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domingo, 16 de julho de 2017

A esquerda procura um novo líder - Com Lula nas cordas, faltam consenso e um nome de peso para desfraldar suas bandeiras

O PT asfixiou os partidos aliados ao não criar alternativas a Lula. Agora, com o petista nas cordas, faltam consenso e um nome de peso para desfraldar suas bandeiras

Há décadas, o PT vem exercendo hegemonia absoluta sobre outras legendas da esquerda e impedindo a ascensão de lideranças dentro de seu próprio espectro partidário. Do nascimento do PT até hoje, somente Lula disputou a presidência da República  foram cinco vezes – e, quando já não podia mais concorrer à reeleição, escolheu, quase que sozinho, o nome de Dilma Rousseff para substituí-lo na disputa ao Palácio do Planalto. A fatura chegou. Se os desembargadores da segunda instância confirmarem a condenação de Lula proferida pelo juiz Sérgio Moro na quarta-feira 12, a estrela máxima do petismo vai se tornar ficha-suja e, portanto, inelegível.

Com a possibilidade de Lula ficar fora do páreo presidencial em 2018, a esquerda, incluindo integrantes do próprio PT, começa a se organizar em busca de alguém capaz de unificar suas ideias políticas para chamar de candidato. Porém, o que se vê até agora é uma completa discordância. Há cerca de um mês, integrantes do PSOL, do PT e da Rede se reuniram para discutir possíveis presidenciáveis. Foram debatidos nomes como o de Ciro Gomes, Marina Silva e Tarso Genro. Lula ficou furioso ao saber da participação do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) na conversa, pois não admite a possibilidade de sequer cogitarem sua não participação na corrida eleitoral no ano que vem. Além desse encontro, conversas informais estão sendo realizadas.

Por enquanto, o ex-ministro Ciro Gomes, que também é vice-presidente do PDT, é quem desponta entre os preferidos dos órfãos de Lula. Ciro é visto como o nome com maior musculatura política: já concorreu à presidência da República duas vezes, em 1998 e em 2002. É conhecido nacionalmente e ocupou importantes cargos no poder Executivo: já foi ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, titular da pasta da Integração Nacional, época em que liberou vultosos recursos para investimentos em municípios nordestinos do País. Também foi eleito governador do Ceará por duas vezes.

Tanto a corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), quanto o PCdoB tendem a apoiar incondicionalmente Lula ou Ciro. Já o deputado Ivan Valente, importante quadro do PSOL e um dos organizadores da reunião, no entanto, aponta resistências ao político do ponto de vista comportamental e programático. Não à toa. “É difícil decolar por causa da personalidade de pavio curto e por não ter uma mobilização social por trás. Embora tenha se preservado mais que o PT nas questões éticas, ele não demonstra clareza programática nem ideológica”. Em 2002, Ciro promoveu uma salada ideológica ao unir na mesma campanha Mangabeira Unger e o economista José Alexandre Scheinkman.

Ex-ministro da Justiça, da Educação e de Relações Institucionais no governo Lula, Tarso Genro também possui experiência, credibilidade e trajetória de militância à esquerda. É uma das poucas lideranças críticas a propor a refundação do PT. Porém, tanto ele quanto sua filha Luciana Genro, fundadora do PSOL, que já disputou a presidência no pleito passado, construíram trajetória basicamente no Rio Grande do Sul. Além disso, o grupo de Lula torce o nariz para a família Genro, por terem questionado os desmandos dentro da legenda.

Um pé atrás com Marina
Pesa a favor da ex-ministra do Meio Ambiente e fundadora da Rede, Marina Silva, o recall da eleição passada, na qual por pouco não enfrentou Dilma Rousseff no segundo turno. Ela aparece bem posicionada nas pesquisas eleitorais realizadas recentemente. Mas militantes de esquerda reclamam de sua opção na segunda etapa do pleito: “Ela cometeu um erro incontornável em 2014, que foi o de apoiar o então candidato Aécio Neves, do PSDB, no segundo turno. Isso foi fatal”.  O senador Randolfe Rodrigues, da Rede pelo Acre, jura que “a candidatura de Marina no ano que vem é fato consumado e que não haverá preconceitos para receber apoio”. A ver. Para o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), a esquerda deveria sair debaixo da saia do PT e colocar em prática ideias novas. “O PT asfixiou a esquerda por uma postura eleitoralista e imediatista. Deveríamos ter uma esquerda capaz de propor algo lá na frente”.

Fonte: Revista Isto É

 

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