 8, 6 e 5 anos, respectivamente, passou a ter crises de ansiedade. Acorda sem conseguir respirar e bota, a cada minuto, a mão no peito, desconfiado de um infarto que o médico já descartou é angústia o que sente.  Às vezes, ele sai gritando pela rua, tenho que ir atrás. Tento fazer bicos, mas é difícil porque Marco não põe os filhos para a escola — diz Mônica, que ganha R$ 182 do Bolsa Família.

As enchentes já carregaram o pouco que a família tinha, levando Adriel a decretar: — Vou estudar e ganhar muito dinheiro para comprar outra casa.  Teresa Cosentino, secretária estadual de Assistência Social, argumenta que a redução da miséria no Rio, que tem um programa próprio de complementação de renda, é significativa. Em 2003, eram 1.109.863 indigentes. Em 2011, 481 mil. Em 2012, subiu para 550.140, e, em 2013, cresceu para 565.135. — É um movimento natural. Quando você está de dieta, perde mais peso no início ou no final? No fim, é mais difícil mesmo — diz Teresa.

Especialistas não têm uma explicação única para o desempenho do Rio, segundo estado que menos diminuiu proporcionalmente a miséria, entre 2003 e 2013, atrás apenas do Maranhão. Para eles, são vários calcanhares de Aquiles.  — O Rio tem uma periferia da periferia, como Japeri. São Paulo, por exemplo, tem subcentros importantes economicamente na área metropolitana e no interior. Nós, não — diz a economista Sônia Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets).

Outra explicação pode estar na estrutura do mercado de trabalho fluminense, dizem os economistas Valéria Pero, Adriana Fontes e Samuel Franco. Eles lembram que o Rio tem, entre os mais pobres, uma taxa de desemprego maior do que a média nacional. A população mais desfavorecida acaba buscando alternativas na informalidade, que, por sua vez, não leva à superação da pobreza.

Outro fator é a elevada desigualdade no estado. E é justamente a melhor distribuição de renda, aliada ao crescimento econômico, uma das receitas para reduzir a pobreza. Para piorar, o desenvolvimento do Rio nos últimos anos, impulsionado pelo petróleo, ocorreu mais fortemente fora da Região Metropolitana, que concentra 74% da população.


Geladeira vazia

Geladeira vazia, a expressão que, dos remediados para cima, significa que a ida ao mercado está atrasada, tem um significado literal na casa de quem já cruzou a linha da pobreza rumo à miséria. Na maioria das vezes, o eletrodoméstico guarda só água. Ou, em dias de bonança, uma panela de arroz com feijão ou quatro espigas de milho, como no cômodo em que Roberto da Silva Paiva mora com a família, no centro de Japeri. Contando com os R$ 620 do Bolsa Família para sustentar a mulher, cinco filhos e três netos, Roberto, quando consegue um terreno para capinar, acrescenta R$ 50 ao orçamento. E se vê às voltas com uma escolha de Sofia: — Tenho que decidir se compro arroz para todos ou leite para o Abraão, meu netinho. Ele tem três meses e nasceu com sífilis. Pegou da mãe.

Dúvidas sobre o que guardar na geladeira, Sirlene Henrique, que vive em Sumidouro, na Região Serrana, não tem. A dela está desligada da tomada: Não tenho nada para colocar dentro mesmo. Uso como armário.

A nutricionista Ana Paula Bucar enumera as consequências de uma dieta tão pobre: — A deficiência proteica pode causar perda de massa muscular, afetar o funcionamento do coração, prejudicar o raciocínio. Para uma pessoa ter o mínimo diário de 1.500 calorias, teria que comer pelo menos 30 colheres de sopa de arroz. E mais trinta de feijão.

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http://oglobo.globo.com/rio/os-miseraveis-retrato-sem-retoques-de-um-rio-de-excluidos-16274605

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