Blog Prontidão Total NO TWITTER

Blog Prontidão Total NO  TWITTER
SIGA-NOS NO TWITTER
Mostrando postagens com marcador Império Otomano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Império Otomano. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Palestinos, um povo sem pátria e sem direitos - Guga Chacra

Meu pai, filho de libaneses, nasceu no Brasil e é brasileiro. 
Meus filhos nasceram nos EUA com pais brasileiros e são americanos. Afinal, tanto os EUA como o Brasil seguem a vertente de jus solis para concessão da nacionalidade. Isto é, se você nasceu nesses países, automaticamente terá a nacionalidade. 
Ao mesmo tempo, filhos de americanos e brasileiros nascidos no exterior mantêm o direito à cidadania. 
Por este motivo, meus filhos têm também a cidadania brasileira mesmo sendo de Nova York. 
Seria a aplicação do jus sanguinis, ou direito por sangue à nacionalidade.
Algumas nações, no entanto, aplicam apenas o jus sanguinis na quase totalidade dos casos, ignorando o jus solis. É o que ocorre no Líbano. 
Eu, que sou neto de libaneses, tenho o direito à cidadania libanesa mesmo sendo de São Paulo. 
Uma pessoa de origem palestina da minha idade nascida em Beirute não tem o direito a ser cidadão libanês, a não ser em raros casos
O que se aplica a mim também vale para milhões de brasileiros que são descendentes de libaneses, independentemente da religião. No meu caso, até estive várias vezes no Líbano.  
Mas alguns descendentes no Brasil jamais pisaram em Beirute e ainda assim têm mais direitos do que um refugiado palestino que nasceu e cresceu em Sídon, Trípoli ou na capital libanesa
Isso porque seus antepassados nasceram do outro lado de uma fronteira artificial criada por franceses e britânicos após o colapso do Império Otomano. Como o avô deles era de Haifa e não de Zahle, não são aceitos como cidadãos do Líbano. 
 
Estas pessoas de origem palestina ficam restringidas a viver em campos de refugiados e enfrentam restrições para trabalhar em uma série de profissões
 O argumento libanês para não conceder cidadania a esses palestinos nascidos no Líbano é de que, primeiro, isso afetaria a balança sectária libanesa, na qual o poder se divide entre cristãos de diversas denominações, xiitas, sunitas e drusos. 
Em segundo lugar, porque, na visão libanesa, essa é uma questão a ser resolvida entre Israel e Autoridade Nacional Palestina, pois esses refugiados têm origem no que hoje é território israelense.
 
Israel, por sua vez, concede a cidadania a qualquer pessoa nascida no país desde que um dos pais seja cidadão israelense. 
Isso não se aplica a palestinos nascidos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, que são controladas e ocupadas ilegalmente por Israel.  
Já judeus residentes nos assentamentos na mesma Cisjordânia são cidadãos israelenses. 
Filhos de israelenses nascidos no exterior e todos os judeus que imigrarem para Israel também têm o direito à cidadania. 
Mas cristãos e muçulmanos (e seus descendentes) nascidos em vilas palestinas que tenham sido expulsos ou deixado o que hoje é Israel em 1948 ou vivam sob ocupação na Cisjordânia e Faixa de Gaza não têm direito à cidadania israelense e tampouco a um Estado independente. 
 
Portanto, os palestinos no Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza (além dos na Síria e Egito) são, sim, refugiados porque não são cidadãos dos países ou territórios ocupados onde vivem.  
Caso houvesse uma Palestina independente ou eles virassem cidadãos libaneses, israelenses e sírios, a situação seria resolvida. 
Palestinos no Chile, por exemplo, são chilenos e não são considerados refugiados. 
Mais jus solis e menos jus sanguinis. Quem questiona a existência de refugiados palestinos deveria ver as leis de cidadania no Líbano, Israel e Síria.  
Se fosse como no Brasil, não haveria problemas. 
Filho de palestino, libanês ou israelense nascido no Rio é brasileiro. Assim que deveria ser.

Guga Chacra, colunista - O Globo

 

 


terça-feira, 9 de agosto de 2016

O jogo perigoso de Erdogan na Rússia

Presidente turco se aproxima de Putin num momento em que a UE sofre com o Brexit e as relações com os EUA ficaram estremecidas após tentativa de golpe

A reunião hoje entre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e seu colega russo, Vladimir Putin, representa bem mais do que o processo de reatamento diplomático entre duas nações. Na verdade, o encontro está sendo visto por especialistas como um jogo perigoso do líder turco, que ameaça se afastar de seus aliados do Ocidente, principalmente EUA e União Europeia.

As relações entre Ancara e Moscou foram rompidas depois que as Forças Armadas turcas derrubaram um caça russo na fronteira entre Turquia e Síria, em novembro passado, matando seus dois pilotos. O incidente foi o ápice de uma escalada de tensão. Erdogan acusava Putin de violar o espaço aéreo turco, ao realizar bombardeios contra rebeldes sírios, em apoio ao presidente Bashar al-Assad, aliado da Rússia. No início do mês passado, Erdogan enviou carta a Putin, reabrindo o diálogo. 

Após a fracassada tentativa de golpe em 15 de julho, a Turquia adotou com rapidez uma série de medidas autoritárias, criticadas por seus aliados ocidentais. Erdogan aproveitou a oportunidade para implementar o que ele chama de “nova Turquia”, um país islâmico que rompe com o passado secular inaugurado por Mustafá Kemal Ataturk, o fundador da Turquia moderna. 

Com o apoio de uma população radicalizada e armada, Erdogan prendeu milhares de pessoas acusadas de fazer oposição a ele, inclusive nas Forças Armadas, nas universidades, nos meios de comunicação e outras instituições. Para justificar, reforçou uma retórica de elogio ao glorioso passado otomano, quando Istambul era o centro de um califado, cujos domínios se espalhavam pela região.

As críticas de países ocidentais à truculência do regime turco, após a revolta fracassada, irritaram Erdogan. Ele ficou especialmente estremecido com o governo americano, a quem insinuou ter apoiado a insurgência militar, ao acolher o clérigo islâmico Fethullah Gülen, a quem Erdogan acusa de ser o mentor da tentativa de golpe, e se recusar a extraditá-lo à Turquia. 

A importância geopolítica da Turquia é proporcional à ambiguidade do regime. Situado estrategicamente entre o Ocidente e o Oriente, o país é membro da Otan e abriga importante base aérea americana. Essa posição privilegiada garantiu ao presidente turco certa tolerância em relação a abusos de autoritarismo e repressão contra minorias. Sua adesão à UE, que vem sendo costurada há tempos, ganhou impulso depois do acordo com Bruxelas para receber refugiados que tentam entrar ilegalmente na Europa.

Mas, agora, Erdogan parece caminhar na direção oposta, reforçando, ao se aproximar de Putin num momento em que UE está fragilizada pelo Brexit, a posição de Moscou no xadrez político da região. Ou talvez esteja apenas blefando. Seja como for, trata-se de um jogo perigoso.

Fonte: Editorial - O Globo
 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O que foi o genocídio armênio e por que tantos líderes se recusam a falar sobre o assunto?



Nesta sexta-feira, o país relembra os cem anos do massacre de armênios cometido pelo Império Otomano (atual Turquia)
Nesta sexta-feira (24), a Armênia se prepara para relembrar os cem anos do que é considerado o primeiro grande crime contra a humanidade no século XX: o genocídio armênio. A cerimônia deverá contar com nomes importantes da política mundial, como o presidente da França, François Hollande, e da Rússia, Vladimir Putin. Mas chama a atenção a ausência de países como os Estados Unidos e Reino Unido, que evitam usar o termo "genocídio" para descrever os acontecimentos de 1915. O que foi o genocídio armênio, e por que, cem anos depois, continua causando controvérsia?
Membros da Igreja Apostólica Armênia fazem cerimônia de canonização das 1,5 milhões de vítimas do genocídio armênio em 1915 (Foto: Brendan Hoffman/Getty Images)

O que foi o genocídio armênio?
No dia 24 de abril de 1915, as autoridades do Império Otomano (atual Turquia) prenderam e mataram cerca de 200 intelectuais armênios em Constantinopla (atual Istambul). Segundo a Armênia, o ato foi o início de um programa sistemático das autoridades otomanas para exterminar toda a população armênia.

Nos dias que se seguiram, o governo otomano desapropriou cidadãos armênios em toda a Anatólia e iniciou um programa de deportação em massa. Os armênios foram forçados a deixar suas terras e seguir em uma marcha insana no meio do deserto da Síria, onde homens foram mortos por militares ou por tribos locais, mulheres foram alvo de estupro e crianças foram raptadas. Os que conseguiam chegar ao destino final simplesmente não tinham como sobreviver no meio do deserto - muitos morreram de fome ou de doenças.  No início de 1915, mais de 2 milhões de armênios viviam no território do Império Otomano. Cinco anos depois, eles eram menos de 400 mil.

Por que aconteceu?
O massacre dos armênios ocorreu em meio à Primeira Guerra Mundial. Na época, o Império Otomano controlava não só a Turquia, mas também parte da Síria, da Arábia, dos Balcãs e do território onde hoje é a Armênia. Em 1914, os turcos entraram na guerra ao lado da Alemanha. O objetivo era recuperar o território que estava ocupado pela Rússia.
A campanha dos otomanos foi um desastre, e os russos venceram uma série de batalhas. Alguns grupos de nacionalistas armênios apoiaram os russos na guerra, vendo a possibilidade de uma derrota otomana resultar na criação da República da Armênia. O resultado é que os otomanos passaram a culpar os armênios pelas derrotas, acusando-os de cooperar com a Rússia e de trair o império.

Mas foi mesmo genocídio?
O termo "genocídio" só foi cunhado algumas décadas depois – em 1944, pelo jurista Raphael Lemkin, para descrever o assassinato em massa de judeus na Alemanha nazista. O termo é geralmente interpretado como uma forma de designar uma tentativa organizada e sistemática para destruir um povo, um grupo ou uma etnia por parte de um governo. Reportagens e documentos diplomáticos da época indicam que houve, sim, um plano autorizado e organizado pelo governo otomano para acabar com o povo armênio, o que, portanto, caracteriza o massacre como genocídio.

A Turquia, no entanto, coloca grande esforço diplomático para negar isso. Para os turcos, não houve genocídio, e as mortes foram resultado da situação caótica que o país vivia durante a Primeira Guerra Mundial. A Turquia, como conhecemos hoje, foi formada após o colapso do Império Otomano. Vários dos oficiais otomanos que executaram o genocídio criaram, anos depois, as fundações da Turquia moderna. Eles são considerados heróis nacionais pela reconstrução do país. O resultado é que negar o genocídio virou uma política de Estado. Isso atinge tal nível de repressão que um dos maiores escritores da Turquia, o prêmio Nobel Orhan Pamuk, foi processado e condenado pela Justiça a pagar uma multa por dizer que houve genocídio.
Foto de 1915 mostra longa fila de armênios marchando após serem deportados pelas autoridades russas. Armênia relembra os cem anos do genocídio armênio, considerado o primeiro grande massacre do século XX (Foto: AP)
 
Por que outros países, além da Turquia, se recusam a tratar o caso como genocídio?
Em 2007, os Estados Unidos quase aprovaram um projeto de lei reconhecendo o massacre de armênios como um genocídio. O projeto foi barrado na última hora pelo então presidente George W. Bush. O cálculo do governo Bush era simples: a Turquia era um aliado do país na Guerra do Iraque. Mais de 70% dos suprimentos que os americanos enviavam para suas tropas no Iraque e no Afeganistão passavam pela base de İncirlik, controlada por turcos e americanos. Perder o apoio dessa base seria um problema. Barack Obama não mudou essa política. Ele deverá fazer um discurso nesta sexta, mas sem mencionar a palavra que começa com "g". Em vez disso, usará o termo "Meds Yeghern", que significa "grande calamidade" em armênio.

Na Europa, muitos países evitam o termo para não atrapalhar as relações diplomáticas com a Turquia, como é o caso do Reino Unido. No entanto, isso está mudando. No dia 12 de abril, o papa Francisco classificou o massacre como "o primeiro genocídio do século XX". Nesta sexta, espera-se que a Alemanha reconheça não só o genocídio, como também assuma uma parcela de responsabilidade,  já que os alemães eram aliados dos otomanos em 1915.

Os países que reconhecem o genocídio podem esperar retaliações diplomáticas ou comerciais. Quando a França fez isso, por exemplo, os turcos cancelaram um contrato militar. O caso mais recente ocorreu com a Áustria. O governo turco chamou seu embaixador em Viena de volta para Ancara e publicou uma nota acusando os austríacos de "dar lições aos demais sobre história".




Fonte: Revista Época




terça-feira, 14 de abril de 2015

Armênia, o primeiro país cristão do mundo, e o primeiro genocídio do século XX

A Armênia foi a primeira nação a se tornar cristã durante a era romana.
De acordo com a tradição antiga, a Arca de Noé repousou no Monte Ararate na Cordilheira Armênia. O Brasão da Armênia tem o Monte Ararate com a Arca de Noé em cima. O historiador armênio Movses Khorenatsi (410-490 d.C.) relatou a tradição de que Jafé, filho de Noé, tinha um descendente chamado Hayk que atirou uma flecha numa batalha perto do Lago Van cerca de 2.500 a.C., matando Nimrod, construtor da Torre de Babel que foi o primeiro tirano poderoso do mundo antigo.
Hayk é a origem de “Hayastan,” o nome armênio da Armênia. Os armênios antigos podem ter tido relações com os heteus e os hurritas, que habitavam aquela região conhecida como Anatólia no segundo milênio antes de Cristo. Yerevan, a maior cidade da Armênia e fundada em 782 a.C. à sombra do Monte Ararate, é uma das cidades do mundo que é habitada continuamente desde a antiguidade.
A Armênia foi mencionada pela primeira vez por nome em 520 por Dario o Grande da Pérsia. As fronteiras chegaram à sua extensão máxima sob o Rei Tigrane o Grande, 95-55 a.C., da Armênia, alcançando desde o Mar Cáspio até o Mar Mediterrâneo, rechaçando partos, selêucidas e a República Romana.
A Armênia foi a primeira nação no mundo a adotar oficialmente o Cristianismo como sua religião estatal cerca de 301 d.C., com a conversão do Rei Tiridates III. Os milhares de anos de história da Armênia incluem independência intercalada com ocupações de gregos, romanos, persas, bizantinos, mongóis, árabes, turcos otomanos e soviéticos.
Ani, a capital medieval da Armênia, era chamada de “a cidade das mil e uma igrejas,” com uma população de 200.000, rivalizando com Constantinopla, Bagdá e Damasco.
Em 1064, o sultão Alp Arslan e os turcos muçulmanos invadiram e destruíram a cidade de Ani. O historiador árabe Sibt ibn al-Jawzi registrou:
“O exército entrou na cidade, massacrou seus habitantes, pilhou e queimou-a, deixando-a em ruínas… Eram tantos cadáveres que eles bloqueavam as ruas; não se podia ir a lugar algum sem pisar neles. E o número de prisioneiros era não menos de 50 mil almas… Eu estava determinado a entrar na cidade e ver a destruição com meus próprios olhos. Tentei encontrar uma rua em que eu não tivesse de pisar em cadáveres, mas era impossível.”
Os turcos muçulmanos haviam transformado populações cristãs, judias e não muçulmanas conquistadas em cidadãos de segunda categoria chamados “dhimmi” e exigiam que eles pagassem um resgate anual para não serem mortos. O resgate era um imposto exorbitante chamado “jizyah”. O sultão Murat I (1359-1389) começou a prática de “devshirme” pegar meninos das famílias armênias e gregas conquistadas.
Esses meninos cristãos inocentes sofriam traumas e doutrinações sistemáticas para se tornarem guerreiros muçulmanos ferozes chamados “janízaros,” semelhantes aos soldados escravos “mamelucos” do Egito. Os janízaros eram forçados a chamar o sultão de pai e eram proibidos de casar, originando as práticas depravadas e a pederastia abominável dos turcos.
Durante séculos, os turcos fizeram conquistas no Mediterrâneo, Oriente Médio, Europa Oriental, Espanha e Norte da África, levando milhares para a escravidão. Começando no início do século XIX, o Império Otomano Turco começou a declinar. A Grécia, a Sérvia, a Bulgária e a Romênia ganharam sua independência.
Quando os sentimentos da Armênia se inclinaram para a independência, o sultão Abdul Hamid exterminou esses sentimentos massacrando 100.000 cristãos armênios na década de 1890.
Grover Cleveland, presidente dos EUA, declarou em 2 de dezembro de 1895:
“O que está acontecendo na Turquia continua a nos preocupar… Massacres de cristãos na Armênia e o crescimento… de um espírito de hostilidade fanática contra influências cristãs… estão recentemente chocando a civilização.”
O presidente Grover Cleveland disse ao Congresso dos EUA em 7 de dezembro de 1896:
“A situação preocupante na Turquia asiática… fúria de intolerância louca e fanatismo cruel… destruição desumana de lares e a chacina sanguinária de homens, mulheres e crianças, martirizados por sua fé cristã… Revoltas de fúria cega que levam a assassinatos e pilhagem na Turquia ocorrem de repente e sem aviso…
Theodore Roosevelt, presidente dos EUA, declarou ao Congresso em 6 de dezembro de 1904:
“…os armênios têm sido vítimas de… crueldade e opressão sistemática e prolongada… que ganharam do mundo civilizado indignação e piedade.”
Quando o sultão Abdul Hamid II foi deposto em 1908, houve uma breve euforia, com cidadãos inocentemente esperando que a Turquia tivesse um governo constitucional.
O governo foi tomado pelos “Jovens Turcos,” liderados por três líderes ou “paxás”: Mehmed Talaat Pasha, Ismail Enver Pasha e Ahmed Djemal Pasha.
Eles deram a aparência de que estavam planejando sancionar reformas democráticas enquanto estavam, clandestinamente, implementando um plano genocida para exterminar da terra todos os que não eram turcos muçulmanos.
O primeiro passo envolvia recrutar todos os rapazes armênios nas forças armadas. Em seguida, transformaram esses rapazes em soldados “não combatentes,” tirando-lhes as armas. No final, eles receberam ordens de marchar para matas e desertos, onde havia emboscadas aguardando para massacrá-los.
Com o extermínio dos rapazes armênios, as cidades e vilas armênias ficaram indefesas. Cerca de 2 milhões de idosos, mulheres e crianças foram forçados a marchar em direção ao deserto, foram atirados de penhascos ou queimados vivos.