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sábado, 23 de abril de 2016

O Brasil de 17 de abril,

O Brasil de 17 de abril


Não vou falar dos milhares de brasileiros que foram às ruas mostrar a sua cidadania e brasilidade, lutando  por um Brasil melhor, mais justo, mais democrático, com mais esperança e menos ladroagens. Esse dia já é parte da nossa história.
Quero me reportar aos seus representantes, pelo espetáculo único que promoveram na Câmara dos Deputados, ao expressarem os seus votos, ainda que  alvo de críticas acerbas nas  mídias sociais.
Goste-se ou não de Eduardo Cunha, réu e na iminência de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, não há  como desconhecer a sua capacidade de decisão, competência política, energia e equilíbrio na condução da  histórica sessão  legislativa  que culminou pela  admissibilidade do impedimento da Presidente da Republica, levando-a a bom termo, com absoluto  êxito, até o seu final, indiferente às pesadas  críticas que pessoalmente recebeu. Poucos teriam as qualidades exigidas  e demonstradas por Cunha  para evitar  que aquele plenário, tão heterogêneo e tomado por violentas paixões, se transformasse numa balbúrdia,  comprometendo a colimação  dos seus fins.
Destaque-se, também, as palavras introdutórias dos líderes Pauderney Avelino, Antônio Imbassay e Alfredo Nascimento, moderadas, equilibradas, que realçaram  a gravidade do momento vivido pelo país. Mas o verdadeiro espetáculo foi dado pelos deputados presentes, com os seus emocionados votos, exaltando não apenas os motivos  maiores  do julgamento, mas ao citar, quase que unanimemente, as suas famílias, estavam deixando bem claro as suas origens, as suas insatisfações de como a chefe do governo vem gerindo o país, com posturas absolutistas,  na tentativa de implantação de um ultrapassado socialismo bolivariano que agride as origens do povo brasileiro.
Ao lado da degradação econômica e social,  realçaram a ameaça sempre presente à célula mater da sociedadea Família, com iniciativas que insistentemente pugnam pela sua desagregação. Não importa se do baixo, médio  ou alto cleros, os deputados votaram com os olhos nas  famílias, nas gentes simples que representam por todos os rincões desse imenso país e que veem os seus costumes e as suas tradições mais caras ameaçados por projetos e leis da autoria do executivo. Raramente, essa relação biunívoca de representatividade foi tão presente. No seu voto, manifestaram  a  imensa contrariedade com as constantes ingerências do governo nos aspectos mais íntimos da vida familiar, na educação dos filhos, procurando até mesmo definir as suas tendências sexuais.  Supremo absurdo, a tentativa de impor a irresponsável teoria da indefinição do gênero  da criança na infância, situações que veem  sendo defendidas pelo Ministério  da Educação .
O governo pareceu desconhecer as suas demandas, afrontou-as, ignorando que o nosso povo é por natureza conservador, amante das suas tradições e  profundamente religioso, não importa  a denominação que professe. O plenário da Câmara, com toda aquela aparente algazarra , pelo  voto dos seus membros ,parece ter sido atendido nas suas preces  deixando transbordar a presença de Deus.
O orgulho nacional, representando as ruas, esteve muito bem definido nos laços e cores verde-oliva ostentados por todos os que votaram pelo SIM, em vergonhoso contraste aos votantes do NÃO,  que com exagerada manifestação de ódio, trajavam cores vermelhas, como que envergonhados,  desdenhando da nação que os viu nascer  e acolhe. Alguns, como máxima tolerância, misturavam laços amarelo-vermelho, como a dizer muito claramente que a cor do Brasil é a vermelha, há muito introduzida nos folhetins e  na  propaganda oficial do governo.
Também, chamava a atenção   o orgulho com que a imensa  maioria dos deputados ostentava a bandeira do Brasil, nela envoltos, muitos declarando  com emoção que ela jamais seria vermelha.  Por tudo o que  representou foi de fato uma  sessão histórica, transbordante de patriotismo, emoção e brasilidade. 
Com profunda emoção, o povo brasileiro viu chegar ao tão esperado voto 342, que admitiu a  admissibilidade do impedimento de Dilma, não apenas pelas pedaladas fiscais que cometeu , mas pelo conjunto da sua  nefasta obra, que combinando  traição política e o comprometimento com roubalheiras sem fim, levou o nosso país a esse estado desesperador, com infindáveis problemas por resolver nas esferas da segurança pública, educação, saúde, previdência social e trabalho, com a economia praticamente paralisada e destruída e, como consequência, o demolidor saldo de 10 milhões de desempregados que atormenta e massacra as famílias brasileiras.
A única saída digna de Dilma, para o bem da sociedade brasileira que ela e Lula ajudaram a dividir, é se demitir. Mas, a ela, falta espírito cívico para tanto.

Luiz Gonzaga Schroeder Lessa é General de Exército, na reserva.
Blog Alerta Total - Jorge Serrão

 

 

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