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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Embaixada da Venezuela em Brasília é invadida por representantes de Guaidó - Correio Braziliense

Em comunicado, a embaixadora do país diz que funcionários do local reconheceram Juan Guaidó como presidente da Venezuela

Um grupo de aproximadamente 15 pessoas, composto por brasileiros e venezuelanos, invadiu a Embaixada da Venezuela na 803 Sul, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (13/11). A ação é encabeçada pelo engenheiro venezuelano Alberto Palombo, que reconhece Juan Guaidó como o presidente do país. Das 15 pessoas, duas foram expulsas por apoiadores de Nicólas Maduro e estão do lado de fora, inclusive Palombo.

Em nota, a embaixadora Maria Teresa Belandria Expósito diz que a ação foi imediatamente comunicada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). "Eles começaram a abrir as portas e entregar voluntariamente a sede diplomática à representação legitimamente credenciada em Brasil", diz.

Em contato com o governo brasileiro, a embaixadora diz que tenta mediar com as autoridades a melhor maneira para solucionar o caso. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi acionada e está no local, mas como se trata de representação diplomática, não retirou ninguém do local.

"Funcionários da Embaixada que trabalham para o Maduro mudaram de lado e deixaram os portões abertos. Nós não invadimos", disse o engenheiro Alberto Palombo. No entanto, o deputado Paulo Pimenta afirma que o grupo pulou os portões. Esquerdistas gritam "Guaidó é narcotraficante, fascista". Em outros momentos gritam o nome de Maduro. [alguém pergunte se esses esquerdistas,apoiadores do carrasco Maduro, aceitam ir morar na Venezuela atual?

A jornalista Juliana de Andrade, correspondente da Telesur, está dentro da embaixada e disse que, em uma reunião, funcionários do MRE disseram que a invasão foi encabeçada pelo Ministério. Segundo ela, o grupo está ameaçando crianças e mulheres lá dentro e que ela foi agredida por um homem.

Esquema de segurança para o Brics
A confusão ocorre mesmo com o esquema de segurança montado para o encontro da cúpula dos Brics, no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Em terra, a Esplanada dos Ministérios tem a entrada de automóveis restrito para autoridades envolvidas no evento e o acesso a diversos prédios interditado. Pelo ar, 40 aeronaves vão patrulhar os céus prontas para repelir qualquer ameaça. Ao todo, 1.600 militares vão participar da operação de defesa área.

Chefes de Estado de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se reúnem na capital nesta quarta-feira (13/11) e quinta-feira. Servidores públicos terão ponto facultativo, na quinta e na sexta-feira, nas unidades administrativas federais localizadas na Esplanada dos Ministérios. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, também decretou ponto facultativa para os servidores do GDF.


De acordo com decreto assinado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), 13 e 14 de novembro serão ponto facultativo para o funcionalismo, emendando com o Dia da Proclamação da República, na sexta-feira. Por isso, é importante estar atento aos serviços do governo nessas datas para não perder tempo saindo de casa. Além disso, a Esplanada dos Ministérios ficará interditada nesse período.

O chefe do Executivo local deliberou pelo feriadão, levando em consideração a XI Cúpula da Coordenação entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics), a ser realizada em Brasília nas datas que antecedem o 15 de novembro. O decreto determina que unidades que prestam atendimentos essenciais à população deverão manter escalas, para garantir o fornecimento ininterrupto dos serviços.

Na quarta-feira, a maior parte do funcionalismo público atenderá até as 12h, como é o caso das consultas e dos atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), em ambulatórios hospitalares, na Farmácia do Componente Especializado e na Farmácia de Alto Custo. Quem tiver horário marcado nas unidades de saúde após o meio-dia terá os exames reagendados. Os serviços de emergência dos hospitais, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e do Hemocentro não sofrerão alterações.

Os trabalhadores que dependem do transporte público precisarão se organizar para evitar imprevistos. Enquanto a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô/DF) funcionará normalmente no período, os horários dos ônibus serão alterados. Até as 14h de quarta-feira, os coletivos que ligam as regiões administrativas seguirão a escala normal. Depois disso e até o fim do feriadão, motoristas e cobradores farão viagens conforme a escala de sábado.
A segurança pública do Distrito Federal, que inclui o Corpo de Bombeiros Militar, a Defesa Civil e as polícias Civil e Militar, trabalhará em escala de fim de semana. Isso não afetará o atendimento 24 horas para toda a população no feriadão. Postos do Departamento de Trânsito (Detran) e do Na Hora funcionarão até as 12h desta quarta-feira (13/11). Na quinta e na sexta-feira, não haverá expediente.

Trânsito
O tráfego será fechado na Esplanada dos Ministérios por 48 horas, na quarta e na quinta-feira. A Via S1, que desce para o Congresso Nacional, será interditada na altura da Catedral. Nenhum motorista poderá acessar a N1, que sobe para a Rodoviária do Plano Piloto. A interdição começa na L4, perto do Corpo de Bombeiros, e se estende até a L2 Norte. O trânsito também será interrompido na S2, na altura da L2 Sul (rotatória atrás da Catedral) até a L4 Sul, ao lado da Procuradoria-Geral da República. Na N2, o fluxo de veículos será fechado desde o Buraco do Tatu.

As alterações no trânsito também alcançarão as proximidades do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), no Setor de Clubes Esportivos Sul. As reuniões do Brics ocorrerão no local; por isso, as vias de acesso serão fechadas da 0h às 20h desta quarta-feira (13/11).

Três Poderes
Os servidores públicos da Esplanada dos Ministérios também terão ponto facultativo nesse dois dias. Assinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a portaria saiu publicada no Diário Oficial da União, em edição extraordinária. A norma dispensa do trabalho os servidores da administração pública federal durante o encontro do Brics. A portaria vale apenas para os órgãos localizados na Esplanada ou em vias adjacentes.

O que abre e o que fecha
Saúde

As Unidades Básicas de Saúde, os ambulatórios e a Farmácia do Componente Especializado funcionam até as 12h desta quarta-feira (13/11). Na quinta e na sexta-feira, os serviços não funcionam e serão reagendados. O Samu, as emergências hospitalares e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não sofrerão alterações. O Hemocentro fechará no dia 15, sexta-feira.

Somente os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) do tipo III, voltados ao atendimento de retaguarda e articulação em rede, permanecem com atendimento 24 horas por dia. As demais unidades dos tipos I e II, estarão fechados a partir das 12h de quarta-feira (13/11). A Defesa Civil funciona em esquema de plantão, com equipe de campo e emergências pelo 199. Usuários com vistorias marcadas para quarta-feira à tarde e quinta-feira deverão procurar os postos onde houve o agendamento, entre 18 e 20 de novembro.

O Corpo de Bombeiros trabalha em escala diferenciada entre esta quarta-feira (13/11) e sexta-feira. A Polícia Militar não terá expediente administrativo entre as 13h de quarta-feira e a quinta-feira. A Polícia Civil funciona em escala de plantão de fim de semana a partir desta quarta-feira (13/11). A Delegacia Eletrônica funciona normalmente: https://delegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br


No Correio Braziliense - MATÉRIA COMPLETA


quarta-feira, 1 de maio de 2019

‘Era pouca gente para derrubar um governo’, diz Augusto Heleno sobre crise na Venezuela

O ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Augusto Heleno, relatou como o governo acompanhou a crise e os conflitos na Venezuela nesta terça-feira durante todo o dia. Em entrevista ao jornal O Globo desta quarta-feira (1º), Heleno classificou o movimento e o “esquema militar” liderado por Guaidó como “precário” e ressaltou que o Brasil não irá intervir em assuntos internos do país vizinhos.

Como o senhor vê o futuro da Venezuela?
A situação é imprevisível. A gente tem certeza que o “esquema militar” do Guaidó é precário e o outro lado conta com um apoio comprado de cerca de 2 mil generais, que é uma cifra espantosa. Há um esquema de colocar muitos deles na área econômica, sendo praticamente donos da economia que sobrou na Venezuela, não só com o que é lícito como com o que é ilícito. Além disso, esses militares também não têm certeza se a promessa de anistia, se alguém que não seja o Maduro chegar ao poder, vai ser realmente respeitada. Então eu tenho certeza que muitos desses militares têm medo das consequências de uma queda do regime do Maduro.
[por etapas: os militares venezuelanos, apesar da escolha errada que fizeram ao ficar do lado do mal, do lado do ex-caminhoneiro Maduro (cuidado com o cartel de frete, presidente Bolsonaro), tem razão quando querem anistia - é um direito de qualquer combatente quando se dispõe a se render - e, mais ainda, receiam que a anistia prometida não seja cumprida;

vejam o caso do Brasil, milhares de porcos terroristas, esquerdistas, comunistas, guerrilheiros, assassinos foram anistiados, indenizados, pensionados e hoje querem - apoiados por muitos dos pretensos intelectuais e alguns pseudo formadores de opinião - que os militares que os venceram, que, generosamente, concordaram que fossem anistiados, sejam punidos por supostos crimes.
Quanto aos dois mil generais de Maduro, com todo respeito ao imenso conhecimento do general Heleno, não creio que sejam lá grande coisa, afinal general sem tropa não tem lá grande influência e considerando o efetivo das Forças Armadas venezuelanas, cada general deste deve ter comando sobre dois ou três pelotões = nada.
Sem esquecer, que é um apoio comprado.]

E a movimentação de hoje (ontem)?
Desde de manhã, as imagens mostravam uma população desorganizada, tentando fazer uma reação não se sabia exatamente a quê, porque não se via outro lado quem era o adversário. Parecia briga de torcida de futebol: gente jogando pedra, outros jogando bomba… Mas nada que tivesse qualquer aspecto de uma rebelião séria ou de uma possibilidade séria de que aquilo ali acabasse resultando numa queda do governo. Ficou todo mundo esperando que se confirmasse uma primeira declaração do Guaidó, que teria recebido o apoio maciço das Forças Armadas, mas não aconteceu, ficou na declaração dele.

O movimento pode sair enfraquecido?
Pode. O Leopoldo López já está na Embaixada do Chile. Eu acredito que peça asilo, porque, obviamente, se não pedir, vai ser preso.

Qual o papel que o Brasil deve desempenhar nos campos político e militar?
O Brasil é o maior país sul-americano, com o maior PIB, a maior população e tem uma liderança natural sobre esse contexto geopolítico sul-americano. Mas o Brasil tem como tradição história, e tem escrito na sua Constituição, que ele não pode intervir em assuntos internos de países, nações amigas. Então ele fica impedido constitucionalmente de tomar qualquer atitude de força ou de intervenção em qualquer dos países sul-americanos que estejam, muitas vezes, vivendo uma crise. Podem estar vivendo até uma pré-revolução, mas nós não temos autorização constitucional, legal, para fazer esse tipo de interferência. Então o Brasil vai manter essa posição.

O governo Bolsonaro apoia essa posição?
Tem que apoiar. A lei é para ser cumprida. Existe uma lei.
[não é nem por questão de covardia, de temor a eventual apoio russo ao Maduro e sim por uma questão de estratégia econômica (no caso prevalecendo sobre a militar) que o Brasil deve se abster de se deixar emprenhar pelos ouvidos e seguir  as ideias de Trump.

Além das implicações militares de uma eventual intervenção brasileira existe uma pior, no momento:  
a economia do Brasil está em frangalhos, PIB em queda, desemprego em alta, governo Bolsonaro ainda tentando se firmar e provar que não é uma monarquia e sim uma República, os opositores do Bolsonaro - a turma do 'quanto pior, melhor' - ainda tentando um terceiro turno, que não vai existir, todos esses fatores negativos desaconselham que o Brasil interfira, qualquer interferência resultará em um CAOS ECONÔMICO e no fracasso definitivo, pelo menos a médio prazo, de tentar salvar a economia brasileira.

Qualquer ação na Venezuela seria de caráter intervencionista o que torna mais demorado e caro sua efetivação - Israel, quando acha conveniente, desloca alguns aviões para bombardear a Faixa de Gaza, mata alguns milhares de civis e assunto encerrado.
Restabelecer a ordem em um país em conflito, implicando em afastar um governo com apoio desconhecido mas, que parece ainda considerável, é lento e caro - custo alto em dinheiro e mesmo em vidas. (não falo isso por medo pessoal, físico, nestas horas lamento ser sessentão, o que me impede de ser aceito para comandar ainda que um pelotão.)

A tal situação se juntar uma de guerra realmente é acabar com o Brasil.
O que cabe ao Brasil fazer é cuidar de sua economia, fechar a fronteira com a Venezuela preservando a inviolabilidade do nosso território - afinal, os venezuelanos estão nessa por terem votado em uma coisa chamada Chávez - e cuidar da nossa vida.
Quanto ao Eduardo Bolsonaro é presidente de uma Comissão da Câmara que cuida das Relações Exteriores, não é presidente da República Federativa do Brasil.]


Mas Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores [da Câmara dos Deputados] e filho do presidente, já falou sobre a hipótese de intervenção mais de uma vez…
Sim, só que tem todo um processo para isso acontecer. E o Eduardo é deputado da República. Mas a última palavra no caso é do presidente, sendo assessorado por uma série de instrumentos que existem na Constituição. Não é uma decisão monocrática.

Qual foi a reação do presidente a esse fato de hoje (ontem)?
Nós acompanhamos durante toda a manhã. Deixamos a televisão ligada e volta e meia acompanhávamos a evolução dos acontecimentos, uma evolução muito morna. Primeiro que não saía daquela imagem, e também porque nós não estamos vendo a Venezuela inteira. A Venezuela eu acho que tem 300 cidades. Aquilo ali é um pedacinho de Caracas. Aquilo não é o suficiente para te mostrar qual é a situação no país. Então a gente não tem como fazer um diagnóstico (de) qual era o grau de violência, qual era o grau de participação da população, quem era aquela população que estava ali participando ativamente das manifestações. Muito difícil avaliar. E era pouca gente para derrubar um governo. Na minha opinião ainda estava longe de acontecer.

Existe algum tipo de pressão dos Estados Unidos?
Não, nunca houve esse tipo de pressão. Participei de algumas reuniões com o pessoal da embaixada americana, fui aos Estados Unidos com o presidente e em nenhum momento houve pressão para que o Brasil interviesse militarmente nesse caso.

Como o senhor interpreta quando o presidente Trump fala que todas as cartas estão na mesa?
Eu interpreto o seguinte: todas as cartas estão na mesa do lado venezuelano. Do outro lado, se você parar para pensar, você acha que as cartas americanas estão na mesa? Não. Você acha que o poderio militar americano está na mesa? Não está na mesa, não foi colocado na mesa em nenhum momento uma ameaça de intervenção militar americana. Até o governo do Maduro se vale muito dessa possível ameaça. Hoje mesmo houve uma declaração do chefe do Estado-Maior conjunto dizendo que não vão aceitar imperialismo americano, que é uma propaganda muito antiga em relação aos americanos.

Tendo em vista essa torcida do governo brasileiro pelo sucesso do Guaidó, ficou um sentimento de decepção com esse movimento de hoje?
Se eu estou torcendo pelo Flamengo, vou para o Fla x Flu e o Fluminense ganha, lógico que me dá uma sensação de frustração. Lógico que nós estamos torcendo. Não é um problema do Maduro, o problema é a população venezuelana que nitidamente vem sofrendo, tendo o seu país derretido. E é um país rico, que já foi o país mais rico da América do Sul. A população que pode sair da Venezuela saiu, a maior parte ficou mas ficou sofrendo.

O senhor comentou mais cedo que não se sabe exatamente como tem sido a participação de Rússia, China e Cuba na ação…
A gente sabe que esses três atores estão do lado do Maduro mas com participações diferentes. É claro que do ponto de vista de política externa e de geopolítica isso é um fator de preocupação, nós somos vizinhos da Venezuela. Vamos imaginar que a Venezuela se transforme em outra Cuba, junto ao Brasil, em uma área relativamente remota, com uma fronteira bastante desguarnecida em termos de população. Isso pode se alastrar, ninguém sabe onde vai parar isso.

O quanto preocupa o governo a hipótese da transformação disso em uma guerra civil?
Muito. Porque obviamente uma guerra civil, além de todos os transtornos que ela causa, o fato de estar na nossa fronteira naturalmente você tem reflexos. O primeiro reflexo é a passagem de gente para cá. O segundo reflexo é a passagem de gente para lá, até para atuar como mercenário, coisas desse tipo. Então uma guerra civil na sua fronteira, em um país que tem uma fronteira relativamente grande com você, fatalmente tem reflexos na sua economia, na sua organização social, na geopolítica do seu país. Isso é o que mais nos preocupa.

É uma hipótese que o governo trabalha?
É claro que não é uma hipótese que seja para já. Até porque há um desequilíbrio muito grande de forças entre os dois adversários. Mas é uma das hipóteses que pode acontecer.

Entrevista do General Augusto Heleno ao Jornal o Globo


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Pobre Venezuela

A eventual prisão de Juan Guaidó pode ter consequências mais graves do que as anteriores devido ao rol de países que o apoiam

A crise na Venezuela está mais próxima do agravamento do que da distensão. Na terça-feira passada, a Assembleia Constituinte, controlada pelo ditador Nicolás Maduro, acolheu um pedido do Tribunal Supremo de Justiça, apêndice chavista no Poder Judiciário, e cassou a imunidade parlamentar de Juan Guaidó. A medida abre caminho para a prisão do autoproclamado presidente constitucional do país.

Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, órgão do Poder Legislativo composto por deputados legitimamente eleitos, foi reconhecido há três meses como presidente de jure da Venezuela por países que compõem o Grupo de Lima, incluindo Brasil, Estados Unidos e União Europeia. No final de fevereiro, Guaidó iniciou uma série de viagens em busca de apoio político e ajuda humanitária para seu país. O périplo incluiu Brasil, Colômbia, Paraguai, Equador e Argentina. Sua mulher, Fabiana Rosales, foi recebida pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca no final do mês passado.

Para o Tribunal Supremo de Justiça, Guaidó teria violado uma proibição de se ausentar da Venezuela, entre outras “ilegalidades”. O presidente interino, obviamente, diz não reconhecer o interdito. A Corte é a mesma que deu ares de legalidade ao simulacro de eleição realizado em maio do ano passado, do qual Nicolás Maduro saiu vitorioso. Fortes indícios de fraude e ausência de candidatos oposicionistas naquele pleito foram duas das razões que levaram mais de 50 nações a não reconhecerem o resultado das urnas.

A prisão de líderes opositores é uma prática corriqueira do regime de Nicolás Maduro. Antonio Ledezma, Henrique Capriles e Leopoldo López que o digam. A eventual prisão de Juan Guaidó, no entanto, pode ter consequências mais graves do que as anteriores porque não se sabe quais seriam as reações de alguns países que compõem o expressivo rol de nações que o apoiam, em especial os Estados Unidos.
Em toda oportunidade que tem, o presidente Donald Trump faz questão de dizer que uma intervenção militar na Venezuela é “uma das cartas sobre a mesa”. Trata-se de um cenário improvável, mas, em se tratando de Trump, a apreensão é compreensível. Juan Guaidó, ao menos em público, mantém-se firme na articulação pela queda de Nicolás Maduro e posterior convocação de nova eleição. “Nada irá nos deter. Não vamos parar por medo de ameaças”, disse.

Sejam quais forem a gravidade e a extensão dos desdobramentos de uma abrupta retirada de Juan Guaidó do panorama político da Venezuela, uma coisa é certa: o povo venezuelano continuará sofrendo com as severas consequências da maior crise humanitária da América do Sul em muitas décadas.  Ontem, a organização não governamental Human Rights Watch divulgou um relatório em que classifica a situação na Venezuela como “emergência humanitária complexa”. É um termo técnico que justificaria a intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU) no país. De fato, a entidade pede que a ONU dê uma “resposta forte” à crise humanitária pela escassez de medicamentos e comida no país vizinho.

O relatório foi elaborado em conjunto com especialistas da Universidade Johns Hopkins. De acordo com Shannon Doocy, uma das médicas da universidade americana que trabalharam na elaboração do documento, “o colapso absoluto do sistema de saúde da Venezuela, combinado com a escassez generalizada de alimentos, está exacerbando o calvário que os venezuelanos estão vivendo e colocando mais pessoas em risco”



Ela alerta que, sem a intervenção da ONU, a crise não terá fim e mais vidas serão perdidas. No ano passado, Nicolás Maduro reconheceu, pela primeira vez, que a Venezuela passava por uma crise humanitária e autorizou a entrada de ajuda da ONU no país.


Tudo não passou de mais uma de suas ações diversionistas. Tampouco a ajuda oferecida pelo Brasil e pela Colômbia este ano pôde chegar aos destinatários.




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Tensão na fronteira

O gesto de Nicolás Maduro de impedir a entrada de ajuda humanitária na Venezuela é capaz de mudar a direção dos ventos que sopram na caserna


O povo venezuelano agoniza premido pela perversidade da ditadura de Nicolás Maduro. Os cidadãos afortunados o bastante para sobreviver à violência dificilmente escapam da fome. Os mais pobres, que compõem a maior parte da população, perderam entre 20% e 30% do peso corporal nos últimos dois anos. A maioria dos supermercados está desabastecida, mas ainda que houvesse produtos nas prateleiras não há renda que resista a uma inflação de 1.000.000% ao ano. Faltam medicamentos, água e outros insumos básicos para viver com dignidade na Venezuela.

Diante deste quadro, o mínimo esperado de Maduro seria a autorização para a entrada de ajuda humanitária internacional, permitida até em zonas conflagradas. Mas esperar uma nesga de moralidade de Maduro exigiria boas doses de otimismo e boa vontade. A entrada de ajuda foi negada. Na quinta-feira passada, o ditador ordenou o fechamento do espaço aéreo da Venezuela e das fronteiras terrestres do país com o Brasil e a Colômbia, além da fronteira marítima com a ilha de Curaçao, no mar do Caribe.

A decisão foi uma resposta à ação coordenada entre grupos de oposição ao regime liderados por Juan Guaidó, que há um mês se autoproclamou presidente constitucional da Venezuela, tendo sido reconhecido internacionalmente , os Estados Unidos e os países que fazem parte do Grupo de Lima, incluindo o Brasil, para envio de comida, água e outros itens ao país vizinho. O plano prevê que hoje sejam entregues carregamentos de ajuda a grupos de voluntários venezuelanos estacionados nas fronteiras do país com o Brasil e a Colômbia. Esses voluntários, arregimentados pela oposição liderada por Guaidó, são responsáveis por abastecer os caminhões e distribuir os insumos à população no território venezuelano.

A despeito do fechamento da fronteira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o plano para envio de ajuda à Venezuela está confirmado. Ontem, um avião da Força Aérea Brasileira chegou a Boa Vista (RR) com um carregamento de 19 lotes de arroz, 14 de açúcar, dezenas de sacos de leite em pó e caixas com diversos tipos de medicamentos para ser entregue na cidade de Pacaraima. Tropas e veículos blindados do Exército venezuelano estão na cidade de Santa Elena de Uairén, a 12 km da fronteira do país com o Brasil. Ao menos dois venezuelanos que tentaram cruzar a fronteira para o Brasil foram atingidos por tiros disparados por membros da Guarda Nacional Bolivariana no lado venezuelano. No mais grave incidente desde a escalada da tensão fronteiriça, as tropas leais a Nicolás Maduro atiraram contra um grupo de civis que tentavam manter aberta uma passagem em Gran Sabana, na fronteira com o Brasil. Um casal foi morto.

As autoridades brasileiras têm mantido a serenidade para lidar com a grave situação na fronteira com a Venezuela. O vice-presidente Hamilton Mourão disse que brasileiros não cruzarão a fronteira com a Venezuela e que um conflito armado com o país vizinho só ocorreria se o Brasil fosse atacado”. “Mas Maduro não é louco a esse ponto”, complementou Mourão, que na próxima segunda-feira participará da reunião de emergência do Grupo de Lima na Colômbia.  O momento pede temperança. Vale destacar ainda a disposição do governo brasileiro em manter o plano de envio de ajuda humanitária ao sofrido povo venezuelano.

Não se pode esquecer, no entanto, que o país vizinho detém o controle sobre o fornecimento de energia para Roraima. De uma hora para outra, Nicolás Maduro pode ordenar seu corte, afetando a vida de milhares de brasileiros. Resta saber como o Brasil reagiria a um ato hostil como esse.  Nicolás Maduro se sustenta no poder tão somente pelo apoio que ainda recebe da cúpula das Forças Armadas. Cada vez mais isolado e reconhecido como responsável direto pela miséria do povo, seu destino depende diretamente dos humores dos militares e de sua capacidade de compra de apoio. Impedir a entrada de ajuda humanitária é um gesto capaz de mudar a direção dos ventos que sopram na caserna.


Revista VEJA

Militares do Brasil reprovam tom bélico de Guaidó



A ação humanitária de sábado produziu mortos e feridos sem atravessar nenhum saco de comida ou frasco de remédio para dentro da Venezuela. Depois desse fiasco, avaliam os militares brasileiros, o pior que poderia acontecer seria uma escalada belicista como a que começa a se esboçar na retórica de Juan Guaidó, o autoproclamado presidente interino da Venezuela.

Na noite deste domingo (24), o blog ouviu um dos ministros fardados do governo Bolsonaro sobre a hipótese de intervenção militar externa na Venezuela, admitida por Guaidó. O ministro informou que essa carta não consta do baralho do Brasil. Se for mencionada na reunião do Grupo de Lima, marcada para esta segunda-feira, deve ser refugada pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Avalia-se que um eventual confronto armado transformaria o Brasil numa espécie de figurante no meio de protagonistas de peso. Ao lado de Juan Guaidó, os Estados Unidos. Na trincheira de Maduro, China e Rússia. O ministro que conversou com o blog recordou que, ao autorizar a participação do Brasil na missão humanitária deflagrada no sábado, Bolsonaro fixara "uma regra de ouro", segundo a qual "nenhum militar ou policial brasileiro poderia cruzar a fronteira com a Venezuela." Caberia aos venezuelanos levar mantimentos e medicamentos para o seu território, lidando com o bloqueio das forças leais a Maduro. [com o devido respeito, esse ministro fardado deveria levar em consideração que as tropas venezuelanas estão efetuando disparos de armas de fogo, com munição letal, contra pessoas e outros alvos em território brasileiro

Os disparos são efetuados do território venezuelano, mas os alvos estão no território do Brasil  - o que caracteriza evidente agressão dos venezuelanos à Soberania do Brasil e que exige um imediato revide.

Qualquer um dos nossos dois leitores há de concordar que se um individuo começa a efetuar disparos contra nossa casa, esteja ele na rua ou em outra casa, temos o DIREITO e o  DEVER de revidar.]

Representante de Bolsonaro no encontro do Grupo de Lima, a realizar-se na Colômbia, Hamilton Mourão levou uma segunda baliza fixada pelo presidente. Se for necessário, o Brasil deixará claro que, em caso de confronto, não permitirá que seu território seja usado como porta de acesso à Venezuela. O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, participará da reunião como observador. No seu esforço para prevalecer sobre Maduro, Guaidó agora fala em "sugerir à comunidade internacional de maneira formal que devemos ter abertas todas as opções". Intervenção militar externa?, perguntou-se a ele. E Guaidó: "Eu quis dizer exatamente isso, que devemos considerar todas as opções".

[Bolsonaro precisa se decidir - ele, presidente da República, e não os filhos - parlamentares.
Que tipo de participação ele deseja para o Brasil na ação contra Venezuela. As balizas tornam desnecessária a presença militar  do Brasil na região - exceto para ações de rotina e característica de tropas estacionadas em fronteiras.

Baliza UM - nenhum militar ou policial brasileiro pode cruzar a fronteira com a Venezuela;
Baliza DOIS -  o  território brasileiro não poderá ser usado para acesso ao território da Venezuela.

Esqueceu o nosso presidente de combinar com Maduro uma terceira baliza: o território do Brasil não poderá ser usado pelas tropas venezuelanas como 'caminho' dos projéteis disparados por aquelas tropas contra alvos em território brasileiro.

Sinceramente, com uma participação dessa natureza o Brasil está bem próximo, se ainda não estiver, da condição de figurante em um conflito que ainda não começou e que por enquanto só envolve as tropas da Venezuela.

O que complica de verdade é que o Brasil entrou na chuva e agora não quer se molhar e fica mal procurar abrigo.

O que resta é se molhar e molhar os venezuelanos - sendo que tudo indica que  se o Brasil exercer o DIREITO e OBRIGAÇÃO de defender sua Soberania, estará sozinho.

A Colômbia apesar de  estar em posição mais beligerante e do fato da Venezuela ter rompido relações diplomáticas, não teve sua Soberania violada - o Brasil não pode dizer o mesmo. ]


domingo, 24 de fevereiro de 2019

Venezuela é uma fria




Brasil não pode lavar as mãos, mas entra numa fria na Venezuela

Impasse: o Brasil não pode lavar as mãos nem vai usar a força militar, mas qual a alternativa?



Direto e realista, como sempre, o vice-presidente Hamilton Mourão admite que “um dos cenários na Venezuela é de guerra civil, o que pode respingar para todo lado”. Ele ressalva que, mesmo assim, trata-se de uma questão interna do país vizinho e cabe à ONU interferir, não ao Brasil. “Enquanto eles continuarem matando uns aos outros, a gente não pode fazer nada”, disse Mourão, que viaja ainda neste domingo para Bogotá, na Colômbia, para a reunião, amanhã, em que o Grupo de Lima discutirá a situação de emergência na Venezuela. [general Hamilton, o problema é que enquanto eles estiverem se matando uns aos outros, em território venezuelano, destaque-se, tudo bem.
Só que militares venezuelanos estão atirando contra pessoas e bens que estão em território brasileiro, o que configura uma agressão à SOBERANIA do BRASIL, o que exige um imediato  revide e ações na área diplomática, começando pela convocação, para consultas, do embaixador do Brasil na Venezuela.
Qualquer brasileiro entenderá uma reação enérgica do Brasil.
Se alguém da rua, ou da casa vizinha, começa a atirar contra nossa casa, com certeza revidaremos, já que temos o DIREITO e o DEVER de assim proceder.]



Uma das grandes preocupações do governo brasileiro é com o grau de beligerância entre Venezuela e Colômbia. Segundo Mourão, que é general de exército, “80% do dispositivo militar venezuelano é voltado para a fronteira com a Colômbia. Na fronteira com o Brasil, tudo o que Maduro tem é uma brigada de engenharia de selva muito capenga”. O Grupo de Lima foi criado justamente por causa da dramática crise venezuelana e, dos seus 14 países, só um, o México, se manteve aliado ao inacreditável Nicolás Maduro e se recusou a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino. Além de Mourão, a reunião contará também com a presença de presidentes da região e do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence. Os dois vices discursarão.



Maduro pode ser louco, irresponsável e patético, deu um xeque-mate na comunidade internacional e jogou a Venezuela no centro de uma delicada questão geopolítica. Ilhado, rejeitado por meia centena de países, ele contrapôs EUA, de um lado, e China e Rússia, de outro. E o Brasil, como a Colômbia, foi arregimentado por Washington para agir. Parece absurdo, mas as potências reagem ao colapso da Venezuela, que mata pessoas e gera o êxodo de milhares de famílias, como questão meramente ideológica. Os EUA tentam recuperar a velha hegemonia na América Latina, a China e a Rússia usam o pobre país contra a grande potência, ou contra um mundo unipolar.



A ação brasileira, a reboque dos EUA, combina com o discurso de campanha do presidente Jair Bolsonaro e com os escritos do chanceler Ernesto Araújo, mas deixa setores produtivos, exportadores e até oficiais de alta patente de cabelo em pé. Segundo um deles, que não quis se identificar, “nós entramos numa fria”. E explicou: “Não faz muito sentido essa aliança tão incondicional com os EUA. Qualquer consequência negativa (da ação na Venezuela) não vai recair sobre eles, vai recair sobre nós”.



A verdade é que era impossível simplesmente lavar as mãos diante do caos na Venezuela, mas são poucas as alternativas. As pontes diplomáticas implodiram, uma invasão militar é fora de cogitação e não dá para recuar. O impasse é que o Brasil tem de fazer alguma coisa, mas não tem ideia do que fazer. Um grande complicador, como reconhece o vice Mourão, é a falta de canais com o governo e as instituições venezuelanas. “Estamos sem informações fidedignas, sem tem com quem falar e em quem confiar”, admitiu. Como já dito neste espaço, militares brasileiros olham com desconfiança os venezuelanos, considerados muito vulneráveis à corrupção.



Quanto mais o regime fazia água, mais oficiais iam sendo promovidos e hoje há 1.300 generais, o que seria cômico, não fosse trágico. Essa gente toda está pendurada na PDVSA (a petroleira equivalente à Petrobrás), nos projetos e obras ao longo do Rio Orinoco, em confortáveis embaixadas mundo afora. Quem sofre é o povo, como sempre na história. A Venezuela virou um bunker de Maduro, enquanto Brasil, Colômbia e Chile, entre outros, quebram a cabeça para intervir sem uso de armas. “Ninguém vai entrar numa canoa furada”, diz Mourão, rechaçando ação militar. Ainda bem, mas só fazer show na fronteira não vai resolver nada. Qual a alternativa?
Eliane Cantanhêde - O Estado de S. Paulo