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sexta-feira, 22 de maio de 2015

LIXO MORAL – O assassino do médico Jaime Gold vira vítima e herói - se a sociedade tivesse tido a sorte do jovem 'di menor ter sido abatido com uma bala certeira, certamente alguns crimes não teriam sido cometidos pelo bandido hoje herói


LIXO MORAL – O assassino do médico Jaime Gold vira vítima e herói; no fim das contas, culpada é a classe social do morto


O lixo moral dos nossos dias é asqueroso. Ele transforma algozes em vítimas; vítimas em algozes. Inverte a lógica das responsabilidades. Impõe ao homem comum, que trabalha, que estuda, que luta para ganhar a vida, a pergunta permanente: “O que você pode fazer em benefício daquele que aponta um arma contra a sua cabeça? Onde está a sua culpa na facada que você levará um dia?”.

Faz sucesso nas redes sociais a matéria do jornal Extra, do Rio, sobre o menor de idade que assassinou o médico Jaime Gold, de 56 anos, na última terça. A reportagem conta a trajetória do adolescente de 16 anos, apreendido pela primeira vez em 20 de junho de 2010, aos 11, acusado de roubar um celular e dinheiro de um pedestre na Lagoa Rodrigo de Freitas. Sob a manchete “Duas tragédias antes da tragédia – Sem família e sem escola”, o jornal transforma o jovem em vítima das circunstâncias. 

Leiam este trecho: “O pai, ele só viu duas vezes. A mãe, catadora de latas, foi indiciada por abandoná-lo com fome na rua. A outra barreira de proteção ao menor também falhou: ele desistiu dos estudos no sexto ano. E a recíproca foi verdadeira, a escola também desistiu dele”.

Viram só? Não foi ele quem deu as facadas em Jaime Gold, mas as circunstâncias, especialmente a escola que teria “desistido” dele.  Está chegando às bancas o livro “Podres de Mimados – As consequências do sentimentalismo tóxico”, do psiquiatra inglês Theodore Dalrymple. Transcrevo um trecho em que ele caracteriza uma distorção moral, que teve início com o que chama “era do sentimentalismo romântico”:
“A exibição de vícios tornou-se prova de que [o homem] foi maltratado. Aquilo que se considera defeito moral tornou-se condição de vítima, consciente ou não, e, como a humanidade tinha nascido feliz, além de boa, a infelicidade e o sofrimento eram igualmente prova de maus-tratos e de vitimização. Para restaurar no homem seu estado original de felicidade e bondade, era necessária, portanto, uma engenharia social em larga escala. Não surpreende que a revolução romântica tenha levado à era dos massacres por razões ideológicas”.

É brilhante! Os humanistas do pé quebrado, no fim das contas, são potenciais assassinos em massa. Se o homem nasce puro e é corrompido por uma sociedade má, ele é inimputável, e a culpada é da dita-cuja. Logo, ou refazemos a civilização, ou não há esperança. Para tanto, será necessário que uma força de vanguarda, mais consciente do que a plebe rude, faça esse serviço.

Os fascistas tomaram a tarefa para si.  Os comunistas também.  Deu no que deu. Uns e outros se esqueceram de que os indivíduos devem responder por seus atos. Só os liberais, coitados, que apanham todo dia da imprensa de esquerda, se incomodam com isso.
É o lixo moral e tóxico dos nossos dias.

Por: Reinaldo Azevedo - Blog na Veja


Crime reforça pressão por nova maioridade penal



Apreensão de suspeito, menor de idade, de ter matado médico na Lagoa é mais um entre um sem-número de atos de violência que ficam sem punição
Crimes como a morte do médico Jaime Gold, e outros com o envolvimento de adolescentes, são tragédias anunciadas que se alimentam na esquizofrênica resistência de parte da sociedade a enxergar uma realidade insustentável. Como em ocorrências anteriores em que a violência dos criminosos levou ao óbito, ou provocou ferimentos graves nas vítimas, também desta vez há fortes indícios de participação de jovens com idade inferior a 18 anos. Ou seja, de antemão virtualmente inalcançáveis pela Justiça, um salvo-conduto balizado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente para a criminalidade sem o risco de punição efetiva. 

Ontem, um dos suspeitos da morte de Gold foi, no jargão politicamente correto, “apreendido”. Aos 16 anos, o rapaz já tem uma vida longa no crime, com 15 anotações criminais — a primeira das quais aos 12 anos. E, pelo protocolo, não é difícil adivinhar que essa provável 16ª anotação terá a mesma tramitação das anteriores: inimputável, graças ao anteparo do ECA, logo ele estará de volta às ruas, ao círculo vicioso da violência, incorporando mais ocorrências ao prontuário — ou sendo ele mesmo uma nada improvável vítima dessa realidade que produz tragédias em série. Não é mais argumento a ser colocado na mesa a suposta atenuante de que jovens com menos de 18 anos não têm consciência de seus atos. Falso. Fora a evidência de que adolescentes ingressados na marginalidade têm maturidade suficiente para medir o grau de violência que empregam para intimidar as vítimas, outras duas particularidades desses crimes em série desfazem essa impressão.  

Uma delas diz respeito à consciência do abrigo que o ECA lhes oferece. Não é por acaso que esses rapazes praticam crimes desembaraçadamente, à vista de quantos estejam testemunhando: o Estatuto os protege. Outra, a inegável rede de informações que os bandos trocam entre si, do que é prova o uso, cada vez mais constante, de facas em assaltos na rua. Sabem que portar arma branca não é prova de crime, um conceito que os delinquentes aprenderam e adotam em favor de seus atos.

Contra a flexibilização da lei brande-se também a relativização do envolvimento de menores em crimes, principalmente homicídios. Por menor que seja o índice, não é por isso que atos de violência, principalmente os que levam à morte, deixam de ser trágicos — logo, graves.

O debate sobre a inimputabilidade de delinquentes juvenis é contaminado por esse tipo de argumentos que desfocam a discussão. Espera-se que, agora, as trágicas consequências de crimes como o desta semana na Lagoa contribuam para dar-lhe o rumo correto. Da parte do Legislativo, as ações parecem bem encaminhadas com a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, da emenda que reduz para 16 anos o limite da inimputabilidade penal — o que poderia ser feito dando-se ao juiz competente o arbítrio de decidir pela punibilidade de acordo com a gravidade do caso. 

Um choque de realidade que precisa ser corroborado pelo plenário.

Fonte: O Globo – Editorial