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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Mourão pode fazer história. Ou não


Na próxima semana, com a ida de Jair Bolsonaro ao Fórum Econômico Mundial em Davos, o vice-presidente Antônio Hamilton Martins Mourão assumirá o País. Investido no cargo de presidente, o general terá uma oportunidade histórica: a de, num gesto de grandeza, talvez o mais eloquente de sua trajetória, revogar a promoção do próprio filho.  [absolutamente sem sentido que Mourão adote tal providência; injusta, arbitrária, ilegal e mesmo imoral - o filho do Mourão tem competência e mérito (as carpideiras já falaram tudo contra a promoção, exceto que o promovido é incompetente e sem mérito); 
por isso, demiti-lo é pisotear a meritocracia e insuflar as injustas e imorais cotas - essas sim, devem ser extingas,  conforme promessa de Bolsonaro ao falar em um dos seus discursos em privilegiar o mérito = extinguir as cotas.]

Não é trivial. Recentemente, Mourão deu por encerrada a refrega. Relegou-a a “assunto morto”, de morte matada, não de morte morrida, como dizia João Cabral de Melo Neto. O triplo twist carpado do salário de Mourinho, depois de um ato de generosidade do presidente do Banco do Brasil, não é, ou não deveria ser, como tentou fazer crer Mourão, motivo de regozijo nem para ele, nem para o filho, muito menos para quem neles depositaram as mais sinceras esperanças de mudar o País, a partir do fulgir de uma “nova era”. O futuro presidente interino precisa entender que a glória é fugaz, mas a obscuridade dura para sempre. Ao fim, é como a conclusão melancólica do Eclesiastes (XII, 8) sobre a pequenez da alma humana: ‘vanitas vanitatum et omnia vanitas’ ou “vaidade das vaidades. Tudo é vaidade”.

Se quiser, no entanto, Mourão terá a chance de dar a “meia volta, volver” mais enobrecedora de sua carreira pública. Basta lembrar da distinção estabelecida pelo sociólogo alemão Max Weber entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade. Quando diz ao filho e funcionário de carreira do Banco do Brasil Antônio Rossellisso é mérito seu, é uma coisa que é sua, lhe pertence, acabou”, Mourão age movido pela ética da convicção. Mostra-se convicto de que o rebento não errou e, por isso, deve permanecer onde está, sem ser acossado. Equivoca-se, porém. Weber ensinou que quanto maior o grau de inserção de qualquer político na vida nacional, maior deve ser o afastamento de suas convicções estritamente pessoais. Ao primar por um bem maior para o seu povo, o governante maduro, como o Spoudaios de Aristóteles, deve saber a hora de se orientar pela ética da responsabilidade. [a prevalecer este entendimento todo pai importante deve cuidar para ter filhos, iresponsáveis, incompetentes e fadados a acabar com tudo que o pai tenha deixado de bom.
Não há o mais remoto indicio que o fato de ser filho do general Mourejarão tenha favorecido o Antonio - imaginar, achar que, não vale.] Ou seja, de colocar a responsabilidade acima da convicção. Pois aproxima-se aquele momento em que estadistas são separados de cambalachos de farda. É contigo, Mourão. Ao abrir mão dos encantos e delícias do poder, mesmo que para o filho, Mourão pai inauguraria uma nova galeria da história, onde perfilaria um militar capaz de prescindir de ser “dono do poder”, como escreveu Raymundo Faoro em seu antológico diagnóstico certeiro da origem do patrimonialismo brasileiro.

Comenta-se em Brasília que, [a frase 'comenta-se em Brasilia, ou em qualquer outro lugar é o mais seguro indício que está sendo iniciada a divulgação de uma foca, de um boato, em linguagem, moderna de uma 'fake news'; diante da repercussão negativa da ascensão do filho a assessor especial da Presidência do Banco do Brasil, Mourão só não teria forçado a renúncia de Mourinho até agora porque teme sair do episódio ainda mais desmoralizado do que entrou. “Como alterar o Diário Oficial? Está feito”, insiste uma pessoa próxima a ele. Há saída para tudo, ensina a vida nacional. Reza a lenda que, durante o governo JK, o ex-telegrafista dos Correios Rômulo Marinho foi a Alicio Sales Coelho, então diretor do Departamento Nacional do Trabalho, para que ele intercedesse junto ao presidente da República no sentido de permitir-lhe um financiamento do Instituto de Pensão e Aposentadoria dos Servidores para a compra de uma casa, uma vez que seu casamento estava próximo. Disse-lhe Sales Coelho: “Vou pedir ao presidente, mas se ele escrever autorizo com “s” não é para valer e não vou poder fazer nada. Sei que ele usa esse código secreto”. JK autorizou. Só que com “s”.

Quando tudo caminhava para o infortúnio, Rômulo encontrou uma maneira de revogar a decisão presidencial. Comprou uma Parker 51, idêntica a que Juscelino usava, e rasurou o documento. Resultado: o “s” virou “z” e o financiamento foi aprovado. Popularizou-se, então, o termo canetada. A partir da próxima semana, Mourão estará a uma canetada de alterar o rumo de sua própria história.

Sérgio Pardellas - IstoÉ



quarta-feira, 13 de maio de 2015

A campanha de Fachin mostra que é ótimo ser ministro do Supremo



O advogado Luiz Edson Fachin, indicado pela presidente Dilma para o Supremo Tribunal Federal, tem o posto em alta conta. Para alcançar a honra de integrar a mais alta corte do país, recebendo muito menos do que profissionais tão bem sucedidos quanto ele, investiu com força em imagem. Para apoiar sua candidatura, contratou Renato Rojas da Cruz, que foi, pela empresa Pepper, o chefe dos marqueteiros digitais na campanha de Dilma (segundo seu currículo, comandava a equipe de criação de redes sociais). Rojas montou um site de apoio a Fachin, www.fachincom.br. Sua participação era desconhecida, mas o segredo foi escancarado pelo blog https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/, do jornalista Cláudio Tognolli. A campanha “Fachin sim” utiliza também o Facebook, o twitter e o You Tube. Preço? Não se conhece o número exato; mas Rojas já trabalhou na cúpula de uma campanha presidencial e é professor da Universidade de Brasília. É bem cotado no mercado de campanhas.

 Sabatina de Luiz Edson Fachin no Senado – Para tirar os companheiros da cadeia

Fachin preferiu não deixar nenhuma brecha em sua luta para chegar ao Supremo. Já que havia contratado um marqueteiro de Dilma, e ainda dispunha de verba, fez questão de se abrir também aos tucanos. E contratou a Medialogue, que trabalhou na campanha de Aécio Neves, para fazer o monitoramento do que é divulgado nas redes sociais. O preço também não foi divulgado, mas uma empresa que já trabalhou em campanha presidencial coloca o currículo na conta.

Por que Joaquim Barbosa se aposentou, afinal? O cargo deve ser ótimo!

Sabedoria clássica
Não, não pensem mal do candidato Fachin. Pode estar manifestando uma característica demasiadamente humana. Como advogado de renome, ele é certamente douto em Latim e sabe que vanitas vanitatum et omnia vanitas. Está no Eclesiastes, um dos mais belos livros da Bíblia: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”.
Segue a frase: “que proveito tem o homem de todo o seu trabalho (…)? ”

Jogo de sombras
Nárcio Rodrigues, ligadíssimo a Aécio Neves, ex-presidente do PSDB mineiro, agora integra o governo de Fernando Pimentel, do PT, adversário de Aécio. Álvaro Dias e Beto Richa, líderes tucanos, apoiam a indicação de Luiz Eduardo Fachin para o STF. Tasso Jereissati, Aécio Neves, José Serra, que deveriam estar no Senado votando pela oposição, preferiram ir a Nova York assistir à milésima primeira homenagem a Fernando Henrique Cardoso nos últimos anos.

Não há dúvida: o PSDB é a melhor oposição que o PT jamais poderia conseguir.
Guerra contra Moro
Atenção: o comando das atividades virtuais do PT determinou ataques maciços contra o juiz Sérgio Moro, que julga os processos da Operação Lava-Jato. É acusado de cometer excessos; ressuscitaram procedimentos abertos contra ele há uns 15 anos (e nos quais foi inocentado faz muito tempo); é alvejado até por ter recebido a estatueta Faz Diferença do Grupo Globo, que a entregou a diversas personalidades cujo trabalho faz diferença.

Exemplos do nível dos ataques: “Como atestar credibilidade a um juiz que recebe presentinhos do capo Marinho e seus asseclas?”; e “O novo garoto-propaganda da Globo a serviço não da Justiça, mas de um bando de jagunços da direita brasileira sob a chancela da mídia”.

A decisão de atacar o juiz provavelmente se deve à conclusão de que há forte possibilidade de que réus petistas envolvidos no Petrolão sejam condenados, e é preciso transformá-los urgentemente em “guerreiros do povo brasileiro”.

Dias movimentados
Quem acha que o debate sobre o novo ministro do Supremo foi travado em baixíssimo nível que se prepare: agora é que as coisas começam a pegar fogo. De um lado, houve a operação policial, autorizada pela Justiça, contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e se multiplicam notícias sobre a possibilidade de envolvimento do presidente do Senado, Renan Calheiros, na Operação Lava-Jato; de outro, há as CPIs sobre fundos de pensão estatais e o BNDES

O senador Reguffe, do PDT de Brasília, pediu cópias de todos os contratos do BNDES, desde 2003, com empreiteiras que trabalham no Exterior. E há fundos de pensão com problemas: o Postalis, do Correio, cobra um pesado extra dos associados para cobrir um grande buraco; o Serpros, do pessoal de processamento de dados, está há dias sob intervenção do Serviço Nacional de Previdência Complementar.

É muito dinheiro, muita gente prejudicada, muita coisa a explicar. É dinamite.

Fonte: Carlos Brickmann - http://www.brickmann.com.br/