Diretor do Instituto Butantan fala sobre o futuro da imunização contra Covid-19 no país, da produção e dos efeitos da CoronaVac
Em entrevista a VEJA, diretor do Instituto Butantan fala sobre o futuro da imunização no país, da produção e da duração dos efeitos da CoronaVac, que, ao que tudo indica, são inferiores a um ano
O esperado Programa Nacional de Imunização foi iniciado no dia 17 de janeiro de maneira tímida, contando apenas com doses da vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butantan, centro de referência brasileiro responsável pela implantação do antígeno no Brasil. Passado pouco mais do primeiro mês de imunização, mais de 80% dos imunizantes distribuídos por aqui também saíram dos portões do centro de referência paulista, fundamental para o combate do vírus a essa altura da pandemia.
Como o Butantan tem se organizado para suprir a falta de vacinas no país?
Estamos trabalhando no máximo da nossa capacidade de produção nesse momento e, inclusive, reprogramando a produção de outras vacinas para dar prioridade para a CoronaVac. Tudo isso para poder acelerar o quantitativo de doses. Já fizemos um primeiro esforço e, com isso, nos planejamos para entregar 22 milhões de doses no final de março, quando a previsão inicial era de pouco menos de 18 milhões. A previsão inicial de entrega foi feita dentro de um contexto que haveria outras vacinas dentro da programação do Ministério da Saúde, mas essa previsão não se confirmou. A nossa vacina é a única, atualmente, usada em grande volume no país. [IMPORTANTE: o intervalo entre a aplicação da primeira dose e aplicação da 2ª dose, no caso da CoronaVac, é no máximo de 28 dias, o que implica em para cada primeira dose aplicada, já reservar a segunda = efetivamente serão vacinadas com as duas doses necessárias, sempre metade do total de doses disponíveis. Assim, 11.000.000 de vacinados para 22 milhões de doses previstas]
O senhor acredita que as atuais vacinas funcionarão contra variantes?
O Brasil enfrenta uma segunda onda, explosiva, ainda maior que a primeira onda e mais grave por conta da presença de variantes. Ainda não há nenhum fato conclusivo dizendo que as vacinas não são eficazes, também não existe conclusão cientificamente relevante que aponte, com poder estatístico, que a ação da CoronaVac fica comprometida diante dessa variante P1, de Manaus. É preciso um número maior de vacinados para fazer esse tipo de análise.
Mas não adianta o Brasil se proteger sozinho?
A vacinação trará conforto regional, mas como eu disse, não há vacina para todos no planeta. E não há vacinas ainda para crianças e adolescentes e outros públicos, precisamos de mais estudos. Porém, é importante lembrar, que as vacinas têm impacto no número de internações e mortes, que no fundo é o que realmente importa. Será parecido com o que acontece com a gripe, a vacina impedirá que a infecção seja grave e a mortalidade, mas a infecção seguirá existindo.
É provável que tenhamos uma CoronaVac atualizada?
De acordo com o que temos visto nessa pandemia, vejo esse cenário acontecer, sim.
Saúde - Revista VEJA