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quarta-feira, 22 de junho de 2022

A Amazônia cobiçada

Alexandre Garcia

Brasileiros querendo entregar a Amazônia desrespeitam as memórias de Arthur Reis, Osny Duarte Pereira, Cândido Rondon, Jorge Teixeira e outros, mas, principalmente, ofendem a brasilidade dos amazônidas de todas as etnias e origens, que sabem a razão da cobiça e seus disfarces [Os que 'tentam entregar a Amazônia são maus brasileiros, traidores da Pátria Amada e que se vendem por um punhado de dólares, prontos a rastejar aos pés dos que os compram = são repugnantes. ]

O duplo assassinato no Vale do Javari reacendeu as manifestações de uma cobiça que já dura 400 anos. Ironicamente, as ações estrangeiras usuais têm sido mais discretas que a de brasileiros que agora construíram mais uma narrativa a justificar o sonhado condomínio internacional para "administrar" as riquezas naturais da área. 
Administrar significa dominar e usar. Quando estrangeiros fazem isso, apenas estão insistindo no que sempre fizeram; 
quando brasileiros [vendilhões da Pátria] se unem a eles, tentando lesar o primeiro fundamento da nossa República, que é a soberania (art. 1º da CF), isso choca
 
Na minha infância, chamávamos os brasileiros que trabalhavam contra o Brasil em plena Guerra Mundial de quintas-colunas. Lembro-me de Brizola chamar esse tipo de gente de entreguista e vendilhão da pátria.
Agora é um outro líder de esquerda, do partido de Brizola, que denuncia o crime de lesa-soberania: o ex-presidente da Câmara, ex-ministro de Lula e Dilma, ex-PCdoB Aldo Rebelo, um estudioso da Amazônia e defensor dessa metade do nosso território. Não é uma questão de esquerda ou direita, mas de soberania nacional — o primeiro fundamento da nação. Vem de longe a cobiça. 
Os portugueses a combateram no século XVII, principalmente com Pedro Teixeira, que tirou holandeses, franceses, ingleses e espanhóis da nossa Amazônia, fixando a soberania com os fortes construídos no extremo da pátria. No início do século XX, acreanos decidiram ser brasileiros, e não bolivianos, e se levantaram em armas liderados por Plácido de Castro. Rio Branco consolidou as fronteiras no Acre com a Bolívia e no Amapá com os franceses.

Não são apenas os europeus, os cobiçosos. Em 1849, uma expedição científica da Marinha dos Estados Unidos voltou da Amazônia com a teoria de que a bacia amazônica faz parte da bacia do Mississipi: a direção dos ventos leva os navios da foz do Amazonas para os portos do sul dos Estados Unidos. Portanto, o Império Brasileiro deveria conceder aos americanos a livre navegação nos rios da Amazônia. Desconfiado, Pedro II pediu ao Barão de Mauá uma empresa de navegação nacional que preenchesse o vazio cobiçado

Os americanos já tinham anúncios em jornais, organizando expedições para explorar o Eldorado. Há 50 anos, o cientista Herman Kahn, do Hudson Institute, sugeriu inundar a Amazônia formando um lago gigantesco.

Brasileiros querendo entregar a Amazônia desrespeitam as memórias de Arthur Reis, Osny Duarte Pereira, Cândido Rondon, Jorge Teixeira e outros, mas, principalmente, ofendem a brasilidade dos amazônidas de todas as etnias e origens, que sabem a razão da cobiça e seus disfarces, porque não são ingênuos nem cúmplices em relação à presença estrangeira por lá. Presença ilegal que é aplaudida por gente com o complexo de vira-lata, como chamou Nélson Rodrigues. 
Brasileiros da Amazônia sabem a diferença entre preservar — intocável e reservado para os estrangeiros e conservar, com sustentabilidade, para o bem da natureza mais importante: a natureza humana. Ele sabem, todos os dias e noites, que esta amazônia não é simplesmente do Brasil. É o Brasil.
 
Alexandre Garcia, colunista - Correio Braziliense 


quinta-feira, 19 de março de 2020

As escolhas difíceis, ou até cruéis, em tempos de coronavírus - Mundialista - VEJA

Como a doença mata idosos, jovens se sentem invulneráveis; médicos escolhem quem tem chances e políticos ainda rejeitam necessidade de união nacional

Festas na praia, nos parques, nas ruas. Da Europa aos Estados Unidos, jovens liberados das aulas e do peso na consciência caíram nas baladas espontâneas.  Os números agora confirmam o perigo invisível: 86%, ou seis em cada sete casos, não haviam sido detectados na China, o berço do vírus, no início da epidemia, propiciando sua explosiva expansão, controlada depois com isolamento populacional e tratamento em massa.

Na maioria dos países europeus, agora não dá para sair de casa e se reunir em grupos. Está todo mundo confinado e os deslocamentos têm que ser individuais. “Só queria comprar droga”, foi uma das desculpas mais inesperadas ouvida por policiais espanhóis que pararam um rapaz de madrugada para checar o que estava fazendo na rua.

Comércio de drogas e sexo profissional com contato direto são duas atividades abaladas pela era do corona. Em compensação, os canais digitais estão bombando com as “cam girls” que atendem fantasias sexuais via assinatura.  Os dilemas éticos dos médicos, evidentemente, são os mais difíceis: escolher quais pacientes têm mais chances de sobrevivência para ser entubados em UTIs. Além da idade e das complicações pré-existentes, um outro fator está sendo levado em conta por médicos italianos: a existência de familiares capacitados a tomar conta dos doentes que venham a se recuperar. Mesmo em condições sem o caráter de emergência de uma epidemia como a atual, entubar os muito idosos pode ter sequelas motoras e cognitivas. Sem cuidados da família, têm um fim de vida indigno e miserável..

Escolher morrer em casa, um desejo quase unânime de quem tem essa opção, vem acompanhado de uma complicação ética: o risco de contaminação de parentes mais próximos. Na era do corona, os que se vão têm que viver os últimos dias e morrer sozinhos. A proibição dos velórios quebra um tabu cultural imemorial. Numa cidade da Sicília, 48 parentes e amigos desafiaram a proibição e acompanharam o enterro de um ente querido. Foram intimidados. Dificilmente receberão a pena de três meses de cadeia prevista pelo estado de calamidade.

Mas não deixa de ser espantoso – embora explicável pela situação de emergência – ameaçar de prisão pessoas que cumprem um rito imprescindível. Alguns carros funerários ainda param diante de igrejas italianas, a pedido da família, para uma bênção à distância. 
Mas isso também está acabando. Não há veículos suficientes. Aliás, nem lugar para enterrar os corpos, com caixões enfileirados em igrejinhas ou até deixados nas casas, com um sistema de refrigeração, enquanto não dá tempo para recolhê-los.

No geral, 62% dos italianos apoiam o confinamento e outras medidas excepcionais decretadas pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte. As declarações dele, floreadas por expressões emocionais – “Vamos nos separar agora para poder nos abraçar depois” -, receberam até declarações de amor, entre memes fofinhos. Sem a adesão espontânea dos cidadãos, é difícil colocar países inteiros em isolamento. 
E mais ainda convencer a população a não vasculhar supermercados, agarrando-se ao último pacote de papel higiênico como uma tábua de salvação.

Manter a racionalidade – os estoques vão ser repostos – dura geralmente três segundos diante de prateleiras vazias que lembram a antiga União Soviética. “Somos uma democracia madura e adulta”, disse o primeiro-ministro Boris Johnson para explicar por que, ao contrário dos decretos taxativos de outros países europeus, estava “aconselhando” a população a ficar em casa, quando possível, só viajar em caso de extrema necessidade e não frequentar bares e restaurantes. Um comentarista algo cínico reagiu: “Se ele acha o povo maduro é porque certamente não entrou num supermercado nos últimos tempos e viu os carrinhos carregados até o topo”.


Blog Mundialista - Vilma Gryzinski, jornalista - VEJA 


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Já nas primeiras notícias se percebe uma indisfarçável tendência de acusar os policiais militares




Vídeo mostra PMs correndo atrás de carro de turista baleada na Rocinha

[a apresentação da matéria, destacando que um vídeo mostra PMs correndo atrás do carro da turista, busca considerar estranho que os policiais militares estejam correndo atrás do veículo que acabou de "furar" uma blitz.

Qualquer pessoa que pare para pensar antes de acusar os policiais, vai concluir que os PMs realizavam uma blitz em área perigosa um veículo desobedeceu a ordem de parada e os policiais militares no estrito cumprimento do DEVER LEGAL efetuaram disparos contra o veículo, levando-o a parar.

E até a parada total do veículo, desembarque e rendição de todos os seus ocupantes, é absolutamente normal e necessário que os policiais empunhem suas armas.

Percebam que os policiais agiram rigorosamente em consonância com o protocolo específico para aquela missão, não tendo sentido qualquer apresentação da matéria de forma a insinuar, ainda que sutilmente, que os policiais agiram de forma incorreta.]





Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que o carro que estava com a turista espanhola morta por um tiro de um policial passou pela Rua José Paulino da Silva, na Rocinha, na Zona Sul. Logo após o veículo, aparecem três policiais militares correndo. Segundo comerciantes, foram ouvidos cinco tiros vindos do Largo do Boiadeiro, bem próximo dali, e, segundos depois, outros quatro disparos.

De acordo com a polícia, o motorista não obedeceu à ordem de parar o veículo em um bloqueio e seguiu. Um tenente da PM disparou. O oficial foi preso em flagrante pela Corregedoria da corporação. Um soldado que fez um disparo a esmo também foi autuado em flagrante. [a prisão em flagrante seguida de autuação é normal, faz parte do processo de investigação dos fatos.] Maria Esperanza Jimenez Ruiz, de 67 anos, estava na parte de trás do carro, que levava ainda em um Fiat Freemont com um guia, um italiano, e mais dois espanhóis. Os vidros do carro tinham uma película escura de proteção. 

Maria Esperanza estava de férias na cidade junto com o irmão e a cunhada, de acordo com informações do jornal "El País". Ela natural de Puerto de Santa María, Cádiz, na Andaluzia, no sul do país. Ela chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Em nota, a PM afirma que está apurando o caso.

Mais cedo, um policial militar foi atingido na cabeça e o outro, no peito na comunidade, que vivencia, desde 17 de setembro, uma disputa pelas bocas de fumo travada pelas quadrilhas de Rogério Avelino dos Santos, o Rogério 157, e de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso em Rondônia. Os dois PMs foram levados para o Hospital Miguel Couto. Em nota, a PM diz que um suspeito também ficou ferido no confronto.

Os disparos na favela foram ouvidos em vários locais da Zona Sul. Na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na Gávea, alunos e professores se assustaram com os barulhos dos disparos. No Alto Leblon, moradores relataram ter ouvido rajadas vindas na região de mata.

  Espanhola morta: imagens mostram PMs correndo atrás de carro na Rocinha

Segundo Polícia Militar, agente atirou no veículo que desobedeceu a ordem de parada


[é lamentável a fatalidade, mas, medidas devem ser adotadas no sentido de orientar aos motoristas - tanto os de carro conduzindo turistas quanto os que conduzem seu próprio veículo - que uma ordem de parada emitida por policiais realizando uma BLITZ deve ser obedecida.
Houve uma total imprudência, absurda irresponsabilidade, do motorista do veículo. Desobedeceu uma ordem de parada, dada por policiais militares fardados e que realizavam uma blitz.
Além do mais o veículo dispunha de uma película de proteção o que dificulta a ação da autoridade policial.
O mínimo que se espera de um motorista que é abordado em uma blitz é que pare o veículo, desligue o motor, baixe os vidros e coloque as mãos sobre o volante.
Se a noite, deve apagar os faróis, acender luz interna.
Os policiais apesar de treinados e armados estão tenso - nunca sabem o que os espera quando se aproxima do veículo.
Se existe um responsável por essa morte é o motorista do veículo que conduzia a turista.]


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Quem atrasou o Brasil



Crescemos menos que a média mundial, menos que os ricos, menos que os emergentes, menos que a América Latina 


O FMI não é dado a celebrações. Procura sempre manter um tom neutro em seus elaborados documentos. Mas o Panorama Econômico Mundial divulgado nesta semana parece, em vários momentos, uma celebração do crescimento global. Em comparação ao documento de abril, o cenário básico para 2017 e 18 ganhou em qualidade e quantidade. O ciclo de aceleração verificado agora é mais rápido, mais forte e está mais espalhado.
 
Não se trata de "apenas" uma recuperação, diz o FMI, mas de um claro momento de expansão. O desastre 2008/09 está superado, os países reagiram, fizeram ajustes e voltaram ao crescimento, que é ou deve ser a situação normal de uma economia capitalista. Ah! sim, o capitalismo escapou de mais uma e segue por aí.Dadas as proporções e a natureza diferente da crise financeira, os programas de combate e recuperação tiveram de incluir novos ingredientes de política econômica. Nada que já não fosse conhecido ao menos nos livros, mas as combinações aplicadas certamente foram diferentes.
 
Nos Estados Unidos, por exemplo, o governo Obama saiu comprando ações de empresas quebradas, como as da GM. Gastou mais dinheiro público para salvar companhias e bancos privados. O Federal Reserve, o banco central, reduziu os juros a zero, deixou assim por muito tempo, imprimiu dinheiro e jogou quantidades enormes no mercado, comprando papéis públicos e privados para dar liquidez ao sistema financeiro. O Banco Central Europeu e outros seguiram por esse caminho - e a recuperação aconteceu. Nos EUA, por exemplo, a taxa de desemprego na era Obama caiu de 10%, auge da crise, para a faixa dos 4%. O país saiu da recessão para oito  anos seguidos de crescimento do Produto Interno Bruto -  nove se incluirmos as previsões para 2018.
 
E tudo com ajuste fiscal. Ainda nos EUA, o déficit das contas públicas foi de 10% do PIB em 2009 - um resultado horroroso - para menos de 3% já em 2014. Pois é, o governo primeiro gastou - e tinha estrutura ajeitada para isso - e depois voltou ao ajuste. Alguns dirão: isso porque são os Estados Unidos, o centro da economia global, exploram o mundo todo.  Então vamos para a Espanha - um caso central no debate pós-crise 2008/09. A Espanha estava quebrada, no público e no privado. Governo, empresas e famílias excessivamente endividadas. Recessão e desemprego em alta. A União Europeia foi ao resgate de um de seus principais membros. Topou alguns gastos cíclicos, mas exigiu do governo espanhol um severo programa de equilíbrios de contas e reformas, incluindo trabalhista e previdenciária (é, sempre a dupla). Alguns diziam: vão acabar de matar os espanhóis.
 
No último relatório do FMI, a Espanha aparece bastante bem, crescendo pouco mais de 3%. O déficit público, que ultrapassava os 11% do PIB em 2009, caiu para a faixa dos 4%. O desemprego permanece alto por motivos estruturais - foi de 19% no ano passado - mas passava dos 26% em 2013.  Portugal passou por um processo idêntico, com resultados melhores no quesito contas públicas e desemprego (hoje em 10%). Cresce menos que a Espanha, na casa do 1,5% ao ano, que é fraco mas maior que - adivinhe -  o do Brasil.      O ritmo de crescimento brasileiro está em aceleração, como no mundo, mas é preciso notar: o Brasil cresce menos que a média mundial, menos que os ricos, menos que os emergentes, menos que a América Latina.
 
 Enquanto os outros mantinham políticas tradicionais de ajuste pós-crise, o Brasil de Lula e Dilma meteu-se na aventura da “nova matriz econômica", que era o velho populismo latino-americano. Enquanto os outros se preparavam para a arrancada, mantendo contas públicas equilibradas, com inflação baixa e, pois, juros baixos, a "nova matriz" levava o Brasil a mais de dois anos de recessão - e isso com inflação alta e juros altíssimos. Um desastre completo. Enquanto os outros agora entram no ciclo de expansão, o Brasil está numa atrasada e moderada recuperação. Essa recuperação é resultado direto da mudança da política econômica no pós-Dilma, com a introdução de medidas de controle de gastos públicos (lei do teto, por exemplo) e algumas reformas (trabalhista). Em resumo, com anos de atraso, o país volta ao ajuste.
 
Só que no meio de uma enorme crise política, ética e institucional, que deixa em dúvida a continuidade da política econômica agora e no próximo governo.  Paciência. O pior que se pode tentar é esquecer o ajuste em nome de uma suposta calmaria política. Só atrasaria a recuperação e não resolveria a política.

 Fonte: Carlos Alberto Sardenberg, jornalista