Oposição mira o impeachment
Os bastidores da virada na estratégia dos partidos oposicionistas.
Pela primeira vez, desde a eclosão do escândalo do Petrolão, o bloco decide avançar para tentar pedir o afastamento de Dilma
O sol já quase se punha em Brasília, na tarde de terça-feira 14, quando o presidente do PSDB, senador Aécio Neves – trajando terno grafite e gravata de mesma cor estampada com losangos brancos – adentrou ao plenário 11, na ala das Comissões da Câmara.Realizava-se ali, um salão de 120 metros quadrados, o encontro da bancada do PSDB. Pouco antes do encerramento da reunião, o tucano resolveu submeter os 40 parlamentares presentes a uma consulta. “Quem aqui é a favor do impeachment da presidente Dilma?”. O tema vinha sendo considerado tabu na legenda desde 2006, quando no auge do mensalão a economia ia de vento em popa e o então presidente Lula ameaçou insuflar as massas em defesa de seu mandato. Àquela altura, o PSDB, acompanhado dos demais partidos de oposição, decidiu não levar o assunto adiante, sob o temor da reação das ruas, sindicatos e organizações cooptadas pelo PT. Agora, o cenário é distinto. Mais de 60% dos brasileiros são favoráveis ao impeachment, e o afastamento da presidente virou palavra de ordem nas manifestações que tomaram as principais avenidas do País este ano. Ciente dessa nova atmosfera, a ampla maioria dos tucanos ergueu as mãos, respondendo positivamente à questão levantada por Aécio. “Então, v’ambora!”, convocou o senador mineiro com as duas mãos espalmadas sobre a mesa.
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AÇÃO PENAL
Parecer de Reale Jr. com base nas pedaladas fiscais pode
levar Dilma a ter de responder no STF por crime comum
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Numa outra ponta, uma comissão composta por cinco parlamentares irá a
Londres com o objetivo de ouvir o ex-diretor da empresa SBM Offshore,
Jonathan David Taylor. O executivo acusa a Controladoria-Geral da União
(CGU) de ter abafado uma denúncia de pagamento de US$ 139 milhões em
propinas por meio de contratos da Petrobras para favorecer a candidatura
de Dilma. Para Aécio, o fato é extremamente grave e, caso comprovado,
indica que a CGU, principal órgão de combate à corrupção do governo,
cometeu crime de prevaricação. Na seara política, a oposição se aproxima
dos líderes dos protestos e encampa no Congresso projetos que mostram
sintonia com as ruas e, ao mesmo tempo, podem desgastar o governo, como a
proposta de redução tributária e de redução da maioridade penal. Na
quarta-feira 15, os oposicionistas estiveram em Brasília ao lado dos
integrantes da Aliança Nacional de Movimentos, que reúne 26 diferentes
grupos de manifestantes.
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