Na manifestação, centenas de pessoas estavam aglomeradas, prática
desaconselhada diariamente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em
tempos de pandemia, e manifestantes, em sua maioria, sem máscara. Um
cordão de isolamento de forças de segurança, sem equipamentos contra o
contágio, teve de ser montado de última hora com a chegada do
presidente. Aos gritos de “mito”, “queremos intervenção” e “a nossa
bandeira jamais será vermelha”, manifestantes portavam bandeiras do
Brasil e faixas com dizeres como “Intervenção militar com Bolsonaro”,
“fora Maia”, em referência ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e “A
voz do povo é soberana”. No protesto, ouviam-se apelos pelo fechamento
do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em um discurso entrecortado por acessos de tosse, o presidente não falou diretamente sobre a pandemia nem sobre sua intenção de flexibilizar o isolamento social. Em vez disso, insinuou que personificava o fim da “velha política”, defendeu a obediência à “vontade do povo” e disse que fará “o que for possível para mudar o destino do Brasil”. “Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção no Brasil, tem de ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou, acabou a época da patifaria.
É agora o povo no poder. Mais do que o direito, vocês têm obrigação de lutar pelo país de vocês. Contem com seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado entre nós, que é a nossa liberdade. Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza: todos nós juramos um dia dar a vida pela Pátria e vamos fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil. Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, discursou ele.
Ao contrário de outras vezes em que desobedeceu as orientações por isolamento vertical, Bolsonaro não chegou próximo aos manifestantes e tampouco apertou a mão de apoiadores, como recentemente ocorreu na visita ao local que abrigará um hospital de campanha nos arredores de Brasília. Ele optou por subir na carroceria de um veículo policial e acenou, à distância, para a população.
VEJA - Política
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