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sábado, 27 de outubro de 2018

Bolsonaro, Barra da Tijuca: PIB no novo endereço do Poder

O grupo aperta o passo pela alameda de acesso ao condomínio privado de classe média

Expressivas as imagens no Jornal Nacional da TV Globo, segunda-feira, 22, no noticiário das campanhas dos candidatos a presidente da República – Jair Bolsonaro (56%) x Fernando Haddad (44%), segundo a pesquisa Datafolha de quinta-feira – na sinuosa curva que vai dar nas urnas do segundo turno, neste domingo, 28. Emblemáticas as tomadas em grandes planos, das filas cerradas de homens de negócio, líderes representativos de diferentes entidades da indústria e comércio (gente que soma 32% do PIB nacional ), a caminho de mais novo endereço do poder no País.

O grupo aperta o passo pela alameda de acesso ao condomínio privado de classe média na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde mora, cuida da saúde e faz campanha, o candidato que lidera todas as pesquisas com relativa folga, incluindo a mais recente, do Ibope, na qual experimentou sua primeira parada de crescimento no segundo turno. No correr da semana, o JN registrou outras romarias expressivas no Rio ( parlamentares, prefeitos, evangélicos e pastores de outros credos). No entanto, a cena mais simbólica, para o jornalista, foi mesmo a do encontro do capitão presidenciável com os empresários, congelado na fotografia que começou a circular nas redes sociais.

Informa e permite outras observações. Uma delas, publicada no El Pais, síntese perfeita dos 30 minutos de conversa, feita por Fernando Figueredo, presidente-executivo da Abiquim: “O fundamental é que ele disse que não quer atrapalhar”. O executivo observou, também, que o dono da casa nem sequer segurava um papel para anotar os comentários dos industriais. Preciosa revelação!

Rodado observador, por dever de profissão, dos signos do poder, em outras eleições e redações, bateu de imediato uma recordação: me fez retornar à noite de 12 setembro de 2002, em Salvador, na curva de chegada da campanha que levaria ao inédito no Brasil, como escrevi então neste espaço: Um ex-dirigente sindical do ABC (Luiz Inácio Lula da Silva, fundador do PT ( hoje preso em uma cela da sede da PF em Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro) conduzido pelo voto ao Palácio do Planalto.

Naquela noite, um temporal diluviano ameaçava afogar a capital, e o melhor a fazer era não sair de casa. Tomar avião nem pensar, ainda mais se a pessoa arde em febre de mais de 28 graus e está com a garganta estropiada por uma faringite agravada pelo excessivo uso das cordas vocais, pelos últimos atos da campanha. Era o caso de José Alencar, então candidato a vice da chapa praticamente vitoriosa. Dono da Coteminas, anunciado para falar aos seus pares da indústria e do comércio, na sede da multicentenária Associação Comercial da Bahia.

Não repetirei o que escrevi antes sobre este episódio . Resumo apenas que, quase na hora marcada, sob dilúvio, Zé Alencar chegava no prédio histórico da ACB, lotado, para a palestra destinada a derrubar resistências ainda fortes na elite empresarial do Nordeste, “quanto a apoiar o barbudo sindicalista do PT, para ocupar o mais alto posto de comando da Nação”. O resto e o que se sabe.
“Ninguém me contou. Eu estava lá. Eu vi”, repito, para terminar, as palavras do jornalista Sebastião Nery, na apresentação do livro Rompendo o Cerco, sobre Ulysses Guimarães. Agora falta conferir o que virá, depois das romarias à casa do capitão Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca. Bom Voto!

Vitor Hugo Soares, jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. 
Email: vitor_soares1@terra.com.br