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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Confusão cerimoniosa

Até mísseis anti-aéreos foram usados na solenidade de posse de Bolsonaro, mas a proibição à entrada de maçãs na festa, sob a alegação de que poderiam ser atiradas no presidente, marcou a paranóia no forte esquema de segurança [o que justifica o aqui chamado, erroneamente, de paranóia é consequência da maçã não ser uma maçã - em matéria de segurança, do presidente da República, cuja morte foi muito desejada, vale tudo em termos de medidas de segurança. ]

No começo da humanidade, segundo a versão do catolicismo, Adão e Eva foram expulsos do paraíso por comerem o fruto proibido, no caso a maçã. Milhares de anos depois, justo no primeiro dia de 2019, o presidente Jair Bolsonaro proibiu o porte da maçã na solenidade de sua posse no Palácio do Planalto. A redonda fruta vermelha sucumbiu ao rigor exagerado imposto pela segurança. Alegou-se que ela poderia ser usada como arma, atirada de encontro ao presidente quando ele circulasse em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios. Mesmo os jornalistas que cobriram o evento foram tratados como suspeitos de serem potenciais atiradores de maçãs. Avisados de que teriam de levar lanches – porque teriam de ficar confinados nos lugares a eles destinados na cobertura -, tiveram as maçãs confiscadas ou cortadas em pedaços pelos agentes de segurança. A suposta letalidade da fruta marcou o excesso de rigor com a segurança na posse.

O público estimado foi de 115 mil pessoas, abaixo do que se esperava, já que a previsão era a presença de um público de 500 mil. Foi um número bem maior, porém, que os das posses dos governos petistas. Na primeira posse de Lula, em 2003, estimou-se a presença de 70 mil pessoas. Na segunda posse de Dilma Rousseff, 40 mil. Desta vez, porém, as pessoas ficaram bem mais distantes dos acontecimentos, separados por cercas e barreiras. Para chegar ao Congresso e à Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, tiveram que passar por quatro pontos diferentes de revista. Além das maçãs, estavam proibidas garrafas, latas de refrigerante, guarda-chuvas, carrinhos de bebê. Até carregadores de celular.

Atiradores de elite permaneceram no alto dos Ministérios. O espaço aéreo foi bloqueado. Mesmo assim, baterias anti-aéreas foram instaladas em pontos estratégicos. Seis mil agentes das Forças Armadas atuaram. Integrantes do GSI justificaram as medidas adotadas no dia 1º como forma de anular qualquer possibilidade de ataque terrorista contra o presidente. Tanto que Jair Bolsonaro estava com um colete à prova de balas debaixo do seu paletó azul-marinho. Seu filho, Carlos Bolsonaro, não teve pudor em pisar nos bancos de couro marrom do Rolls Royce conversível da Presidência, um modelo Silver Wraith de 1952 e sentou-se na traseira do carro para servir de “escudo humano” ao pai. “Ele é meu pit bull”, justificou o presidente.


Jornalistas tratados como gado
Os jornalistas acabaram virando vítimas preferenciais da paranóia. As restrições ao trabalho da imprensa fizeram com que correspondentes da França e da China abandonassem a cobertura, quando descobriram que teriam que ficar confinados numa sala do Itamaraty durante o dia inteiro e que só poderiam sair para cobrir a recepção aos chefes de Estado estrangeiro que começaria às 19h. Todos os jornalistas tiveram de chegar ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) às 7h para serem transportados de lá em vans até seus locais de cobertura. O que significa, no caso de quem estava escalado para o Itamaraty, uma espera de 12 horas. No Salão Verde da Câmara, as poltronas desenhadas por Oscar Niemeyer foram retiradas e os jornalistas tiveram de aguardar sentados no chão.

“Não é aceitável que repórteres e cinegrafistas sejam mantidos durante horas em determinados locais, como se estivessem em cárcere privado. Não se pode confinar a imprensa em alambrados como gado de corte”, escreveu a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em dura nota. “O que se viu em Brasília é incompatível com o regime democrático. O respeito à imprensa é um dos principais indicadores das nações que se consideram civilizadas”, acrescentou a ABI. Ao final, a nota lembra que “o novo mandatário precisa ser alertado que a campanha eleitoral terminou”. [a campanha terminou e Jair Bolsonaro, com as bençãos de DEUS, governará o Brasil por, no mínimo, quatro anos
causam estranheza de correspondentes da França (que não adam muito bem com Macron) e da China (que dispensa apresentações em matéria de liberdade de imprensa) tenham sido os mais incomodados.]  Depois do atentado que sofreu, Bolsonaro tem razões em se preocupar com sua segurança, mas acabará por gerar antipatias se tal preocupação se transformar em obsessão.

IstoÉ