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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Segurança no Rio vive situação de descontrole

Diariamente, a população fluminense é acordada com histórias chocantes, logo suplantadas por outras, não menos contundentes. Para citar apenas o dia de ontem, por volta das 7h40m, o médico André Schelemm, de 47 anos, foi baleado no peito durante tentativa de assalto dentro de uma das galerias do Túnel Rebouças. Ele foi ferido depois que bandidos fecharam a pista para fazer um arrastão. Na mesma manhã, Guilherme Tranquilino, de 15 anos, foi morto a tiros num ponto de ônibus, em Água Santa, por ter se recusado a entregar o celular aos bandidos. O jovem, que havia sido assaltado outras duas vezes no mesmo local, estava a caminho da escola. Também de manhã, um motorista que passava pela Avenida Brasil, nas imediações de Campo Grande, foi baleado numa tentativa de assalto.

Na Cidade de Deus, uma das primeiras comunidades a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 2008, o terceiro dia de tiroteios assustou moradores e impediu que mais de 2 mil alunos de 11 unidades da rede municipal de educação fossem às aulas. Para a população, a sensação é de que não há lugar seguro no Rio. Os crimes acontecem nas ruas, dentro de casa, de escolas, de túneis, nas imediações de estádios, em brigas de trânsito e até no útero materno, como foi o caso do bebê Arthur. Impressiona como as tragédias se sucedem sem que autoridades esbocem reação. As medidas adotadas revelam-se tímidas e de pouco efeito.

É verdade que o Estado do Rio atravessa uma das maiores crises financeiras de sua história, problema que afeta todos os setores, inclusive o de segurança. Mas a penúria não pode ser pretexto para a inércia. Se há poucos recursos, é preciso, mais que nunca, aplicá-los melhor. Ademais, autoridades de segurança têm de rever suas estratégias, porque, claramente, as que estão aí não estão dando resultado. É necessário também melhorar o policiamento ostensivo. Quando bandidos fecham um dos principais túneis da cidade, apostam na falta de vigilância.


É fundamental ainda a ajuda da União, especialmente para coibir a entrada de drogas e armas no estado. O prometido Plano Nacional de Segurança, que usaria o Rio de Janeiro como laboratório para o país, pouco avançou.Parte desse plano, o envio de 380 policiais rodoviários federais ao Rio, para atuar no combate ao roubo de cargas em rodovias que cortam o estado, é bem-vindo. Mas é ação pontual, que não ataca as causas do problema. Até porque, no início do mês, a Polícia Rodoviária Federal suspendeu o patrulhamento em rodovias de quase todo o país, devido ao corte de mais de 40% no orçamento. Com isso, rotas por onde circula grande quantidade de drogas e armas ficaram mais vulneráveis.  Sem um plano nacional de segurança, que priorize a inteligência e as ações integradas entre todos os níveis de governo, para barrar a entrada de drogas e reduzir o arsenal dos bandidos, dificilmente essa guerra será vencida. [o 'norte' desse Plano Nacional de Segurança deverá ser: "bandido bom, é bandido morto'.]

Fonte: O Globo

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