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sábado, 21 de outubro de 2017

Colega de classe diz que atirador era uma pessoa "estranha e muito fria"


Familiares de alunos e moradores vizinhos à escola goiana fazem vigília e dizem não entender a ação do atirador contra os colegas

Horas depois de perceberem a dimensão da tragédia, a comoção tomou conta de quem passou em frente a unidade de ensino que foi palco do ataque. Pais de alunos que sobreviveram ao atentado, amigos das vítimas e a vizinhos do prédio da escola se uniram para prestar solidariedade aos mortos e feridos. Carregando velas e rezando, cerca de 50 pessoas passaram a noite em frente ao Colégio Goyases.

Convocada pelas redes sociais, uma vigília pediu paz na comunidade onde a escola está localizada e lembrou os estudantes que foram vítimas do atirador. A empresária Kamila Vieira, de 30 anos, é mãe de uma aluna do colégio. Ela conta que a filha já sofreu bullying, mas logo contornou a situação. “Minha filha também já sofreu ofensas nesta escola por parte de coleguinhas. Mas eu conversei com ela, e a escola também agiu para resolver o problema. Não entendo por que esse aluno fez isso. Só podemos orar pelos mortos e pedir a recuperação dos feridos, por isso viemos aqui”, destaca.

Os estudantes se organizam para prestar homenagens hoje e oferecer apoio aos colegas que estão internados. A enfermeira Magda Carvalho, 51 anos, foi até o local, mesmo assustada com a situação. “Minha filha de 13 anos saiu da escola 10 minutos antes de tudo acontecer. Poderia ter sido com qualquer uma das nossas crianças. O que podemos fazer agora é pedir conforto para os parentes dos que morreram e força para os que ficaram feridos”, conta. O bairro onde ocorreu a tragédia fica afastado do centro da capital goiana. Mesmo assim, ao longo do dia, dezenas de pessoas passaram por lá e deixaram velas, mensagens e fizeram orações.



Relatos




Duas adolescentes que estudavam na sala do adolescente que atirou contra colegas, em Goiânia, afirmam que o garoto tinha comportamento distante e diverso do restante da turma. As meninas dizem que o jovem já chegou a levar um livro sobre satanismo à escola. “Numa prova de ética dele, ele desenhou o símbolo nazista, e, em uma roda literária, ele levou um livro satânico”, relatou uma das crianças. Segundo ela, o episódio ocorreu no ano passado.



De acordo com a outra garota, o estudante era uma pessoa “estranha e muito fria”. “Se você fizesse uma brincadeira ele falava que iria te levar para o inferno, que iria matar sua família e te matar”, disse a menina. Uma delas afirma que houve um período em que o adolescente que realizou os disparos ocupou lugar em frente ao dela, na sala. “Foi a época em que ele falou para mim que ia matar meu pai e minha mãe...”, lembra, confirmando que o jovem fazia ameaças semelhantes a outros alunos.



Disparos

Ambas contam, contudo, que o menino jamais havia ameaçado levar uma arma ao colégio e que, a princípio, não identificaram o barulho dos disparos como sendo tiros. “Como teria mostra científica amanhã, pensamos que tinha sido um dos projetos que tinha estourado, ou alguma bombinha. Na hora em que nós vimos a arma, saímos correndo”, relata uma das garotas. Segundo as meninas, o jovem teria começado a disparar aleatoriamente.



Amiga de João Pedro — que morreu no atentado —, uma das jovens o descreve como alguém que brincava com todos, mas desconhece qualquer apelido específico em relação ao atirador. Quanto a João Vitor, outra vítima, a garota o define como “uma pessoa normal, bom aluno”.



Luto

No portão de entrada do Colégio Goyases, uma faixa com os dizeres “Família Goyases em luto” foi afixada na tarde de ontem. Acima dela, outra anunciava a realização da mostra científica que aconteceria na escola hoje. Pouco antes das 17h, os corpos de João Vitor e João Pedro haviam sido retirados da escola e levados ao Instituto Médico Legal.



O delegado Francisco Costa, do departamento de homicídios, do lado de fora da escola, disse que a sala estava revirada, com marcas de bala nas paredes e no chão, e que havia manchas de sangue do terceiro andar da escola até o térreo. Ele afirmou que a perícia, preliminarmente, encontrou pelo menos 11 cápsulas de balas .40 na sala de aula onde estudavam os 30 alunos da turma do 8º ano. Segundo Costa, a perícia pode ver que alguns disparos pareciam ter alvos determinados e outros pareciam ter sido efetuados de forma aleatória. Uma estudante ouvida pela reportagem disse que o atirador chegou a mirar em direção a ela por alguns segundos, mas mudou de ângulo e não a atingiu.

O colégio, segundo estudantes e ex-estudantes que circundavam o cordão de isolamento, exigia muita disciplina dos alunos. Um deles disse que já havia sido suspenso de classe porque estourou um “estalinho”. Três alunas do 9º ano, sentadas na calçada, comentaram que há aula de ética toda semana.
 
Fonte: Correio Braziliense
 

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