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terça-feira, 26 de abril de 2022

O aviso do PT para as Forças Armadas

Recado de Gleisi Hoffmann alerta sobre o que já deveria ser claro aos militares

[desde quando essa Gleisi tem estatura moral para enviar avisos,  recados,  às Forças Armadas? 
Vale lembrar que a limitação daquela senhora se estende ao partido que preside e ao  'descondenado' que tentam escalar para perder as próximas eleições. 
O ministro Barroso, pelo cargo que ocupa, mereceu uma resposta dura ao inadequado comentário que fez, mas uma resposta; 
Já os recadeiros de agora merecem o desprezo do silêncio como resposta.] 

O Twitter da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, trouxe uma verdade importante nesta segunda, 25. Em pleno ano eleitoral, é preciso parar o movimento que as Forças Armadas estão fazendo novamente em direção à política. Gleisi escreveu que “não cabe ao ministro da Defesa opinar sobre o processo eleitoral”, numa clara resposta à nota divulgada pelo Ministério da Defesa neste domingo, 24, sobre as eleições.

A presidente petista também afirmou que garantir eleições livres e limpas é prioridade no país. “Comandantes que se envolvem nessa aventura estão destruindo por dentro a hierarquia e a credibilidade das Forças Armadas”, escreveu.

Essas verdades já deveriam estar mais do que claras na mente dos militares.

A decisão do Ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de emitir nota rebatendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso é uma prova de que os militares não apenas querem participar do processo eleitoral como tentam justificar suas interferências.

Durante palestra em uma universidade alemã, Barroso questionou se as Forças Armadas estão sendo orientadas a atacar e a desacreditar as eleições no país. O questionamento é válido, já que o presidente Jair Bolsonaro tenta diariamente convencer seus seguidores (e os militares) de que as eleições brasileiras são inseguras e de que as urnas são fraudadas.

(...)

No golpe de 64, não houve compromisso com o bem-estar dos brasileiros. Os militares insistem em falar coisas positivas sobre aquele período, mas a verdade é que as Forças Armadas deram um golpe sob o pretexto de que o comunismo tomaria conta do Brasil e ficaram 20 anos no poder. Nesse tempo, fecharam o Congresso, calaram a imprensa, trocaram ministros do STF, torturaram e mataram pessoas [sic]  dentro dos quartéis e sumiram com diversos corpos. [A execução de medidas duras se fez necessária e graças as tais medidas é que o Brasil hoje não é uma Cuba,uma Venezuela. E o abate de alguns terroristas e guerrilheiros ocorreu dentro do cumprimento do estrito dever legal.]

Nas eleições de 2018, os militares já cometeram graves erros ao tentar interferir no processo eleitoral. Naquele ano, às vésperas do julgamento do pedido de liberdade de Lula pelo STF, o general Eduardo Villas Bôas escreveu no Twitter: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”.

Em seguida, o militar completou: “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.

Hoje, já se sabe que as mensagens tiveram o aval de todo alto Comando do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Ao questionar a participação dos militares nas eleições, Barroso provavelmente está tentando evitar que esse tipo de situação se repita.

(...)

Matheus Leitão, colunista - Revista VEJA  - MATÉRIA COMPLETA

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Livro de ex-chefe do Exército expõe a volta dos militares à política - Folha de S.Paulo

Igor Gielow

Depoimento ajuda a entender pensamento fardado e a armadilha do apoio a Bolsonaro

São Paulo

Num dado momento de seu recém-lançado livro-depoimento, o general da reserva Eduardo Villas Bôas cita uma versão da famosa frase atribuída ao francês Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord: "Não aprendem e também não esquecem".

O sagaz político do século 19 se referia à dinastia dos Bourbon, que retomara a França após a queda de Napoleão em 1814; o ex-comandante do Exército, à esquerda, da qual "me preocupa uma eventual volta ao poder" no que diz respeito ao que chama de "revanchismo" acerca dos crimes da ditadura militar (1964-85).

Bolsonaro e Villas Bôas na solenidade de despedida do general do Comando do Exército

Bolsonaro e Villas Bôas na solenidade de despedida do general do Comando do Exército - Pedro Ladeira - 11.jan.2019/Folhapress

Ao fim da fácil leitura, na tradição do CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da Fundação Getúlio Vargas de relatos orais e discursivos, o leitor se pergunta se ele Villas Bôas não cometeu um ato falho. Afinal de contas, todo o seu depoimento ao pesquisador Celso Castro é justamente sobre a repetição daquilo que o general diz ter ojeriza: a participação dos militares da política.

Foi em sua gestão à frente da mais importante das três Forças que a politização emanada dos quartéis voltou a ser um fator central da vida pública brasileira, encarnada na aventura dos fardados que aderiram ao governo do capitão reformado Jair Bolsonaro. [apesar de ser motivo de desgosto para muitos, os militares são cidadãos e podem escolher seus candidatos sem  submeter sua escolha ao julgamento dos inimigos do candidato escolhido.]

O presidente, um militar que "feriu a disciplina" e saiu enxotado do Exército no fim dos anos 1980 por suas campanhas salariais e conspirações, aparece no relato de Villas Bôas como quase um ser etéreo, sem relação com o "éthos" apresentado pelo próprio general. [interpretar os fatos, tentar mudá-los via narrativa, NÃO VAI MODIFICAR  que o presidente Bolsonaro, acusado de uma suposta indisciplina, foi absolvido pela instância máxima da Justiça Militar da União: o SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR.

Isso corresponde à fantasia alimentada pelo Alto-Comando do Exército, quando ficou evidente que o deputado obscuro virara um fenômeno e seria a o único a poder derrotar o PT na eleição de 2018, de que uma aproximação com o antigo rejeitado lhes garantiria uma volta à ribalta.

Villas Bôas concede um ar institucional ao processo.
Disse que, após Dilma Rousseff (PT) o apontar como comandante em 2015, "estabeleci como meta que o Exército voltasse a ser ouvido com naturalidade". Queixou-se do "patrulhamento que agia toda vez que um militar se pronunciava, rotulando de imediato como quebra de hierarquia ou ameaça de golpe".Diz que a Força só falaria por meio de seu comandante, externamente. Três anos depois, contudo, ele foi o artífice da famosa postagem no Twitter em que falava em riscos à estabilidade do país na véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Supremo Tribunal Federal.[honrou o prometido;  a Força Terrestre falou através dele, seu comandante, com o referendo do seu Alto Comando.]

A passagem não é nova. Em entrevista à Folha publicada em 11 de novembro de 2018, após a vitória de Bolsonaro, Villas Bôas relatava que havia agido "perto do limite" no episódio. Repete agora o termo e a negativa de que visava ameaçar o Supremo com um golpe militar caso Lula fosse solto.Para seus críticos, o caso é uma admissão de golpismo explícito, dado que não cabe a um chefe de Força palpitar sobre julgamentos.

Para os admiradores, um reconhecimento de "realpolitik", pois Villas Bôas sempre disse que tomou a atitude, com o respaldo do Alto-Comando do Exército, porque temia que militares da reserva assanhados com os pedidos de intervenção usassem a libertação de Lula para provocar distúrbios. Ao longo do relato, que condensa 13 horas de conversas entre agosto e setembro de 2019, o general insiste que as Forças Armadas sempre cumpririam a Constituição e que Fernando Haddad, o oponente petista de Bolsonaro, teria todas as continências prestadas caso tivesse sido eleito no segundo turno. [felizmente não foi eleito; e a continência obrigatória, não a de mera cortesia, deve ser prestada ao presidente eleito e empossado.]

Ao mesmo tempo, o militar descreve claramente o antipetismo latente entre os militares, a adoção de Bolsonaro como candidato preferencial e lista três motivos: denúncias de corrupção, a miséria econômica legada por Dilma e o já citado "revanchismo"."Foi uma facada nas costas" da petista, de quem tinha boa impressão, disse. Ele se referia à condução da Comissão da Verdade no governo dela, que segundo ele foi parcial ao não ouvir o lado dos militares acerca dos crimes —havia, afinal, uma luta armada em curso.

Assim, fica difícil não enxergar o temor de um Lula livre e, eventualmente, eleito presidente em 2018 como fator central da decisão de publicar o tuíte.  Ele reserva boas palavras para políticos de esquerda com trânsito nos quartéis, como José Genoino (PT) ou Aldo Rebelo (PCdoB) —este chegou a ser ministro da Defesa. O desprezo fica principalmente ao diplomata petista Celso Amorim, que ocupou a pasta a contragosto, segundo Villas Bôas, e o "decepcionou".

Lembrando a memória de 1964, viva em parte do alto generalato brasileiro, Villas Bôas faz uma enfática defesa da necessidade de evitar que a política entre nos quartéis, exatamente a que fizera na entrevista à Folha de 2018. Ao mesmo tempo, não tem problemas em apresentar-se como ator político. Conta como ele e seu número 2, o general Sérgio Etchegoyen, foram abordados pelo então vice-presidente Michel Temer (MDB) às vésperas do impeachment de Dilma em 2016.

Temer queria saber o que o Exército faria se Dilma caísse. "Cumpriríamos a Constituição", respondeu o comandante. Presidente, o emedebista teria em Etchegoyen um de seus mais importantes ministros, além de remilitarizar o comando do Ministério da Defesa. Em outro ponto, lembra como foi procurado por deputados de esquerda acerca da decretação de estado de defesa, no auge das manifestações contra a petista, e como usou o hoje governador Ronaldo Caiado para desfazer o que chamou de "ovo de serpente".

Se é natural que um chefe de Força aja assim, a história se complica com a ascensão de Bolsonaro e a participação maciça de fardados em cargos-chave de seu governo. Villas Bôas não revela a notória conversa com o então candidato, segundo a qual o presidente diz dever o cargo, mas rejeita tons conspiratórios. A entrevista do general foi concedida ainda no primeiro ano do mandato, com ele já instalado como assessor do Gabinete de Segurança Institucional.[talvez acionar a Lei de Acesso a Informação obrigue a revelação da conversa.]

A crise entre Poderes durante a pandemia de 2020 ainda não se vislumbrava, mas ainda assim Villas Bôas é bastante lacônico sobre a mistura entre militares e Bolsonaro —que ele havia dito na entrevista de 2018 ser inevitável. Ele também não cobre o processo forçado de distanciamento adotado pelo serviço ativo das Forças devido aos danos, por muitos considerados inevitáveis, dessa associação.

Sua luta contra uma doença degenerativa, diagnosticada em 2016, é objeto de um capítulo à parte. O documento tem uma grande virtude: ajuda o leigo a penetrar um pouco na forma com que os militares brasileiros veem o mundo.

Há uma obsessão com os males do [maldito] politicamente correto, "que elegeram Bolsonaro" como reação. A Amazônia é vista como objeto de cobiça internacional e, grosso modo, todo movimento ambientalista está a serviço de uma agenda alheia ao interesse nacional. Ricardo Salles, o contestado ministro do Meio Ambiente, é louvado como um cruzado contra esses grupos. Saindo do maniqueísmo, há elementos de verdade nas colocações, mas o tom geral não difere muito do encontrado nas redes bolsonaristas.

Por outro lado, as inúmeras anedotas ao longo do texto, em especial no período formativo de Villas Bôas, permitem vislumbrar como os militares adquirem o conhecimento único da realidade social por sua vivência nos rincões.

Poder - Folha/UOL

 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O cheiro do poder

O Exército está irritado com o filho, mas quem gerou a crise foi o pai presidente

Nunca antes neste País se viu uma mera troca de chefia do Centro de Comunicação do Exército (Cecomsex) se transformar num super evento, não apenas pela grande presença de militares e civis como também pela duração. O papo foi longe. O general que entra é Richard Nunes e o que sai é Otávio do Rêgo Barros, que virou porta-voz do presidente Jair Bolsonaro. Esse foi um chamariz para a solenidade e pesou também a eficiência e a gentileza no trato de Rêgo Barros com a mídia, mas o fator principal para o sucesso foi a força do Exército neste momento. Todo mundo sente o cheiro do poder.
Atenção: está-se falando especificamente do Exército, não genericamente dos militares ou das Forças Armadas. Aliás, uma curiosidade da transmissão de cargo é que, naquela selva verde, só havia uma farda azul da FAB e uma branca da Marinha. Eram os dois oficiais da imprensa nas duas Forças, que riam quando alguém brincava que pareciam “peixes fora d’água”.
O Exército está em alta. Ocupa quase todos os postos do Planalto e, além de não criar problemas, tem de resolver problemas criados pelos outros. Inclusive, ou principalmente, pelo próprio presidente e seus três filhos, o 01, o 02 e o 03. Numa fase da ditadura, quando cutucavam o presidente Figueiredo, ele ameaçava acionar o ministro do Exército, linha dura: “Chama o Pires!”. Agora, quando é preciso segurar os filhos do presidente, os generais gritam por um moderado: “Chama o Heleno!”.
No centro da festa, estavam justamente os generais Augusto Heleno, chefe do GSI e apagador-geral de incêndios da República, e Eduardo Villas Bôas, que o assessora no GSI. Ambos têm enorme responsabilidade para salvar o barco, que está sacudindo depois que o PSL foi flagrado fazendo peraltices e o filho 02 do presidente, Carlos Bolsonaro, desmentiu pelo twitter o ministro Gustavo Bebianno, presidente do partido nas eleições e agora sob risco de cair da Secretaria-Geral da Presidência e “voltar às origens”.

Todos ali sabiam que, num clima como esses, só uma pessoa tem coragem, legitimidade, respeito e jeito para alertar o presidente contra o excesso de poder dos filhos e para o excesso de problemas que eles estão jogando no colo do pai. Esta pessoa é Heleno. Os militares recorrem a ele, a quem cabe dizer verdades difíceis a Bolsonaro. Na crise de Bebianno, porém, quem matou a charada foi o Estado, ao recompor a cronologia da quarta-feira, que deveria ser de comemoração da alta de Bolsonaro e virou uma guerra entre o filho do presidente e um dos únicos civis com algum poder no Planalto.
E qual foi a charada? Os mundos político, militar e econômico passaram o dia crucificando Carlos Bolsonaro por ter tido a audácia e o voluntarismo de atacar um ministro. Mas a história é diferente. Primeiro, o presidente desmentiu Bebianno ao gravar a entrevista para a TV Record ainda no Hospital Albert Einstein. Só depois, enquanto o presidente voava para Brasília, Carlos divulgou o desmentido do pai pelo twitter, inclusive com o áudio em que ele se recusa a falar com Bebianno. Por fim, Bolsonaro retuitou o ataque de Carlos.

Ou seja: todo mundo incomodado, aflito e preocupado com o ato de Carlos, mas o problema era outro: não foi o filho quem gerou o problema, nem foi o pai quem tomou partido dele a posteriori. Foi o presidente quem atacou o ministro, Carlos só amplificou a posição do pai. Logo, Carlos não age da própria cabeça, ele é a voz do presidente.
Conclusões: 
1) desta vez, o problema não foi Carlos, foi Jair; 
2) Bebianno está frito, mas ele também tem muito óleo na frigideira; 
3) Se é assim com Bebianno, o que será com os demais? 
4) Heleno pode fazer queixa de Carlos para Jair, mas pode dar uma bronca no presidente?
 
Eliane Cantanhêde - O Estado de S. Paulo
 
 
 
 

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Engolir sapos

Governar não é moleza nem para quem tem experiência, partido, programa e equipe. E para quem não tem?


Eunício Oliveira é do MDB, não tem nada de esquerda e apoiou Lula e Fernando Haddad pela força do PT no Nordeste, mas já no primeiro turno Haddad e o próprio Eunício perderam a eleição no Ceará. Coisa rara, o presidente do Senado não se reelegeu.  Assim, ele é um pote até aqui de mágoa e, além de dizer, ele já mostrou que não está nem aí para o presidente eleito: após Jair Bolsonaro dizer que “não é o momento” de reajustar os salários do Supremo e pedir “grandeza” aos senadores, Eunício desdenhou o apelo, pôs o aumento na pauta e ajudou a inflar em bilhões por ano o rombo fiscal.

Para piorar, Paulo Guedes foi infeliz ao falar em “dar uma prensa” no Congresso e as relações entre Executivo e Legislativo começaram a azedar antes mesmo da posse de Bolsonaro e Guedes, em janeiro, e da nova Legislatura, em fevereiro.  É um choque de realidade, porque presidentes da República não fazem o que querem e precisam aprender algo que envolve política, experiência, maturidade e personalidade: engolir sapos. “Crus, fritos, assados, cozidos, grandes, pequenos, sem sal”, acrescenta um velho conhecedor de Brasília.

Bolsonaro cancelou uma audiência com Eunício e, de quebra, outra com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM. Nós, que não presidimos nada, podemos até elogiar: “Fez muito bem, foi macho”. Mas o sábio de Brasília é cáustico: “Isso é o que o Collor faria”. Nem precisou lembrar o destino do machão das Alagoas.  Governar não é moleza, nem quando o eleito tem estrondoso apoio popular, partido consolidado, alianças sólidas, programa claro, grande experiência de administração e equipe azeitada. Estrondoso apoio popular Bolsonaro tem, mas o resto ele vai ter de aprender e construir com o carro andando, sem bater de frente com o Congresso.

O melhor será ele agir como já age com Michel Temer ou como Sérgio Moro com ele próprio. Bolsonaro é respeitoso com Temer, pela simbologia da Presidência. E Moro mantém suas posições, mas faz inflexões e releva as diferenças com Bolsonaro. Se acerta nas escolhas para o Executivo – como Joaquim Levy no BNDES –, Bolsonaro tem de articular maiorias no Congresso, compreendendo a complexidade e a multiplicidade dos atores fundamentais para aprovar suas reformas e propostas. Ou seja, para que seu governo dê certo.  A opinião pública empurra Câmara e Senado para o colo do Planalto, mas, se os sapos azedam e a relação vira uma guerra, o governo paralisa e o Congresso começa a empurrar a opinião pública para longe do Planalto. É um jogo que vai além das vontades e exige sobretudo competência.

Três tempos, mesmo diagnóstico, mesmo temor. Coluna de 12/8: “Não se pode transformar embalagem de comportamento social numa candidatura militar e menos ainda numa promessa de governo militar. Além da ameaça para o Brasil, é um enorme risco para as próprias Forças Armadas”.
Coluna de 16/10: “Bolsonaro deveria (…) dar sinais de que não fará um “governo militar”, assim como os comandantes deveriam deixar claro que a candidatura, por mais apoios que tenha de militares, não é das Forças Armadas. Isso pode reduzir dois temores: o dos civis diante da volta do regime militar, e o dos militares diante da contaminação política dos comandos e das tropas”. [será que os civis que querem o melhor para o Brasil e os brasileiros temem a volta dos militares? ou será que desejam?
ao elegerem Bolsonaro os civis deram  a primeira indicação e não foi de temor.]
Comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, à Folha de S. Paulo de 11/11: “Estamos tratando com muito cuidado essa interpretação de que a eleição dele representa a volta dos militares ao poder. Absolutamente não é. Alguns militares foram eleitos, outros fazem parte da equipe dele, mas institucionalmente há uma separação. E nós estamos trabalhando com muita ênfase para caracterizar isso, porque queremos evitar que a política entre novamente nos quartéis”.

Eliane Cantanhêde - O Estado de S.Paulo

domingo, 12 de agosto de 2018

Militares na berlinda

Lamentável que a campanha resgate velhos estigmas e preconceitos, como o de que militares são toscos, turrões, alheios ao mundo fora da caserna – uns “brucutus”.


Se alguém acha que a atual campanha para a Presidência da República está sendo uma boa propaganda para a imagem dos militares, está redondamente enganado. Depois do capitão Jair Bolsonaro, o general Hamilton Mourão e agora o inacreditável Cabo Daciolo, que foi do PSOL e concorre a presidente pelo Patriota. Bom para quem? Na fala dele, sobra Deus e falta a letra “S”.

As Forças Armadas são a instituição mais admirada pela população em todas as pesquisas e os oficiais fazem sofisticados cursos na carreira, passam por escolas superiores de excelência, estudam geopolítica e estratégia. Demoraram anos para se livrar das marcas da ditadura, apesar de ainda não confortáveis com a abertura dos arquivos, e concluir esse ciclo da história.  Lamentável que a campanha resgate velhos estigmas e preconceitos, como o de que militares são toscos, turrões, alheios ao mundo fora da caserna – uns “brucutus”. Eles não são nada disso, mas o que dizer de Bolsonaro? Militar, [antes que seja iniciada a prática do esporte predileto = espancar Bolsonaro = deve ser destacado que Bolsonaro cursou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército - EsPCEX  (instituição que não aceita os desprovidos, ou mal providos,  de inteligência) cursou a Academia Militar das Agulhas Negras  - AMAN, outra instituição, em que só os com inteligência bem acima da média conseguem ingressar; agora vamos ao brilhante POST - ser brilhante não significa necessariamente correção.] largou a carreira como capitão por indisciplina e para ser vereador. Deputado desde 1991, no sétimo mandato, nunca se destacou no plenário, nas comissões, nem por projetos: dois em 27 anos. Candidato, demonstra evidente despreparo para governar um País complexo e mergulhado em crise como o Brasil. [lembrando sempre que o Brasil fui governado por oito anos e quase seis por Dilma e o resultado é a tragédia que estamos vendo;
se Dilma e Lula não conseguiram, ainda que juntando a incompetência com a desonestidade destruir o Brasil, com certeza Bolsonaro vai corrigir muita coisa errada; aliás, se Janot não atrapalha, Temer já iria entregar para Bolsonaro um Brasil bem melhor do que o recebido.]

Tem-se, pois, que o líder nas pesquisas, quando o nome do ex-presidente Lula não entra, é um militar que não é militar há quase 30 anos e um deputado que critica os colegas, mas é do “baixo clero”, usa imóvel funcional indevidamente e é acusado de desviar funcionários pagos pela Câmara para cuidar de sua casa no Rio. Ele, o filho mais velho, o segundo e o terceiro são políticos e até a ex-mulher tentou ser. Se a política é tão abjeta, o que a família inteira faz dentro dela? Um mistério.  Bolsonaro procurou seu vice entre astronauta, príncipe, pastor, general, socialite, advogada polêmica… O risco seria um príncipe presidindo nossa República ou o Brasil indo para o espaço com o astronauta. Prevaleceu o general Mourão, que já defendeu intervenção militar e já estreou como vice decretando a “indolência” dos índios e a “malandragem” dos negros. E o Exército é justamente reduto e símbolo dessa rica miscigenação brasileira.

Para piorar, os eleitores acabam de descobrir o Cabo Daciolo, que nem chegou a sargento, mas já se imagina presidente. Bombeiro, foi expulso da corporação depois de tentar invadir um quartel. Do PSOL, foi expulso por querer incluir Deus na Constituição. Uma piada, mas uma piada de mau gosto. [O PSOL é uma piada e das mais ridículas. Genoíno também tentou excluir Deus da Constituição, foi excluído da vida política.]
Antes mesmo de Daciolo aboletar-se no debate de presidenciáveis na Rede Bandeirantes, o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, já tinha dado o primeiro alerta de que as Forças Armadas não têm nada a ver com essas maluquices. Disse que vê “com naturalidade” Mourão na vice de Bolsonaro, mas frisando que não se trata de “uma chapa de militares”. Leia-se: “Não temos nada a ver com isso”.

Quem conhece de dentro as Forças Armadas e os generais Luna e Silva, Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, e Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, aplaudiu a fala: “Eles têm de se distanciar rapidamente dessa aventura do Bolsonaro, porque, depois que cola, não descola mais”.  Bolsonaro atraiu legiões de seguidores nas redes sociais com a condenação à corrupção e um discurso conservador e caro à expressiva parcela da população, senão à maioria, na área de costumes: família tradicional, papel das mulheres, drogas, aborto. Ok, é um direito de quem prega e de quem segue. Só não se pode transformar essa embalagem de comportamento social numa candidatura militar e menos ainda numa promessa de governo militar. Além da ameaça para o Brasil, é um enorme risco para as próprias Forças Armadas. [detalhe que será lembrado: para cada um brasileiro que adere ao espancamento do Bolsonaro, dois que o espancavam se tornam ex-espancadores e um neutro adere ao BOLSONARISMO.
Antes de ser contra ao Bolsonaro é preciso lembrar os dois trastes que foram eleitos nas últimas eleições.]

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Um dia de cada vez

Para os militares, não se trata de esperar o traficante atirar para reagir, mas de matar o bandido que estiver ostensivamente armado na primeira oportunidade

“Só por hoje” é o lema dos dependentes químicos que participam de grupos de autoajuda, como Alcoólicos Anônimos. É a síntese do famoso método dos Doze Passos, criado nos Estados Unidos, em 1935, por William Griffith Wilson e pelo doutor Bob Smith, conhecidos pelos membros do AA como “Bill W” e “Dr. Bob”. Muito difundido no Brasil, é utilizado também por instituições que trabalham com recuperação de outras dependências, como a da cocaína, por exemplo. Começa sempre pelo reconhecimento da impotência para enfrentar a dependência. É mais ou menos essa a estratégia que será adotada pelo Palácio do Planalto na intervenção federal no Rio de Janeiro. Reduzir os indicadores de violência enfrentando o crime organizado com ações a cada dia.

Começou ontem, com as operações de bloqueio e fiscalização das fronteiras e pontos estratégicos do estado, com objetivo imediato de inibir o roubo de cargas, o contrabando de armas e a entrada de drogas. Domingo, no Palácio do Planalto, na reunião com ministros e assessores, entusiasmado com os resultados da pesquisa do Ibope que constatou 83% de aprovação para a intervenção federal, Temer decidiu que as ações deveriam buscar a redução dos crimes que mais geram insegurança na cidade, com ações nos locais de maior incidência e nos setores mais atingidos da economia. 

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