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sexta-feira, 11 de março de 2016

De Dostoievski para Lula



Lula, Dilma, o governo e seus partidos prestariam enorme serviço à saúde pública se apontassem quais brasileiros desejam que os pobres continuem pobres e morram na miséria.
A tarefa de fazer com que muitos creiam não é apenas missão religiosa. É, também, essência da política como arte de conquistar apoios para alcançar e manter o poder. Há sistemas políticos nos quais as pessoas creem em partidos e suas ideias, visões de mundo, perspectivas históricas, valores e em como isso se projeta nos anos por vir. E há sistemas, como o nosso presidencialismo, em que a crença dos eleitores recai sobre as pessoas dos candidatos. É fácil compreender que isso nos faz mais vulneráveis à mentira como forma de angariar apoios. Quanto mais ingênuo o eleitor, quanto mais carente do benefício pessoal que lhe possa advir do poder público, mais sensível ele se torna a mentiras e mistificações. Nas nossas disputas políticas, a verdade é mais inoportuna do que a mentira.


Em Irmãos Karamazov, Dostoievski ensina: "O homem que mente para si mesmo e escuta as próprias mentiras chega a um ponto em que não pode distinguir a verdade e a mentira dentro de si ou ao redor de si, e assim perde todo o respeito por si mesmo e pelos outros".
Após seu depoimento nas instalações da PF em Congonhas, durante a entrevista que virou discurso, o ex-presidente era imagem viva e falante do desastre exposto por Dostoievski. Lula apelou para todo o seu repertório de artimanhas. Quero destacar a que é mais repetida, ao longo dessa infinita série de escândalos. Segundo o governo, a promissora condução petista dos negócios nacionais seria antagonizada por uma elite que não tolera a prosperidade dos mais pobres.

Lula, Dilma, o governo e seus partidos prestariam enorme serviço à saúde pública se apontassem quais brasileiros desejam que os pobres continuem pobres e morram na miséria. Essas pessoas, certamente pouquíssimas caso existam, deveriam ser identificadas e tratadas porque portadoras de um desejo anormal, desumano e masoquista. Ninguém mentalmente sadio quer viver sitiado pela miséria e suas vexatórias consequências que o governo sequer minimamente conseguiu abrandar.

A esse respeito, o senso comum grita contra a algaravia de Lula: nada é tão honestamente benéfico ao bem de cada um do que o bem de todos! Nada é mais conveniente à prosperidade de cada um do que a prosperidade de todos! São dois axiomas que dispensam provas. Eis por que o desastre ético e técnico da gestão petista nos leva a sonhar com educação promovendo o desenvolvimento das potencialidades da juventude, população ativa ganhando a vida e gerando riqueza, produção, consumo, empregos, PIB crescendo, inflação caindo e as pessoas podendo cuidar bem de si mesmas. Quem não quiser isso é doido. E quem acusa 90% da população ser contra isso é o quê, Dostoievski?

http://puggina.org

quinta-feira, 26 de março de 2015

Cuidado! A turma GLBT e assemelhados podem considerar sua opinião sobre Rock Hudson discriminação e conseguir te condenar a pagar R$ 1.000.000,00



No Brasil atual a turma LGTB sempre tem razão, é sempre a vítima e  não precisa provar as acusações que faz

Rock Hudson e o compadrio

Por: Luis Fernando Veríssimo, escritor – O Estado de São Paulo

No Brasil há mitos ruindo por todos os lados, incluindo alguns que o PT criou sobre si mesmo
Sou de uma geração que nunca se recuperou da revelação de que o Rock Hudson era gay. Entende? Nada contra ser gay, declarado ou disfarçado. Cada um use seu corpo e siga suas preferências sexuais como quiser, ninguém tem nada com isso.

Mas é que o Rock Hudson representava, na sua época, um ideal de masculinidade inquestionável. Até o seu nome inventado (Roy Harold)  Rock transmitia uma ideia de macheza esculpida em pedra, para sempre. E de repente descobrimos que até as coisas mais evidentes podem não ser o que parecem.

Se o Rock Hudson era gay, todas as nossas certezas estavam ameaçadas (abro parênteses para sugerir que eu talvez seja uma das últimas pessoas do mundo que sabem quem foi o Rock Hudson. Ator americano.  Trabalhou em alguns filmes com a atriz e cantora Doris Day, de quem o Groucho Marx disse, certa vez, que a conhecera antes de ela ser virgem, outra desilusão). Enfim, dizia eu quando me interrompi tão rudemente, nunca mais acreditamos inquestionavelmente em mais nada. [qualquer menção a Rock Hudson traz à lembrança a maravilhosa série policial McMillan e Esposa, com ele Susan Saint James nos papéis principais.]

Com uma exceção. Entre as poucas certezas que sobreviveram ao choque de saber que o Rock não era tão rock assim estava a da inviolabilidade das contas numeradas na Suíça. Podia-se especular sobre quem tinha ou não tinha conta numerada num banco suíço, mas jamais esperar que se descobrisse quem. Agora ruiu mais este mito. Os nomes estão saindo nos jornais.

Temos o direito de nos sentirmos um pouco como aquele irmão Karamazov do romance do Dostoievski que, no meio de uma bebedeira, proclama: “Se Deus não existe, tudo é permitido!” Anos mais tarde o Nelson Rodrigues se apropriou da frase e escreveu: “Se Vinicius de Moraes existe, tudo é permitido!” Podemos propor uma terceira versão: se não se pode mais confiar nem na discrição fiduciária dos suíços, nada é sagrado!  No Brasil há mitos ruindo por todos os lados, incluindo alguns que o PT criou sobre si mesmo. O mito neoliberal da competição como tônico de um mercado livre e autorregulável só sobrevive porque seus pregadores desdenham do óbvio.

O que estamos vendo nessa meleca toda, empreiteiras formando cartéis para participar de licitações combinadas e comprando favores e contratos de corruptos com propinas milionárias, se não uma espécie de apoteose feérica do capitalismo de compadres em ação? O compadrio odeia a competição. Talvez, na próxima passeata, uma das faixas possa aludir a isso.

Postado por: Cézar Henriquez