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terça-feira, 23 de julho de 2019

O Brasil lava mais branco - Blog do Gabeira

Estou em Cananeia, que foi, ao lado de São Vicente, ali pelos anos 30 do século XVI, uma das primeiras cidades do Brasil. Seu fundador chamava-se Cosme Fernandes, mas era conhecido como Bacharel da Cananeia. Era um degredado, juntou-se com uma índia, tornou-se poderoso, não respeitava a Coroa. Um fora da lei. Esperando a balsa em Itapitangui, soube que o ministro Toffoli proibiu investigações com dados do Coaf, sem autorização judicial. Pensei: um frêmito de alegria deve estar animando os fora da lei do Brasil. Sobretudo os que fazem lavagem de dinheiro. Como pedir uma autorização judicial sem os dados do Coaf que a fundamentam? [a fundamentação pode ser a apresentação de índicios sustentada que os dados poderão transformar aqueles indícios em provas de ato criminoso. Demora um pouquinho, mais, nada que atrapalhe.] Lembrei-me de um poema de Vinicius: “Filhos, melhor não tê-los/ Mas se não os temos, como sabê-los?” 

A propósito, a última semana foi dominada pelos filhos do Capitão. A decisão de Toffoli partiu de um pedido de Flávio Bolsonaro para deter as investigações, que, aliás, se estendem a vários deputados do Rio de Janeiro.  Isso significa, em primeiro lugar, que o caso Queiroz volta para a gaveta; o esqueleto volta para o armário. Mas revela também uma contradição no discurso de Bolsonaro. Ele se coloca ao lado da Lavo-Jato nas investigações contra o PT, mas, no momento em que elas rondam sua família, o estado de direito precisa ser salvo. Nesse caso, surge uma convergência entre os Bolsonaro e um ministro historicamente ligado ao PT porque os objetivos são comuns. [prioritariamente, cabe o registro que que a decisão de Toffoli foi provocada por  pedido da defesa de Flávio Bolsonaro, cujo advogado foi hábil e bastantes para fazer referência a uma causa pendente no STF, ref. a situação análoga, movida por um posto de gasolina contra a Receita Federal em 2003. 
Fica claro que em data bem anterior ao rolo Queiroz x senador Bolsonaro x Coaf e o tal p0rocesso estava com Toffoli desde meados de 2018 - bem antes do caso Queiroz vir a tona.
Ou por ser filho de Bolsonaro não pode contratar um advogado competente? Tem que se limitar a um Zanin - apesar desse ter sido esperto o bastante para não dar muita importância ao produto da disenteria do intercePTação.] 
 
Essa imagem de esqueleto no armário para mim é importante porque tem uma influência decisiva nos grupos partidários. Ela enfraquece as afinidades políticas e fortalece o sentido de cumplicidade. Partilham-se menos as ideias, mais os segredos.
Espantoso escrever sobre a família do presidente como se ainda estivéssemos numa monarquia. Foi esse também o impacto que me trouxe a notícia de que Eduardo Bolsonaro seria indicado para embaixador nos Estados Unidos. Alguns entusiastas do progresso afirmam sempre que estamos muitos melhores do que nos tempos remotos da humanidade. É indiscutível. Nesse viés otimista poderia, por exemplo, consolar-me com os romanos que comentavam Calígula e seu cavalo Incitatus, nomeado senador. 

Mas se o viés for saudosista, ficaria melancólico ao lembrar que o primeiro embaixador do Brasil nos Estados Unidos foi Joaquim Nabuco, uma das figuras mais importantes de nossa história política. O pressuposto da indicação agora é a proximidade com Trump. Acontece que uma tarefa dessas implica uma relação também com instituições, forças políticas, grupos empresariais. Dificilmente numa república seria indicado o filho de um presidente para tal cargo. A tendência republicana é buscar um nome experiente e capaz, dada a importância da tarefa.
Nos Estados Unidos, há uma prática mais comum de indicar embaixadores sem tradição diplomática. De um modo geral, são empresários apontados pelo próprio presidente. 

Trump tem utilizado muito esse recurso, que não surgiu com ele. Mas os embaixadores que apontou têm provocado polêmicas em várias partes do mundo: Alemanha, Holanda, Israel, com uma atuação política agressiva e algumas gafes. Talvez seja inspirado em Trump e também na atuação da filha do presidente americano Ivanka que Bolsonaro pensa em dar esse passo. Ivanka acompanha o pai, sob críticas na imprensa, em alguns encontros internacionais.Não conheço bastante o Senado de hoje para cravar uma previsão. Sei apenas que será algo difícil manter essa escolha, e ela dará margem a um grande psicodrama político. A quantidade de memes e piadas mostra que o tema caiu no universo do humor. Dispensa grandes considerações teóricas, pois grande parte das pessoas compreende o que se passa e o expressa de uma forma muito mais criativa. 

A tarefa dos senadores será considerar se esta é uma boa escolha e funcionar como um contrapeso ao poder do presidente. Aqui no extremo meridional paulista, na histórica Cananeia, busco o consolo no passado. Estamos melhor que Roma Antiga nas nomeações e chegamos ao estágio da Suíça. Mas a Suíça do tempo em que era famosa por lavar mais branco. 

Blog do Gabeira - Artigo publicado no jornal O Globo 


sábado, 8 de abril de 2017

A insustentável Síria - Armas químicas chocam o planeta e põem Putin e Trump em iminência de guerra

Depois da tragédia com armas químicas, Trump e Putin inauguram uma nova e belicosa era no cenário político internacional. Agora o mundo teme o pior

Na manhã da sexta-feira 7, poucas horas depois do ataque americano contra uma base militar síria, o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, publicou um post em seu Facebook que denuncia os tempos sombrios que o mundo está prestes a viver. “Os Estados Unidos chegaram a um passo de um confronto com a Rússia”, escreveu Medvedev. Vladimir Putin, presidente do país e líder de fato da nação, afirmou que “os ataques causam um dano considerável nas relações entre os dois países, que já se encontram em um estado lamentável.” 


 TRAGÉDIA - Crianças vítimas de arma química: imagens chocantes de uma guerra que não tem fim

Por mais que pareça improvável e de certa forma surreal, em pleno século 21, falar em um conflito armado entre duas das maiores potências do planeta, os eventos trágicos dos últimos dias e as reações insidiosas dos envolvidos na questão levam a supor que a paz está, sim, ameaçada. Os agravantes trazem ainda mais indícios de que o planeta está exposto a uma nova era de violência. Trump e Putin são tão imprevisíveis quanto irascíveis, tão beligerantes quanto irresponsáveis. Como ensina a história, os países que eles comandam têm o infeliz hábito de subjugar alguém que consideram diferente e se tornaram temidos exatamente por essa vocação.

A foto que aparece na primeira página desta reportagem escancara o que a insanidade é capaz de perpetrar. Crianças mortas por asfixia e com os corpos retesados, como se tivessem partido no instante exato em que dispararam um grito de horror, jamais poderão ser esquecidas – e nunca mais toleradas. Se o ditador sírio Bashar al-Assad se permite cometer atrocidades como disparar gás venenoso contra jovens inocentes, o que resta ao mundo a não ser reagir para que o mal não se perpetue? Foi o que fez Donald Trump ao atacar as bases sírias na quinta-feira 6, e é difícil não se sensibilizar com suas palavras. “Mesmo lindos bebês foram assassinados com este ataque bárbaro. Nenhum filho do Senhor jamais deveria sofrer esse horror.” Mas será o louco, preconceituoso e radical Trump o homem que colocará fim à barbárie? Não é preciso ser um especialista em questões geopolíticas para responder a essa pergunta: “Não, não e não.”


 Militares se preparam para a ofensiva

Abu Ivanka al-Amriki, ou “Pai de Ivanka, o Americano”. Este é o apelido que o presidente Donald Trump ganhou entre os árabes nas redes sociais depois que o governo dos Estados Unidos lançou os 59 mísseis sobre a Síria, em represália ao ataque com armas químicas dois dias antes. Resume bem o novo capítulo da crise que desaba sobre o Oriente Médio: Trump entrou na guerra. Está contra o ditador sírio Bashar al-Assad. Mais do que isso. Ao lançar os mísseis, atingiu o coração da Rússia, até então sua aliada, que ajuda Assad a oprimir a oposição que quer derrubá-lo a qualquer custo. Com os desdobramentos da semana passada, a Síria se torna agora palco da batalha direta entre Rússia e EUA, as duas maiores potências bélicas mundiais.

A situação é mais complexa do que aparenta ser. A Síria vive uma crise política e humanitária há seis anos, com disputas dilacerantes que envolvem protagonistas dispostos a morrer por uma causa, além de estar no centro de uma série de ataques, bombardeios e atentados, e de abrigar um tipo de fundamentalismo que não se incomoda em destruir o outro com requintes de crueldade. Resultado: nos últimos anos, um mundo anestesiado acostumou-se com as imagens mórbidas de casas e bairros inteiros destruídos – e milhares de vidas perdidas. Estima-se em 400 mil pessoas assassinadas desde que a guerra civil começou e mais de 5 milhões de refugiadas pedindo asilo ao redor do mundo. 

A Síria é também o berço do Estado Islâmico, o maior e mais ativo grupo terrorista da atualidade. É na Síria que são disparadas as armas químicas, consideradas crime de guerra, como no reincidente ataque na terça-feira 4 – em 2013, outro atentado ordenado pelo governo matou 350 pessoas e deixou mais de 1.000 feridas. A Síria está no epicentro do maior confronto desde a Segunda Guerra Mundial. É, acima de tudo, um país dizimado e humilhado por bárbaras lideranças locais e atores globais com sede de guerra.

TERCEIRA GUERRA
Se o mundo teme as consequências de uma Terceira Guerra Mundial, os sírios têm a certeza de que o drama só vai piorar. Na opinião do professor de Relações Internacionais e pesquisador do Instituto Alemão de Estudos Globais, Kai Michael Kenkel, o ditador Assad vai tomar medidas mais drásticas a partir de agora, e a Rússia irá protegê-lo. “Isso vai acontecer mesmo havendo violações de direitos humanos”, afirma. A intenção do líder russo, diz o especialista, é não acabar com o conflito. Para Kenkel, a  Síria é usada como um jogo de xadrez entre os presidentes e, neste caso, o russo está ganhando. “Putin é racional e sabe o que está fazendo. Tem um entendimento muito maior de política internacional do que Trump.” A questão é que as duas nações expressam política e culturalmente o que em termos filosóficos se chama de “ethos guerreiro”, a necessidade de vencer e destruir o adversário. Ressalte-se que os dois países estiveram envolvidos nos maiores conflitos armados da história. Detêm os maiores orçamentos militares e discutem o tema da guerra e dos ataques de maneira recorrente.


Do ponto de vista estratégico, um ataque imediato da Rússia contra os Estados Unidos não seria viável. Para os especialistas, o que poderia ocorrer seria um bombardeio russo nos países que pertenceram à União Soviética e hoje integram a União Europeia. “Seria uma medida intermediária”, diz Héctor Luis Saint-Pierre, diretor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e líder do Grupo de Estudo de Defesa e Segurança Internacional. Para ele, o objetivo maior do ataque foi reafirmar o poderio bélico diante da China, que vem fortalecendo sua atuação como potência militar. “Trump quis chamar a atenção da opinião pública internacional, mostrando que pode ir até as últimas consequências. Isso daria mais credibilidade aos Estados Unidos nas relações bilaterais com o gigante asiático”.

(...)

POR QUE A GUERRA SÍRIA TEM IMPACTO MUNDIAL 
> O país está no coração de uma área de conflitos historicamente influenciada pelas potências mundiais

> O ataque americano coloca duas mais importantes – Rússia e Estados Unidos – em confronto direto.
>O governo de Vladimir Putin é aliado do ditador Bashar Al-Assad
> Também torna incerta a reação do Irã, outro país aliado de Al-Assad, inimigo de Israel e com forte presença no Golfo Pérsico
> Deixa em discussão o combate ao grupo extremista Estado Islâmico, que hoje controla boa parte do território sírio, na região mais próxima da Turquia. Uma coalisão internacional integrada também pela Síria, Estados Unidos e Rússia luta contra os extremistas
> Deve agravar a crise de refugiados, a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Grande parte das pessoas que procuram abrigo na Europa são sírios fugindo da guerra, que já dura 6 anos e é uma das mais cruéis dos tempos modernos

MATÉRIA COMPLETA em IstoÉ
 
Por: Camila Brandalise -  Colaboraram Fabíola Perez, Elaine Ortiz e Thais Skodowski