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domingo, 17 de julho de 2022

Contestação de resultado das urnas na Justiça é rara e tem barreiras- Folha de S. Paulo

Não há meio jurídico próprio para tal questionamento, e tentativas anteriores, em 2006 e 2014, não provaram suspeita de fraude

A ameaça do presidente Jair Bolsonaro (PL) de não aceitar o resultado da eleição e sua desconfiança em relação às urnas eletrônicas devem encontrar uma série de barreiras se levadas à Justiça Eleitoral. São quase inexistentes os casos em que houve questionamento formal às urnas eletrônicas —e em nenhum deles foi encontrada fraude.

As Forças Armadas têm repetido o discurso de Bolsonaro. Em ofício recente, solicitaram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) todos os arquivos das eleições de 2014 e 2018, justamente os anos que fazem parte da retórica de fraude do presidente.

Em mais um ataque direto a ministros, na última sexta-feira (15), Bolsonaro errou ao dizer que o atual presidente do TSE, ministro Edson Fachin, foi quem tirou Lula (PT) da prisão. "Quem foi que tirou o Lula da cadeia? Foi o ministro Fachin. Onde está o Fachin hoje em dia? Conduzindo o processo eleitoral. Suspeição, ou não é?", questionou em evento com evangélicos.

Diante do discurso de cunho golpista, quem atua no direito vê risco de que, assim como fez Donald Trump nos Estados Unidos, também Bolsonaro tente converter sua retórica de fraude em medidas judiciais. O ex-presidente americano pediu recontagem de votos em diversos estados e perdeu uma série de ações.

Neste caso, ainda que o cenário se mostre bastante incerto, dado seu ineditismo e escassez de precedentes, há também barreiras que podem impedir ações despropositadas. Especialistas consultados pela Folha dizem acreditar que ações que contestem as urnas perante o TSE não devem prosperar pois necessitariam de provas de fraude, algo que nunca ocorreu desde a adoção da urna eletrônica. [COMENTANDO: O denunciante teria que realizar todo o trabalho de investigação e sem contar com os meios necessários. De tal forma fica dificil provar eventual ocorrência de fraude ou mesmo falhas.
A exigência do denunciante ter que provar sua acusação é o normal  - o ônus da prova cabe a quem acusa; porém, pelas peculiaridades de um sistema informatizado, cujo acesso total não é permitido a qualquer do povo, torna recomendável que uma denúncia sustentada em indícios, razoabilidade,  mereça uma investigação do órgão que tem acesso total a todo o sistema eleitoral = o TSE.
Enquanto denúncias apresentadas não sejam investigadas, ainda que de forma preliminar, para constatar a razoabilidade, qualquer denúncia apresentada será sempre classificada como apresentada SEM PROVAS.]

"Ter uma eleição anulada pela via judicial é algo mais do que remoto. Do ponto de vista material, não há evidência ou notícia de fraude na urna eletrônica", afirma o advogado Carlos Gonçalves Júnior, professor de direito eleitoral da PUC-SP. "E do ponto de vista formal não existe um instrumento jurídico próprio para esse questionamento."

Procuradores eleitorais ouvidos pela reportagem apontam que o instrumento de guerra judicial pode ser usado por Bolsonaro apesar de a chance de êxito ser praticamente nula. O exemplo de Trump mostra que não existe uma preocupação com a viabilidade jurídica das ações, mas sim uma estratégia de mobilização de apoiadores a partir do desafio ao resultado das urnas.

Bolsonaro já tomou outras medidas polêmicas [sic] que serviram de munição para sua base eleitoral, como o indulto ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) e a medida provisória para limitar a retirada de conteúdo das redes sociais na véspera da manifestação de 7 de Setembro no ano passado.

Em 2014, após perder as eleições para Dilma Rousseff (PT), o PSDB de Aécio Neves levou ao TSE um pedido de auditoria especial, que foi deferido pelo tribunal sob o argumento da transparência. "Nas redes sociais os cidadãos brasileiros vêm expressando, de forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos e a infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas ordens", apontava o partido.

De lá para cá, os regramentos da Justiça Eleitoral que tratam de fiscalização e auditoria passaram a ter mais detalhamento. [na prática dificultando que questionamentos prosperem.] Pedidos de verificação extraordinária após as eleições exigem como requisito a apresentação de fatos, indícios e circunstâncias que os justifiquem, caso contrário podem ser negados.

O caso do PSDB não foi convertido em uma ação judicial. Apesar de não ter encontrado fraude, o partido gerou desgaste solicitando ao TSE uma série de procedimentos não previstos. Ao final, alegou em relatório não ser possível auditar o processo por completo. Especialistas explicam que o pedido de auditoria é administrativo e não tem como função o questionamento da eleição, tampouco tem o poder de alterar seu resultado.

Atualmente, uma resolução do TSE prevê qual é a amostra de urnas a serem auditadas em caso de ação judicial relativa aos sistemas de votação ou de apuração, mas não especifica essa ação. "Não seria desejável que o sistema judicial brasileiro tivesse um amplo mecanismo de questionamento das eleições. Isso é para ser uma situação de extrema excepcionalidade, de absurdo notável. A confiança no sistema eleitoral é um dogma da democracia", afirma o professor da PUC a respeito de o terreno de contestação ser pouco explorado no país.

A depender do caso, segundo os especialistas, as possíveis alternativas de Bolsonaro para questionamento judicial seriam um mandado de segurança ou uma Aime (ação de impugnação de mandato eletivo). Em ambos, contudo, ele precisaria ter provas. O mandado de segurança exige uma prova pré-constituída, ou seja, uma fraude claramente caracterizada. A Aime é usada em caso de abuso de poder econômico, corrupção ou fraude —a ação de contestação teria que se encaixar na terceira hipótese.

Segundo a advogada eleitoral e professora Marilda Silveira, é preciso um mínimo de prova para que a ação tenha andamento, o que não incluiria por exemplo, mera retórica ou relatos testemunhais de supostas falhas. Neste caso, diz ela, a ação provavelmente terminaria arquivada. Silveira aponta ainda que, caso se faça uma auditoria ou contagem paralela alegando um outro resultado que não o oficial, também não haveria nenhuma repercussão jurídica. "Não acontece nada", afirma. "Vão ter que pegar essa auditoria que eles fizeram e juntar isso numa ação judicial que conteste a legitimidade das eleições."

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segunda-feira, 2 de maio de 2022

Sem barreiras intransponíveis - Alon Feuerwerker

 Análise política

Não é a primeira vez que se diz isso, mas seria desejável as pessoas manterem uma relação menos passional com as pesquisas eleitorais. Seria desejável mas é impossível. Ao trazer o desfecho das urnas a valor presente, antecipam-se estados de euforia e depressão que costumam caracterizar o posfácio da eleição. É emoção pura. São amor e ódio garantidos.

O habitual, por isso, é as pessoas amarem as pesquisas boas para seus candidatos e odiarem as ruins. É um direito. Mais prudente, entretanto, seria tentar olhar os números com algum distanciamento. E há um caminho: em vez de repudiar as pesquisas, ou acreditar só em algumas, melhor tentar olhar o que têm em comum. Inspirar-se na lei dos grandes números.

Segundo a qual, quanto mais vezes você repetir a mesma experiência, mais a média dos resultados tende a aproximar-se do resultado esperado.

Vale em algum grau para as pesquisas feitas pelas diversas empresas do mercado, ainda que haja distintas metodologias, e por isso não dá para falar, a rigor, na repetição da mesma experiência. Mas uma leitura mais flexível e menos rigorosa da regra é legítima aqui: quanto mais pesquisas você olhar, mais improvável que os traços em comum de todas estejam errados.

O que dizem todas as pesquisas? Hoje, 1) Luiz Inácio Lula da Silva está à frente de Jair Messias Bolsonaro. Mas, 2) este vem encurtando a distância, reagrupando principalmente o eleitorado dele de quatro anos atrás, porque 3) o quadro geral na saúde e na economia apresenta alguma evolução e 4) o contingente que rejeita o PT não encontra alternativa crível.

Onde está o coração da corrida eleitoral? Tentar descobrir qual é exatamente o eleitor em disputa. Pois as energias e os recursos escassos das campanhas precisam ser alocados para onde podem render voto, ou ao menos tirar do adversário, e não para malhar em ferro frio.

A mais recente pesquisa BTG/FSB trouxe Bolsonaro com 30% de intenção espontânea. Na margem de erro, corresponde ao que ele reuniu no primeiro turno quatro anos atrás, pouco mais de 33% do total do eleitorado. Por que a comparação tem de ser com o total? Porque as pesquisas não abrem o questionário perguntando se o eleitor vai votar ou não.

Lula, no momento, vive uma estabilidade. No voto espontâneo, consegue 36%. Reúne o eleitorado duro petista e lulista que levou Fernando Haddad ao segundo turno em 2018 (pouco mais de 21% do total dos eleitores), mais um pedaço dos nem-nem de quatro anos atrás e mais um tanto de gente que só aceitou Bolsonaro quando a opção era o PT.

É razoável interpretar o comportamento desses dois últimos grupos com uma função direta da rejeição ao atual presidente. Ou seja, o desafio colocado para Bolsonaro hoje é um só: diminuir a rejeição. O que pode ser buscado reduzindo a própria ou aumentando a dos adversários, principalmente a do adversário principal.Tentando fazer com que este seja mais rejeitado que o presidente pelo eleitor flutuante.

Dilma Rousseff reelegeu-se assim. Em setembro de 2014 seu bom+ótimo estava em torno de 35%, mas uma campanha duríssima contra os desafiantes, Marina Silva no primeiro turno e Aécio Neves no segundo, fez mais gente acabar rejeitando os adversários do que o contingente que não queria saber da reeleição da petista.

A Dilma de então levava uma vantagem sobre o Bolsonaro de hoje: não recebia tanto ruim+péssimo, tinha um estoque maior de regular. Mas nada impede o atual presidente de trabalhar para chegar a setembro com uma parte do hoje ruim+péssimo transferido para o regular. É o que os adversários vão tentar impedir.

Se Bolsonaro ganhou quatro anos atrás e Lula lidera hoje, ou 1) uma parte expressiva do não-voto em 2018 (brancos+nulos+abstenção, pouco mais de 27%) inclina-se ao petista e/ou 2) um pedaço significativo dos antes eleitores do capitão hoje respondem “Lula”. 

A primeira hipótese parece menos ponderável para projetar o resultado de outubro. Pois o não-voto tem se mantido algo estável na série histórica.

O principal desafiante e o incumbente disputam, centralmente, alguém que já tinha votado no PT, aí votou em Bolsonaro, agora está bravo com este e tem à disposição um produto já testado, um ex-presidente que saiu bem avaliado do cargo. Mas, atenção: quem já votou em Lula e também já votou em Bolsonaro não enxerga uma barreira intransponível pera acabar escolhendo qualquer um dos dois.

Alon Feuerwerker, jornalista e analista político 

 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Corrida de fundo, com barreiras - Revista Oeste

J. R. Guzzo
 

Vai ser difícil acusar o adversário de ladroagem se Lula foi o chefe do governo mais corrupto da história do Brasil

Como qualquer cidadão deste país pode constatar diariamente por tudo o que lhe dizem, mostram e escrevem, Lula é o próximo presidente do Brasil. Já está, a esta altura, escolhendo seus ministros Guilherme Boulos, por exemplo, para crescer na foto e ser o seu candidato nas eleições de 2030, ou Dilma Rousseff, aí já não se sabe por quê —, está escrevendo as “políticas públicas” do seu governo, combinando chamar de volta as empreiteiras de obras e os médicos cubanos, e fazendo aquelas coisas todas que fazem os presidentes que têm hora marcada para assumir. Pergunte ao ex-presidente Fernando Henrique, ao Datafolha ou ao Jornal Nacional é Lula, e não se fala mais nisso.

E Jair Bolsonaro, não existe mais? Não, não existe. Todos os citados aí acima mais os cientistas políticos, as classes ilustradas e o New York Times estão certos de que ele morreu e não sabe. Sua popularidade cai a cada cinco minutos. Proibiu a compra de vacinas e, ao mesmo tempo, roubou milhões de vacinas que, aliás, não foram compradas embora quase 120 milhões de brasileiros já tenham sido vacinados. Tocou fogo na Amazônia. Matou mais de 500.000 pessoas, e vai matar mais. É genocida. Perseguiu os índios, os quilombolas e as mulheres. Não pôs a máscara. Vai ser expulso da Presidência por um impeachment que já está no papo; ou seja, não vai nem ser candidato. [meu DEUS como é que um cara desses, ladrão, genocida, assassino, ainda está solto?  - claro só falta ele ser condenado = sendo condenado, ele será preso, na sequência  anulam a condenação dele, conforme fizeram com a do Lula, aí ele será solto e poderá ser candidato. A dúvida: é melhor deixar soltou ou prender e depois soltar?]

Muito bem mas, agora, é preciso que essas coisas todas aconteçam. Em primeiro lugar, Lula tem de vencer as eleições de 2022; não chegará lá, como tudo o que lhe acontece de bom na vida hoje em dia, por uma liminar do STF, mesmo com todo o empenho dos ministros Fachin ou Lewandowski, Toffoli ou Gilmar Mendes. Para isso terá, em primeiro lugar, de ser candidatoalgo que ele quer muito, mas que pode não ser possível. Sua única vantagem competitiva de verdade, neste momento, é o desmanche de Bolsonaro. Durante os próximos quinze meses o presidente vai ter de continuar se desmanchando, e ele, Lula, vai ter de continuar crescendo — fora do mundo encantado das pesquisas. Não é uma questão de escolha: para Lula ser presidente de novo, tem de ser assim.

Lula e o PT contavam com o lema “vacina para todos”. Mas o que vai acontecer quando todos estiverem vacinados?

Há dificuldades nessa caminhada em que um tem de andar sempre para trás e o outro tem de andar sempre para a frente. Tome-se, para começar, o tema da corrupção — é complicado fazer uma campanha eleitoral no Brasil sem acusar o outro de corrupção. Lula e o PT, como se sabe, nunca viveram sem isso numa eleição; a não ser quando tiveram de suceder a si próprios, sempre jogaram tudo no “pega ladrão”. E na campanha de 2022? 
Vai ser difícil acusar o adversário de ladroagem se você foi o chefe do governo mais corrupto da história do Brasil, puxou cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e tem de convencer da sua honestidade pessoal uma população notoriamente descrente das virtudes de qualquer pessoa que vai presa.
É falar de corda em casa de enforcado, e o PT sabe disso; suas lideranças, aliás, já estão dizendo que Lula vai “dar preferência”, na sua campanha, aos “temas mais ligados aos interesses diretos da população”. Gilmar Mendes, Fachin, Lewandowski & Cia. podem dizer quanto quiserem que Lula é “inocente” quem acredita em alguma coisa que venha do STF? Para Lula, na verdade, seria melhor que nenhum deles dissesse nada a respeito do assunto de hoje até o dia da eleição.
Quanto menos o nome do ex-presidente aparecer ligado a qualquer ministro do STF, melhor para a sua reputação. Ele vai ficar falando na sua “inocência”, é claro — mas roubalheira do adversário, que é bom numa campanha, não deve rolar.

Há também o problema da vacina, e não é pouca coisa. Os problemas da vacinação, reais ou imaginários, teriam de ser o carro-chefe de uma campanha eleitoral nos dias de hoje — o que poderia ser melhor, numa hora dessas, do que acusar o outro lado de não aplicar uma vacina que vai salvar “vidas”? Só mesmo a ajuda de Deus. Lula e o PT contavam, de coração, com o lema “vacina para todos”. Mas o que vai acontecer quando todos estiverem vacinados? Estamos em julho de 2021 e a vacina já está chegando aos jovens; até o fim do ano, a vacinação estará encerrada. Falar, em julho do ano que vem, que a vacina “demorou”, ou que Bolsonaro disse que não era culpa dele se alguém virasse jacaré, ou que o general Pazuello fez isso, ou não fez aquilo, não vai adiantar nada; ninguém vai nem mais lembrar quem foi o general Pazuello.

Falar da “recessão” também não está com boa cara. Em primeiro lugar, a maior criatura política da vida de Lula, a ex-presidente Dilma, criou e agravou a pior e mais longa recessão da economia brasileira, por sua pura inépcia e má gestão das autoridades econômicas. Como na ladroagem, é melhor não mexer com o assunto. Em segundo lugar, vai ser preciso haver mesmo uma recessão em 2022. Este ano, pelos cálculos feitos até agora, vai haver crescimento — de 5,2%, o maior desde 2010. Não se vê, hoje, nenhum fato indicando que em 2022 as coisas andem ao contrário. É o mesmo problema com o desemprego. É um caso de torcida: dá para aumentar os quase 15% de hoje, mas isso não é muito pior que o desemprego da recessão de Dilma. A foto de hoje também não é animadora para Lula: foi criado 1,2 milhão de empregos formais neste primeiro semestre. O enfraquecimento da covid e o avanço da vacinação, ao mesmo tempo, sugerem que essas taxas vão continuar subindo.

Propor o quê? Novas estatais? Transposição do Rio Amazonas?

Outra dificuldade é o próximo Bolsa Bolsonaro — o “auxílio de emergência”, ou “renda cidadã”, ou outro programa qualquer de entrega de dinheiro à população. É certo que o governo, que já experimentou essa substância e gostou, não vai ficar parado, olhando a paisagem. Vem mais dinheiro por aí — e, obviamente, vai ficar ruim cair de pau em cima de um governo que está dando uma mesada para os pobres, mesmo porque já caíram de pau quando o auxílio atual foi temporariamente suspenso. Vão falar que é demagogia, claro, mas e daí? Lula não pode propor que Bolsonaro pare de pagar, ou pague menos; o Congresso não vai vetar, em nome da austeridade nas contas públicas, e o STF vai ficar quietinho. É uma sinuca.

Seria preciso, também, arrumar mais 500.000 mortes para engrossar a conta do genocídio, ou de preferência 1 milhão. Lula pode contar com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, que é dirigido por um cidadão que se chama “Carlos Lula” e diz quantas pessoas morrem a cada dia de covid, em sociedade com um “consórcio” de veículos de imprensa. Mas não é fácil um negócio desses dar certo — há os relatos dos hospitais que informam sobre a ocupação de leitos nas UTIs, e outras complicações. Há, é claro, os intratáveis problemas de Bolsonaro no Congresso e a pressão, cada vez mais agressiva, para o seu impeachmentalgo que começou no dia da sua posse e continua até hoje. Mas aí é preciso esperar que o presidente não faça nada para se defender, e deixe dois terços dos deputados e dos senadores votarem contra ele — isso se o pedido de impeachment chegar ao plenário.

Não se sabe até agora, enfim, qual programa de governo Lula terá para apresentar durante a campanha — coisa que sempre pode ser inventada em meia hora, mas que ainda assim precisa se sustentar em alguma coisa. Em outras palavras: é preciso dizer ao eleitor por que raios, afinal, ele deveria votar em você e não no outro. A grande esperança da esquerda, do Brasil “que pensa” e da mídia é que a rejeição a Bolsonaro resolva tudo. Lula nem precisa fazer algum esforço especial. Basta que seja candidato, fique parado e não crie nenhum grande problema; Bolsonaro vai se destruir sozinho, pelo simples fato de ser Bolsonaro. O problema com esses desejos é que a maioria do eleitorado tem de pensar do mesmo jeito.

Propor alguma coisa vai ser difícil. Propor o quê? Novas estatais? Distribuição ao povo das reservas internacionais? Perdão das dívidas pessoais? Isenção geral de aluguéis? Transposição do Rio Amazonas? Volta dos médicos cubanos? A agenda pró homossexuais-negros-índios-mulheres e contra as queimadas-agrotóxicos-militares, por outro lado, é difícil de pegar. Não funcionou na eleição de 2018. Funcionaria na eleição de 2022? Por quê? A imprensa, os intelectuais e o centro civilizado, por fim, acreditam muito em derrotar Bolsonaro falando mal da “ditadura”. Não parece ser uma grande ideia. Uma parte não acredita em golpe de Estado, regime militar e ditadura. Outra parte é a favor. Melhor deixar quieto.

Bolsonaro, pela dificuldade de olhar além do seu próprio eleitorado, governar o país com mais harmonia e menos tensão e admitir que política vai além das redes sociais e do celular, ajuda qualquer adversário. Mas é preciso, para quem quer ficar no seu lugar, ajudar a si próprio. O presidente é dado como liquidado; pode até ser que esteja mesmo. Bolsonaro, por esse modo de ver as coisas, foi eleito em 2018 porque era o anti-Lula. Lula vai ser eleito em 2022 porque é o anti-Bolsonaro. Mas o ex-presidente, o maior nome lançado contra ele até o momento, tem pela frente uma corrida de fundo, com barreiras.

Leia também “O bem e o mal”

J. R. Guzzo, colunista - Revista Oeste


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Não é normal ter de proteger a Casa Branca com cercas em um dia de eleição - Dorrit Harazim

O Globo

Trump subverteu a ideia de América com o desmonte de instituições

É normal ver milhares de cidadãos americanos empenhados, a cada ano, em proteger suas propriedades contra a fúria sazonal de ciclones, furacões e cataclismas da natureza. Diques, barreiras e tapumes são erguidos com dexteridade já automática para prevenir o pior.
[Não surpreende que a judicialização excessiva - derrotados de ontem tentam ganhar na Justiça os votos que não receberam e a mania de protestos, protestar por tudo, incluindo o protesto por direitos que não possuem - e o mais perigoso: protestos contra autoridades de segurança (a polícia e demais autoridades precisam ser respeitadas e apoiadas quando são forçadas a usar a força necessária.)
Essa conduta desordeira, buscando estabelecer o CAOS e a DESORDEM, cria um clima de INSEGURANÇA no país, impondo pronta adoção de medidas de  segurança que podem parecer excessivas, mas são adequadas e necessárias.]
Casa Branca protegida por grades cobertos por cartazes de protesto, nas vésperas das eleições Foto: ERIN SCOTT / REUTERS
Casa Branca protegida por grades cobertos por cartazes de protesto, nas vésperas das eleições Foto: ERIN SCOTT / REUTERS

Também é normal que a Casa Branca seja uma fortaleza com mísseis capazes de derrubar todo avião mal intencionado, como os dos atentados terroristas do 11 de Setembro, em 2001.Talvez fosse até compreensível ter decretado lockdown por alguns dias depois que a Covid-19 fez da sede do governo dos EUA um mini epicentro de contágio.

Contexto: Atrás nas pesquisas, Trump aposta fichas em supressão do voto e batelada de processo


Decisão a favor do voto
Mas, definitivamente, não é normal “proteger” a Casa Branca e seu entorno com uma “cerca não escalável” contra a eleição, nem erguer barricadas interiores ou de rua em preparação a uma data que costuma(va) ser apenas de altíssima tensão comunal — o da escolha do presidente da República. Em qualquer eleição, há quem vota saltitante, outros vestem roupa de domingo; há quem vota com raiva e rancor acumulados; há quem vota com medo de que se saiba em quem votou. É assim no mundo inteiro. Mas, neste 3 de novembro, a intencional desvalorização do voto desceu ao patamar mais aviltado dos 240 anos de História do país: por pouco não se chegou ao extremo de jogar no lixo, literalmente e de público, milhares de votos já legalmente depositados.

O caso era escabroso: 127 mil votos do condado de texano de Harris depositados em urnas drive-through instituídas para atender eleitores deficientes, doentes ou receosos de se contaminar em tempos de pandemia, seriam descartados se uma ação movida por republicanos tivesse tido êxito. A alegação era de que nem “medo genérico nem ausência de imunidade para a Covid” constavam do Código Eleitoral para poder votar sem sair do carro. [por essa decisão se percebe que um poder judiciário dominado por furor legiferante não é exclusivo do Brasil. Não está na lei, mas a Justiça diz que está, passando a valer o que não existe - o texto legal é ignorado, impunemente. 
Até nos EUA o Congresso Nacional se omite diante de uma decisão do Poder Judiciário = o certo seria o Congresso no dia seguinte ao da decisão que leu um 'fantasma' no texto legal, republicasse a lei com a redação real, concreta. Mas...] 

(.......)

Garrett M. Graff, jornalista e historiador da corrida nuclear entre Washington e a União Soviética, escreveu interessante ensaio na “Wired” sobre Donald Trump ter se dedicado a destruir o que os EUA têm de mais enraizado. Ao longo da Guerra Fria, os sucessivos governos americanos produziram planos e mais planos secretos para garantir a continuidade do governo em caso de ataque nuclear. Sempre esbarravam numa questão central: o que preservar de mais crucial para a continuidade da liderança do país e da vida nacional?

Mobilização pelos ícones
Graff descobriu que, para os planejadores da época, “a América” era, antes de tudo, uma ideia. “O presidente poderia morrer, o Congresso poderia se perder, nossos templos da democracia em Washington poderiam ruir, mas enquanto permanecer a ideia de que a América vive, ela continuará viva”, escreveu. 

Especial: Esta eleição americana é a mais importante em décadas? Colunistas e especialistas respondem

O Globo, MATÉRIA COMPLETA