Presidente superou as marcas de impopularidade de seus antecessores
[afirmando: quadros adversos podem ser revertidos e os excelentes resultados costumam surpreender - o atual presidente da República Federativa do Brasil (milhões odeiam essa afirmativa) vai fazer um bom Governo e será reeleito.
Clique aqui para vídeo esclarecedor do Plano B.]
Governo enriquece Lei de Murphy: se algo pode dar certo, trabalha para que dê errado [é só questão de ajustar o ritmo.]
Jair Bolsonaro superou as marcas de impopularidade de seus antecessores
no início do primeiro mandato. Com viés de piora, esse desempenho
deve-se em parte a um processo de autocombustão, mas nem tudo pode ser
atribuído a Bolsonaro. Ele teve a ajuda de ministros civis e militares. Resolveram fazer uma reforma da Previdência. Poderiam ter seguido a
sugestão do economista Paulo Tafner, fatiando-a. Mandariam primeiro o
corte dos privilégios dos marajás e depois cuidariam dos miseráveis.
Resolveram juntar as duas brigas. Vá lá.
É elementar que a profissão e a Previdência dos militares nada têm a ver
com as dos servidores civis. Poderiam ter separado as duas questões.
Não só juntaram os debates, como decidiram botar no combo um projeto de
reestruturação da carreira militar, coisa que não tem nada a ver com a
Previdência. Todas essas decisões embaralham o debate e dificultam a aprovação de
algo parecido com o projeto original do governo. Como alguma reforma
haverá de ser aprovada sempre se poderá cantar vitória. Afinal, Fernando
Henrique Cardoso e Lula também fizeram reformas da Previdência. Nenhum
deles atritou-se com o presidente da Câmara.
[comentando: o grande problema, o maior deles é que o presidente da Câmara, do alto dos seus 70.000 e poucos votos - foi o que obteve nas eleições 2018 - resolveu governar o Brasil (agora em um governo paralelo e em 2022 espera ser eleito), até mudou a rotina
(o usual é o Supremo, as vezes até o Executivo, invadir a competência do Legislativo, só que agora é a Câmara dos Deputados quem quer ditar as regras de trabalho do Poder Executivo na tramitação das reformas, conforme a Constituição e o RI da Câmara, os deputados mandam, mas, não podem cobrar, nem exigir e menos ainda impor)
decidindo que a reforma da Previdência só começaria a tramitar quando chegasse o Projeto de Lei dos militares, foi dos senhores deputados.]
A barafunda vai além da reforma. O ministro Sergio Moro resolveu peitar
Rodrigo Maia com mais uma de suas jeremíadas. Tomou um tranco e ficou em
paz. Durante a visita de Bolsonaro a Washington, o ministro das Relações
Exteriores foi humilhado, um filho do presidente disse que os
brasileiros que vivem nos Estados Unidos sem documentação são “vergonha
nossa” e o condestável da Economia informou que gosta de Coca-Cola e da
Disneylândia. (Quem passava dias sozinho na Disney era o professor Mário
Henrique Simonsen, mas ele nunca anunciou isso a uma plateia de
empresários.)
Se tudo isso fosse pouco, Bolsonaro disse na Casa Branca que acredita
“piamente” na reeleição de Donald Trump. Sentiu cheiro de banana e foi
procurar a casca para escorregar. Os dois presidentes que mais ajudaram a
ditadura brasileira foram Lyndon Johnson e Richard Nixon. Um
encantou-se com o marechal Costa e Silva, o outro com Emilio Médici.
Ambos foram eleitos com memoráveis maiorias e acabaram naufragando.
Amaldiçoado, Johnson desistiu da reeleição. Acuado, Nixon renunciou. Os
presidentes brasileiros não disseram coisa parecida. Trump nunca teve a
força de qualquer um desses antecessores.
A Lei de Murphy diz que, se uma coisa pode dar errado, errado ela dará. O
governo do capitão parece disposto a enriquecê-la: Se uma coisa pode
dar certo, trabalham para que dê errado.
BRETAS PRENDEU TEMER PORQUE QUIS
Lula foi para a carceragem de Curitiba depois de ter sido indiciado,
denunciado e condenado em duas instâncias. Temer foi encarcerado sem ter
sido ouvido, indiciado, denunciado ou condenado. Tudo bem, o juiz
Marcelo Bretas prendeu-o preventivamente e decisão judicial deve ser
cumprida. Na sua decisão o doutor Bretas reconheceu que Temer não foi condenado e
ofereceu uma “análise ainda superficial” dos crimes que o ex-presidente
teria cometido.
Cuidando do “superficial”, ocupou 40 páginas de sua decisão. Sua análise
faz sentido, e muito, mas é apenas uma opinião. Justificando a prisão
preventiva de Temer, Bretas não escreveu uma só linha. Justificou-a genericamente, quando associou-a à de outros integrantes da
“suposta organização criminosa”, e nisso ocupou três páginas. Nelas,
justificou as preventivas porque “no atual estágio de modernidade,
bastam um telefonema ou uma mensagem instantânea” para ocultar “grandes
somas de dinheiro”. (São Paulo tem rede de telefonia desde o início do
século passado.) [comentando: O Brasil espera que no dia 27 se faça JUSTIÇA: o TRF-2 determine a imediata libertação de Temer.]
Mais: o coronel Lima, faz-tudo de Temer, cuidava de apagar rastros e
documentos no próprio escritório. (Bretas não fez qualquer referência à
tentativa de depósito de R$ 20 milhões em dinheiro vivo na conta do
coronel.) Mesmo admitindo-se que tudo o que Bretas atribuiu a Temer na sua
“análise ainda superficial” seja apenas parte de uma horrível verdade,
as razões que citou para encarcerá-lo preventivamente são ralas. O Brasil teve dois ex-presidentes presos. Um porque foi condenado. O
outro não foi ouvido, indiciado, denunciado ou sentenciado. Os tempos
estranhos ficaram mais estranhos.
EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e acredita em tudo o que dizem os presos, a polícia
e os procuradores, só não entende como alguém entrou numa agência
bancária para depositar R$ 20 milhões em dinheiro vivo.
Alguém deveria carregar duas malas, cada uma pesando 25 quilos.
O cretino acha que existe um vídeo registrando a passagem desse estranho personagem pelo banco. O Ministério Público informou que esse fato “ainda precisa ser investigado e apurado”.
BOA NOTÍCIA
Uma dezena de fundações privadas cacifam o programa Ensina Brasil, que
seleciona jovens formados em universidades públicas e privadas
interessados em trabalhar por dois anos como professores nas redes
escolares do país. Eles já atuam em alguns municípios de Pernambuco,
Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Programas semelhantes
existem em 45 países.
A sabedoria convencional ensina que poucos recém-formados em seja lá o
que for topariam trabalhar dois anos como professor. Pois neste ano o
Ensina Brasil teve 10 mil candidatos para 123 vagas. Depois de um
processo seletivo, eles passam por quatro semanas de curso presencial em
São Paulo e assistem a 2.000 horas de aulas a distância. A ideia do
projeto é achar gente interessada em melhorar a educação no país,
formando lideranças nessa área.
Os jovens que entram no Ensina Brasil recebem os salários da escola e uma pequena ajuda do programa. Como nem tudo são flores, há estados onde os sindicatos de professores não querem nem ouvir falar no assunto. [sindicatos, felizmente, caminham para a extinção - pena que extingui-los por sufoco financeiro tem um inconveniente: é mais demorado]
Elio Gaspari, jornalista - O Globo e Folha de S. Paulo
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