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domingo, 11 de novembro de 2018

Braço direito de Bolsonaro, general Augusto Heleno tem perfil conciliador

Principal conselheiro e facilitador das medidas a serem adotadas pelo presidente eleito

 O presidente eleito, Jair Bolsonaro, vem acumulando “golaços” aos olhos de seus principais interlocutores. Para alguns entusiastas, a ida do general Augusto Heleno para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi o principal deles. O perfil conciliador e estrategista do militar é avaliado dentro da equipe de transição como a ferramenta que faltava para otimizar as engrenagens no Palácio do Planalto.

A expectativa de Bolsonaro é de que Heleno cumpra mais do que as funções típicas de um ministro-chefe do GSI: cuidar da segurança pessoal do presidente da República, prevenir crises e evitar potenciais riscos à estabilidade institucional. O general será, também, um conselheiro e mediador. A palavra final das principais políticas a serem adotadas ficará a cargo de Bolsonaro, mas determinados assuntos caberão ao futuro ministro.

A liderança exercida por Heleno ao longo da carreira militar, na coordenação política durante a campanha e agora, no período de transição, o credencia a mediar as relações entre ministros. Interlocutores avaliam que Bolsonaro não vai arbitrar tudo e pode deixar que Heleno o auxilie a resolver eventuais desavenças na equipe ministerial. A ida dele para o GSI, cujo gabinete fica no Planalto, é um facilitador. Se o general ficasse no Ministério da Defesa, como era cogitado até o início da semana passada, a missão seria até geograficamente mais complicada.

O perfil de conselheiro é uma das principais qualidades dele, reconhecida pelo próprio Bolsonaro. Em chamada de vídeo ao vivo na sexta-feira, o presidente eleito disse estar “felicíssimo” com a ida do general para o GSI. “Estará do meu lado. Quem não quer um jovem que está com 70 anos para te aconselhar? Um homem que serviu por quase 50 anos o Exército, comandou a Amazônia e esteve no Haiti?”, declarou.
 
Sabedoria
Muitas das decisões do presidente eleito são adotadas com o aval de Heleno. O recuo na intenção de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém tem dedo do futuro ministro. O mesmo vale para a opção em manter o Acordo de Paris, tratado que versa sobre medidas de redução de emissão de dióxido de carbono a partir de 2020. A aproximação do pesselista com a China, depois de acenos a Taiwan, também.

A escolha do ministro das Relações Exteriores terá participação efetiva de Heleno, cravou o cientista político Paulo Kramer, colaborador da equipe de transição de Bolsonaro. “O presidente o ouve muito, e isso é bom. Jair junta a expertise e a sabedoria do general ao grupo”, destacou. “Ele certamente vai atuar naquilo que o presidente tiver necessidade que atue, mas, sem, jamais, tirar a autoridade dos seus colegas de equipe, digamos assim. Ele sempre será uma voz de moderação.”

Ministros de Bolsonaro podem esperar por uma moderação afável, porém firme. A deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) conhece Heleno há 18 anos e reforça que ele é enérgico até com o próprio presidente eleito. “Heleno é adaptável e não vai ficar enrolando. É direto e comandou muita gente assim. Não espero algo diferente dele como ministro”, disse.
 
Carta branca
A atuação de Heleno, inegavelmente, também se estenderá à área política. A agenda proativa no setor, no entanto, ficará a cargo do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O cientista político Antônio Flávio Testa, integrante da equipe de transição, ressalta que ele será alguém que Bolsonaro poderá recorrer para a tomada de decisões importantes e até dilemáticas. “Não será alguém que ficará cuidando de assuntos pequenos. Estará acima dos assuntos do dia a dia, resolvendo crises internas”, pondera.

O futuro ministro do GSI desfrutará de um poder que nem todos os auxiliares de Bolsonaro terão: o da “maçaneta”. Testa assegurou que ele ganhará carta branca para entrar no gabinete presidencial na hora que quiser, prerrogativa que poucos ministros têm. No governo do presidente Michel Temer, essa figura é ocupada, sobretudo, pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e pelo ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. Na gestão da então presidente Dilma Rousseff, essa autoridade era exercida, sobretudo, por Aloizio Mercadante, quando comandou a Casa Civil.



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