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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Ibope e Datafolha tomam decisão que dá azo a teorias conspiratórias. Acho que fizeram mal. No caso do Ibope, a emenda só piora o soneto

Ai, ai, ai… As teorias conspiratórias estão correndo soltas, sem controle, no ambiente que parece especialmente criado para isso: as redes sociais. Ibope e Datafolha tomaram decisões sobre divulgação de pesquisas que põem o imaginário da turma para funcionar. Por enquanto, quem saiu na dianteira, inventando teorias, são os petistas. Mas os bolsonaristas também entraram na luta. Na versão dos dois grupos, seus respectivos “líderes” e “mitos” estão arrasando e, claro!, a “mídia tucana” estaria escondendo a verdade. Vamos ver.
 
O Ibope iria divulgar uma pesquisa nesta terça, feita a pedido da TV Globo e do Estadão. Suspendeu a divulgação. Emitiu a seguinte nota: “O IBOPE registrou no TSE, dia 29 de agosto, cinco dias antes da data de divulgação, como prevê a lei, pesquisa eleitoral sobre a intenção de votos nos candidatos à presidência da República, sendo os contratantes a TV Globo e o jornal O Estado de S. Paulo. Naquela ocasião, o PT havia solicitado o registro de Luiz Inácio Lula da Silva como seu candidato e aguardava definição a respeito do Tribunal Superior Eleitoral. Por esta razão, como fez em pesquisa anterior, o IBOPE registrou no TSE pesquisa com dois cenários. O primeiro, com o nome de todos os candidatos com registros solicitados ao Tribunal, incluindo Lula. O segundo, com o nome de Fernando Haddad, candidato a vice-presidente na chapa do PT, apontado como eventual substituto de Lula em caso do então provável indeferimento de sua candidatura. 

Ocorre que na madrugada de sábado, dia 1° de setembro, o plenário do TSE, sem aviso prévio de que julgaria o feito, indeferiu o registro da candidatura de Lula e proibiu que o ex-presidente participasse, como candidato, de atos de campanha ou da propaganda eleitoral no Rádio e na Televisão. A Corte determinou também que o nome de Lula fosse retirado da urna eletrônica e concedeu 10 dias para que o PT indicasse novo candidato. Diante disso, na manhã de sábado, antes da realização da pesquisa, e para estar de acordo com o julgamento e as determinações do TSE, o IBOPE não pesquisou o cenário com Lula, diferentemente do que constava do registro da pesquisa, aplicando apenas o cenário alternativo, tendo Haddad como candidato. 

A intenção do instituto é obter o aval do TSE para divulgação do resultado dessa pesquisa, com a mencionada adequação. Foi o que o IBOPE fez hoje. Até o momento, porém, o TSE não se manifestou sobre a questão, razão pela qual, em respeito à lei, o IBOPE não liberou a pesquisa para divulgação. Tão logo o TSE se pronuncie a respeito, o IBOPE informará o público e, consoante com a decisão da Corte, liberará ou não os resultados.”

Vamos ver
Eu não sabia que os dados fornecidos ao TSE não valem.
Segundo o que está registrado no tribunal, a pesquisa começaria a ser feita no dia 29, não no dia 1º. Confesso que achei estranho porque não vi muito sentido em misturar tempos políticos distintos: antes e depois do início do horário eleitoral.


O que é curioso na decisão, e não tenho hipótese conspiratória nenhuma, é que uma pesquisa é feita para medir a opinião dos eleitores num determinado momento. Lula vetado ou não pelo TSE, pergunta-se: e daí? Os dados serviriam também para saber se o veto do tribunal teve algum impacto na opinião do eleitor.  Inexiste legislação que proíba a divulgação de dados de uma pesquisa previamente registrada desde que executada segundo o registro. O, vamos dizer assim, “erro” foi, então, não seguir o combinado e ter excluído o nome de Lula.

Datafolha
O Datafolha também mudou suas datas.
Iria divulgar uma pesquisa nesta quinta, com questionários aplicados nestas terça e quarta. Não vai mais. Segundo o que está registrado no TSE, o instituto fará as entrevistas e divulgará o resultado num único dia: 10 de setembro. E Lula não estará entre as opções.

Que fique claro: é uma decisão da empresa, não da Justiça Eleitoral. Até porque, reitero, não há lei que impedisse feitura e divulgação porque: – o registro estava feito;
– decisão sobre Lula só terá trânsito em julgado com o STF, embora o resultado seja sobejamente conhecido de antemão.

O que há de relevante na data escolhida pelo Datafolha? Os questionários serão aplicados depois de 10 dias de horário eleitoral no ar, cinco deles ocupados pelos presidenciáveis: 1º, 3, 5, 7 e 9. Dará para saber se tiveram algum impacto na opinião pública. Os números do Ibope, sejam divulgados ou não, têm pouca serventia. Explico por quê: se o campo começou, como se informa, no dia 29, misturam-se alhos com bugalhos. Se teve início só no dia 1º, como informa a nota, contrariando o registro, pegou um único dia inteiro de campanha.

Acho as explicações do Ibope um tanto enroladas e discordo da decisão do Datafolha. Quanto menos, seria interessante saber, reitero, se o veto do tribunal repercutiu junto ao eleitor. É claro que os petistas vão chiar. Uma das alegações é a de que se vai colher a opinião do eleitor antes de o PT proceder a efetiva assunção de Haddad como candidato. A data-limite é 11 de setembro. Vale dizer: parte do eleitorado do ex-presidente ainda não saberia que “Haddad é Lula” e não vai encontrar o nome do seu escolhido na lista. Uma pergunta, não uma afirmação: isso não pode inflar o nome de alguns adversários do PT? De todo modo, no dia 10, convenha-se, são remotas as chances de o eleitor ignorar que Lula está fora do páreo. Mas e no dia 1º, quando o Ibope teria começado a aplicar os questionários?

Os petistas estão se dizendo vítimas de mais um complô da mídia. Obviamente, não há complô nenhum, mas eu não tomaria nem uma decisão nem outra. Institutos não têm de se antecipar a decisões da Justiça — e a última palavra é do STF. Até porque, convenham, todos sabíamos que Lula não seria candidato principalmente em razão da Lei da Ficha Limpa, a mesma que instruiu a decisão do TSE.

De toda sorte, esses eventos servem de advertência para alguns lunáticos do PT. Esse jogo está jogado. Ou faz Haddad candidato ou imita aquele comando que foi protestar contra a crucificação de “Brian”, no filme “A vida de Brian”, de Monty Python: diante do que considera uma injustiça, opta pelo suicídio coletivo.