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sábado, 29 de julho de 2017

Tropas trazem sensação de segurança mas dúvida persiste: o que virá depois?

Forças federais no Rio retornam com antigas incertezas

A chegada das tropas do Exército às ruas soou como o Desembarque da Normandia, data comemorada como o início da vitória dos aliados na 2ª Grande Guerra. As operações começaram às 14h ainda fora da cidade, no Arco Metropolitano e na Rodovia Presidente Dutra, mas a notícia se espalhou em minutos pelas redes sociais, trazendo ao Rio a sensação de segurança que parecia ter fugido do estado na bagagem das equipes olímpicas.
 Forças armadas patrulham rodovias. Linha Vermelha - Paulo Nicolella / Agência O Globo

As primeiras ações indicam que o primeiro foco será a repressão aos roubos de carga, mas tanto o ministro da Justiça, Torquato Jardim, como o da Defesa, Raul Jungmann, garantem que também serão combatidos outros delitos, e que as ações serão pontuais. Ou seja, na contramão de outras ocupações, o foco não será o patrulhamento ostensivo, mas uma ação direta ao crime organizado. 

Jungmann acentuou ainda que, ao invés de uma operação pelo tempo determinado de um mega evento - como vem ocorrendo desde a Rio 92 -, desta vez as operações serão de assalto, e poderão prosseguir até o fim de 2018, prazo máximo para o fim do mandato do presidente Michel Temer. Segundo o ministro, isto dará fim ao vai-e-vem da criminalidade que "tira férias durante as operações".


Apesar de necessária por sua urgência, a chegada das forças desta vez acontece no mesmo momento em que aprovação ao governo caiu ao limite crítico de 5% de aprovação, segundo o Ibope, o mais baixo em 30 anos, criando uma agenda positiva para Temer às vésperas da votação na Câmara Federal que irá decidir se ele será processado por corrupção ativa.

As diferenças operacionais anunciadas também não eliminam as dúvidas sobre o seu desfecho. Em todos os casos até hoje, a violência recrudesceu após a retirada das forças e, em alguns casos, como na ocupação do Complexo da Maré, ela inclusive acelerou sua retirada, devido ao desgaste junto à população local. Em todos os casos também não houve período de transição para a paz. Portanto, se a nova atuação da tropa tem o limite legal da mudança de governo, e se, até o momento, não há um plano estratégico de longo prazo para a segurança, a dúvida sobre a eficácia dessas operações há de persistir. Em resumo: o que virá depois?

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