Gazeta do Povo - VOZES
Em viagem à Europa, Lula sofreu críticas de aliados de esquerda franceses e foi taxado de “amigo falso do Ocidente”
A semana foi intensa no Brasil. Faço um resumo.
Na
segunda-feira, o Paraná assistiu, horrorizado, ao ataque criminoso ao
Colégio Helena Kolody, em Cambé, e que resultou no assassinato dos
jovens Luan e Karoline. O país solidarizou-se com as vítimas. Foi o
terceiro ataque a escolas nesse ano, elevando as preocupações de que
outros possam ocorrer na busca de uma notoriedade macabra por assassinos
influenciáveis.
Reagi como poderia no Senado. Sou relator do PL 1.880/2023, apresentado pelo senador Efraim Filho.
Acelerei, na terça-feira, a liberação do relatório para que ele seja
votado brevemente, preferivelmente antes do recesso parlamentar. Criamos
um novo tipo qualificado de homicídio que chamamos de “massacre”, para
assassinatos múltiplos em locais com aglomeração de pessoas, com penas
de 20 a 30 anos por vítima.
Ainda propomos a criminalização dos atos
preparatórios ao massacre, assim como existe na Lei Antiterrorismo. Isso
permite que a polícia intervenha antecipadamente para evitar o crime e
punir o autor, mesmo antes que o plano macabro tenha sua execução
iniciada.
Também criminalizamos a apologia e a incitação pública ao
crime de massacre, para que a pena seja condizente com o risco ao culto
do macabro.
É o que eu podia fazer no momento, e vou lutar pela
aprovação do projeto.
Na minha campanha eleitoral, disse aos eleitores que uma das funções
mais importantes do Senado é controlar as escolhas do presidente da
República para o Supremo.
Preparei as minhas perguntas e as fiz, com a
urbanidade reclamada para a ocasião. Não fiquei satisfeito com várias
das respostas. No fim, como já declarei, votei contra a indicação, mas,
apesar disso, foi o nome aprovado pela maioria do Senado.
Minha objeção
fundamental é a de que a indicação de alguém tão próximo ao presidente
coloque em risco a independência do STF.
Não há precedentes históricos
para essa indicação.
Outros, que exerceram o cargo de advogado-geral da
União, foram indicados, mas ali se trata de advogar e defender o governo
e não a pessoa do presidente. Agora, aprovado o nome, resta torcer para
que o ministro consiga manter a lealdade à Constituição e não ao
presidente.
O Brasil, na política, na economia, na segurança e na justiça, segue o rumo errado durante esse governo Lula
Na
mesma data, o Senado votou o projeto de lei complementar do arcabouço
fiscal. O teto de gastos públicos foi aprovado em 2016, durante o
governo Temer, e propiciou, pelo controle da dívida pública, uma
diminuição significativa da taxa básica de juros e a saída do Brasil da
recessão iniciada em 2014.
O teto sempre conflitou com o desejo de
muitos de expandir os gastos públicos e no ano corrente foi, na prática,
ignorado pela emenda constitucional da transição.
Agora,
por projeto do
governo do PT,
foi substituído pelo arcabouço fiscal, apresentado sob o pretexto de
controlar a expansão de gastos e impedir a explosão da dívida. O grande
problema é que, conforme apontado por renomados economistas, como Marcos
Lisboa e Marcos Mendes, a conta não fecha e o arcabouço na prática é
frouxo. Levará ao provável crescimento dos gastos e da dívida, impedindo
a redução dos juros praticados no Brasil a níveis mais compatíveis com a
necessidade de financiar investimentos privados e públicos.
Ainda assim, votei a favor do arcabouço. Melhor um
controle frouxo que limite nenhum. Também votei a favor de emenda ao projeto
apresentada pela oposição que visava melhorar os controles dos gastos e as
sanções pelo descumprimento, mas fui vencido.
Na quinta-feira,
participei de sessão da CPMI do 8 de janeiro.
Na pauta,
audiência com policiais e peritos que preveniram e
investigaram uma tentativa de explosão de uma bomba no aeroporto de
Brasília em dezembro de 2022. Também foi ouvido um dos responsáveis pelo
crime, já condenado pela Justiça.
Apesar da gravidade dos fatos e do
repúdio necessário ao extremismo desse indivíduo, a oitiva pouco agregou
ao que já estava documentado nos autos. Que ele e outros eventuais
envolvidos cumpram integralmente a sua pena.
Na
sexta-feira e final de semana, cumpri agenda em eventos e reuniões com
eleitores em Paranavaí, Porto Rico, Maringá e Curitiba. Apesar de a
viagem gerar certo cansaço, confesso que essa é a melhor parte da
política: conversar e ouvir as pessoas, seja em reuniões fechadas ou
simplesmente com o transeunte da rua. Em Maringá, na Feira do Produtor,
por exemplo, vários eleitores vieram me cumprimentar e compartilhar as
suas preocupações quanto ao rumo do país.
Ao
mesmo tempo,
Lula fazia mais uma de suas incessantes viagens ao
exterior, para França e Itália, sem obter conquistas representativas. Ao
contrário,
a sua insistência em culpar a Ucrânia pela guerra com a Rússia
e outros deslizes verbais têm gerado a deterioração de sua imagem
perante a comunidade internacional. Teve amplo destaque e repercussão a
publicação de matéria, com manchete, pelo jornal francês Liberátion, afirmando ser Lula uma “decepção” e um “falso amigo do ocidente”.
Diante dos afagos a
Putin e aos seus aliados na
América Latina, como
Maduro e
Ortega,
bem como um antiamericanismo sem sentido, sou forçado a concordar com a
matéria. Isso já era esperado antes das eleições,
mas o mundo parece
começar a perceber que o Lula democrata era somente uma máscara.Ainda
no fim de semana, fomos todos pegos de surpresa pela rebelião da tropa
de mercenários Wagner contra Putin na Rússia. O país esteve à beira de
uma guerra civil e a crise, aparentemente, foi contornada. O evento
sugere a fragilidade política de Vladimir Putin e a constante perda de
legimitidade, perante os russos, da insensata guerra na Ucrânia.
Talvez
o problema não seja só do Brasil, o mundo também passa por turbulências
e radicalismos. Não deixa, porém, de ser desalentador perceber que o
Brasil, na política, na economia, na segurança e na justiça, segue o
rumo errado durante esse governo Lula.
Por sorte, o Brasil é um país que
tem muita força e uma população que já mostrou capacidade de
resiliência e superação.
Temos, porém, de retomar o rumo certo. O PL
1.880, que citei acima, é um exemplo do que podemos fazer.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
Nenhum comentário:
Postar um comentário