Na verdade, o importante é a economia. Se o cidadão tiver emprego, puder comprar alimentos, pagar o aluguel e as contas, o governo Bolsonaro terá dado certo
Na verdade, esses itens são secundários: o importante é a economia. Se o cidadão tiver emprego, puder comprar alimentos, pagar o aluguel e as contas, o Governo terá dado certo. Simples assim: se a economia estiver em bom funcionamento, tudo estará bem. Lembre o grande Nelson Rodrigues, para quem o Maracanã vaiava até minuto de silêncio. O ditador Médici, em cujo governo a economia cresceu, foi aplaudido. Motivo? Pleno emprego.
No caso de Bolsonaro, se a economia crescer e se aproximar do pleno emprego, anote: Ônix vira gênio político, Alexandre Frota passa a ser um parlamentar brilhante cuja vocação demorou a ser descoberta, a bancada da Bíblia recebeu uma ordem divina e a cumpriu juntando-se ao predestinado que iria salvar o país. Se a economia não crescer, o restante do Governo pode funcionar com perfeição que será sempre considerado muito ruim. Oto Glória, técnico brasileiro que levou a Seleção portuguesa ao terceiro lugar na Copa de 1966 (eliminando o Brasil de Pelé), dizia que “em futebol é fácil passar de bestial a besta”. Em Portugal, “bestial” significa “ótimo”.
A voz de Lula
Antes que comecem a insultar este colunista, quem disse que Médici
era popular entre os trabalhadores e venceria uma eleição direta foi
Lula. Lula corretamente atribuía a popularidade de Médici ao pleno
emprego.
Bons sinais
Há bons sinais no caminho de Bolsonaro: a inflação está baixa, há
sinais de confiança do mercado na recuperação da economia, o desemprego é
um horror de alto, mas baixou, neste fim de ano, ao nível da época de
Dilma.
Maus sinais
E há maus sinais: parlamentares dispostos a aumentar as despesas se
forem contrariados, magistrados que nesta época não se preocupam com o
déficit público, coordenação política do bloco governista ainda
inexistente. O buraco nas contas é grande e já se fala em retomar
investimentos (aliás, necessários) em obras de infraestrutura e até
mesmo em Angra 3, parada há dezenas de anos. De onde sairá o dinheiro?
Pergunte ao Posto Ipiranga: só o superministro da Economia, Paulo
Guedes, para responder onde buscá-lo.
Educação em (bom) debate
Só feras: um debate promovido pelo MIT, Massachusetts Institute of Technology, uma das principais universidades do mundo, sobre Visões sobre o futuro da Educação no Brasil,
com apoio da Fundação Lemann. “O Brasil precisa avançar na Educação
para poder escapar da armadilha de renda média”, diz o professor Ben
Ross Schneider, do MIT, coordenador do debate e autor de pesquisa com
análise comparativa das políticas públicas educacionais e reformas na
América Latina, com foco no setor privado e nos sindicatos de
professores. O debate, com Schneider, Lucas Rocha, da Fundação Lemann,
Ari de Sá Neto (MIT Sloan Alumni do Brasil, CEO da Arco Educação) e
Samir Iásbeck, da Qranio, ocorre nesta segunda, 3 de dezembro, das 18h30
às 21h. Inscrições até dia 30 (e detalhes) neste link. Gratuito. Vale a pena: todos têm o que dizer e não entram em discussão de bobagem.
Olha o indulto!
O Supremo deve decidir hoje se o indulto de Natal assinado no ano
passado por Temer vale ou não integralmente. Em liminar, o ministro Luís
Roberto Barroso suspendera trechos do indulto, para excluir do
benefício os presos por crimes de colarinho branco. Hoje, se a decisão
de Barroso for derrotada, condenados por corrupção ficarão livres após o
cumprimento de 20% das penas, e sem pagar as multas que lhes foram
impostas. Barroso tinha liberado para o perdão de Temer só os condenados
por crimes sem violência, com sentença de até oito anos, que já
tivessem cumprido um terço da pena, sem liberação das multas e sem
colarinho branco. Conforme a decisão do Supremo, Temer poderá conceder
um indulto gigante.
Só?
Mais uma denúncia contra o ex-presidente Lula, esta oferecida pela
Operação Lava Jato de São Paulo, sob acusação de lavagem de dinheiro em
negócio na Guiné Equatorial, África. Segundo a denúncia (que, entre os
papeis apresentados, traz e-mail do ex-presidente ao ditador Teodoro
Obiang), Lula ajudou a empresa brasileira ARG a ganhar contrato na Guiné
Equatorial, e em troca obteve propina de US$ 1 milhão (ou doação legal
para o Instituto Lula). Bem, se houve propina de US$ 1 milhão, quase
nada diante dos números que têm circulado, Lula será processado por dumping.Publicado na Coluna de Carlos Brickmann