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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Campos Neto fez o que Lula queria e o deixou numa encruzilhada

É incomum um presidente se referir a um funcionário com insinuações públicas sobre supostos delitos éticos no comando da autoridade monetária

“Esse rapaz…” — é a forma como Lula se refere em público a Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. O tom e a sequência das frases não indicam tratamento cortês, distanciado, de uma pessoa 23 anos mais velha a alguém nascido em 1969, ano em que celebrava o primeiro mês de casamento com a mineira Maria de Lourdes da Silva, irmã do amigo Lambari, Jacinto Ribeiro dos Santos na carteira de identidade. Ela morreu dois anos depois, vítima de hepatite e grávida — o filho também não sobreviveu.

Lula não gosta de Campos Neto. Faz questão de deixar isso muito claro todo o tempo. Nesta quarta-feira (2/8), por exemplo, em entrevista a correspondentes estrangeiros, horas antes do Banco Central cortar a taxa de juros (0,5%), pela primeira vez em um ano: “Esse rapaz que está no Banco Central, me parece que ele… Não sei do que ele entende, mas ele não entende de Brasil e não entende de povo.” [convenhamos que Campos Neto estaria se rebaixando ao nível de  um 'lula da silva' caso  perdesse tempo pensando sobre o que atual presidente do Brasil expele verbalmente,  sobre economia e outros temas atuais.]

Continuou: ” Então, tem uma lógica… Eu não sei a quem ele está servindo, não sei, sinceramente eu não sei. Aos interesses do Brasil, não é…”

Não é só pelos juros, dos mais altos do planeta, ou pela camisa amarela, apropriada pelo bolsonarismo como símbolo eleitoral, que Campos Neto vestiu, foi à rua e se deixou fotografar na eleição de outubro passado. Lula sempre escolheu adversários por instinto. Alguns demonizou temporariamente, caso de Geraldo Alckmin, seu vice-presidente. Transformou outros em inimigos permanentes. O desprezo contido (“Esse rapaz…”) sugere ter decidido enquadrar Campos Neto numa transição de molduras — de adversário para inimigo.

É incomum um presidente se referir a um funcionário dessa forma, ainda mais com insinuações públicas sobre supostos delitos éticos no comando da instituição que é a autoridade monetária (“Não sei a quem ele está servindo”; “aos interesses do Brasil, não é…”)

Lula viu em Campos Neto algo que não gostou, e não significa que esteja certo. Em seis meses de governo, nunca recebeu o presidente do Banco Central, mas também não se conhece registro de pedido de audiência. [tem mais: se o apedeuta que preside o Brasil convocasse Campos Neto para uma audiência, muito provavelmente,o presidente do BCB encontraria uma forma de ser representado por algum subalterno.]

É um duelo entre desconhecidos. Por opção de Lula, que aparenta ter esquecido na cela de Curitiba, onde amargou 580 dias preso, sua antiga e peculiar leveza nas relações.

Getulio Vargas, a quem elegeu como referência, fazia inimigos por instinto utilitário. “O senhor tem inimigos?”, provocou o biógrafo Emil Ludwig numa conversa citada em “Getulio”, de Lira Neto. “Devo ter; mas não tão fortes que não possa torná-los amigos”, ele rebateu. “E amigos?”, ironizou Ludwig, que ouviu: “Claro que os tenho; mas não tão firmes que não venham a se tornar inimigos.”

Campos Neto, provavelmente, surpreendeu Lula com o voto decisivo para a redução da taxa de juros. Não há razão para se imaginar que tenha sido motivado pela armação patrocinada pelo Planalto no Senado para submetê-lo a julgamento — até porque, nessa hipótese, o governo se lançaria num abismo político com consequências econômicas imponderáveis.

A despeito da motivação, o presidente do BC fez o que Lula desejava há meses, mas o deixou numa encruzilhada.

Como as contas nacionais de 2023 estão praticamente liquidadas, e em Brasília raros são aqueles que acreditam num déficit de apenas 1% do Produto Interno Bruto,  o problema, agora, está nas contas públicas do ano eleitoral de 2024.

Para fechar o próximo ano com déficit zero, como anunciado, Lula precisa acelerar a atividade econômica desde já, num ritmo há tempos perdido nos livros de história, sem os meios necessários para tanto — precisa jogar com a sorte. A alternativa é aumentar impostos, a carga tributária, numa derrama de curto prazo. O risco é vitaminar a oposição. [cabe registrar que 0,25% de redução, pode facilmente ser compensado com 1% de elevação no próximo mês - basta que se torne necessário = ou alguém acha que  Campos Neto leva em conta o que Lula pensa a seu respeito.]

José Casado, colunista - Revista VEJA

 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Presidente da Sinovac admitiu pagamento de propina a autoridades chinesas, diz jornal - O Estado de S.Paulo

 Fabiana Cambricoli

CEO da biotech chinesa teria pago U$ 83 mil entre 2002 e 2011 a ex-agente público para acelerar a aprovação de vacinas da companhia; não há suspeita de irregularidades no processo de desenvolvimento da Coronavac [também ainda não foi pedido nenhuma aprovação, sequer foram apresentados o resultado da fase 3.]

O presidente da Sinovac, Weidong Yin, admitiu à Justiça em 2016 ter pago propina a um ex-oficial da agência regulatória de medicamentos chinesa entre 2002 e 2011 para acelerar a aprovação de vacinas no órgão governamental, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 4, pelo jornal americano Washington Post com base em documentos de tribunais da China. A companhia biofarmacêutica é a parceira do Instituto Butantã no desenvolvimento da vacina Coronavac.

REUTERS/Thomas Peter/File Photo

     REUTERS/Thomas Peter/File Photo

A suspeita de pagamento de propina por Yin já havia sido revelada pelo Estadão em novembro, em reportagem especial sobre a biotech chinesa. Na ocasião, documentos da empresa apontavam que o executivo foi citado em um julgamento de um ex-servidor da agência como um dos indivíduos que pagou propina, mas não foi condenado por nenhum ato ilícito nem pela Justiça chinesa nem pelo Departamento de Justiça dos EUA, que abriu investigação na época pelo fato de a empresa ter capital aberto na bolsa americana.

A situação de Yin na Justiça continua a mesma, sem novas acusações. Mas o que foi revelado agora pelo Washington Post são trechos do depoimento do executivo admitindo o pagamento. De acordo com o jornal, o executivo afirmou que pagou US$ 83 mil ao ex-oficial da agência chinesa Yin Hongzhang, responsável pela área de imunobiológicos no órgão, e à sua esposa.

No período do pagamento do suborno, a Sinovac conseguiu o registro de vacinas como a da gripe H1N1 e a de hepatite, mas, segundo a reportagem do jornal americano, não houve nenhum escândalo relacionado à segurança e qualidade das vacinas aprovadas no período nem nenhuma irregularidade referente ao desenvolvimento da Coronavac.

Ainda não está claro, no entanto, por que o CEO não foi formalmente acusado nem condenado mesmo confessando o pagamento de suborno. Não se sabe se ele foi considerado vítima de achaque por parte de agentes públicos ou se fez algum acordo com a Promotoria chinesa para não sofrer sanções caso colaborasse com a investigação, em mecanismo semelhante à delação premiada.

Em um relatório da empresa para investidores obtido pelo Estadão, a Sinovac diz apenas que "Weidong Yin não foi acusado de qualquer crime ou conduta imprópria" e que "cooperou como testemunha com a Procuradoria". A empresa afirma ainda que "para o nosso conhecimento, as autoridades chinesas não iniciaram nenhum processo legal ou inquérito governamental contra Yin".

Segundo o Washington Post, o executivo justificou, no depoimento, que "não poderia negar pedidos de dinheiro por parte de um oficial da agência regulatória". O ex-oficial da agência chinesa, por sua vez, foi condenado a dez anos de prisão por cobrar suborno de vários membros da indústria de vacinas chinesa. O julgamento ocorreu em 2016.[se houve a condenação, por suborno - não por tentativa -  do ex-oficial, o suborno houve e o suborno só se concretiza com o agente ativo e o passivo.]

Estadão tenta, desde o final de outubro, entrevistar um representante da Sinovac para comentar as suspeitas contra o executivo da empresa e outros problemas de gestão revelados pela reportagem em novembro, como brigas entre acionistas, tentativas de golpe interno e invasão de fábrica. Foram inúmeros e-mails, ligações e até pedidos para que o Butantã e a Embaixada da China intermediassem a conversa. Até hoje, a reportagem não recebeu uma única resposta aos pedidos enviados.

Ao Washington Post, a companhia também negou o pedido de entrevista com o presidente, mas afirmou, em nota, que "confiou ao sistema jurídico o tratamento adequado dos casos anteriores de suborno" e que a "capacidade do CEO em fazer seu trabalho não foi afetada".

Procurado pelo Estadão, o Instituto Butantã afirmou que a parceria com a Sinovac "foi firmada neste ano para estudos clínicos e desenvolvimento da vacina contra a covid-19", destacando que a pesquisa clínica "tem auditoria independente e o registro do imunizante passará por avaliação técnica da Anvisa".

segunda-feira, 19 de março de 2018

Sistema prisional - os horrores de uma prisão no Rio Grande do Norte


O que aprendi acompanhando por um ano a vida dos detentos no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte 

Venho acompanhando as famílias de presos da penitenciária de Alcaçuz desde o massacre de 26 presos que aconteceu em 14 de janeiro do ano passado. Sou professora de antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, moro em Natal e fui para lá no dia seguinte, de manhã. Encontrei várias mulheres — mães, irmãs e esposas — desesperadas. Dentro da cadeia, uma situação sistemática de torturas se estabeleceu a partir dessa época — e persiste até hoje. O que acontece em Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta, a 25 quilômetros de Natal,  é uma morte lenta: presos são espancados, eletrocutados, insultados, privados de comida, privados de água, privados de exercer sua religião, e suas famílias são maltratadas quando vão visitá-los.

Trabalho acompanhando o sistema prisional há um bom tempo, mas não tinha noção da intensidade da tortura que temos no Brasil, algo legitimado socialmente e pelas instituições jurídicas, que se negam a reconhecer sua existência. Parece mentira. Aquilo é um campo de concentração. Testemunhamos ali o poder do Estado de matar. Se eu estivesse lá dentro, enlouqueceria. Tudo que eu iria querer seria fugir dali, porque é humanamente impossível viver em condição tão horrível. E há presos provisórios, gente com transtornos mentais, pessoas que nem deveriam estar ali.

>> O legado de violência deixado pela usina de Belo Monte

Depois do massacre do ano passado, nos primeiros dias os presos começaram a ser privados de água. Em meados de 2017, 30 a 35 homens chegaram a ficar, e ainda ficam, em uma cela que deveria comportar apenas oito. A eles só eram oferecidos 2 litros de água por dia. Todos deveriam dividir esses 2 litros para beber. Outra coisa que angustiou muito as famílias foi a privação alimentar. Antes, as visitas levavam no final de semana algum alimento para complementar a dieta, que é muito restrita. Isso foi proibido. Mães viram seus filhos emagrecer drasticamente. Continua acontecendo.

O secretário de Justiça, Luís Araújo, disse que, se permitisse às famílias levar a comida para lá, os presos fariam trocas, o que criaria uma hierarquia na cadeia. Isso já está acontecendo. O estado fornece três refeições diárias: um suco em pó e um pão pela manhã; à tarde uma quentinha malcheirosa e podre; à noite mais um pão e um suco em pó. Isso é a alimentação deles. E alguns passam fome para vender aos outros sua cota diária. Não são todos que fazem isso, mas existe um comércio. Um pão de sal é vendido por R$ 20 dentro de Alcaçuz. [vale ter presente que os presos estão na cadeia pela opção que fizeram: o crime; é lamentável o tratamento dado a eles mas pior são milhões de brasileiros, grande maioria crianças e idosos, passam fome por não ter um emprego, pelo pai ter sido assassinado por um dos que hoje estão merecidamente encarcerados.
Se o Brasil não pode dar boas condições de vida para as pessoas de BEM, para os doentes, não tem sentido dar boa vida para bandido.]

A água para higiene é ligada por meia hora, três vezes ao dia. Os agentes ligam às 6 da manhã, ao meio-dia e às 18 horas. Depois cortam. Nessa meia hora, os presos têm de tomar banho, escovar os dentes e lavar a pouca roupa que há. Eles estão sem lençol e sem colchão. Dormem no chão ou em camas que na verdade são blocos de concreto. Eles têm praticamente a roupa do corpo. Os produtos de higiene que as famílias enviam não chegam a eles. No ano passado, alguns tiveram de compartilhar até escova de dentes. O acesso a bens de higiene é muito restrito. Há vários casos de doenças como hepatite, tuberculose, doenças de pele, sífilis e aids.

>> A associação de esquemas criminosos que levou à chacina de Pau d’Arco, no Pará

Insultos morais acontecem o tempo todo. Uma mulher nos contou as coisas que seu marido ouviu de um agente: que eles eram “um bando de veadinhos”, que eles podiam reclamar à vontade que nenhuma denúncia iria surtir efeito e que o “bom-dia” deles é com spray de pimenta mesmo. E spray de pimenta é a coisa que mais existe lá. Se for até a frente de Alcaçuz e observar de fora os agentes penitenciários, vai ver que todos eles usam uma espécie de cachecol protegendo as vias aéreas. Por quê?  Além da tortura pela privação do acesso à água, à comida e à higiene, há os espancamentos. Uma mãe que fala: “Juliana, meu filho está apanhando tanto que não sabe mais quanto tempo vai aguentar”. Elas contam que seus filhos têm marcas de hematomas nas costas e nas costelas e os dedos de suas mãos são quebrados.

(...) 

Se pedir água, apanha; 
se pedir para tomar banho, apanha; 
se pedir um remédio, apanha; 
se estiver dormindo e não ouvir o agente chamando para o “procedimento”, apanha de novo. 

Para os choques elétricos, eles fazem uma fila, um encostando no outro, sendo que o último segura na porta de ferro. O agente dá um choque em todos de uma vez, atacando o primeiro da fila com a Taser, uma pistola de descarga elétrica. Também há relatos de as celas terem sido por vezes inundadas com água sanitária, e os presos terem de ficar lá dentro nus, sem poder sentar ou deitar a noite inteira.

(...)
Outro tipo de tortura é chamado de “Procedimento”. Quando os guardas passam gritando essa palavra, o preso tem de ficar sentado no chão, com as pernas abertas e dobradas, cabeça baixa e as duas mãos na nuca. O seguinte senta na mesma posição, logo em frente, entre as pernas do anterior, de costas para ele. E assim eles formam uma fila, um atrás do outro, com as mãos na cabeça. Os agentes passam dando cacetadas nos dedos das mãos. Isso acontece a qualquer momento. Se estiver tomando banho e ouvir o chamado, o preso tem de sair correndo e entrar no procedimento. Acontece dentro das celas, nos pátios, nos corredores, onde eles estiverem. Presos oferecem as costelas, porque não aguentam mais apanhar nos dedos quebrados.

 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Hospital que recebeu visita do papa suspende transplantes no Rio



Lar São Francisco deixou de fazer cirurgias em dezembro afetado pela crise na saúde. O governo do Estado atrasou repasse de R$ 19 milhões

No Natal, a nutricionista Eliene dos Santos Costa, de 54 anos, ganhou o melhor presente de sua vida. Ela estava em casa quando recebeu a ligação de um médico para que fosse imediatamente ao Hospital São Francisco de Assis, na Zona Norte do Rio de Janeiro, para realizar o tão esperado transplante de fígado. Portadora de hepatite, ela aguardava por um doador desde agosto. Para sua surpresa, pois as circunstâncias eram adversas, o procedimento foi feito. “Por causa da crise na área da saúde, não acreditava mais que receberia o órgão”, diz ela, enquanto se recupera na instituição. 

O desfecho positivo só foi possível graças à ação de frei Paulo Batista, diretor da unidade, administrada pela Associação Lar São Francisco. Momentos antes do aviso à paciente, ele havia sido informado da urgência da cirurgia, para que não se perdesse o órgão captado. E bancou o procedimento, a despeito da penúria por que passa o hospital. Prejudicado pelo atraso nos repasses feitos pelo governo estadual, o São Francisco está sem insumos básicos. No dia 16 de dezembro, o religioso havia decidido suspender o atendimento na instituição. Pelos seus cálculos, até 31 de dezembro a instituição deixara de fazer dez transplantes de fígado e 16 renais. A cirurgia de Eliene foi uma exceção.

O episódio ilustra a situação aflitiva do setor de saúde no Rio de Janeiro e mostra que a crise já atingiu as instituições tidas como centros de excelência. É o caso do Hospital São Francisco de Assis, que ganhou notoriedade internacional ao receber a visita do papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, em julho de 2013. Sob uma pequena cobertura improvisada no pátio, o pontífice abraçou 20 pacientes e fez um breve discurso em que agradeceu aos médicos e seus auxiliares e enalteceu o serviço local como “precioso”. 

Em fevereiro daquele ano, o hospital havia inaugurado um setor de transplantes que se propunha a ser uma referência no ramo. De lá para cá, foram realizados 251 transplantes de fígado e 590 renais.


A instituição também se distingue pelo tratamento a portadores do vírus da Aids. Atende cerca de 750 soropositivos e tem oito leitos para internação. Porém, com salário atrasado desde outubro, o coordenador do serviço de infectologia, Jadir Fagundes Neto, disse que se viu obrigado a deixar de receber novos pacientes e limitou as internações. A demanda é grande, pois a cada mês 30 contaminados pelo HIV procuram tratamento pela primeira vez. O hospital acolhe também dependentes químicos e doentes cardíacos. “Tem gente morrendo e a gente sabe disso”, diz frei Paulo Batista, com os olhos marejados. Na primeira semana de janeiro ele acompanhou a reportagem de ÉPOCA pelos corredores do hospital. Chamava a atenção o centro de terapia Intensiva com seus oito leitos vazios. Sem dinheiro para manutenção, equipamentos de última geração estavam desativados.

A situação de total escassez se repete em outros centros de excelência do Rio de Janeiro. Inaugurado pelo governo estadual com muita pompa em 2010, o Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, no Grande Rio, também foi varrido pela crise. No fim do ano, chegou a botar tapume nas portas e limitou o atendimento a casos graves ou pacientes em trabalho de parto. No Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, no centro da cidade, o estado grave se replica. Aberto em 2013 ao custo de 80 milhões de reais, a unidade é dotada de equipamentos de última geração. Ali ocorrem em torno de 100 cirurgias por mês, boa parte delas de alta complexidade. À frente da unidade está o renomado neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, que no auge da crise, às vésperas do Natal, disse que em seus 40 anos de profissão nunca tinha visto nada 
igual. 

Fonte: Revista Época