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sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

O lulismo vai morrer com Lula - Augusto Nunes

Revista Oeste

Líderes de partidos estimulam o surgimento de sucessores. Chefes de seita não deixam herdeiros


 Partido dos Trabalhadores | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock

 “Acredito que existe consenso dentro do PT e da base aliada sobre a candidatura do presidente Lula em 2026”, recitou Fernando Haddad em recente entrevista à Folha. “É uma coisa que está bem pacificada, não se discute”, enfatizou o ministro da Fazenda. Aos 79 anos, completados em outubro, Luiz Inácio Lula da Silva acaba de superar Michel Temer no ranking dos mais idosos ocupantes do cargo. Mais um ano e se terá transformado no primeiro octogenário a governar o país.

É pouco, acham Haddad, os demais sacerdotes e todos os devotos que enxergam num ex-presidiário seu único deus — além do que o ministro chama de “base aliada”.  
O que será isso? 
A expressão inclui os órfãos do Muro de Berlim pendurados nos cabides de empregos públicos?
As
siglas nanicas que orbitam em torno da estrela vermelha e se juntam ao PT nos anos eleitorais para cumprir ordens do comandante vitalício da autodenominada esquerda brasileira? 
Fazem parte da base as porções do centrão contempladas com ministérios, verbas ou empregos? Difícil saber.
 
O que se sabe é que não há nesse amontoado de obscenidades algo que se possa chamar de partido político
Eis aí uma salto civilizatório que nunca deu as caras nestes tristes, trêfegos trópicos. O que nasceu em 1980 com o nome de Partido dos Trabalhadores, por exemplo, passou a comportar-se como delinquente juvenil ainda no berçário e, com a descoberta do Mensalão, ficou com cara de quadrilha antes de alcançar a maioridade.
A devassa do Petrolão confirmou que o templo das vestais camuflava um bordel de quinta categoria. 
 E a notícia de que as organizações criminosas se entendem por meio de conversas cabulosas revelou que o PT só difere do PCC na especialidade que cada bando elevou à categoria de arte. 
Marcola e seus parceiros fazem bonito no tráfico de drogas. Lula e a companheirada brilham em bandalheiras concebidas e consumadas nas catacumbas de Brasília.  
Com a transformação do partido em seita, o PT foi reduzido a codinome do lulismo. Haddad parece não saber disso, sugere a continuação da entrevista. “Mas o PT tem de começar a pensar na sucessão de Lula: excluído 2026, o fato é que a questão vai se colocar”, ressalvou o ministro. Ele finge ignorar que tais questões só figuram nas pautas de partidos de verdade, providos de projetos de país com cláusulas pétreas, programas de governo convincentes, ideário sólido e valores inegociáveis
É assim nas nações amadurecidas. O Brasil jamais produziu algo parecido.
 
O Brasil é um deserto de partidos infestado por 33 siglas. 
Nunca foram tantas as lucrativas sopas de letras, mas a indigência partidária está no DNA do País do Carnaval. 
Quatro vezes prefeito de Taquaritinga, meu pai foi filiado ao PTB, ao PTN, ao MDB e ao PMDB. 
O resultado da eleição teria sido o mesmo caso fosse candidato pelo BNDES ou pelo FBI. Brasileiro não vota em partido, sobretudo em eleições municipais. 
Escolhe uma pessoa, seja qual a sigla que habite. Foi assim antes do bipartidarismo inventado pelo regime militar. Assim continuou a ser nos tempos em que grupos distintos tiveram de espremer-se em sublegendas da Arena e do MDB. 
E assim será até que apareçam partidos de verdade, como os que existem nas democracias maduras.

No Brasil, o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral usam dinheiro dos pagadores de impostos para bancar as atividades e a sobrevivência de 33 ajuntamentos de oportunistas

Nos Estados Unidos, por exemplo, o eleitorado se dá por satisfeito com o duelo entre o Partido Democrata e o Partido Republicano — o que não impede a existência de legendas liliputianas nem proíbe o lançamento de candidaturas avulsas. Mais: democratas e republicanos abrigam correntes que disputam nas eleições primárias o direito de indicar o candidato à Presidência. Consumada a escolha, os grupos desavindos se unem no esforço para derrotar o inimigo principal na corrida rumo à Casa Branca.

Nas democracias modernas, partidos políticos e duelos eleitorais são financiados por eventos organizados por comitês e contribuições feitas às claras, sem truques nem camuflagens, por indivíduos ou empresas. 
O governo não desperdiça um único e escasso centavo. No Brasil, o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral usam dinheiro dos pagadores de impostos para bancar as atividades e a sobrevivência de 33 ajuntamentos de oportunistas
Esse defeito de fabricação resultou na multiplicação de seitas identificadas pelo acréscimo do sufixo ismo ao nome do líder carismático, cuja cabeça baldia não reserva espaço para programas partidários. 
Os devotos se curvam às ordens da divindade. Também por isso, nenhuma seita sobrevive à ausência física do chefe supremo. O janismo, por exemplo, morreu com Jânio Quadros. 
O ademarismo se foi com Ademar de Barros. 
O brizolismo descansa no jazigo de Leonel Brizola. 
O lulismo não sobreviverá à partida de Lula.

Desde o nascimento do Partido dos Trabalhadores, em 1980, Lula tudo decide, do candidato à prefeitura de Cabrobó à formação da comitiva que desfrutará da próxima viagem reivindicada por Janja, passando pela escolha dos parceiros da negociata em gestação. 

 Mas um populista barato, incapaz de ler mais que a orelha de um livro ou de redigir um bilhete de três linhas sem assassinar o idioma, não tem nada que preste a legar. 
Gente assim não tem ideias aproveitáveis, propostas interessantes, princípios éticos, padrões morais, nada disso. 
Não tem afetos reais, admirações genuínas. Também por isso, nunca tem sucessores.
 
Haddad, portanto, logo será dispensado de perder eleições por determinação do deus da seita.  
Deveria planejar desde já o que pretende fazer no pós-Lula. 
Tempo é o que não vai faltar. 


Leia também “O ano fora da lei”
 
 
Augusto Nunes, colunista - Revista Oeste
 
 

sexta-feira, 24 de março de 2023

Os planos de vingança contra Sergio Moro - Editorial - Gazeta do Povo

Gazeta do Povo - Editorial

 PF Autoridades

Segundo as investigações da PF, o senador Sérgio Moro era um dos alvos do grupo que pretendia crimes de homicídio e extorsão contra autoridades. -  Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A revelação de um plano da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para sequestrar e matar autoridades, incluindo o ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e o promotor paulista Lincoln Gakyia, precisa ser tratada com toda a importância. 
O plano, que seria a retaliação por uma decisão que frustrou os planos de resgate do chefão do PCC, Marcos Camacho (o “Marcola”), é a comprovação definitiva de que, ao contrário do que pensam os responsáveis pelo novo Pronasci, preocupados apenas com pautas identitárias, o crime organizado é, sem sombra de dúvida, o principal problema da segurança pública no país e exige ação enérgica e cooperação incansável entre todas as esferas de poder.
 
Não é à toa que o PCC tenha escolhido Moro como alvo. Quando ministro da Justiça, o ex-juiz e hoje senador elegeu como prioridade o combate ao crime organizado. 
Marcola foi apenas um dos líderes de facções criminosas que, por determinação do então ministro, foram isolados em presídios federais, após terem passado anos em cadeias de onde seguiram comandando seus grupos sem serem importunados. 
Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal mostraram que a medida havia contrariado profundamente as cúpulas das facções e tinha sido efetiva ao silenciar os principais chefes das organizações criminosas.

Lula se julga um Conde de Monte Cristo do século 21: um inocente vítima de uma conspiração para retirá-lo de um caminho de sucesso. Mas o conjunto probatório levantado pela Lava Jato conta uma outra história

Além disso, Moro ainda endureceu as regras para visitas a líderes do crime organizado que não colaborassem com as investigações, e incluiu vários dispositivos que afetavam facções como o PCC no pacote anticrime. 
Durante sua passagem pelo Ministério da Justiça, Moro também aprofundou a cooperação entre a Polícia Federal e os órgãos de investigação estaduais, com um trabalho de inteligência que não apenas resultou na desarticulação de planos como os de resgatar Marcola, mas também impôs pesadas perdas financeiras ao crime organizando, afetando seu financiamento. Como afirmou um dos criminosos grampeados pela PF, “esse Moro aí (...) veio pra atrasar”.
 
Não há outra palavra para descrever os dias de pânico impostos pelo crime organizado a populações inteiras como a do Rio Grande do Norte ou, em outros tempos, de São Paulo. 
Faltava apenas o assassinato de autoridades, que também faz parte do modus operandi do terrorismo, como bem demonstram as Brigadas Vermelhas italianas, que sequestraram e mataram o ex-primeiro-ministro Aldo Moro em 1978. 
Infelizmente, o enquadramento dos líderes de facções como terroristas ainda está distante, pois a Lei Antiterrorismo exige “razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião” para que os crimes descritos na lei sejam assim caracterizados – uma mudança legal para contemplar as ações do crime organizado seria muito bem-vinda. Enquanto isso não ocorre, que se use todo o rigor da lei e toda a inteligência possível para seguir desbaratando os planos das facções antes que se tornem realidade.

A descoberta do plano do PCC também é a peça que faltava para igualar as facções criminosas a grupos terroristas.  
 

Veja Também:

    Polzonoff: Lula confessa que seu projeto de poder é um projeto de vingança

    Alexandre Garcia: O sonho de Lula e a conspiração do PCC para matar Sergio Moro

    A verdade sobre Sergio Moro (editorial de 20 de abril de 2021)

Não é apenas o PCC, no entanto, que colocou o ex-juiz, ex-ministro e senador na mira por ter feito um bom trabalho
Em uma coincidência macabra, no dia anterior à deflagração da Operação Sequaz o presidente Lula citou o ex-juiz em entrevista ao portal de esquerda Brasil 247
 
"Só vou ficar bem quando foder com o Moro", dizia Lula

[o petista já começa assumindo um compromisso de quem tem moral,ética e fé - qualidades que não possui.]
Usando um termo chulo que renderia imediatamente condenação na imprensa, pedidos de impeachment e uma representação de Randolfe Rodrigues no STF se tivesse saído da boca de um certo ex-presidente, Lula recordou o tempo passado na carceragem da PF em Curitiba. “De vez em quando ia um procurador, entrava lá de sábado, dia de semana, para perguntar se estava tudo bem. Entravam três ou quatro procuradores e perguntavam: ‘está tudo bem?’ ‘[Eu respondia que] não está tudo bem. Só vai estar tudo bem quando eu f... esse Moro”, afirmou.


Lula se julga um Conde de Monte Cristo do século 21: um inocente vítima de uma conspiração para retirá-lo de um caminho de sucesso

Mas, ao contrário do que ocorrera ao protagonista da trama de Alexandre Dumas, o conjunto probatório levantado pela força-tarefa da Lava Jato e no qual Moro se baseou para condenar Lula em 2018 está fartamente documentado, disponível a qualquer um que deseje se inteirar da verdade histórica envolvendo a pilhagem das estatais ocorrida durante a primeira passagem do PT pelo poder. Sim, as condenações foram todas anuladas pelo Supremo, as provas já não poderão ser usadas em tribunal nenhum, mas isso não apaga os fatos que a Lava Jato apurou.

Gazeta do Povo - Editorial


sábado, 28 de janeiro de 2023

Qual o interesse de tantas ONGs na Amazônia? Alexandre Garcia

VOZES - Gazeta do Povo 

Recursos naturais



Índios yanomami em Roraima: alto índice de desnutrição foi bastante criticado em governos anteriores.| Foto: Condisi-YY/Divulgação

Quantas ONGs tem na Amazônia? Eu fiz essa pergunta, fui pesquisar e há mais ou menos umas 16 mil
Suponhamos que só 10% estão no território Yanomami, que é do tamanho de Pernambuco. Vai dar uma ONG para cada 12 índios. 
Qual é o interesse dessas ONGs? Dizem que são muitas ONGs religiosas, mas obviamente, na região tem cura para picada de cobra, pra tudo
Depois acaba em pesquisa dos laboratórios que nos vendem os remédios. Mas também tem ouro, tem pedras preciosas, tem diamante saindo do Brasil lá pelo lado dos Andes, e tem droga agora.
 
Drogas ao mar
A polícia espanhola acaba de aprender um navio com quatro toneladas e meia de cocaína e o navio saiu do Brasil. 
O narco está tomando conta. Vocês viram que foi o "Colômbia" que matou o Dan Phillips e o brasileiro, e queriam jogar a culpa no governo. A gente tem que ficar de olho nisso também.
 
No governo Collor, ele tirou 40 mil intrusos do território Yanomami. Agora tem outras coisas complicadas. R$ 33 milhões que foram para uma ONG de Roraima e desse dinheiro todo R$ 13 milhões não foram comprovados, e nem conseguem achar o endereço da ONG.  
Isso tem que ser considerado também. Mas, o fato corriqueiro, que solta os olhos, é o tamanho dessa área, com tão pouca gente lá dentro, e essa pouca gente passando fome de modo inexplicável.
 
Impeachment de Lula 
Já tem o primeiro pedido de impeachment do presidente Lula porque na Argentina e no  Uruguai ele acusou o Congresso brasileiro de praticar golpe. 
Lá na Argentina, no palácio do governo, ao lado do presidente da Argentina, ele disse que houve um golpe de Estado, que derrubou “a companheira” Dilma Rousseff com um impeachment.  [o individuo que atualmente preside o Brasil, esqueceu que quem presidiu todo o processo de 'escarramento' da petista,no Senado, foi o ministro Lewandowski,que se tornou ministro do STF por pedido da falecida esposa de Lula.]
E depois, no Uruguai, ao lado do presidente do Uruguai, ele chamou um ex-presidente da República de golpista, o Michel Temer.
 
Parece que Lula esqueceu que Michel Temer é o presidente de honra do partido de uma ministra do governo dele, Simone Tebet. 
Está esquecendo também que foi Michel Temer quem nomeou Alexandre de Moraes, que o partido de Michel Temer tem 42 deputados e 10 senadores na próxima legislatura. 
E aí o deputado Sanderson, do Rio Grande do Sul, entrou com o pedido de impeachment. Já o deputado Kim Kataguiri entrou numa comissão especial para apurar o caso. "Comissão da Verdade" é como estão chamando.

Veja Também:

    Polícia Federal vai investigar se houve genocídio de indígenas
    Não foi o Bolsonaro: “Colômbia” matou Bruno Pereira
    Lula vai usar o BNDES para financiar obras em países da esquerda


Fazer isso no exterior ainda é uma agravante. Esse é um assunto interno do país, está lá fazendo propaganda negativa pro Brasil, falando mal da casa do povo, do Congresso dos representantes do povo.

Marcola em Brasília
Eu falei do narco, da cocaína, e o chefão do PCC, o Marcola, que a pedido do governador de Brasília, pra aliviar um pouco as tensões de segurança havia sido transferido para um presídio de segurança máxima em Rondônia, voltou. Já está de volta ao Presídio da Papuda em Brasília. Ele está condenado a 300 anos de prisão e tem muita gente criticando essa volta do Marcola para o centro do poder. Ele, um centro de poder ilegal dos fora da lei.
Além dessas novidades, está decidido: o PT vai reassumir a presidência da Petrobras, de Itaipu Binacional e vai também para presidência do BNDES.[além de um novo petrolão,mais aperfeiçoado, temos os ingredientes para um  Bandesão, Itaipuzão e outros.]

Alexandre Garcia, colunista - Gazeta do Povo - VOZES


sábado, 29 de outubro de 2022

De Marcola ao 13º salário: guerra de inverdades e aborto elevam a tensão em debate entre Lula e Bolsonaro

O último debate entre presidenciáveis foi marcado por ataques mútuos baseados em informações falsas, com Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o tempo todo tentando imprimir ao rival a pecha de “mentiroso”, acusação que um fez ao outro muitas vezes. Outro ponto de tensão do debate foi a troca de acusações que protagonizaram sobre o aborto. 

Em O Globo - MATÉRIA COMPLETA


quinta-feira, 13 de outubro de 2022

O preferido dos fora-da-lei - Percival Puggina


 
Dia 8, sugeri no twitter que alguém, com possibilidades de pesquisar, fizesse um levantamento sobre o voto dos presos provisórios na eleição presidencial.  
O petismo fica indignado com toda sugestão de que seja o partido preferido pelos fora-da-lei. [COMENTÁRIO: não se trata de sugestão e sim de fato: o PT - vulgo perda total - é o preferido de 80% dos bandidos presos; e tal preferência é merecida = além de ser presidido pelo maior corrupto do plante, o descondenado tem histórico de empenho pessoal em soltar bandidos, além de ser contra prisão de ladrões de celulares. Um dos bandidos soltos por Lula, sequestrador do empresário Abilio Diniz, fez uma greve de fome com seus comparsas, foi visitado pelo ex-presidiário que intercedeu por ele junto ao ex-presidente sociólogo,foram soltos e um deles, dias depois assassinou um vigilante, de forma covarde e vil.
Lembrando que Lula é um ex-presidiário - posto em liberdade por um erro processual de CEP; de tudo constata-se: Lula é o melhor candidato para bandido preso votar.]

A curiosa reação à declaração de Marcola, clamando ao TSE (e sendo atendido) para que fossem removidas quaisquer ilações a respeito da orientação de voto que inegavelmente proporcionou, reflete o desconforto petista em relação ao tema.

Ontem, fiquei sabendo que O Antagonista fez, rápido, o dever de casa. Anteontem publicou matéria informando que 4 de cada 5 desses eleitores, presos provisórios no país, votou em Lula no primeiro turno. Transcrevo trecho:

Lula teve uma larga vantagem sobre os demais candidatos e poderia ter sido eleito em primeiro turno — se as eleições ocorressem entre presos provisórios que puderam participar do processo eleitoral. Levantamento de O Antagonista em seções destinadas ao voto de presos mostra que Lula teve 80,59% dos votos válidos nas seções, contra 15,79% de Jair Bolsonaro.

A reportagem compilou os boletins de urna de 222 seções eleitorais destinadas ao voto de presos provisórios, que, de acordo com a legislação eleitoral, mantêm seu direito a voto por não terem sentença transitada em julgado. Desses, 221 estavam disponíveis na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os votos foram dados em urnas de 19 estados e no Distrito Federal. Dos 14.653 autorizados a votar, 11.363 apareceram, cerca de 77,5% do total. Apesar de comporem uma fatia residual do eleitorado, mesários e agentes eleitorais podem ter votado nestas seções — o TSE não especifica quantos deles seriam.

Para o bem da matemática, como o título da matéria afirmava que 4 em cada 5 votaram em Lula, faltou esclarecer que isso não significa que 1 em cada 5 votou em Bolsonaro. O número certo, é que em Bolsonaro votou apenas 1 em cada 6.

Site Percival Puggina - Transcrito pelo Blog Prontidão Total 

 

domingo, 9 de outubro de 2022

A tesoura amiga do TSE - Guilherme Fiuza

Revista Oeste

O Lula nem sabia. Todo mundo sabe que a melhor forma de defender a democracia é a censura 
 
Lula cumprimenta o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Palácio Itamaraty, em 2010 | Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr
Lula cumprimenta o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Palácio Itamaraty, em 2010 | Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr 

O TSE censurou a Gazeta do Povo. Mandou apagar uma postagem do jornal que noticiava o corte do sinal da emissora CNN na Nicarágua. O problema para o Tribunal Eleitoral foi o contexto. 
Sendo aquele mais um ato ditatorial do presidente Daniel Ortega, e sendo o ditador da Nicarágua aliado e amigo de Lula, o TSE achou que a notícia queimava o filme do grande democrata brasileiro.
 
Está certíssimo, o TSE. Todo mundo sabe que a melhor forma de defender a democracia é a censura.  
Assim como todo mundo sabe que o Alexandre de Moraes é corintiano — como ele próprio declarou solenemente no dia do primeiro turno da eleição. Estamos vendo a História sendo escrita diante dos nossos olhos.

Pensando bem, talvez Lula nem conheça Ortega. Hoje estamos descobrindo que diversos fatos históricos tomados como verdade eram fake news. Por exemplo: pensava-se que Lula tinha regido um assalto bilionário à Petrobras; hoje ficamos sabendo que Lula, na verdade, defende a Petrobras. Você não sabia da correção?

Então é porque você não lê jornal, nem vê televisão. Provavelmente é um desses golpistas que se informam por veículos como Gazeta do Povo e Revista Oeste. 
Por isso é que você pensa que o Lula é um pilantra, como disse o Marcola. Felizmente o presidente do TSE editou também essa parte da história, proibindo publicações sobre a fala do líder do PCC.

Em seu pedido à Justiça para a remoção da postagem da Gazeta do Povo, a coligação de Lula alegou que o jornal tentou “induzir ao pensamento de que o ex-presidente compactua com a ditadura”. E evocou a regra aprovada no fim do ano passado pelo TSE, que veda “a divulgação ou o compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral”.

Lula é parça do lado bom do Ortega. Essas manias que o companheiro nicaraguense tem de perseguir os outros são problema dele

Perfeito
Um processo eleitoral íntegro não pode ter nem sombra de referência à amizade, aliança, mútua exaltação, congregação, parceria e identidade de alma entre Luiz Inácio da Silva e Daniel Ortega. 
A não ser que a matéria diga que Ortega é um homem bom, um líder progressista e libertário preocupado com os direitos humanos. 
Aí, tudo bem. 
Mas, se for para dizer que o presidente nicaraguense é um tirano brutal, tirem o Lula dessa. Tesoura neles.
Foto: Reprodução/Gazeta do Povo
Segundo o ministro do TSE Paulo de Tarso Sanseverino, autor da censura democrática contra a Gazeta, o jornal transmitiu “informação evidentemente inverídica e prejudicial à honra e à imagem de candidato ao cargo de presidente da República nas eleições 2022”
É de fato um absurdo atentarem contra a honra de Lula. Sanseverino explicou que a Gazeta se inseriu entre as publicações que “transmitem de forma intencional e maliciosa mensagem de que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva é aliado político do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, e assim como ele será contra os evangélicos e irá perseguir os cristãos”.[hoje,durante a missa das 9h, o padre em sua homilia conclamou todos os cristãos a rezarem pedindo a DEUS para evitar que o comunismo domine o Brasil e lembrou o sofrimento de outros países dominador por aquela ideologia sinistra.  
É sabido que para fazer uma manifestação desse tipo, o pároco tem, no mínimo, o aval do Bispo - o que mostra que o risco do comunismo dominar o Brasil é enorme = basta a esquerda ganhar.]
Vamos complementar esta clássica obra morte e vida sanseverina, reiterando o que já expusemos acima: Lula é parça do lado bom do Ortega.  
Essas manias que o companheiro nicaraguense tem de perseguir os outros são problema dele. 
O Lula nem sabia.
Censura ao jornal Gazeta do Povo | Foto: Reprodução/Gazeta do Povo

No pedido de mordaça contra a Gazeta mordaça do bem, para salvar a democracia, como diria o camarada Daniel a coligação do guardião da Petrobras disse que é falsa a tese de que Lula apoia o regime de Ortega. Ele jamais demonstrou “qualquer tipo de apoio ao regime da ditadura”, sustentaram os advogados do glorioso ex-presidente brasileiro, acrescentando que a Gazeta disseminou “conteúdo gravemente descontextualizado, buscando propagar fato sabidamente inverídico de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiaria medidas autoritárias realizadas pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega”.

Pela enésima vez: Lula ama e exalta Ortega porque apoia suas medidas graciosas. Essas horríveis aí que dizem que o presidente nicaraguense pratica jamais chegaram aos ouvidos do brasileiro — e olha que na noite de Atibaia dá pra ouvir até uma folha seca caindo na relva.

Felizmente temos o TSE para proteger a honestidade de Lula e guarnecer a lisura do processo eleitoral. Fica tranquilo que tá tudo sob controle.

Leia também “Toca o barco, ninguém viu nada”

Guilherme Fiuza, colunista - Gazeta do Povo - VOZES


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Toca o barco, ninguém viu nada - Guilherme Fiuza

Revista Oeste

O pessoal só estava amontoado nas seções de votação para conversar sobre as maravilhas do Butão. Alto-astral, ninguém desconfiando da competência do TSE 

Fila de eleitores em São Paulo para votar, na manhã de domingo 2 de outubro de 2022 | Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo 

Fila de eleitores em São Paulo para votar, na manhã de domingo 2 de outubro de 2022 | Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo  

Foi tudo normal na eleição. A normalidade começou na véspera, com a notícia de que Marcola, o líder do PCC recluso num presídio de segurança máxima, preferia Lula na disputa com Bolsonaro. No que a informação surgiu na imprensa, todos esperaram que os checadores aparecessem triunfais para dizer que era fake news. Eles não apareceram. Tudo normal.

Aí surgiu a dúvida: o ministro Alexandre de Moraes não tinha proibido que se fizesse referência à ligação entre PCC e PT? E agora? Será que o Marcola seria investigado no inquérito das fake news?

A dúvida não abalou a burguesia cheirosa (ou nem tanto) que estava nos seus instagrams fazendo a apologia do voto em Lula por um mundo melhor.  

Já Marcola defendia o voto em Lula como uma espécie de mal menor classificando o ex-presidente como um “pilantra”, de acordo com os áudios atribuídos a uma interceptação telefônica da Polícia Federal.

De cara ficou estabelecida, então, a diferença básica entre o burguês que dizia votar em Lula para defender a democracia e o criminoso encarcerado: o segundo era mais sincero.

Assim a frente ampla que tinha Lula como favorito foi crescendo: Datafolha, UOL, CNN, Ipec, BTG, Quaest, William Bonner, Renan Calheiros, Tiririca, Marcola e outros expoentes da sociedade. Tudo normal, mas com um enigma: se Geraldo Alckmin e Marcola queriam que Lula voltasse ao local do crime, por que o PT tinha escolhido o mais fraco dos dois para vice?

São os mistérios da política, não se pode compreender tudo o tempo todo. Mas havia outros sinais estranhos no ar.

Na manhã seguinte, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, apareceu nas redes sociais desejando a todos um domingo tranquilo de votação. Ninguém entendeu nada. 
Será que as diretrizes da Justiça Eleitoral tinham mudado no dia do pleito? O eleitor sentiu falta das ameaças de ser preso em flagrante e levado para a delegacia se tumultuasse, mentisse, desinformasse, não entregasse o celular, etc. O sotaque democrático de Alexandre deixou a população insegura. Não se mudam as regras do jogo em cima da hora.

Aí veio outro sinal preocupante. Os democratas de auditório que já haviam categorizado o verde e amarelo como coisa da Cuscuz Clã e festejado subcelebridade pisoteando a bandeira brasileira em Nova Iorque de repente começaram a falar em votar com a camisa da Seleção Brasileira — aquela amaldiçoada como cafona, fascista e símbolo da corrupção na CBF. Muito estranho.

Que nenhum estraga-prazeres venha dizer que os “erros” grotescos das pesquisas não são erros, e sim mentira deslavada

Mas logo as coisas se esclareceram: só deveria vestir a maldita camisa da CBF quem colocasse nela o número do candidato do Marcola. Grande sacada

Até porque o 13 também representava o número de anos que durou o assalto petista ao país — ou seja, uma bela homenagem ao bom ladrão. E a essa altura o eleitor consciente contra o fascismo poderia fazer tanto o “L” quanto o “M”.

A normalidade ficou mais normal ainda quando Alexandre de Moraes corrigiu sua própria omissão e censurou as matérias sobre o caso Lula-Marcola. Isso trouxe uma imediata sensação de alívio ao eleitorado, que já estava apreensivo com a demora da tesoura democrática do presidente do TSE. A insegurança jurídica se transformou imediatamente em confiança — fazendo a Bolsa subir e o dólar despencar em pleno domingo.

No mercado é assim mesmo: quando a notícia é boa demais, os indicadores não querem saber de descanso. É bem verdade que restou uma dúvida: o que exatamente Alexandre de Moraes tinha censurado?

Teria sido a imprensa ou a Polícia Federal? — considerando-se que a PF não tinha negado a autenticidade do áudio
Outros especialistas em mordaça levantaram a hipótese de a censura ter sido decretada contra o próprio Marcola — o que seria uma revolução, considerando-se que nunca antes na história deste país uma autoridade tinha chegado à perfeição de regular o que um bandido conversa com outro.
 
Nessa linha, as especulações foram se detalhando. Alexandre de Moraes teria censurado Marcola ou só a sua preferência por Lula? 
Ou será que o que tinha sido censurado era o carinho entre o PCC e o PT? 
Essa hipótese era a menos provável, porque o xerife do amor jamais iria agir contra uma conexão afetiva.  
Mas afinal, o que Alexandre de Moraes tinha censurado?
 
Segundo especialistas em jogadas eleitorais, nenhuma das hipóteses acima estava correta
Na verdade, o presidente do TSE teria tão somente baixado uma medida emergencial para que o eleitorado do bom ladrão pudesse votar sem culpa. 
Faz sentido. Realmente seria muito incômodo para um democrata educado e limpinho sair de casa para votar no mesmo candidato do chefão do PCC. Censura muito bem-vinda. O que os olhos não veem, o coração não sente.

A votação no Brasil correu normalmente, com eleitores enviando seus parabéns a Luís Roberto Barroso, Luiz Edson Fachin e Alexandre de Moraes por terem assegurado que o nosso sistema eleitoral é exemplar. As multidões em fila que se formaram em todo o território nacional foram absolutamente normais — o pessoal só estava amontoado nas seções de votação para conversar sobre as maravilhas do Butão. Alto-astral, ninguém desconfiando da competência do TSE.

Veio a apuração e tudo continuou normal. Pausas, soluços, progressões inverossímeis e desproporcionalidade entre o voto presidencial e as demais escolhas — comprovando o ecletismo da mentalidade do eleitor, sem preconceito nenhum para votar em todos os candidatos do Bolsonaro para o Congresso e cravar Lula para o Planalto. É a festa da democracia.

Que nenhum estraga-prazeres venha dizer que os “erros” grotescos das pesquisas não são erros, e sim mentira deslavada — devidamente embalada pela imprensa. Não estraguem a festa. 
Por coincidência, os propagadores dos “erros” estiveram sempre alinhados com o TSE para impedir que a eleição pudesse ser auditável. 
Essa palavra é tão indesejável e antidemocrática que até o corretor do Word sublinha como erro. Transparência é golpe.

Parabéns, Brasil. O anabolizante do bem foi um sucesso. Agora decide aí se vai querer continuar brincando disso no segundo turno.

Leia também “L de Lava Lula”

Guilherme Fiuza, colunista - Revista Oeste