Carência de dados e sabotagem federal acentuam dúvidas sobre 'lockdown' em SP
Uma sombra se projeta sobre a maior região metropolitana do Brasil e
seus 21 milhões de habitantes: o “lockdown”, paralisação total de
atividades para conter a circulação do coronavírus. É duvidosa a
probabilidade de vir a ser adotado, e menor a de funcionar a contento.
Assim indica a dúvida do governador João Doria e do prefeito Bruno
Covas, ambos do PSDB, que dividem responsabilidade sobre a Grande São
Paulo. As medidas adotadas alcançaram até aqui o objetivo maior de
impedir o colapso de serviços de saúde, mas tal espectro não se afastou
por completo.
A capital paulista prossegue como epicentro da Covid-19 no país.
Concentrava 13,4% dos casos e 16,2% dos óbitos nacionais anotados na
quinta-feira (21), mas com indícios inconfiáveis de que a taxa de
crescimento perdeu força nas últimas quatro semanas. Não se viram na região metropolitana de São Paulo —ainda— cenas
dantescas de cadáveres enfileirados em hospitais assoberbados por hordas
de pacientes. Segundo estatística do governo estadual, os leitos de UTI
permanecem, entretanto, no limiar preocupante de 90% de ocupação.
No estado, o índice se encontra em 73%, mas o avanço acelerado do vírus
Sars-CoV-2 pelo interior e por bairros periféricos pode dizimar a cifra
tranquilizadora. Por outro lado, reportagem desta Folha mostrou que, ao
menos na capital, o levantamento sobre utilização de UTIs é errático e
impreciso. Embora a disseminação de testes diagnósticos em território paulista
pareça ter diminuído a subnotificação de casos e mortes, na comparação
com a média brasileira, governador e prefeito carecem, em realidade, de
informações acuradas para fundamentar medida tão extrema. Daí os
titubeios.
Numa declaração, Doria afasta o “lockdown”, como nesta segunda (25);
noutras, ameaçou com ele. Covas busca arremedos para contornar a
providência, como as desastradas tentativas do bloqueio de avenidas e do
rodízio estendido. O último recurso da dupla tucana para tentar baixar a circulação de
pessoas e do coronavírus foi o megaferiado encerrado nesta segunda-feira
(25). Os resultados foram modestos, pois o isolamento na capital subiu
pouco, para 51%, ainda aquém do ideal de 70%.
[Nos causa dificuldade encontrar fundamentos na alegada sabotagem do Governo Federal.
O Governo Federal foi impedido de atuar de forma efetiva no concernente ao distanciamento social e isolamento, situação o resultante de decisão do STF atribuindo aquelas medidas como de competência dos estados e municípios.
O que se percebe é uma imensa incompetência do governador - que se perdeu, ameaça prisão, prender e arrebentar e não sabe o que fazer. Tudo que tenta fazer não funciona, inclusive Doria pensa mais em 2022 do que na pandemia.
Bruno Covas apesar de interesse em uma solução, as duas que tentou - mencionadas no parágrafo acima - foram desastrosas.
Para completar fez um discurso enaltecendo sua capacidade de providenciar enterros. Confirme, no vídeo.]
[Nos causa dificuldade encontrar fundamentos na alegada sabotagem do Governo Federal.
O Governo Federal foi impedido de atuar de forma efetiva no concernente ao distanciamento social e isolamento, situação o resultante de decisão do STF atribuindo aquelas medidas como de competência dos estados e municípios.
O que se percebe é uma imensa incompetência do governador - que se perdeu, ameaça prisão, prender e arrebentar e não sabe o que fazer. Tudo que tenta fazer não funciona, inclusive Doria pensa mais em 2022 do que na pandemia.
Bruno Covas apesar de interesse em uma solução, as duas que tentou - mencionadas no parágrafo acima - foram desastrosas.
Para completar fez um discurso enaltecendo sua capacidade de providenciar enterros. Confirme, no vídeo.]
Governador e prefeito temem o fracasso da iniciativa. Enfrentam a
constante sabotagem [?] do distanciamento social movida desde o Planalto e
as dúvidas sobre o efetivo e a determinação da Polícia Militar. A Covid-19, contudo, desconhece os constrangimentos impostos pela politização da epidemia.
Editorial - Folha de S. Paulo
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