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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Bate-bocas, 'padre de festa junina' e gafes com nomes - O Globo

Tabelinha à direita
Após terem conversado tête-à-tête nos bastidores, Bolsonaro e Padre Kelmon (PTB) confirmaram as expectativas de que agiriam em "dobradinha" contra os adversários. Já no primeiro bloco, ele elaborou um discurso elogioso ao atual presidente, ao dizer que o candidato do PL comprou "500 milhões de doses de vacina e deu R$ 600 de auxílio". Só então perguntou se o atual presidente pretendia manter essa política se eleito.

Com a bola levantada para ele, Bolsonaro respondeu que sim e fez promessas aos eleitores. Em outra rodada, no segundo bloco, Kelmon chegou a dizer que havia dois candidatos de direita no debate (ele próprio e Bolsonaro), em meio a outros cinco que seriam, em sua concepção, da esquerda. Soraya Thronicke deixou claro que não concordava. Disse que Padre Kelmon não sabia o que era esquerda e direita.

'Cabo eleitoral' e 'padre de festa junina'
Em sua primeira pergunta no debate, Soraya Thronicke já havia se dirigido ao candidato Padre Kelmon (PTB), chamando-o de "Padre Kelson". Depois, para não repetir o erro, focou em chamá-lo de "candidato padre". Na tréplica, a senadora criticou o adversário e lembrou que o petebista havia recebido auxílio emergencial durante a pandemia. Era o início de um dos choques que mais repercutiram nas redes sociais. Bem se vê que, depois do auxílio emergencial, o senhor arrumou um emprego de cabo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PL), que por sua vez é o cabo eleitoral do candidato Lula, pois é quem está colocando Lula na liderança é Bolsonaro — disse Soraya.

A partir daí, a temperatura não baixou. Abordando a emergência da Covid-19, Soraya questionou se o padre não tinha "medo de ir para o inferno" por dizer que não deu nenhuma extrema-unção na crise sanitária. Kelmon emendou ao dizer que era um "padre sendo mandado para o inferno por uma mulher". O combate teve continuidade no segundo bloco. Soraya ressaltou que não o mandou para o inferno, antes de atacá-lo.

Padre Kelmon teve direito de resposta e disse que ela desconhecia o valor de um sacerdote.

Round Lula X Padre Kelmon
Lula também foi coprotagonista de um confronto com Padre Kelmon com tensão nas alturas. Quando os dois estiveram cara a cara, o jornalista William Bonner teve que interromper duas vezes. Na primeira, Kelmon insistia em falar quando era a vez de Lula se pronunciar. Na segunda intervenção, o petista havia chamado o padre de "impostor" e "candidato laranja" que não tem respeito às regras. Foi o gatilho para a rodada virar bate-boca. "O senhor está fantasiado, rapaz", chegou a dizer Lula antes de os microfones dos dois serem cortados. Bonner, então, tentou acalmar os ânimos: "Vamos respirar", disse ele. Os desrespeitos às regras do debate, no entanto, continuaram, a ponto de Bonner repreender Padre Kelmon e dizer que o petebista estaria instituindo uma nova regra no debate. "Está encerrada a sessão", disse Bonner no fim da contenda.

Mesmo sem ter sido citado na confusão, Bolsonaro pediu direito de reposta, que foi negado. Mas depois, no último bloco, usou a alcunha de "candidata laranja" para atacar Soraya Thronicke.

Nomes errados
Padre Kelmon chamado de "Padre Kelson" por Soraya Thronicke não foi a única gafe dos candidatos ao se referirem aos adversários durante o encontro na TV Globo. O jornalista William Bonner também escorregou no nome do petebista, ao anunciá-lo como "Padre Kelman". A confusão rapidamente tomou as redes sociais e virou uma coleção de memes. Mas não parou por aí.

No segundo bloco, Lula chamou Simone Tebet de "Simone Steb". Já Simone, diante de Soraya Thronicke, quase se referiu a ela como "candidata Bolsonaro". Ao perceber o equívoco, pediu desculpas e disse que, pelo carinho que tem pela concorrente, jamais a desrespeitaria daquela forma. Foram alguns minutos apenas para a tag "candidata Bolsonaro" se tornar o terceiro tema mais comentado do Twitter no país.

Curiosamente, o público também se confundiu com uma declaração de Bolsonaro. Quando ele lembrou que morou em Nioque, no Mato Grosso do Sul, muitos entenderam que ele teria dito Acre, no Mato Grosso do Sul. O suposto erro do presidente também foi parar nas redes, enquanto alguns tentavam esclarecer a confusão que ocorria.

Caso Celso Daniel
Orientado a abordar no debate o caso Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André (SP) encontrado morto em 2002, Bolsonaro evocou uma tese conspiratória de que sua morte teria motivações políticas ligadas ao PT. Perguntando a Simone Tebet (MDB) sobre uma antiga declaração de sua candidata a vice, Mara Gabrilli, o presidente insinuou que Lula teria relação com o crime. Com jogo de cintura, Tebet lamentou a pergunta fosse dirigida a ele, e não ao petista. E logo em seguida, Lula teve direito de resposta concedido.

— Não é possível conviver com alguém com a cara de pau do presidente. O Celso Daniel era meu amigo, ele foi chamado da prefeitura para coordenar o meu programa de governo de 2002. Agora, você culpar o Lula da morte do Celso Daniel? Seja responsável, você tem uma filha de dez anos vendo o programa que está gravando — afirmou Lula. [o descondenado petista esqueceu só se trai os amigos; a mais infame traição, de Judas Iscariotes a Jesus Cristo, o traidor era apóstolo do Traído.]

Em O Globo - MATÉRIA COMPLETA

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Sobre o Poder - Merval Pereira

O Globo

Elogiar ministro é um perigo

O livro “A cadeira da águia”, do escritor mexicano Carlos Fuentes, tem uma ótima citação de Stálin que serve como uma luva na disputa em curso entre o presidente Bolsonaro e seu ministro da Saúde Mandetta. Digo “em curso” porque não acredito que o presidente Bolsonaro se recolha diante da impossibilidade de impor sua vontade. Tentará novamente.

Na década de 30 do século passado, relata Carlos Fuentes, um assessor  do líder soviético gritou ao ser elogiado por seu trabalho: “Por favor, não me elogiem! Não me mandem para a Sibéria”. A insegurança de líderes autoritários, sejam de esquerda ou de direita, é recorrente na história da civilização, e estamos vendo uma repetição dessa eterna disputa de poder, real ou imaginária.

Muitos ministros de Bolsonaro se incomodam com os elogios, pois sabem que podem ter problemas com o capitão. Para compensar, alguns começam a elogiar Bolsonaro e a concordar com ele pelas redes sociais, que é onde o registro vale de verdade para o presidente e seus acólitos.
Esse temperamento inseguro do presidente tem rendido comentários e memes nas mesmas redes sociais, tão valorizadas pelo próprio presidente, que revelam a percepção das angústias de Bolsonaro. O que mais esteve presente nas redes durante essa crise foram brincadeiras sobre os ministros mais criticados de seu governo, como o da Educação Abraham Weintraub, o chanceler Ernesto Araújo ou o do Meio Ambiente Ricardo Salles. 
“Se começarmos a elogiar o Weintraub, será que ele cai?”, é um exemplo do humor cáustico das redes sobre o comportamento nada errático do presidente, que protege os que são “perseguidos” pelos “jornalistas esquerdistas”, e coloca na sua mira os ministros que são elogiados. Se seus “inimigos” gostam deles, é porque não são confiáveis. 

O caso do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antonio é o mais enigmático de todos os que Bolsonaro protege. Acusado de crime eleitoral como coordenador de um esquema de candidaturas “laranjas”, ele jamais foi incomodado por Bolsonaro, que se jacta de não aceitar corrupção em seu governo. O fato de a acusação se referir à período anterior ao seu mandato presidencial não explica essa leniência, pois quando escolhido o ministro já respondia a esses questionamentos. O fato é que o presidente Bolsonaro lida diariamente com essas angústias que lhe comem as entranhas, situação exacerbada depois que  levou a facada durante a campanha eleitoral. Na ocasião, seu filho Carlos já tuitara dizendo que havia gente no entorno de seu pai que queria sua morte com objetivos políticos, referindo-se claramente ao vice Hamilton Mourão.

Essa paranóia alimentada pela mente tumultuada de Carlos e seus dois irmãos persegue o presidente, e é impossível imaginar que possa ser tutelável. O general Vilas Boas, que uma vez me disse que o candidato Bolsonaro era “incontrolável”, recentemente foi mais cerimonioso numa entrevista e disse que “ninguém tutela o presidente”. De fato, não é bom um presidente tutelado por militares. Mas também não é bom ter um presidente que coloca em risco a população que governa com decisões sem bases legais ou jurídicas. Não se elege um ditador, mas um chefe de Estado que aceita as regras do jogo democrático. Nela, os poderes se contrapõem e se controlam mutuamente.

Não aceitar essa premissa, e tentar mudar as regras do jogo que o colocaram no poder através de manipulação da opinião pública, coloca o presidente eleito em uma rota de ilegalidade que em algum momento vai cobrar consequências.  Um artigo importante, assinado por um grupo de juristas no Globo Online de ontem, define bem os limites presidenciais numa democracia: “Um presidente da República está limitado pela ciência — porque está limitado pela realidade. Não pode decretar que o sol nasça no poente e se ponha no nascente. Não pode negar evidências científicas seguras, tampouco orientar que sua administração assim o faça”.

Isso quer dizer que o presidente Bolsonaro não pode nem decretar que a  terra é plana, embora possa acreditar nisso, nem dar fim à quarentena sem apoio de bases cientificas. [nenhuma das medidas foi adotada, ou tentada, pelo Presidente da República, JAIR BOLSONARO.] Uma frase atribuída ao chefe do gabinete  Civil do governo Geisel, Golbery do Couto e Silva, define bem a situação: “Há três tipos de poder, o que você acha que tem, o que os outros acham que você tem, e o que realmente você tem.”

Merval Pereira, jornalista - O Globo


domingo, 8 de dezembro de 2019

O protesto pós-moderno: Hong Kong ganha taça do mundo - Vilma Grizinski - Blog Mundialista

Por Vilma Gryzinski - VEJA


Com tantos surtos de manifestações, nenhum outro tem características tão contemporâneas quanto os do enclave rebelado contra o gigante comunista

Os chilenos parecem muito com o pessoal do PSOL no Rio, com meninas de cabelo azul e performances feministas.  Associados com black blocs e bandidos comuns, colocaram o governo de joelhos, mas nem isso parece que vai acalmar a situação.
Os bolivianos revelaram incrível agilidade na primeira onda de protestos e conseguiram, quase inacreditavelmente, tirar um presidente que pretendia se eternizar no poder.  Os contramanifestantes demonstraram que a população indígena, majoritária na Bolívia, não pode ser ignorada.

Os iraquianos são o retrato da desgraça de sempre: vinte, trinta ou mais mortos em cada manifestação, uma brutalidade inconcebível em outros lugares.  Ao contrário do roteiro habitual, porém, levaram a cabeça de um primeiro-ministro e estão tocando fogo nos intocáveis, incluindo consulados do Irã.  No próprio Irã, as notícias que atravessam a cortina de silêncio digital são estarrecedoras. Centenas de agências bancárias e sedes de órgãos públicos incendiados, o aiatolá supremo xingado de ditador, uma fúria explosiva contra um regime supostamente inexpugnável.
Nessa desconcertante onda de protestos em lugares tão diferentes, por motivos tão diversos, os manifestantes de Hong Kong conseguem um lugar único.

Em nenhum outro lugar as reações são tão ágeis, tão antenadas com os tempos atuais, levando a criatividade dos memes da internet para as ruas com o espírito irônico que define tão perfeitamente o zeitgeist, o espírito cambiante da nossa era.
Enquanto jornalistas americanos e seus copiadores espumavam de raiva com o tuíte em que Donald Trump colocou a própria cabeça sobre o corpo de Rocky Balboa, o lutador interpretado por Sylvester Stalone, um raríssimo caso  de ator trumpista, manifestantes de Hong Kong transformaram o lobisomem em cartaz.

Produziram talvez a melhor imagem dos últimos e agitados tempos. Tem uma leitura imediata e inconfundível, típica da trolagem digital: Trump é mais forte, seus comunistas babacas. E muitas outras camadas de interpretação.  No sentido mais amplo, mostra como a batalha do futuro está sendo travada no presente de Hong Kong.  É uma batalha híbrida, com violência relativamente contida, em especial se comparada ao quebra-quebra de países até recentemente ordenados como o Chile.

Os dois lados usam a última palavra em tecnologia – obviamente, com os representantes do estado, e de um estado como o da China, tendo a preponderância avassaladora de recursos.  Inclusive para influenciar a opinião pública com exércitos virtuais que apresentam os protestos como uma gravíssima ofensa à pátria.  A tática padrão é explorar os sentimentos nacionalistas e a divisão, muitas vezes não declarada, entre chineses propriamente ditosos que falam mandarim e veneram devidamente os supremos líderes e os de Hong Kong, que falam cantonês e inglês e se consideram mais sofisticados.
Mas o pessoal que vai para a rua tem seus truques.
“A cidade se transformou num campo de batalha pós-moderno, onde manifestantes mascarados esgrimem redes sociais e lasers para escapar da polícia encouraçada e da tecnologia de reconhecimento facial movida a inteligência artificial”, resumiu o colunista americano Matthew Continetti.

O Trump saradão foi uma homenagem ao presidente americano por assinar dois projetos de lei em apoio aos direitos humanos em Hong Kong. Exatamente os projetos que a oposição antitrumpista dizia que ele nunca, jamais, em tempo algum endossaria.  Quando, pela milionésima vez, contrariou os prognósticos, foi ignorado nos Estados Unidos, mas aclamado em Hong Kong.  Qual a melhor forma de, não só agradecer, como irritar o regime comunista chinês? 
Trump como Rocky Balboa, claro.
E, para trolar mais um pouco, cantar de novo o hino nacional americano. 
Dá para sentir as vibrações de alta cúpula chinesa espumando de raiva, igualzinho os jornalistas americanos que odeiam Trump mais do que tudo. 

USA, USA”
É claro que o pessoal do enclave rebelde sabe que Trump tem uma posição dúbia. 
Aliás, ele e muitos outros prefeririam que esse negócio de Hong Kong fosse resolvido logo para não atrapalhar “o negócio”, o que verdadeiramente interessa, com a China.
Mas Trump segurou seus instintos e os manifestantes de Hong Kong reagiram à altura. É claro que não existe uma “taça do mundo” para os melhores protestos. 
Mas é claro também que todo mundo compara, nem que seja inconscientemente, tudo o que está acontecendo, em especial a onda de manifestações.

(.....)

A tática do regime chinês de deixar que a vida seja transtornada constantemente no enclave também não tem dado certo.  O apoio da maioria da população aos protestos ficou claro. Na eleição da semana passada para o conselho consultivo, um órgão sem poder decisório, mas cuja escolha acabou funcionando como pesquisa de opinião pública, a oposição ganhou em 17 das 18 regiões eleitorais.
Precisa desenhar, Xi Jinping? Se precisar, uma manifestante levou um pequeno cartaz com a bandeira americana e a frase: “Thank you, americans”.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A política como um pesadelo - Fernando Gabeira

Será que o porteiro realmente viu um dos assassinos procurando por Bolsonaro, que nesse dia estava em Brasília?

Enquanto a mancha se desloca para o Sul e ameaça Abrolhos, já não sei mais se a espero no Rio ou vou ao seu encontro. De qualquer forma, tento manter o foco no desastre ambiental enquanto as loucuras na política se desdobram num ritmo vertiginoso.
No princípio da semana, pensei em dedicar as horas vagas a pensar na questão da linguagem na política, que me surpreende tanto quanto a mancha de óleo. Os deputados do PSL brigam entre si com memes e se insultam usando personagens de história infantil. Se não parasse com as crianças, de vez em quando, não saberia quem é Peppa. Uma das contendoras na luta interna foi chamada de Peppa pelos adversários. Ainda bem que eu já vi as aventuras da porquinha rechonchuda.
Pensei em refletir sobre a nova geração de políticos e como a linguagem da infância ainda está presente no seu imaginário. 

Mudei de eixo à tarde. Vi imagens do depoimento de Alexandre Frota na CPI das Fake News. Ele exibiu cartazes com frases do guru dos Bolsonaro, Olavo de Carvalho. Era tão escandaloso que fiquei tentado a examinar o avanço da linguagem pornográfica no discurso da extrema direita.
Foi então que vi aquele vídeo da hienas cercando o leão Bolsonaro e pensei em voltar ao universo infantil. Não houve tempo. Eduardo Bolsonaro invocou o AI-5, numa entrevista a Leda Nagle. Voltei aos anos 60 e pensei até em mostrar como as coisas mudaram nesse quase meio século. Desisti desse esforço pedagógico. As pessoas que confundem épocas tão díspares não o fazem por ignorância, mas por necessidade. Constroem um enredo mental para o papel que amariam representar. No caso de Eduardo Bolsonaro, é a vontade de reviver a ditadura, com poder absoluto sobre a vida e a liberdade de expressão dos outros. 

Em certas viagens a Ouro Preto, fantasio uma volta ao século XVIII. Mas só por alguns momentos, quando não há carros nem buzina. Há tempos, quando Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco, foi preso, achei explosivo o fato de ser vizinho do homem que se tornou presidente da República. Imaginei como isso não daria um roteiro para uma série de televisão. Li que o filho mais novo do presidente namorava a filha do matador. Imaginei as possibilidades clássicas dessa história. 

Vejo surgir agora um novo personagem dramático: o porteiro do condomínio Vivendas da Barra. Ele é o mais antigo dos funcionários, deve conhecer todos os moradores, seus hábitos e relações superficiais. Sua lembrança do dia da morte de Marielle Franco enriqueceu as fantasias sobre a vizinhança de Bolsonaro com Ronnie Lessa, miliciano, matador e comerciante de armas. [lembrança  que surgiu mais de 500 dias após a suposta pergunta]
Será que o porteiro realmente viu um dos assassinos [sic] procurando por Bolsonaro, que nesse dia estava em Brasília? Por que teria anotado o número da casa buscada pelo cúmplice do matador [sic] como se fosse a casa de Bolsonaro? Como pode ter ouvido a voz de seu Jair, sem estar sintonizado com o canal da Câmara dos Deputados, onde Bolsonaro estava naquele momento?

Não vou especular sobre esse mistério, enquanto não ouvir a versão do próprio porteiro. As procuradoras do MP do Rio dizem que ele provavelmente mentiu.
Mas por que um velho e experiente porteiro confundiu duas casas? Para nós que vemos imagens aéreas, elas são todas iguais. Somos traídos pela superficialidade de nossa percepção, como os esnobes que dizem que a caatinga é monótona porque toda a vegetação é igual. 

Para ele, certamente cada uma delas tem uma história, desde o tipo de visitas aos pequenos cuidados cotidianos, instalação elétrica, vazamentos, no sentido literal.
Não entendo como pode ter confundido. Mentiu e enganou? Foi induzido? Sua memória funciona bem ou já dá sinais cotidianos de pequenas confusões? Para um roteirista, é relativamente fácil cobrir essas lacunas. Para mim, no entanto, os tempos são desconcertantes. Volto a perseguir a mancha. Também é desconcertante. Mas pelo menos vejo pessoas reais, com as luvas negras de óleo, tentando limpar as praias, proteger corais e mangues. Desenhos infantis, frases pornográficas, jovens aspirantes a ditador ou mesmo intrincados enredos policiais — tudo é uma espécie de desastre, mas pede outro tipo de voluntariado, equipamento e paciência.
 
Fernando Gabeira, jornalista - O Globo
 
 
 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Em voo, passageiros aplaudem Fux e repetem "In Fux we trust"




O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux foi aplaudido no voo que pegou na manhã desta sexta-feira (14), de Brasília para o Rio de Janeiro. Além dos aplausos, alguns passageiros também repetiram “In Fux we trust”. A frase apareceu em uma nova sequência de mensagens divulgadas pelo site "The Intercept Brasil" que teriam sido trocadas entre o ministro da Justiça e ex-juiz, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa de Curitiba.


Ao ouvir de Dallagnol que Fux garantiu apoio à Lava-Jato, Moro escreveu “In Fux we trust”. O trecho foi relatado pelo editor do “The Intercept” Leandro Demori ao jornalista Reinaldo Azevedo, na BandNews. Fux tem dito a amigos que, por ora, não pretende falar sobre o caso. Ressaltou também que não viu problemas no diálogo, porque sempre se posicionou publicamente a favor da Lava-Jato.


Desde que seu nome apareceu nas mensagens entre Moro e Dallagnol, o ministro do STF mostrou apreensão por não saber como a opinião pública reagiria. Ele disse a interlocutores que ficou impressionado com o grande número de memes que apareceram com a frase "In Fux we trust". 

Blog Bela Megale, em O Globo