Este espaço é primeiramente dedicado à DEUS, à PÁTRIA, à FAMÍLIA e à LIBERDADE. Vamos contar VERDADES e impedir que a esquerda, pela repetição exaustiva de uma mentira, transforme mentiras em VERDADES. Escrevemos para dois leitores: “Ninguém” e “Todo Mundo” * BRASIL Acima de todos! DEUS Acima de tudo!
Um padre petista resolveu "causar" ao criticar alguns jogadores de futebol que foram ao restaurante mais caro de carne para degustar do famoso "filé de ouro", um bife literalmente folheado a ouro (cada um com suas manias esquisitas). O ato seria prova de insensibilidade num mundo onde tanta gente é pobre e passa até fome, alega o sensacionalista.
Como entre os jogadores havia figuras que não fizeram o L, foi a senha para que a esquerda caviar caísse em peso em cima deles. "Monstros, insensíveis, capitalistas!" O UOL esquerdista destacou em sua chamada: Bife de ouro provado por jogadores na Copa custa até R$ 9 mil. E daí? E se o sujeito que tem milhões, por mérito próprio, resolve torrar uma fortuna num bife:qual o problema? Podemos achar desperdício, mas a riqueza é um conceito relativo: dez mil reais para o Ronaldo é muito menos do que R$ 100 para a imensa maioria. E ele não roubou ninguém...
É aqui que reside o cerne da questão:a esquerda é hipócrita, e não se incomoda com o luxo em si, com o desperdício, com a desigualdade, com o exibicionismo, mas somente com quem está desfrutando dessas benesses. Se for um ditador socialista como Nicolás Maduro, por exemplo, a esquerda não acha nada demais, não condena, não reclama.
Quando o humorista Fabio Porchat, que fez o L, postou um vídeo no mesmo restaurante curtindo o mesmo filé de ouro, seus coleguinhas da esquerda não meteram o malho nele. Não é o bife que incomoda, não é a ostentação, não é a desigualdade: é quem está se mostrando ou abusando das vantagens capitalistas.
O que deveria incomodar padres esquerdistas e demagogos em geralnão é jogador rico com seu próprio trabalho comer filé de ouro, e sim o Lula ladrão do povo tomar vinho de R$ 6 mil, como o petista fez várias vezes.
Lula é multimilionário sem ter produzido nada de útil na vida! [o aborto é proibido, mas a inutilidade do Lula, hoje, antes e no futuro, é tão patente, que ele tivesse sido abortado o Brasil teria sido menos prejudicado. Ousamos supor, como CATÓLICOS, que até a religião Católica que é contra o aborto levaria tal beneficio como atenuante.] A riqueza de Lula é que deveria deixar a esquerda indignada, se ela fosse coerente e sincera.
Danilo Gentili apontou para a hipocrisia da turma: "Um come carne com ouro usando o próprio dinheiro que ganhou graças ao seu trabalho e talento. Outro come a mesma carne usando o dinheiro do povo que deixou morrendo de fome. Apenas um deles recebeu críticas dos nosso iluminados jornalistas do bem. Adivinhem qual?"Gentili se referia a Maduro, o companheiro do PT.
Joel Pinheiro, o esquerdista que se finge liberal, rebateu: "Acho bobo o escarcéu condenatório ao bife de ouro. Mas há diferenças que explicam o tratamento diferente: Maduro não é uma referência, um modelo, para a sociedade. A seleção, sim". Joel é café com leite, um bobinho que só fala besteira. Se o problema é esse, então troca Maduro por Lula: por que a ostentação luxuosa de Lula não incomoda?
No mais, qual modelo para a sociedade é melhor: aquele que diz que correr atrás dos sonhos e se destacar rende bons frutos, ou aquele que diz que roubar a sociedade em nome do socialismo é uma maravilha? O namorado da Fátima Bernardes postou esses dias que torce para times "colonizados" e de países mais pobres na Copa, por "reparação social". Além da ignorância histórica, que ignora que impérios como o britânico levaram progresso para muitas colônias (e basta comparar com países vizinhos que não foram colonizados), a demagogia parte da premissa de economia como jogo de soma zero: o rico é rico porque o pobre é pobre, toda riqueza é fruto de exploração, uma "tese" absurda leninista.
Quem entende que riqueza não é um bolo fixo, não vai se importar com os ricos gastarem suas fortunas com seus mimos, luxos e manias esquisitas. Eu jamais comeria um bife de ouro de quase dez mil reais, mas alguém milionário degustar tal "iguaria" em nada muda minha vida, não me torna mais pobre, não me ofende, não é um problema meu. Liberdade!
Não
sou de esquerda porque essa posição ideológica é baseada em três
crenças equivocadas: a de que totalitarismo produz liberdade, a de que a
distribuição da riqueza é mais importante que sua criação, e a de que o
Estado deve dirigir nossas vidas nos mínimos detalhes.
Essas
crenças são a base do comunismo e do socialismo, que são a mesma coisa:
sistemas filosóficos, morais e políticos mórbidos, usados por psicopatas
e aventureiros para transformar o ser humano em um farrapo corroído por
fome, miséria e degradação.
Esse é o resumo breve do que é “esquerda”.
Faltou
dizer que a esquerda sempre contou com o apoio dos intelectuais e, por
isso, tem um marketing incomparável: foi assim que uma ideologia
totalitária, violenta e empobrecedora se tornou promotora da “justiça
social”(seja lá o que for isso) e ganhou o apelido de “progressista”.
Quando as
revoluções sangrentas saíram de moda, a esquerda abraçou as bandeiras
das minorias, do feminismo e da ecologia para se manter no poder.
Percebam a ironia de ter esquerdistas liderando movimentos feministas,
antirracistas e ecológicos: basta contar quantos negros já foram
presidentes de Cuba ou Venezuela, quantas mulheres já foram chefes do
Partido Comunista Russo ou Chinês, ou lembrar do desastre ambiental da
China e da usina nuclear russa de Chernobyl.
Todo os
regimes comunistas da história foram ditaduras. NÃO HÁ UMA ÚNICA
EXCEÇÃO. Opositores são perseguidos, presos, torturados e mortos. Os
países são cercados de muros para que ninguém escape.
Apesar
disso, o comunismo ainda é apresentado como o regime da solidariedade e
do amor, onde“cada um dá o que pode e recebe o que precisa”.O comunismo
é um remédio que mata 100% dos doentes, mas que continua sendo vendido
até para crianças.“Pode confiar”, diz o fabricante. “Da próxima vez vai
dar certo”.
Essa
mentira assombrosa é divulgada nas artes plásticas, na literatura, na
arquitetura, no teatro, no cinema e na TV como verdade. Livros
escolares usados por nossos filhos plantam, em suas mentes imaturas, uma
ideia que significará, para muitos, uma vida de frustração, revolta
vazia, vício e pobreza.
Escolas de
direito doutrinam futuros juízes, promotores e defensores públicos no
ódio ao capitalismo e à prosperidade, e na promoção de um Estado
intervencionista, autoritário e onipresente. O
esquerdismo, socialismo ou “progressismo” é isso: um equívoco moral e
lógico, um instrumento de violência e opressão, e uma armadilha
emocional e intelectual, glamourizada, divulgada e promovida pelos
segmentos mais influentes e charmosos da sociedade.
Quem paga o preço disso são os que não podem se informar ou se defender.
Como disse Theodore Dalrymple, “os pobres colhem o que os intelectuais semeiam”.
E é por isso que eu não sou de esquerda.
Transcrito do site Percival Puggina - Publicado na página do autor no Facebook
Já fui processado pelo PT por chamar o partido de quadrilha, e venci. Afinal de contas, teve ministro supremo que assim definiu a agremiação política comandada por Lula, à época do mensalão e do petrolão. Hoje muita gente tenta passar uma borracha no passado, mas eu tenho memória - e decência.
Portanto, sejamos francos: o PT parece muito uma quadrilha. E quadrilha não tem aliados, mas cúmplices, comparsas.
O que une figuras como Renan Calheiros em torno de Lula é a sede por recursos públicos, poder, nada mais.
Não há um projeto de nação; apenas um projeto de poder totalitário.
Os monstros do pântano já estão salivando com a expectativa de agarrar nacos do estado no próximo governo. Eis o "plano de governo" de Lula, que sequer foi apresentado durante a campanha:tomar de assalto o estado e promover a divisão do butim entre seus companheiros. Estão todos de olho na pilhagem da coisa pública, tratada como cosa nostra por essa máfia golpista.
É por isso que torneiras serão abertas, o teto será furado e os ministérios serão ampliados. É preciso dar conta dos "acordos",leia-se negociatas de bastidores para atrair o apoio da tal "frente ampla", que não quer democracia coisa alguma, e sim a volta da roubalheira. O ladrão queria voltar à cena do crime, alertou Alckmin antes de aderir ao esquema.
É por isso que teremos a recriação de inúmeros ministérios, para acomodar os apaniguados, oferecer os cabides de emprego, os recursos e o poder aos companheiros.
Lula já indicou que dividirá o Ministério da Economia em três pastas: Planejamento, Fazenda e Pequenas Empresas. O mesmo deve ocorrer com Igualdade Racial, Direitos Humanos e Mulher, [esses três ramos seriam perfeitamente atendidos como subsecretarias de uma Secretaria do Ministério da Cidadania.] também unificados no governo Bolsonaro. Previdência Social e Segurança Pública também devem ganhar status de ministério, além de Pesca (hoje anexada à Agricultura) e Cultura (que integra a estrutura do Turismo).[lembrem-se que nos tempos da quadrilha petista, Ideli Salvati, então titular da Pesca, comprou lanchas para serem utilizadas em serras.
Já imaginamos o trabalho que o Lúcio Vaz - Blogueiro da Gazeta do Povo, que cuida dos gastos públicos, indo das lagostas consumidas pelos supremos do STF a outros desperdícios - irá ter após o eleito se transformar em empossado.]
Além disso, Lula já prometeu criar o ministério dos Povos Originários, "para que eles nunca mais sejam desrespeitados, para que eles nunca mais sejam tratados como cidadãos de segunda categoria". Finge acreditar nessa narrativa fajuta quem quer, pois nós sabemos o que realmente está em jogo aqui.[o eleito deveria era cuidar para que os indios, brasileiros que são, passem a ter os mesmos DEVERES, DIREITOS e OBRIGAÇÕES dos brasileiros = são todos brasileiros.]
Os nomes que começam a ser aventados como futuros ministros denunciam a trama. Fala-se até em Guilherme Boulos como ministro, e das Cidades ainda por cima! [o individuo citado, especialista em convencer incautos a participarem de invasões nas cidades e após concretizada a invasão, tal individuo passa a receber aluguel dos babacas que o ajudaram na empreitada criminosa.] É a invasão de propriedade como política de governo!
O nome de João Pedro Stédile também circulou,[outro bandido que sob o governo Bolsonaro colocou o rabo entre as pernas, passando a andar de 'quatro', agora quer voltar; aliás, o que mais se observa no CCBB, local da transição, é a abundância de defuntos petistas voltando = verifiquei uma lista e mais parecia relação de bandidos procurados.] possivelmente como o bode na sala, para acharmos mais palatável nomes como o de Fernando Haddad depois.
Mas todos os nomes levantados como balão de ensaio são péssimos, e exalam o critério do "companheirismo", ou seja, um prêmio pelo apoio, não uma escolha minimamente técnica e com espírito público.
É pura divisão do butim, nada mais.
No passado recente foi igual, e vários desses companheiros do alto escalão terminaram presos. [quando se aglomeram, a maior parte deles, a quase totalidade, não resiste a testar a forma para roubar, especialmente celulares (prática delituosa que o eleito já condenou ser motivo de prisão para seus praticantes) tanto que, o índice de furto de celulares naquela região, está em alta - obviamente, que não comunicam às autoridades policiais os furtos que estão ocorrendo.] Acho pouco provável ser diferente dessa vez - se a Justiça ainda puder funcionar de forma minimamente independente.
O PT é um atraso para o Brasil, um retrocesso sem igual. O "partido"se cerca do que há de pior, pois o único intuito é se apropriar da riqueza que os outros produzem. São como piratas, mas com o manto de "justiça social" para enganar um ou outro trouxa por aí.
Quem condena a riqueza, dissemina a pobreza. Sem riqueza não há poupança e
sem poupança não há investimento.
Sem investimento, consomem-se os
capitais produtivos preexistentes, surge uma economia de subsistência,
vive-se da mão para a boca, aumenta o número de bocas e diminui o número
de mãos.
Quem defende o socialismo sustenta que a ideia é exatamente
essa e que assim não há competição ou meritocracia, nem desigualdade.
E
como diz Lula criticando a classe média, ninguém precisa de dois
televisores...
Quando o
Leste Europeu estava na primeira fase, consumindo os bens produtivos
preexistentes, surgiu a teologia da libertação (TL), preparada pelos
comunistas para seduzir os cristãos.
A receita -uma solução instável,
como diriam os químicos, de marxismo e água benta - se preserva ainda
hoje.Vendeu mais livros do que Paulo Coelho. Em muitos seminários
religiosos, teve mais leitores do que as Sagradas Escrituras.
Aninhou-se, como cusco em pelego, nos gabinetes da CNBB.
Perante a
questão da pobreza,a TL realiza o terrível malabarismo de apresentar o
problema como solução e a solução como problema. Assustador? Pois é.
Deus nos proteja desse mal. Amém.
A estratégia é
bem simples. A TL vê o “pobre” do Evangelho, sorri para ele, deseja-lhe
boa sorte, saúde, vida longa e passa a tratá-lo como “oprimido”.
Alguns
não percebem, mas a palavra “oprimido” designa o sujeito passivo da
ação de opressão.
O mesmo se passa quando o vocábulo empregado na
metamorfose é “excluído”, sujeito passivo da exclusão.
E fica sutilmente
introduzida a assertiva de que o carente foi posto para fora porque
quem está dentro não o quer por perto.
Então ele ganha R$ 50 para ficar
na esquina agitando bandeira de algum partido vermelho, por fora ou por
dentro.
A TL
proporciona a mais bem sucedida aula de marxismo em ambiente cristão.Aula matreira, que, mediante a substituição de vocábulos acima descrita,
introduz a luta de classes como conteúdo evangélico, produzindo o
inconfundível e insuperável fanatismo dos cristãos comunistas.
Fé
religiosa fusionada com militância política!
Dentro da Igreja, resulta
em alquimia explosiva e corrosiva; vira uma espécie de 11º mandamento
temporão, dever moral perante a história e farol para a ordem econômica.
É irrelevante o conhecimento prévio de que essa ordem econômica anula
as possibilidades de superar o drama da pobreza.
A TL substitui o amor
ao pobre pelo ódio ao rico e acrescenta a essa perversão o inevitável
congelamento dos potenciais produtivos das sociedades.
Todos sabem
que Frei Betto é um dos expoentes da teologia da libertação. Em O
Paraíso Perdido (1993), ele discorre sobre suas muitas conversas com
Fidel Castro.
Numa delas, narrada à página 166, a TL era o assunto.
Estavam presentes Fidel, o frei e o “comissário do povo”, D. Pedro
Casaldáliga, que foi uma espécie de Pablo Neruda em São Félix do
Araguaia.
Em dado momento, o bispo versejador comentou a resistência de
João Paulo II à TL dizendo: “Para a direita, é mais importante ter o
Papa contra a teologia da libertação do que Fidel a favor”. E Fidel
respondeu: “A teologia da libertação é mais importante que o marxismo
para a revolução latino-americana”.
Haverá maior e melhor evidência de que teologia da libertação e comunismo são a mesma coisa?
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto,
empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores
(www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país.
Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia;
Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A especialização genética brasileira para a zona
intertropical garante ganhos em rusticidade, adaptação ao calor,
eficiência e qualidade
Bovino da raça nelore, originária da Índia. Representa 85% do gado
brasileiro para produção de carne | Foto: Shutterstock
O Brasil é um país pecuário e cristão.Além de carne e leite, o sucesso
da pecuária tropical brasileira se projeta aos poucos através da
genética, da venda de sêmen, óvulos e embriões. Só em 2021 foram
comercializados cerca de 29 milhões de doses de sêmen bovino no Brasil. A
inseminação artificial tem sido fundamental no melhoramento genético da
pecuária.
Pecuária vem da raiz latina pecua (termo coletivo para gado,
rebanho), a mesma na origem de pecúlio. Na Roma antiga, o pecúlio era a
pequena parte do rebanho deixada em pagamento ao escravo responsável
pela sua guarda, por oposição ao peculiar: a parte própria do rebanho do
proprietário. Essa palavra evoluiu para o sentido de específico ou
próprio. Pecúnia vem da mesma raiz. Na origem, designava riqueza em
animais, posteriormente em dinheiro, por extensão, moeda e ainda
honorários, primitivamente pagos com animais. Com o tempo, pecuniário,
significado latino de rebanho, estendeu-se para dinheiro. Resumo: bovino
igual riqueza.
O Brasil é cristão, e a Bíblia prefere pecuaristas a agricultores. C´est la vie.
Desde os relatos míticos do Gênese, o pecuarista Abel tem os favores
divinos em face do agricultor Caim (Gn 4,3). Na vida nômade original dos
hebreus, os arquétipos, símbolos e imagens da pecuária predominam sobre
os agrícolas.
A palavra pastor aparece cerca de 90 vezes na Bíblia, tanto
no sentido próprio como no figurado. Deus é assemelhado a um pastor,
como no conhecido Salmo 23. O próprio Jesus se apresentou como bom
pastor, abrigo de suas ovelhas (Jo 10). Seu primo João Batista o chamou
de Cordeiro de Deus (Jo 1,29). E, ao deixar este mundo, Jesus encarregou
a Pedro, por três vezes, de apascentar o seu rebanho e o seu gado (Jo 21).
Em igrejas protestantes e evangélicas, pastor designa o líder da
comunidade. Na Igreja Católica, o termo é próprio dos bispos. Eles têm
no cajado ou báculo de pastor um dos símbolos episcopais, desde os primórdios do Cristianismo. No século 4, o báculo já era usado por bispos.
Cristianismo e pecuária começaram juntos no Brasil. Em 1500, para os
descobridores, na Terra de Santa Cruz parecia não haver agricultura nem
pecuária. Em sua carta, Pero Vaz de Caminha assinalava: “(os índios)não
lavram, nem criam, nem há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha,
nem galinha, nem nenhum outro animal acostumado a viver com os homens”.
Para atender às necessidades básicas de alimentação, saúde e
vestimenta, os portugueses introduziram e aclimataram espécies vegetais e
animais. As da pecuária foram todas importadas: galinhas, patos,
gansos, abelhas, coelhos, jumentos, burros, búfalos, cavalos, ovinos,
caprinos e bovinos. Quanto às necessidades espirituais, a Igreja
evangelizou indígenas e povoadores.
Já lá se vão cinco séculos. Nos últimos 30 anos, graças à evolução
tecnológica, o rebanho bovino aumentou 13% e a produção de carne 108%! A
produtividade avançou 147%. A produção nacional de leite ultrapassa 35
bilhões de litros/ano e coloca o país em terceiro lugar no ranking
mundial. E nesse período houve redução na área de pastagens. Todo ano
diminui a área das pastagens no Brasil, ao contrário do propalado por
alguns.
Para a Embrapa,
uma das maiores contribuições para revolucionar a pecuária foi a
melhoria genética. A introdução e a seleção do zebu da Índia resultaram
na genética diversificada do rebanho. Avanços continuam: inseminação
artificial, fecundação in vitro, produção de embriões e clonagem animal. De importador de bovinos, o país passou a exportador de genética bovina superior.
A comercialização de doses de sêmen para cliente final, a exportação e
a prestação de serviços cresceram 21% em 2021. Foram 28.706.330 doses
de sêmen, contra 23.705.584 em 2020, segundo a Associação Brasileira da Inseminação Artificial (Asbia).
Em 2021, as vendas de genética para o cliente final aumentaram 18%.
Foram 25.449.957 doses vendidas no país, contra 21.575.551 em 2020. O
sêmen de raças de corte aumentou 22%. O setor leiteiro cresceu 6%,
segundo a Asbia, e a prestação de serviço 47%: 2.390.636 doses de sêmen
bovino, contra 1.621.937 em 2020. Em 2021, a inseminação artificial foi
usada em 4.463 municípios (80% dos existentes), aumento de 4,1% sobre
2020.
Se o material genético de raças leiteiras é o mais vendido no exterior, a demanda por bovinos de corte está crescendo
Os touros selecionados são levados a centros especializados para
coleta do sêmen, com análise apurada de qualidade e sanidade. De cada
procedimento são produzidas em média 500 doses. A coleta em 2021 somou
23.919.732 doses e cresceu 61% em relação a 2020 (14.899.623 doses).
Além da inseminação, a transferência de embriões cresce no Brasil. A
produção começa nas fazendas, com a retirada dos óvulos de fêmeas
selecionadas, para serem fertilizados in vitro em centros
especializados. Fêmeas fornecedoras de óvulos têm grande valorização. A
vaca da raça nelore Viatina FIV Mara Móveis teve 50% de sua propriedade
vendida, por R$ 3,99 milhões, em Uberaba (MG), durante a 87ª ExpoZebu. Uma valorização recorde de R$ 7,98 milhões, a maior já obtida por um nelore.
Os embriões obtidos são implantados em vacas receptoras (mães de
aluguel). E podem ser preservados por décadas, como o sêmen. Locais
afastados se beneficiam do melhoramento genético pela inseminação
artificial e pela transferência de embriões, mesmo sem touros de
qualidade na região.
Quanto à exportação de genética bovina, em 2021 foram vendidas no
exterior 865.737 doses de sêmen, contra 508.096 em 2020, um crescimento
de 70%. Para 2022, o Brasil deve exportar mais de 1 milhão de doses,
fruto da valorização do sêmen e da genética obtida no país.
O faturamento na exportação de sêmen aumentou 22% em 2021: R$ 1
bilhão. Incluindo embriões bovinos, além do sêmen, o valor atinge R$ 1,3
bilhão, crescimento de 35% em relação a 2020. Com o credenciamento de
novas empresas de genética bovina para exportar e o aumento do preço
médio da dose de sêmen, o setor deve alcançar R$ 1,5 bilhão no mercado
externo em 2022.
Se o material genético de raças leiteiras é o mais vendido no
exterior, a demanda por bovinos de corte está crescendo. A exportação de
material genético é acompanhada pelo Ministério da Agricultura,
seguindo o protocolo sanitário do país importador. Grande parte das
certificações é dada por centros de coleta habilitados. O Instituto
Biológico de São Paulo tem o único laboratório credenciado pelo Inmetro
para testes específicos de sanidade de sêmen, como estomatite vesicular,
leucose bovina, rinotraqueíte infecciosa bovina e diarreia viral
bovina.
A variada especialização genética brasileira para a zona
intertropical garante ganhos em rusticidade, adaptação ao calor,
resistência a doenças e parasitas (carrapatos, moscas e bernes),
desempenho, eficiência e qualidade. Isso impulsiona a produção e a
exportação de sêmen e embriões de bovinos de corte e leite para a
América Latina, além de vendas a países africanos, asiáticos e do mundo
árabe. Conquista recente foi o acordo sanitário com o Suriname. Há mais
mercados abrindo-se em 2022.
O gado gir é de origem indiana. O Programa Nacional de Melhoramento
do Gir Leiteiro é uma parceria da Embrapa com a Associação Brasileira
dos Criadores de Gir Leiteiro, iniciada há 37 anos. Ele obteve uma
genética superior, e a produção média de leite praticamente dobrou em 30
anos. A cooperação com a Índia avança com a Embrapa Gado de Leite.
Técnicos hindus foram treinados, e a Embrapa auxiliou na montagem de
um laboratório de reprodução animal na Índia. Os pesquisadores
brasileiros produziram e transferiam os primeiros embriões obtidos por
tecnologia de fertilização in vitro. Resultou no nascimento de duas bezerras, uma da raça gir e outra sahiwal, na cidade de Anand. O sucesso foi destaque no The Times of India, um dos mais tradicionais jornais da Índia.
Além da demanda da Índia pela genética do gir leiteiro, outros países
tropicais (Colômbia, Bolívia, Equador, Guatemala, República Dominicana,
Panamá e Costa Rica) formalizam parcerias. Israel é um mercado
promissor.
Em cinco séculos, o Brasil tornou-se o maior país cristão da Terra e
líder na produção bovina. Paradoxo, agora há gente torcendo e
trabalhando para um retorno ao Neolítico: um Brasil sem cristãos nem
bois. Cristãos, bois e pecuaristas enfrentam ataques de toda natureza.
Contudo, os pecuaristas prosseguem. Aboiam e tocam seu gado, com fé e
trabalho. Alimentam o mundo. Com o melhoramento genético, mais
pecuaristas conseguem, além da produção de carne e leite, aumentar sua
renda com a venda de sêmen e embriões, aqui e no exterior. Mais pecúlio,
sem peculato. Para honra e glória dos bovinos.
Falar em garimpo, tão hostilizado por certos intelectuais da
cidade, é falar em descoberta de riqueza, em soberania, em economia, em
questão social
Antes de embarcar para Moscou, o presidente assinou
decreto que instituiu um programa de apoio ao garimpo. No mesmo dia,
recebi da região do Cripuri, que é um afluente do Tapajós, imagens de um
helicóptero atacando com foguetes incendiáriosas instalações de um
garimpo.Eram imagens que fazem lembrar napalm noVietnã.
Isso no
mesmo dia do anúncio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da
Mineração Artesanal e em Pequena Escala. Um nome comprido para não
confundir com atividade mineradora industrial. O objetivo do programa é
tirar o garimpo da ilegalidade e, com isso, controlar as áreas,
fiscalizar de forma transparente o meio ambiente, legalizar o comércio
do ouro, prestar assistência de saúde e educação às famílias de
garimpeiros. O decreto regulamenta o que ficou fora da lei de 1989, que
tratou do assunto.
Já andei em garimpo, onde só se chega de avião em pista
improvisada. A vida por lá é duríssima, e arriscados os resultados. Os
ambientalistas e as forças policiais vêm batendo nos garimpeiros.[a maior parte dos ambientalistas e suas ONGs defendem,servem a interesses estrangeiros - são uns vendidos.]
No
entanto, a História mostra que devemos a eles a expansão do nosso
território. A eles, aos bandeirantes e às patas do boi.
Os Estados
Unidos se tornaram potência por chegarem à costa do Pacífico por causa
da corrida do ouro, a ponto de tirar a Califórnia dos mexicanos. E
ficaram com poder no Atlântico e no Pacífico.
No Brasil, além do boi,
foi o ouro das Minas Gerais, as esmeraldas de Goiás, os bandeirantes que
entraram por São Paulo e para o Sul, até as Missões jesuíticas
espanholas.
Os garimpeiros brasileiros, há séculos, marcam a nossa
soberania na Amazônia.
Falar em garimpo, tão hostilizado por certos
intelectuais da cidade, é falar em descoberta de riqueza, em soberania,
em economia, em questão social. Em geral, são nordestinos, para realizar
sonhos. Gente boa, trabalhadora, cumpridora de palavra.
Enquanto
fechamos os olhos para uma realidade — como alerta o vice -presidente
Mourão —, índios vendem diamantes via Bolívia, por exemplo. O
ex-ministro Aldo Rebelo, que já foi do PCdoB, afirma que algumas das
maiores jazidas do mundo em diamantes estão nas margens do rio
Roosevelt, reserva dos Cintas-Largas, em Rondônia.
E o Brasil nada ganha
com isso. Todo mundo sabe que os garimpeiros que estão em reservas já
fizeram sociedade com os indígenas, mas legalizar depende de lei.
Enquanto isso, as pedras brasileiras são lapidadas nos Países Baixos.
Ironicamente, enquanto era anunciado o decreto, no
mesmo dia garimpeiros eram atacados pelo fogo vindo do céu,destruindo
suas casas, máquinas e sonhos, como se o Brasil oficial estivesse em
guerra contra eles. O ataque não foi sequer em área indígena, mas na
região conhecida como Galdeano. Uma reedição do que aconteceu com 61
balsas queimadas no Rio Madeira, onde os garimpeiros moravam com suas
famílias. Isso no dia do anúncio do programa de apoio ao garimpo,
confirmando a Constituição, que no art. 174, §3º e 4º, determina
favorecer a organização da atividade garimpeira em cooperativas.Ficou
estranha a violenta ofensiva no mesmo dia do anúncio do programa. Seria
para queimá-lo?
Como pode um senador não receber uma notificação? Como pode a Mesa Diretora da Casa desacatar uma decisão do Supremo?
A balbúrdia
criada pela decisão monocrática do ministro Marco Aurélio, afastando o
senador Renan Calheiros da presidência do Senado, seguida pela decisão
da Mesa Diretora desta Casa em não seguir a decisão judicial, assim como
a não validação desta liminar pelo Plenário do Supremo, é uma amostra,
particularmente sofrível, da crise institucional na qual o país está
mergulhado.
Seria simplesmente hilário se não expusesse a gravidade de nossa situação. Não dá para rir, embora seja cômico. Não
há vencidos nem vencedores, embora alguns especialmente vaidosos
queiram se atribuir tal protagonismo. Quem perde é o Brasil, vítima de
manobras irresponsáveis, que em nada contribuem para tirar o país do
buraco no qual foi lançado pelo lulopetismo.
Satisfazer-se com as
dificuldades do governo Temer só mostra pequenez de espírito e, na
verdade, o que também se poderia denominar de falta de patriotismo,
falta de cuidado e preocupação com o bem coletivo. O Brasil ficou para
trás.
Recapitulemos alguns fatos que nos mostram a forte
repercussão de todo esse processo. Seriam simplesmente episódios de uma
ópera bufa, não fossem seus intensos efeitos no agravamento da crise. É
inconcebível que o Supremo e o Senado tenham se prestado a tal pantomima.
O ministro Marco Aurélio proferiu uma decisão
monocrática, em caráter de liminar,sobre um assunto já em pauta no
Supremo, aos cuidados do ministro Toffoli, que tinha pedido vistas ao
processo. Tratou-se de uma clara ingerência em assunto a cargo de outro
colega, que estava dentro do prazo, evidenciando uma disputa interna na
Corte. Ademais, não havia nenhuma urgência no caso, pois o
senador Renan Calheiros só teria — e terá — efetivamente mais 15 dias no
exercício da presidência do Senado, pois a Casa entra logo em recesso e
novas eleições ocorrerão em fevereiro. [o ministro Marco Aurélio também tripudiou sobre as leis - as quais todos estão sujeitos, incluindo os ministros do Supremo (a única diferença entre a gravidade de desobedecer uma lei entre um bêbado caído na sarjeta e um ministro do Supremo é ser a falha do ministro, por ser possuidor de notório saber jurídico, mais grave do que a do pé inchado.) ao desobedecer a Lei nº 9.882 que determina em seu artigo 5º, 'caput', que liminar em ADPF só pode ser concedida pela maioria absoluta dos ministros do STF. E, mesmo com sua imensa vaidade, o ministro Marco Aurélio não é maioria em 11 ou em 8 ministros.]
Foi um nítido açodamento
relativo a um processo contra o Senador que dorme há nove anos no
Supremo. Tanta pressa agora não faz nenhum sentido. Denota uma intenção
política. [a intenção política é mais que óbvia: dar um susto em Renan e conseguir que o alagoano desistisse de alguns projetos que não agradam a muitos.] Goste-se ou não do Senador Renan Calheiros, o fato
primeiro consiste em ser ele presidente do Senado. Ele é aqui uma figura
jurídico-institucional. Sua destituição por decisão monocrática e em
caráter liminar é uma arbitrariedade. Por outro lado, o senador deve
prestar contas à Justiça, porém não de uma maneira que ponha a perigo
nossas instituições.
Não se pode tampouco desconsiderar o efeito
político de uma decisão judicial de tal tipo. Tal efeito deveria ter
merecido cuidadosa atenção. Ela poderia ter interferido diretamente na
aprovação do segundo turno da PEC do teto e, também, na agora enviada
reforma da Previdência. As consequências de uma decisão judicial
deveriam fazer parte de sua própria elaboração.
Imagine-se um
vice-presidente petista, Jorge Viana, assumindo a presidência da Casa e
fazendo a política de seu partido. Poderia em muito prejudicar o governo
Temer e, acima de tudo, o país. Seria a política do quanto pior melhor!
Ressalte-se que o senador teve uma atitude responsável, porém seu
partido não segue esta linha. [além do que senador Jorge Viana também é réu em processo por improbidade administrativa, tirar Renan para Jorge Viana assumir, seria trocar seis por meia dúzia.] Ato seguinte desta esculhambação
foi a posição do presidente do Senado, secundado pela Mesa Diretora, de
não acatar a decisão monocrática do ministro Marco Aurélio. Se já ruim
estava, pior ainda ficou. O Supremo foi liminarmente desobedecido, como
se uma decisão sua não fosse para ser cumprida.
Como pode um
senador não receber uma notificação? Como pode a Mesa Diretora da Casa
simplesmente desacatar uma decisão do Supremo? Os poderes, nitidamente,
não mais se entendem. O precedente é perigoso. Pode ser o princípio da
desordem pública no nível propriamente institucional.
[por razões que só os legisladores podem explicar, mesmo nos tempos atuais (que tudo se torna público com uma rapidez imensa, seja pela internet, seja pela TV) uma decisão judicial exige que o réu seja formalmente notificado, através do ato de assinar a notificação ou publicação no Diário Oficial. Mesmo toda a torcida do Flamengo estando ciente que o réu tem conhecimento da decisão, não vale. No máximo, o que o oficial de Justiça pode fazer é na recusa do citado em assinar a notificação, ler o documento na presença do réu e de duas testemunhas. Por não ter ocorrido a notificação válida do Renan, ele não descumpriu decisão judicial. Quanto ao ato da Mesa Diretora do Senado se recusando a destituir Renan, foi uma reação que encontra amparo na ilegalidade da decisão do ministro Marco Aurélio e no detalhe que a Mesa em nenhum momento foi notificada, na forma da Lei, da decisão monocrática e também não era parte na pendenga.] O Plenário
do Supremo, diante deste imbróglio suscitado por um dos seus membros,
procurou uma saída política, em vez de estabelecer princípios
propriamente institucionais. Agora, a mais alta Corte do país passa
simplesmente a fazer política e não em fazer respeitar a Constituição.
Eis um resultado de seu ativismo! Em linguagem tortuosa, sem nível
propriamente jurídico, terminou por cassar a liminar, não tendo julgado
o mérito da questão, e manteve na presidência do Senado um senador que
descumpriu uma decisão do mesmo Supremo. [PARABÉNS ao ilustre professor Denis Lerrer Rosenfield, pela coragem de com todas as letras demonstrar de forma irrefutável claro no episódio errou o ministro Marco Aurélio, errou o Supremo, errou Renan (aliás Renan vive em erro permanente), errou o Senado. A coragem e eloquência do ilustre articulista é coisa rara nos dias atuais entre os que formam a grande imprensa.]
A saída política
traduziu-se por um apequenamento da instituição. Ou seja, o Supremo
deixou de ser uma instância recursal, um árbitro constitucional, para se
tornar parte de uma crise institucional. Isto é particularmente grave,
pois mostra um país à deriva. O processo de enfraquecimento das
instituições, evidenciado, no caso em questão, pelo Supremo e pelo
Senado, se dá em um contexto de profunda crise econômica e social, com o
PIB desabando, o desemprego tornando-se intolerável e havendo uma
quebra de expectativas em relação ao futuro imediato.
O
presidente Temer recebeu uma herança maldita. No início do seu governo,
talvez para evitar o confronto político em um quadro já suficientemente
tumultuado, não expôs com clareza a real situação do país. Agora,
corajosamente, está assumindo medidas que parecem impopulares, mas são
absolutamente necessárias para o reerguimento do país.
A PEC do
teto está na iminência de ser aprovada em segundo turno no Senado.A PEC
da Previdência foi também enviada nestes dias à Câmara dos Deputados e
já tramita rapidamente. Logo deverá ser enviada uma medida provisória
que trata da modernização da legislação trabalhista.
Reiteremos.
Não se trata somente do sucesso do governo Temer. Quem olhar a situação
sob este prisma sofre de miopia política. O que está em questão é o país
e a sua própria solvência.Não haverá distribuição social sem produção
de riqueza.O enfraquecimento das instituições que estamos
presenciando não é apenas um mau augúrio para o governo, que termina por
sofrer dos seus efeitos, mas também uma ameaça para a democracia. A
irresponsabilidade política também paga o seu preço.
Por: Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - O Globo
A nossa hipótese: nem o conselho nem ela mandavam. Lula decidia tudo. Mais de uma vez ele se vangloriou disso
Quando
deixou a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, em março
de 2010, Dilma Rousseff disse que se sentia muito feliz, orgulhosa e
grata pelo aprendizado. “Você tem uma nova visão de Brasil, vê a riqueza
do Brasil”, afirmou.
[Sardenberg: com todo respeito! essa mulher, que por duas vezes foi eleita presidente pelos idiotas dos brasileiros conseguiu a proeza de levar uma lojinha de R$ 1,99 a falência. Ela é incompetente e desonesta.]
Estava, pois, num posto privilegiado, onde
ficou sete anos.E como não viu os desastres cometidos na gestão da
empresa? Porque não foi apenas roubalheira. A Petrobras foi também
destruída por uma administração no mínimo temerária, que deixou
prejuízos bilionários para a companhia.
Eis dois exemplos bem
atuais. Na última terça, a Petrobras foi condenada no Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a pagar impostos e multas no
valor de R$ 7,3 bilhões. O Carf considerou irregulares duas operações
feitas em 2007 e 2008, nas quais a companhia colocou como despesa
operacional os aportes de R$ 6 bilhões que fizera para o Petros, fundo
de pensão dos funcionários. A despesa operacional abate do resultado e,
pois, reduz o imposto a pagar.
Dirão: mas é uma questão de contabilidade, não passa pelo Conselho de Administração. Errado.
Essa manobra — bilionária — aparece no balanço e tem de chamar a
atenção do conselho, pelo menos de um conselho minimamente atento. Outra:
na mesma terça passada, o ValorPro, serviço de informação on-line do
jornal “Valor Econômico”, informou que a Petrobras obteve um prejuízo de
US$ 1,95 bilhão na compra da refinaria de Okinawa, no Japão, efetuada
em 2008. O jornal teve acesso a um relatório da própria companhia. A
refinaria foi fechada, por inútil, no ano passado. Está à venda, mas não
apareceram compradores.
A compra se deu dois anos depois da
aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA — isso mesmo, aquela que deu
um prejuízo do mesmo tamanho, sem contar a roubalheira. Para os
dois negócios desastrosos, Dilma Rousseff, já como presidente da
República, deu a mesma explicação. O conselho havia autorizado as
compras com base em resumos executivos oferecidos pela diretoria.
Dois resuminhos e tudo bem? A
reportagem do ValorPro, assinada por Cláudia Schüffner, jornalista de
reconhecida competência nessa área, conta que a compra de Okinawa foi
intensamente debatida por quadros técnicos da estatal, muitos levantando
dúvidas e restrições. Não devem ter aparecido nos resuminhos.
Quem
começou o negócio de Okinawa foi Nestor Cerveró. Quem fechou foi Jorge
Zelada, ambos apanhados pela Lava-Jato. Assim como os envolvidos com
Pasadena, Paulo Roberto Costa e Renato Duque.
Foi também durante o
período de Dilma no Conselho de Administração que a Petrobras decidiu
construir quatro refinarias, as de Pernambuco (Abreu e Lima), do Rio
(Comperj) e as duas “premium” do Maranhão e Ceará. Estas últimas foram
canceladas no ano passado. Os projetos, considerados inviáveis técnica e
economicamente, custaram cerca de R$ 3 bilhões.
As outras duas
refinarias, em construção, tiveram orçamentos estourados em bilhões de
reais, estão incompletas, projetos sendo revistos e com a estatal
procurando sócios novos. Quatro desastres, não é mesmo? De novo, sem contar a roubalheira já demonstrada pela Lava-Jato.
Como tudo isso pode ter passado batido pelo Conselho de Administração? Como Dilma, a gerente, não ficou em cima desses projetos? A
nossa hipótese: nem o conselho nem Dilma mandavam.O então presidente
Lula decidia tudo. Mais de uma vez Lula se vangloriou disso, de ter
determinado que a Petrobras tivesse mais “ousadia” e mais “patriotismo”
nos seus investimentos.
Mas isso apenas explica, não elimina a
responsabilidade de Dilma Rousseff como presidente do conselho. Digamos
que não fosse possível ou fosse muito difícil apanhar as propinas que
rolavam por baixo do pano. Mas certamente era possível, e até fácil,
desconfiar dos projetos, dos negócios e dos valores envolvidos. Ou da
estratégia: construir quatro grandes refinarias ao mesmo tempo? Ela
tinha que saber.
O que leva a outra questão, a do momento:o que
Dilma sabia ou devia saber sobre suas duas campanhas eleitorais?Ela foi
designada candidata por Lula. A engrenagem de Lula montou as duas
campanhas com João Santana. Sim, Dilma escolheu alguns colaboradores
seus na campanha e no governo, mas a gestão de tudo foi sempre dividida
com Lula e seu entorno.
Com a repetição de denúncias de caixa dois
e dinheiro de propina nas campanhas, de duas, uma: ou Dilma sabia e
deixou passar, ou não sabia e Lula é o responsável por tudo. Mesmo neste
caso, porém, como na Petrobras, nada elimina a responsabilidade da
presidente.
Na melhor das hipóteses para ela, Dilma cometeu um
equívoco fatal para o país.Ali onde ela teria visto “a riqueza do
Brasil” estava a maior corrupção da história do país e uma gestão
destruidora.
Por: Carlos Alberto Sardenberg, jornalista - O Globo