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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

A nova política morreu, viva a velha política - Alon Feuerwerker

Análise Política
O PT está diante de um enigma, e de decifrá-lo talvez dependa a taxa de estabilidade do governo quando assumir definitivamente a cadeira no terceiro andar do Palácio do Planalto. 
A dúvida é quem deve ser o objeto de desejo preferencial nas alianças para garantir que o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva termine no prazo regulamentar, dado o cenário não apenas de polarização, mas de chamados a desconhecer a legitimidade da eleição.
O leitor pode encontrar aqui algum exagero, mas nunca é demais lembrar que dos seis presidentes eleitos desde a transição de 1984-85 dois foram depostos, então é bom colocar as barbas de molho. [Atualizando: Collor foi deposto como uma vingança da política velha; quanto a outra deposição de uma petista -  foi motivada pela burrice, incompetência, pedaladas e outros malfeitos da deposta = escolhem qualquer um o resultado é esse.] Até porque, dados os sinais recentes vindos da transição, não é improvável o novo governo [cujo chefe não foi ainda diplomado nem empossado, o que torna intempestivo chamar, por agora, o amontoado de pretendentes de  'novo governo'.] - enfrentar turbulências econômicas que levem a perda de substância e o coloquem na dependência de uma base parlamentar sólida.

Qual é o problema? Na verdade são dois:  
1) uma aliança do PT com a esquerda e o “centro democrático” é aritmeticamente insuficiente para segurar a onda no Congresso Nacional; e
 2) o "centrão" esteve maciçamente com Jair Bolsonaro no governo e na eleição. Há aliás um terceiro aspecto: sempre que os presidentes recentes estiveram na berlinda, quem impulsionou a tentativa de derrubá-los foi o centro democrático, e não a direita conservadora.

Foi assim quando a Constituinte tentou amputar dois anos do mandato de José Sarney. Também foi assim no impeachment de Fernando Collor, na desestabilização de Itamar Franco (só estancada quando entregou o governo a Fernando Henrique Cardoso), nas atribulações de Lula com as acusações de corrupção, no impeachment de Dilma Rousseff e nas crises de Michel Temer. Em todos esses momentos o centrão ou segurou a onda ou teve de ir a reboque.

O retrospecto revela o risco de o governo petista subestimar a aliança com o centrão e fiar-se na “frente ampla democrática”. Sem contar outro aspecto: se conseguir fechar alianças simultâneas, formais ou informais, com ambos os campos que se reivindicam “de centro”, reduzirá a possibilidade de ficar refém de um deles. Quando a maioria depende de uma minoria para sobreviver, transforma-se de fato em minoria e esta passa a ser a maioria política.

A necessidade de uma sólida base parlamentar acentua-se por outro motivo: a assimetria político-ideológica entre a orientação de esquerda do Executivo e a maioria de direita eleita para o novo Legislativo. Foi mais natural para o Congresso que se encerra alinhar-se a Bolsonaro do que será para o novo/velho alinhar-se a Lula. Em outras palavras, o custo político de formar a base foi menor para Bolsonaro do que vai ser para Lula.[o eleito, tem que primeiro convencer o POVO a aceitar que o Brasil veja presidido por um ladrão.]
Também por isso será impraticável para o novo presidente repetir o modelo bolsonarista, em que os partidos são na prática excluídos da Esplanada, e a disciplina parlamentar é comandada a partir do próprio Legislativo com a utilização ativa do Orçamento por parte de seus comandantes, com razoável autonomia. Lula 3o. terá de voltar a abrir certos espaços que foram fechados aos partidos.

A nova política morre
u (alguém se lembra da última vez que ouviu falar nisso?). Viva a velha política. 
 
Alon Feuerwerker, jornalista e analista político

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Cabeça de camarão - Nas Entrelinhas

Luiz Carlos Azedo

Hoje, Doria não seria o candidato do PSDB à Presidência. Perderia as prévias da legenda para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ou o senador Tasso Jereissati (CE)

O que é o centro democrático? O ex-ministro Moreira Franco, discípulo do pessedismo de Amaral Peixoto, resume assim: a direita da esquerda e a esquerda da direita. Juntar essas forças num projeto eleitoral é o maior desfio político da conjuntura para os partidos que compõem esse campo — DEM, PSD, MDB, PSDB, Cidadania, PV e PDT —, porque as eleições de 2022 estão logo ali e o cenário eleitoral foi polarizado pelo presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Existe um eleitorado órfão, porque não deseja a continuidade de Bolsonaro ou a volta de Lula. Para essa fatia de eleitores, o chamado centro democrático é como um suculento camarão empanado. Nas eleições, porém, sem cabeça, o crustáceo morrerá na areia da praia.

Como na música Cartomante, de Ivan Lins e Vitor Martins, grande sucesso na voz de Elis Regina“Cai o rei de Espadas/ Cai o rei de Ouros/ Cai o rei de Paus/ Cai, não fica nada” —, os pré-candidatos que buscam articular e unificar esse campo estão desistindo ou se inviabilizando. Os casos mais emblemáticos são o ex-juiz da Lava-Jato Sergio Moro, uma espécie de rei de Espadas na crise ética, e o apresentador Luciano Huck, o rei de Ouros, para grande massa de empreendedores do país. O primeiro iniciou uma bem-sucedida carreira de consultor jurídico na área de análise de riscos; o segundo, vai dar um upgrade na carreira de comunicador, ao substituir o apresentador Fausto Silva nas tardes de domingo da Rede Globo.

Está difícil a vida do rei de Paus, o governador de São Paulo, João Doria, que lançou precocemente sua pré-candidatura e confrontou Bolsonaro na crise sanitária. O problema dele é o desgaste que enfrenta pelo fato de São Paulo ser o epicentro da pandemia de covid-19, com grande impacto na economia no estado e reflexos no desempenho de seu governo. Ensanduichado entre uma base bolsonarista muito forte, principalmente nas médias e pequenas cidades do interior, e a recidiva do petismo nos grandes centros urbanos, Doria não consegue fechar majoritariamente o eleitorado paulista. Sem São Paulo, sua candidatura não decola nacionalmente

Hoje, Doria não seria o candidato do PSDB à Presidência. Perderia as prévias da legenda para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ou o senador Tasso Jereissati (CE), um dos líderes históricos do partido. O quarto pretendente, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, é um azarão. A Executiva Nacional do PSDB aprovou, por unanimidade, as regras para a escolha do candidato do partido à Presidência da República em 2022. Elaborada pelo ex-deputado Marcus Pestana (MG), e discutida em uma comissão que debate as prévias do PSDB, encabeçada pelo ex-deputado José Aníbal (SP), o modelo pôs em xeque a candidatura de Doria.

Pelas regras aprovadas, os votos dos filiados sem mandato valerão 25% do total. Os outros 75% dos votos serão dados por três grupos diferentes: prefeitos e vice-prefeitos filiados ao PSDB; vereadores, deputados estaduais e distritais; e deputados federais, senadores, governadores e os ex-presidentes da sigla. Doria defendia votos com o mesmo peso para todos os integrantes do partido. Inconformado, quer mudar as regras do jogo na próxima reunião da Executiva.

Rei de Copas
Enquanto o rei de Paus não é escolhido pelo PSDB, o rei de Copas também não consegue derivar para o eleitorado de centro como gostaria. O candidato do PDT, Ciro Gomes, escolheu Lula como principal adversário no primeiro turno, mas essa estratégia não foi endossada pelo presidente da legenda, Carlos Lupi. É uma tática complicada, porque pressupõe deslocar o petista da disputa com Bolsonaro, seduzindo os eleitores de centro. Poderia até ocupar o espaço deixado pela disputa interna no PSDB, mas não é o que acontece. O problema é que o estilo de Ciro não se encaixa muito nesse figurino, por ter construído uma trajetória eleitoral de candidato de esquerda.

Resta ainda outra pré-candidatura sem legenda garantida, a do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que pleiteia a vaga de candidato a presidente do DEM, partido hoje muito próximo do Bolsonaro. E uma legenda sem candidato, o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que procura um nome competitivo de perfil liberal. DEM e PSD são partidos importantes para a chamada união da direita com o centro e do centro com a direita.

Nas Entrelinhas - Luiz Carlos Azedo, colunista - Correio Braziliense


sábado, 29 de setembro de 2018

A eleição do medo

O Brasil está com medo. Há um sentimento de angústia, de que o País deve passar momentos de muita tensão e com resultados imprevistos. Isso independentemente de quem vença a eleição. A frustração é evidente. Imaginava-se que o processo eleitoral iria abrir caminho para a solução da mais grave crise política do Brasil republicano. Ledo engano. O processo eleitoral vai aprofundar a instabilidade. Nada indica, por exemplo, que haverá alguma mudança no Congresso Nacional. Muito pelo contrário.

A tendência é de que a Câmara dos Deputados mantenha os mesmos interesses nada republicanos como sua prioridade, mesmo que haja — como é habitual — uma renovação nominal, apenas nominal. E o Senado? A “renovação” é a volta de Eduardo Suplicy, a presença da novata Dilma Rousseff e o retorno de Jader Barbalho, Renan Calheiros et caterva.

Para a Presidência da República o quadro é ainda mais desanimador. Isso porque a possibilidade de mudança, por ser uma eleição majoritária, é mais viável. Contudo o quadro foi se agravando no decorrer do processo de construção das candidaturas. Por incompetência (ou conivência) da Justiça, Lula fez gato e sapato da sua condenação. Não cumpriu em momento algum a sua pena. Transformou a sua “cela” uma suíte de 15 metros quadrados — na Polícia Federal em comitê de campanha. Recebe emissários todos os dias. Fala com quem quer. Dá ordens. É obedecido. E nada acontece. Tudo é visto como absolutamente natural.

A direita liberal mais uma vez não conseguiu apresentar um candidato viável. Logo abandonou a raia e optou oportunisticamente pelo apoio à extrema direita que nem programa tem, vive de arroubos vazios mas apresenta bons resultados nas pesquisas de intenção de voto. Sinal não tanto de concordância, mas produto da raiva popular, da profunda irritação com o sistema político. O centro democrático ficou absolutamente paralisado. Com enorme dificuldade para escolher um candidato adequado aos tempos atuais acabou se definindo por um que nunca foi ativo militante de oposição efetiva ao petismo. Hoje representa tudo o que os eleitores não querem.

E, pior, fez de tudo para sabotar uma candidatura de enfrentamento ao petismo mas dentro dos marcos democráticos, que combinasse combatividade com eficiência administrativa, respeito à coisa pública com ousadia empresarial. Resta recordar Horácio: “Carpe diem, quan minimum credula postero.”

Marco Antonio Villa, historiador, escritor e comentarista da Jovem Pan e TV Cultura.