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terça-feira, 8 de março de 2016

Jararaca irrelevante



A jararaca parece ser a novidade. Todos dizem que ela apanhou. Alguns dizem que a pancada pegou na cabeça. Outros juram que foi no rabo. Mas todos concordam. A jararaca parece não ter saído incólume.

Confesso que não lembrava exatamente o que era uma jararaca. Fui pesquisar. A original, segundo a Wikipédia, é uma serpente muito venenosa e responsável por grande parte das picadas de cobra em sua região de origem. Na natureza, tem jararaca de todo tipo e atendendo por muitos e diferentes nomes... Jararaca-do-campo, jararaca-do-cerrado, jararaca-dormideira, jararaca-preguiçosa e jararaca-verdadeira... E que todas gostam de ratos.

Já em sua forma humana, jararaca, na gíria, é Pessoa fofoqueira, traiçoeira. Qualidades adequadas para descrever a jararaca em questão. Esta, sem duvida alguma, foi atingida pela paulada metafórica. E virou noticia. Apesar do golpe, sobreviveu. Meio tonta, fez barulhos, esperneou, reclamou. Tem o direito.

Alguns podem achar que esta jararaca luta contra a extinção. É improvável. Ela provavelmente sobreviverá para ver o futuro, viver nele, testemunha-lo. Para esta jararaca, o futuro, especialmente o imediato, é importante. Para o futuro, é possível que a jararaca não tenha importância alguma.

Futuros são assim. Relegam a (no máximo) notas de rodapé personagens menores da trama. Lembram somente daquilo que vale a pena preservar. E, convenhamos, muita coisa e muita gente nos dias de hoje merecem ser esquecidos. Ou ignorados. A jararaca, inclusive.

Com sorte, em alguns anos, os ratos, as jararacas, o veneno, o bote, os ataques, enfim, estes tempo com muito calor e nenhuma luz talvez façam parte de passado distante que a gente possa ignorar. E dele levar somente o aprendizado para que nada disso se repita.
No meio tempo, a gente vai ter que ouvir e presenciar o estrebucho e barulho da jararaca. E entender que ela luta não pela sua sobrevivência. A jararaca (ou pelo menos esta jararaca) não está nem corre o risco de ser, extinta. Ela apenas perdeu a importância.

A gente já cansou dela. E prefere que ela continue sua caminhada relutante em direção ao ostracismo, enquanto, infelizmente, abusa da paciência, dos ouvidos e da boa educação. Continua viva. Mas cada vez mais esquecida. E irremediavelmente irrelevante.

Fonte: O Globo – Elton Simões