Você é o Visitante nº, desde 22 setembro 2017

Ad Sense

domingo, 30 de julho de 2017

Dunquerque, a vitória da civilização

‘Dunkirk' é um grande filme e conta o resgate do exército inglês, encurralado na praia francesa de Dunquerque em maio de 1940

“Dunkirk” é um grande filme e conta o resgate do exército inglês, encurralado na praia francesa de Dunquerque em maio de 1940. Barra pesada, mostra com maestria a angustia da operação.  O filme restringe sua narrativa ao que acontecia na praia, no ar e no mar. Vale a pena por si, mas está nas livrarias “Cinco Dias em Londres", do historiador John Lukacs, publicado em 2001. Juntos, são um presente para a alma. Naqueles dias, tudo parecia perdido. Hitler dobrara a França e era senhor da Europa. O povo inglês ainda não sabia, mas 250 mil soldados estavam cercados na praia de Dunquerque. O colapso dessa tropa seria o prelúdio de uma invasão da ilha.

Winston Churchill ainda não completara duas semanas como primeiro-ministro. Era um político mal visto, falastrão e pouco confiável. Seu rival no partido conservador era o ministro das relações exteriores, Lord Halifax, um inglês de anúncio de roupa, amigo do rei. Halifax queria explorar o caminho de uma paz com Hitler, usando os bons ofícios do embaixador italiano em Londres.  “Cinco Dias em Londres" conta o embate desses dois patriotas. Churchill não queria ceder e costurou sua posição no ministério, até que prevaleceu, depois de uma conversa no jardim com Halifax. (Nenhum dos dois escreveu uma só linha a respeito desse passeio.) Churchill achava que só tiraria 50 mil soldados de Dunquerque. No dia 6 de junho, a Marinha e os pequenos barcos ingleses que atravessaram o canal da Mancha resgataram 338 mil soldados, inclusive 125 mil franceses.

Christopher Nolan fez seu serviço de cineasta e é o vermute. John Lukacs, como historiador, é o gin. Quem junta os dois faz o martini e revisita uma semana que ajudou a salvar a civilização. No dia 6 de junho, Churchill, terminado o resgate, fez seu famoso discurso do “nós nunca nos renderemos". Cinco anos depois, a Alemanha rendeu-se.
Lukacs sustenta que o nazismo foi vencido em Stalingrado e no Dia-D, com o desembarque dos Aliados, mas foi em Dunquerque que Hitler perdeu a sua guerra. Ele, e muita gente boa, inclusive no Brasil, achavam que os ingleses negociariam uma paz, nos termos de Berlim.

No dia 21 de maio, Getúlio Vargas escreveu em seu diário:
“As notícias da guerra são de uma verdadeira derrocada para os Aliados. O povo, por instinto, teme a vitória alemã; os germanófilos exaltam-se. Mas o que ressalta evidente é a imprevidência das chamadas democracias liberais...”

Entre os patos de 1972 estavam os militares
Um documentário de Stefanie Dodt e Thomas Aders mostrou ao público alemão as relações promíscuas da Volkswagen com o aparelho repressivo da ditadura brasileira. A Volks não foi a única empresa a denunciar trabalhadores, mas é a única que está sendo cobrada no seu país. O problema da Volks era pedir desculpas. Agora surgiu outro: ter que se desculpar por não ter se desculpado.

Essa questão mostra a saudável relação da sociedade alemã com suas grandes empresas. Nada parecido acontece em Pindorama. A Federação das Indústrias de São Paulo, a Fiesp do pato amarelo, jamais pediu desculpas por ter organizado o caixa dois da guarnição militar de São Paulo. [não é necessário, sequer conveniente, pedir desculpas por ter sido PATRIOTA.
Vale o mesmo entendimento em relação a Volkswagen que colaborou, dentro das suas possibilidades, apoiando o combate aos porcos traidores comunistas que pretendiam fazer do Brasil uma outra Cuba.]

Uma carta do embaixador americano William Rountree ao Departamento de Estado mostra que, no início de 1972, os empresários que vinham sendo arrebanhados pela Fiesp tiveram medo de abandonar o esquema. Eles fizeram saber ao embaixador que “tinham ido muito longe para poderem recuar e achavam que se o fizessem prejudicariam seriamente suas relações com a Federação das Indústrias". Afinal era ela quem coletava o dinheiro.
A Fiesp financiou a repressão e bajulou os militares até que os ventos mudaram e criaram-se outras caixas, umas coletivas, outras individuais.

Números e grifes
O repórter Filipe Coutinho revelou que, entre 2015 e 2016, a empresa de consultoria do ministro Henrique Meirelles faturou R$ 217 milhões, ou cerca de US$ 60 milhões. Em nota, o ministro informou que nesses ganhos estavam incluídos serviços prestados ao longo de quatro anos.  Em 2011, o mundo veio abaixo quando revelou-se que Antonio Palocci faturara R$ 20 milhões com sua empresa de consultoria, num só ano. [o parágrafo abaixo destacado explica as razões do sucesso da firma do ministro Henrique Meirelles - seu sucesso no Bank of Boston, é apenas um dos fatores.
Já o presidiário Palocci um médico incompetente, um ex-prefeito medíocre, não tinha, e continua não tendo, nada que justifique o seu sucesso como consultor, sendo sua situação exatamente igual a do sentenciado Lula da Silva, um incompetente, falastrão e analfabeto.]

No vida pública, Palocci fora ministro da Fazenda de 2003 a 2006. Sua experiência anterior era a de prefeito de Ribeirão Preto.

Meirelles foi presidente do Banco Central de 2003 a 2011. Ao contrário de Palocci, fez invejável carreira na iniciativa privada, tendo presidido o Banco de Boston.

Uma das mais famosas firmas de consultoria de grife do mundo, a do ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, não revela seus números. Em 1986, quando ele ainda estava no auge da forma e da fama, soube-se que ela faturou US$ 5 milhões.  A empresa de Kissinger tem a sua grife, mas nela estiveram craques como Timothy Geithner, o celebrado secretário do Tesouro de Obama durante a crise financeira mundial.

Cargo vago
Estão no mercado dois dos empregos mais prestigiosos do mundo, a presidência da Universidade Harvard e a diretoria do Museu Metropolitan de Nova York.  A escolha do museu é feita num mercado restrito, mas Harvard circulou um pedido de indicações. Não é nada, não é nada, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, poderia se oferecer para indicar os nomes de alguns deputados da base governista.

Barco fujão
O beato Joesley Batista tem toda razão quando reclama das calúnias que são lançadas sobre sua imaculada pessoa. Ele diz que “mentiram que eu teria fugido com meu barco".
Tem toda razão. O iate Leonardo 100 fugiu sozinho, enquanto ele negociava o seu perdão com o doutor Rodrigo Janot. O barco saiu de uma marina em Itajaí e foi para Miami. A peça está avaliada em US$ 100 milhões.

(...)


Cármen Lúcia
A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, não tem simpatia pelo aumento de 16,74% pleiteado pelos procuradores.
O pessoal do Ministério Público acha que pode tudo, mas deve se respeitar as leis da aritmética.
Se a ministra endossar o aumento, entrega a biografia.

Gleisi de Calcutá
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, solidarizou-se com o golpe bolivariano de Nicolás Maduro.
Se o seu discurso em defesa dos pobres e dos oprimidos fosse sério, a comissária faria alguma coisa em favor dos vinte mil refugiados venezuelanos que refugiaram-se em Roraima e vivem em condições precárias de moradia e alimentação.
Leia todas as colunas...

Fonte: Elio Gaspari, jornalista - O Globo 

 

Nenhum comentário: