Vôlei: lamentavel, China para o trem do Brasil
Time de Lang Ping derrota a seleção
brasileira até então invicta da Olimpíada e fará semifinal contra
estreante Holanda; Zé Roberto não comentou sobre sua permanência como
treinador
O sonho do tricampeonato olímpico da seleção brasileira feminina de
vôlei virou pesadelo. Na noite desta terça-feira, o Brasil perdeu para a
China por 3 a 2 (25/15, 23/25, 22/25, 25/22 e 13/15), após campanha em
que sequer havia perdido sets. Essa seria a sétima vez seguida que a
seleção avançaria às semifinais. O Brasil termina o Rio-2016 na quinta
colocação, a pior campanha desde Seul-1988, há 28 anos.
— Vejo uma coisa mais pontual, foi o jogo mesmo. Num geral, elas
foram melhores. E hoje foi um dia negativo para a maior parte da
delegação brasileira. Handebol, futebol, polo, a Larissa (vôlei de
praia). A gente fica triste em ver que está todo mundo sofrendo. Todo
mundo torce por todo mundo, mas não pode influenciar (os outros
resultados) e não foi o caso — disse o técnico Zé Roberto, que ao final
da partida, foi consolar o neto Felipe, de seis anos, que estava
chorando na arquibancada. — Quando ele chegou chorando lá, lógico que
aperta mais o coração. Mas o avô tem que ficar firme. O que expliquei
para ele foi que isso faz parte da vida, um dia a gente ganha, no outro a
gente perde. Que ele tem de aprender isso também, que o outro time
jogou melhor e mereceu. O mais bonito, disse a ele, era a festa que todo
mundo estava fazendo. A gente só tem que agradecer de estar aqui com
todo mundo, uma emoção enorme, e a gente precisa treinar mais para
ganhar.
Quem viu o primeiro set, em que as chinesas fizeram apenas 15 pontos,
não entendeu como o jogo virou a favor das rivais. As brasileiras
erraram demais e deixaram de forçar os saque. As chinesas, por sua vez,
acreditaram no jogo e não deixaram a bola cair. O passe do Barsil não
foi tão efetivo como o passae chinês, que isolou Ting Zhu aparenas para
pontuar. Ela marcou 28 pontos e foi o destaque do jogo.
A China enfrenta, nesta quinta-feira, às 22h15, a Holanda que venceu a
Coreia por 3 a 1 (25/19, 25/14, 23/25 e 25/20). A outra semifinal será
entre Sérvia e EUA, às 13 horas. As sérvias derrotaram a Rússia por 3 a 0
(25/9, 25/22 e 25/21) e as americanas ganharam do Japão por 3 a 0
(25/16, 25/23 e 25/22).
As quatro seleções da chave A, a mesma do Brasil, foram eliminadas nas quartas de final. Para Zé Roberto, o fato da chave ter sido a mais fraca não foi o
motivo das eliminações. Segundo ele, a questão foram os confrontos.
Ao final da partida, ele disse que agradeceria suas jogadoras pelo trabalho do ciclo olímpico inteiro.— Eu vou agradecer por todo o trabalho que elas fizeram. Não pode se
jogar no lixo uma história linda que elas têm dentro do esporte no
Brasil — comentou o treinador, que também agradeceu a torcida que
valorizou o empenho de suas atletas. — O povo brasileiro valoriza o
esforço, quando vê que o time corre e se dedica. Isso sempre se
valorizou. As pessoas aplaudem e isso é gratificante. Nós estamos
vivendo um clima na Olimpíada com o povo valorizando o desempenho dos
atletas mesmo na prata ou no bronze.
ESTREANTES
Essa é a primeira vez que a
Holanda, 11.ª do ranking mundial, e a Sérvia, sexta, chegam à zona de
medalha na Olimpíada. Já a China, chega pela sexta vez na disputa das
semifinais. Foi campeã em Atenas-2004 e Los Angeles-1984. E tem prata em
Atlanta-1996, bronze em Pequim-2008 e Seul-1988.
A melhor colocação da Holanda foi um quinto lugar em Atlanta-1996
(foi sexto em Barcelona-1992). Já a Sérvia ficou em quinto lugar em
Pequim-2008 (e 11.º em Londres-2012).
Perguntado se continuaria à frente da seleção, Zé Roberto disse que era cedo para falar.
— Sinceramente eu não sei. Tenho que conversar com as pessoas da
Confederação, avaliar tudo o que aconteceu. Difícil dizer. Estou muito
triste para falar alguma coisa de futuro. Minha família sempre apoiou,
elas estão sempre junto, próximas, isso nunca foi nem será um empecilho
Fonte: O Globo
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