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segunda-feira, 20 de março de 2023

O vírus de laboratório e a notícia de mentira - Revista Oeste

Paula Schmitt

A possibilidade da origem laboratorial do Sars-Cov2 não é novidade para pessoas com algum discernimento — jornalistas sérios tentam debater sobre essa teoria desde o começo da pandemia 

 Instituto de Virologia em Wuhan, China | Foto: Wikimedia Commons

Instituto de Virologia em Wuhan, China | Foto: Wikimedia Commons 

Agentes da censura disfarçados de jornalistas tiveram dias difíceis nas últimas semanas. Ao contrário do que era defendido pelos traficantes de versões oficiais, a pandemia pode sim ter tido origem no laboratório de Wuhan, e não no mercado de animais na mesma cidade. 
Quem defendeu a tese dessa vez foi o Departamento de Energia, um dos órgãos da chamadacomunidade de inteligênciados EUA, um grupo de departamentos encarregado de investigações relacionadas à segurança nacional e à política externa.

De acordo com reportagem exclusiva do Wall Street Journal do dia 26 de fevereiro, o Departamento de Energia mudou de opinião, e agora se junta ao FBI “em dizer que o vírus provavelmente se espalhou através de um erro em laboratório chinês”. O WSJ fala ainda que a “conclusão do Departamento de Energia é resultado de nova inteligência [novas informações] e é significativo, porque essa agência tem considerável especialização científica e monitora uma rede de laboratórios norte-americanos, alguns dos quais conduzem pesquisa biológica avançada”.

Para jornalistas sérios que passaram os últimos anos sendo perseguidos por meramente contemplar a possibilidade de origem laboratorial do vírus, a notícia pode trazer um certo consolo. 
Mas, para jornalistas ainda mais sérios que não se contentam em ter suas teses potencialmente confirmadas, é impossível ignorar um detalhe interessante na reportagem do Wall Street Journal: as agências de inteligência incumbidas de investigar a origem da pandemia estão divididas. 
Duas delas o FBI e o Departamento de Energia — acreditam na origem laboratorial. Outras quatro agências “ainda acreditam [que a pandemia surgiu] em transmissão natural”.  
Outras duas agências estão indecisas. Uma dessas agências é a CIA. Notaram que interessante?
Foto: Reprodução WSJ (26/02/2023)
No momento em que o governo dos EUA está embrenhado numa guerra inclemente com a Rússia através de um país-fantoche e necessita da ajuda e do apoio de outras nações (em especial a China), o governo norte-americano revela que faltam duas agências do seu governo para decidir se a China tem ou não tem culpa no cartório da pandemia. 
O placar agora está 4 a 2 a favor da inocência da China, mas duas agências ainda não opinaram. E, se elas decidirem que o vírus veio do laboratório de Wuhan, vai dar empate, e vai ser necessário chamar o VAR — provavelmente o presidente Joe Biden, que chefia o Conselho Nacional de Segurança dos EUA. Sentiu a pegada? [falando no Biden: quem vai prender o Putin? está havendo uma guerra entre dois países e parte do Ocidente decide que um dos países tem que se render e escolhem a Rússia; só que Putin não concorda e o TPI - Haia, decide decretar sua prisão - o que nos remete a fábula com a famosa pergunta: 'qual dos ratos vai colocar o guiso no gato'? Putin para facilitar o trabalho do rato que se propuser cumprir a missão, decidiu circular mais.
A propósito: O Ocidente pode armas para a Ucrânia; qual a razão da China não ter também o direito de fornecer armas para a Rússia.]

A batalha entre bandeiras nacionais é uma disputa que vem mantendo eleitores engajados e participativos, mas que cada vez mais é teatro financiado pelos senhores da guerra

Como já venho explicando há tempo, mesmo que não tenhamos meios de entender a motivação, nem os interesses, e nem tampouco o teor das decisões governamentais, uma coisa pode e deve ser analisada: o timing, ou o cenário no momento em que uma decisão é tomada ou uma notícia é liberada para a imprensa. E o cenário aqui é inquestionável: os EUA querem o apoio da China contra a Rússia, e manter uma espada de Dâmocles sobre a cabeça da ditadura chinesa pode ajudá-la a tomar uma decisão mais favorável.

Existe outro detalhe na reportagem do WSJ que reforça a minha teoria de que o governo norte-americano pode estar tentando pressionar a China: o relatório de cinco páginas não apenas volta atrás em uma opinião anterior do Departamento de Energia, mas ele foi entregue ao Congresso sem que tivesse sido requisitado. Funcionários do governo procurados pelo jornal se recusaram a explicar por que razão o Departamento de Energia resolveu mudar de opinião.

A possibilidade da origem laboratorial do Sars-Cov2 não é novidade para pessoas com algum discernimento — jornalistas sérios já tentam debater sobre essa teoria desde o começo da pandemia, mesmo sendo perseguidos por isso. 
A versão oficial — por muito tempo a única versão permitida nas redes sociais do Consenso Inc costumava deixar de lado um detalhe fundamental: o fato de que até hoje não foi encontrado o animal que teria servido de intermediário para a passagem do vírus de morcego para humano. Já os indícios fortalecendo a teoria de manipulação genética do SarS-Cov2 abundam.
 
Peter Daszak é uma das pessoas que falavam abertamente sobre como é comum manipular um vírus respiratório para ele se tornar mais contagiante e letal.  
E Daszak sabe disso como ninguém, porque ele é o presidente da EcoHealth Alliance, uma ONG de fachada que vem servindo para conduzir experimentos de ganho de função. 
Os experimentos de ganho de função são aqueles em que vírus são manipulados para ficar mais letais. 
Esses experimentos foram proibidos no governo de Barack Obama, mas Anthony Fauci, o funcionário mais estável e protegido da corporatocracia norte-americana, conseguiu encontrar meios de escapar da suspensão, terceirizando a manipulação genética para a EcoHealth Alliance, que por sua vez encontrou na China o lugar ideal para seus experimentos.
Peter Daszak, presidente da ONG norte-americana 
EcoHealth Alliance | Foto: Divulgação

Essa aliás é uma das razões para tanto apoio — vindo da direita e da esquerda — à terceirização de serviços governamentais, incluindo ações militares e de saúde pública: quando o processo é terceirizado, acaba-se com a chamada “cadeia de comando”, e a responsabilização criminal de agentes do governo se torna quase impossível. Foi assim na invasão do Iraque, com os crimes cometidos por mercenários da Black Water — enquanto alguns indivíduos expiatórios foram punidos, os grandes responsáveis saíram ilesos.

Foi o próprio Peter Daszak que explicou, em 2016, como esses experimentos funcionam: “Quando a gente consegue a sequência de um vírus, e ele parece com um parente de um patógeno maligno conhecido — exatamente como fizemos com o Sars —, nós achamos outros coronavírus em morcegos, um monte deles — alguns deles pareciam muito similares ao Sars, então nós sequenciamos a proteína spike, a proteína que se gruda nas células [humanas], então nós — quer dizer, eu não fiz esse trabalho, mas meus colegas na China fizeram esse trabalho —, você cria pseudopartículas, você insere a proteína spike desses vírus e vê se eles se acoplam às células humanas, e em cada passo disso você chega mais e mais perto de [tornar] esse vírus realmente patogênico para as pessoas. Assim você afunila o campo, você reduz o custo, e tem de trabalhar apenas com um número pequeno de vírus realmente assassinos”.

Quem por acaso quiser encontrar o vídeo original deste discurso vai ter trabalho, mesmo que procure no canal do YouTube onde o vídeo foi exibido pela primeira vez, a rede de TV norte-americana C-Span, sem fins lucrativos, especializada na cobertura de assuntos políticos e legislativos. Mas é possível ver o trecho que interessa aqui, divulgado pelo  India Today.

Buscas por menções a essa fala de Daszak também praticamente não produzem resultados. Apesar de a explicação de Daszak ser tão importante, crucial até numa pandemia provocada exatamente  por um coronavírus (Sars-Cov2), é quase impossível achar um jornal conhecido reproduzindo as palavras do homem que levou para um laboratório na China estudos de ganho de função financiados com dinheiro norte-americano. Quem fizer a busca no Duckduckgo vai encontrar apenas sites de notícia independentes nas primeiras páginas do resultado de busca.

Eu já falava deste assunto em maio de 2020, poucos meses depois do começo oficial da pandemia. E não é porque eu seja conspiratória — é apenas porque, fazendo uso do meu cérebro, eu encontrei um artigo da Nature falando algo muito interessante sobre Ralph Baric, parceiro de Daszak nos experimentos de ganho de função. Reproduzo aqui o que falei no artigo “Intervenção na natureza tem seu preço”: “Ralph Baric é um dos autores do estudo que criou um Frankenstein quimérico, em 2015, misturando o gene spike do vírus SHC014 ao Sars em rato [humanizado] e células humanas”.

Vale tirar uma lição preliminar disso tudo, ao menos por enquanto. A briga entre nações, US contra Rússia, China contra US, hoje são questões temporárias, ou meras distrações de um jogo muito menos interessante para quem assiste, mas muito mais lucrativo para quem joga: é o jogo em que quem joga nunca perde — só quem perde é a audiência. 
Em outras palavras, a batalha entre bandeiras nacionais é uma disputa que vem mantendo eleitores engajados e participativos, mas que cada vez mais é teatro financiado pelos senhores da guerra.

Um ano depois, no dia 2 de maio de 2021, o programa Fantástico, da Rede Globo, cometeu algo impensável, até para o Fantástico. Ele relacionou a tragédia da pandemia a — senta para não cair — queimadas na Amazônia. É isso mesmo. E agora tenta adivinhar quem a Globo entrevistou para explicar essa tese tão intelijegue? Peter Daszak…

Eu já desconfio há tempo que a Globo vende reportagens para governos poderosos e os monopólios mais poderosos ainda que os controlam. Uma das indicações de que minha suspeita é razoável é este vídeo aqui.

Ele mostra Bonner dizendo que a invasão do Iraque foi prevista por Nostradamus, e estava escrita nas estrelas. Para o caso de você não acreditar nem em Nostradamus e nem em astrologia, Bonner apela a uma terceira crença, tirando proveito do cérebro limitado da sua audiência: segundo ele, Saddam Hussein pode ser o “anti-Cristo”.

O meu artigo de hoje seria uma análise dos argumentos usados pelo Fantástico para contorcer a pandemia até fazê-la caber nas queimadas da Amazônia. Infelizmente não foi possível, porque o vídeo parece ter sido retirado do ar. Aqui nesta página, em que o G1 promove o vídeo, a reportagem escrita continua ali, mas o vídeo tem a mensagem “conteúdo não disponível”. 
Na GloboPlay, quando acessado pela televisão, esse episódio do Fantástico está indisponível para vários usuários, como mostram alguns prints feitos por assinantes. 
Eu achei uma cópia do programa no YouTube, mas é possível ver que ele foi grosseiramente cortado ao menos duas vezes: no minuto 1:48 e no 2:54. E quando se tenta acessar o vídeo a partir da GloboPlay na internet, a mensagem da Globo é até mais honesta do que eu esperava: “Esta edição foi modificada em sua versão web”. Para repetir uma frase minha que já virou bordão: salvem tudo.

 

Foto: Reprodução Site G1 (02/05/2021)
 
 

Leia também “A explosão do oleoduto e a erosão gradual da imprensa”

Paula Schmitt, colunista - Revista Oeste

 

domingo, 5 de março de 2023

Teoria sobre origem da Covid em laboratório chinês é considerada “mais provável” por agência dos EUA - Gazeta do Povo

Wall Street Journal

Ideias

Covid-19 foi declarada pandemia pela OMS em março de 2020
Covid-19 foi declarada pandemia pela OMS em março de 2020| Foto: Pixabay

O Departamento de Energia do governo dos Estados Unidos considera que a pandemia de Covid-19 "muito provavelmente" surgiu de um incidente em um laboratório na China.  
A informação foi divulgada neste domingo pelo jornal americano Wall Street Journal (WSJ) e é baseada em um documento confidencial de inteligência que foi entregue recentemente à Casa Branca e a membros do Congresso.

De acordo com o WSJ, embora o Departamento de Energia tenha feito suas conclusões com "pouca confiança", o documento marca uma mudança de posicionamento da agência, que anteriormente estava indecisa sobre a origem do novo coronavírus. As novas informações que levaram o departamento a mudar sua conclusão não foram expostas.

O Departamento de Energia não é o primeiro órgão do governo americano a dar credibilidade à teoria de que o vírus da Covid-19 vazou de um laboratório em Wuhan, na China. Em 2021, um relatório do FBI já indicava "convicção moderada" sobre esta visão.

Outras agências do governo americano, porém, ainda julgam que a pandemia foi provavelmente o resultado de uma transmissão natural entre um animal silvestre e um humano.

Comentando a reportagem do WSJ, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse, porém, que não há "respostas definitivas" sobre a origem do vírus causador da pandemia de Covid-19. “Se obtivermos mais informações, iremos compartilhá-las com o Congresso e com o povo americano. Mas, agora, não há uma resposta definitiva que surgiu da inteligência sobre esta questão”, disse Sullivan em entrevista à CNN.

O conselheiro da Casa Branca afirmou ainda que há "diferentes pontos de vista" sobre a questão das origens da Covid-19 e destacou que alguns deles “simplesmente não têm informações suficientes para se ter certeza”.

Mundo - Gazeta do Povo 


quarta-feira, 26 de outubro de 2022

STF aplica normas como se fosse Poder constituinte e legislativo

Não houve no Congresso qualquer emenda à Constituição que revogasse o artigo que proíbe a censura. Assim, o Supremo aplica normas como se fosse poder constituinte e legislativo

Nas redondezas dos locais de votação o chão costuma ficar coberto de papéis, propaganda descartada. É o lixo que resta da eleição. Neste ano, com a mais censurada campanha, [talvez, mais justo, apesar da obviedade,  seja dizer campanha com um dos candidatos mais censurados, a quem quase tudo foi proibido = o presidente Bolsonaro.] outro lixo que terá que ser varrido do Brasil é a cultura da mordaça.  
A despeito de a Lei Maior proibir expressamente qualquer tipo de censura, guardiões da Constituição ignoram o art. 220 e aplicam censura a fatos do passado e presente e até do futuro, no caso da Brasil Paralelo, num documentário a que nem sequer assistiram, como revelou o ministro do TSE Raul Araújo, no dia da decisão de 4 a 3.

Até os dois principais jornais americanos, Wall Street Journal e New York Times, se preocuparam com as decisões do TSE. Uma das decisões que escandalizou os jornais americanos foi confirmada, ontem, pelo Supremo. O "poder de polícia" do TSE foi aprovado até pelos três ministros do Supremo que integram o TSE. Votaram em causa própria.

A resolução confirmada contraria princípios constitucionais, segundo o procurador-geral: a liberdade de expressão, a isenção do juiz, a inércia do juiz, o direito ao recurso, a colegialidade da decisão. Uma única pessoa decide o que não é verdade — e censura. Até a Inquisição era colegiada.

Não houve no Congresso qualquer emenda à Constituição que revogasse o artigo que proíbe a censura. Assim, o Supremo aplica normas como se fosse poder constituinte e legislativo. Tribunais administrativos, como TCU e TSE, estão indo além de suas prerrogativas. 
O poder original do povo só foi delegado a deputados e senadores para fazer e desfazer leis. 
E as intervenções do TSE na liberdade de expressão não pacificaram as eleições.[decisões que pelo teor e absurdos não deixam dúvidas que não tinham o objetivo de pacificar nada.]
 
Eles acreditam que o eleitor não tem discernimento para avaliar os argumentos dos lados em disputa. E resolveram tutelar pessoas civilmente capazes. Tornaram-se árbitros para decidir o que é verdade
O ministro aposentado Marco Aurélio, crítico desse comportamento, quando foi presidente da Justiça Eleitoral e juiz de eleições, agiu como aquele árbitro de futebol que passa despercebido.
 
Hoje, juízes da eleição parecem mais importantes que os candidatos e os eleitores. Nesses últimos anos, temos visto juízes votando em casos de que são parte, como no inquérito do fim do mundo e como ontem. Qualquer estudante de direito sabe que isso é inadmissível. 
Esse será um bom tema para o novo Senado, assim como a aplicação da censura constitucionalmente vedada. A partir de fevereiro, um novo Senado certamente vai tratar disso. [ou será que para evitar alguma ação do novo Senado, para enquadrar o que está torto, vão considerar, por censura prévia,  o que o novo Senado certamente virá a fazer, ato antidemocrático, que deve ser coibido antes de ocorrer, e irão se negar a diplomar os novos senadores? 
Especialmente com Bolsonaro no inicio de mais um mandato de presidente da República Federativa do Brasil?]
 
Enfim, no domingo será revelada a decisão desse episódio que começou quando uma maioria de 8 a 3 do Supremo anulou processos já concluídos em suas instâncias decisivas. Agora, isso vai desaguar no domingo. Embora os embates da campanha, nunca foi tão fácil decidir, porque os dois candidatos são bem conhecidos. 
Um, pelo que fez em 14 anos de governo do PT; outro, pelo que tem feito em três anos e 10 meses de presidência.  
A decisão da maioria vai afetar o presente e o futuro de todos e deixar frutos ou restos de lixo pelos anos vindouros, para nossos filhos e netos. Valores, liberdades, bem-estar, respeito à Constituição estarão sendo digitados nas urnas de domingo. [e a vontade soberana do eleitor será exercida, especialmente por não ter nenhum censor cuidando da democracia.]
 
Alexandre Garcia, colunista  - Correio Braziliense

 

 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

O STF não tem o direito de mandar prender quem xinga seus ministros - J. R. Guzzo

É óbvio, e portanto não há nenhuma necessidade de se ficar insistindo no assunto, que ninguém pode atirar na polícia – a não ser naturalmente os piores criminosos do Rio de Janeiro, por exemplo, que no entendimento das nossas altas cortes de justiça agem em “legítima defesa” quando abrem fogo contra policiais

Mas qualquer outro cidadão brasileiro, que não desfrute da proteção legal e política do crime organizado, está proibido de fazer o que fez o ex-deputado Roberto Jefferson, que recebeu à bala, na casa onde cumpre prisão domiciliar, uma equipe que veio lhe apresentar uma ordem de prisão do STF. 
 Isso é voltar à lei da selva – só que o STF, mais o ministro Alexandre Moraes, têm responsabilidade direta na construção desse desastre. Eles são dados como vítimas, e dão a si próprios o papel de agredidos. Mas também eles são agressores, ao violar de forma cada vez mais grosseira as leis do país para perseguir inimigos e impor suas posições políticas a 215 milhões de brasileiros. Acaba dando em tiroteio.
 
A prisão de Robert Jefferson, em regime fechado ou domiciliar, é escandalosamente ilegal. Certo: por suas posições radicais e sua conduta verbalmente violenta, ele é um homem detestado pela esquerda, pelos “moderados-equilibrados” e pelas classes que se consideram capazes de pensar por todos.  
Mas isso não pode significar, absolutamente, que o ministro Moraes ou o STF estejam autorizados a suprimir seus direitos legais e constitucionais. Jefferson é um cidadão brasileiro como outro qualquer; tem de estar, como todos, sob a proteção das leis em vigor no país. [é indiscutível que o STF não pode mandar prender Roberto Jefferson ou qualquer cidadão que agrida seus ministros - o Poder Judiciário, no tão decantado 'estado democrático de direito' e em qualquer democracia do mundo só age quando provocado; 
além do mais Roberto Jefferson, por decisão do próprio STF não pode ser preso nem julgado pelo STF. Roberto Jefferson. 
Todos sabem disso, incluindo o ministro Moraes. 
Mas é aquele negócio ele manda prender e quem recebe a ordem não ousa desobedecê-lo; e as prisões ilegais vão ocorrendo; 
sem nenhuma intenção de provocar, já expressamos nossa opinião que ordens ilegais só são desobedecidas quando quem as recebe, ou é paciente de quem as cumpre, se recusa a obedecer; o que mais ocorre é a ordem é descumprida e fica por isso mesmo.
Dois exemplos: um deles é que a maior parte dos prazos ordenados pelo STF é descumprido por Bolsonaro e outras autoridades e fica tudo por  isso mesmo. 
Outro exemplo é que o ministro Moraes determinou que Bolsonaro comparecesse a uma delegacia da PF para depor - Bolsonaro ignorou a ordem, o ministro reiterou, o capitão novamente ignorou e ficou por isso mesmo. Aqui nos socorremos da argúcia e competência do ilustre J. R. Guzzo quando escreve em brilhante matéria: "... O que aconteceu nos cinco minutos seguintes, e continua acontecendo até agora, é o mais interessante da história toda – não aconteceu nada. Como assim, “nada”? Pois é: o STF deu uma ordem por escrito ao presidente da República, ele não cumpriu e ficou tudo exatamente na mesma.  Moraes não tinha um plano B;..." .
Mas não está há mais de um ano o ministro desrespeita de maneira flagrante e abusiva toda a legislação nacional para punir o ex-deputado. Diz, para justificar essa aberração, que é preciso defender a “democracia”
 
Ninguém pode ser preso por ofender um ministro do STF, ou qualquer outra pessoa é contra a lei, simplesmente isso
Jefferson fez insultos aos ministros no ano passado, e voltou a fazer agora. 
Mas só pode ser culpado por isso, e receber a punição legal, se for julgado e condenado pela justiça. Mais: os crimes que ele pode ter cometido, se assim for decidido pela mesma justiça, são os de injúria e de difamação, para os quais o Código Penal Brasileiro estabelece penas de detenção que vão de um mês a um ano, mais multa detenção, a ser cumprida em liberdade, e nunca prisão fechada.       
 
 

 
Jefferson está preso desde setembro ano passado (em prisão domiciliar com tornozeleira, desde fevereiro, e agora de volta à prisão fechada), sem culpa formada, sem sentença de condenação e sem data para o julgamento. Ou seja: ele já ficou na cadeia, sem ter sido condenado por qualquer crime, mais tempo do que ficaria se tivesse recebido a pena máxima prevista na lei – uma pena de detenção, ainda por cima. Onde está a legalidade disso?

Jefferson fez insultos aos ministros no ano passado, e voltou a fazer agora. Mas só pode ser culpado por isso, e receber a punição legal, se for julgado e condenado pela justiça

Alexandre Moraes e o STF criaram uma monstruosidade um Brasil sem lei, onde eles prendem, censuram, multam, “desmonetizam”, proíbem os cidadãos de falar e interferem com brutalidade crescente na campanha para favorecer o seu candidato, o ex-presidente Lula. Como acaba de dizer o Wall Street Journal americano, um dos mais respeitados órgãos de imprensa do mundo: “Se a democracia do Brasil está em risco, isso não é, como alegam as classes que vivem falando, por causa de Bolsonaro”.

J. R. Guzzo, colunista - Gazeta do Povo - VOZES


sexta-feira, 20 de maio de 2022

Ativistas pró-aborto nos EUA pressionam Biden a ajudar a causa

Grupos a favor de interrupção da gravidez esperam influência do presidente na revisão da legislação, diz o Wall Street Journal

Revisão da legislação aquece debate sobre legalidade do aborto nos EUA
Revisão da legislação aquece debate sobre legalidade do aborto nos EUA - Foto: Reprodução/Twitter

Duas semanas depois do vazamento de documentos da Suprema Corte que sugeriam uma provável revisão na legislação do aborto, o debate sobre o tema ferve nos Estados Unidos. Como era de esperar, a discussão já bateu nas portas da Casa Branca. Um artigo do The Wall Street Journal nesta sexta-feira, 20, relata que grupos ativistas que defendem a interrupção da gravidez esperam por um posicionamento claro do presidente Joe Biden.

Apesar do tradicional apoio do Partido Democrata ao direito do aborto, Biden ainda não se posicionou sobre o tema desde que a Suprema Corte indicou que deve rever a questão. [Biden é favorável ao aborto - logo ao tomar posse promulgou 'ordem executiva' facilitando o aborto  e também defendeu Roe x Wade, decisão de 1973 que liberou o aborto.] Ativistas de frente da causa não querem esperar que o presidente fale somente quando uma nova decisão sair do principal tribunal do país. A ideia é pressionar para que o chefe do Executivo dê peso à luta antes disso.

Oficialmente, a Casa Branca manifestou que não vai detalhar seus passos para proteger os direitos ao aborto até uma decisão final e que o presidente Biden orientou o Conselho de Política de Gênero a trabalhar em planos de como responder se a legislação atual for derrubada. O jornal norte-americano ouviu Amy Hagstrom Miller, diretora da Whole Woman’s Health. A ativista pró-aborto participou de um encontro sobre o tema com a vice-presidente Kamala Harris em setembro de 2021. Desde então, cobra um retorno do governo sobre o tema e sugere que o Partido Democrata tem evitado o debate em razão das eleições para o Congresso neste ano.  “Eles dizem ‘Votem em novembro’. Temos maioria em todos os lugares”, disse Miller sobre os democratas. “Eu não sinto que eles estão fazendo o que podem.”

No último sábado, manifestações de rua que defendem a manutenção da atual legislação tomaram algumas ruas de Washington. A ativista Renee Bracey Sherman, fundadora do grupo We Testify, disse ao Wall Street Journal que esperava pelo menos um aceno simpático de Biden às manifestantes.

“Fiquei realmente desapontada ao ver que o presidente não reconheceu a manifestação em massa de apoio ao acesso ao aborto e o povo norte-americano fazendo sua voz ser ouvida no fim de semana”, disse Bracey Sherman.

Apesar da frustração com Biden, a tendência é de que o ativismo pró-aborto esteja na pauta da campanha dos democratas para as eleições deste ano, em diferentes Estados norte-americanos. O partido encara o tema como estratégico para atingir fatias do eleitorado de algumas regiões, mirando em mulheres nos subúrbios e mulheres mais jovens.

Revisão do aborto
A Suprema Corte admitiu que analisa rever a decisão sobre o aborto, em vigor nos Estados Unidos desde 1973. A expectativa é que a legalidade da prática passe a ficar sob responsabilidade dos Estados. Atualmente, a interrupção da gravidez é um direito constitucional.

A possibilidade de revisão da legislação do aborto gerou uma onda de manifestações de rua pelo país, tanto de ativistas contra a prática como aqueles a favor. Em paralelo, centros de apoio à gravidez foram alvos de atentados nas últimas semanas. A Suprema Corte dos Estados Unidos tem desde 2020 maioria conservadora em sua composição, com seis juízes, contra três de viés liberal ou progressista. Hoje, pelo menos oito Estados têm leis proibitivas que podem ser implementadas se a Justiça autorizar.

Leia também: O ativismo judicial e a barbárie, artigo de Ana Paula Henkel na edição 112 da Revista Oeste. 

 

 

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Bem-vindo a Cancerland - Oeste

Dagomir Marquezi

Foto: Montagem com imagem Shutterstock
Foto: Montagem com imagem Shutterstock 

Bem-vindo a Cancerland. Esta cidade imaginária é mais do que um território de pessoas doentes. É um estado de espírito. O termo foi citado pelo oncologista Siddhartha Mukherjee, formado pela Columbia University e com meio século de experiência clínica.

Num artigo recente para o Wall Street Journal, Mukherjee conta a história de uma paciente que descobriu um pequeno tumor no seio. Passou pelo procedimento básico: cirurgia, radio e quimioterapia. Teve alta. Estava fisicamente curada. Mas nunca mais foi a mesma.

Em vez de celebrar a vitória, a paciente escarafunchou a história da família e conseguiu descobrir uma tia distante que havia morrido de câncer no seio aos 70 anos. Passou a ser assombrada por uma remota conexão genética. Pesquisou a internet em busca de possíveis casos de “metástases ocultas” em pacientes que, como ela, estavam aparentemente curadas. E pediu ao médico que fosse submetida, junto com a filha, à “mais intensiva forma de vigilância de câncer”.

Uma coisa é ter a doença. Outra é passar cada um de seus dias paralisado pelo pavor de ficar doente. Quando se chega a esse ponto, a pessoa mais saudável do mundo já é cidadã de Cancerland. Como define o doutor Mukherjee, vive “se sentindo sob cerco do futuro”.  Nós tivemos agora mesmo um exemplo desse fenômeno na forma da covid-19. O medo natural de uma doença nova e perigosa e o pavor injetado com objetivos políticos sórdidos fizeram com que pessoas se trancassem em casa com medo de respirar, comer e conviver com outros seres humanos. Algumas estão trancadas até hoje. Se foi assim com a covid, algo ainda mais grave pode acontecer com o câncer.

Detalhes perturbadores antes invisíveis
A busca — necessária — da detecção precoce de tumores está avançando rapidamente. Profissionais da medicina pesquisam uma série de técnicas e procedimentos que poderão estar disponíveis em pouco tempo. A era do exame anual de rotina pode estar no fim. Uma dessas técnicas é a vigilância genética. O estudo de nossos antepassados pode quantificar (através da inteligência artificial) a predisposição que um indivíduo herdou para desenvolver um quadro cancerígeno. Até aí, tudo bem. Mas como vai viver uma pessoa que se impressiona facilmente se descobrir, por exemplo, que tem 68% de chance de contrair um tumor maligno em algum ponto de sua existência?  
Pode ser que nunca pegue nem um resfriadinho. 
Mas o medo já terá se transformado numa doença.

Outra novidade é a chamada “vigilância fisiológica”. Já existem estudos para identificar sinais suspeitos no nosso sangue através da “biópsia líquida”. (Homens já fazem isso com o exame de PSA — que pode alertar para um possível câncer na próstata.) Aqueles altamente ansiosos terão a chance de fazer um exame desses por dia, especialmente se tiverem algum tipo de disposição genética para o câncer.

O problema vai ser passar do limite do bom senso e entrar num universo de neurose

O doutor Siddhartha Mukherjee lembra que mulheres podem carregar sinais de câncer no ovário através do sangue. Mas isso não quer dizer que o câncer vai se instalar no seu organismo. Com a biópsia líquida poderemos chegar a um ponto em que descobriremos detalhes perturbadores antes invisíveis circulando pelos nossos corpos. Os mais assustados optarão por tratamentos invasivos e remédios pesados para curar uma doença que não possuem. E se arriscarão a ficar doentes de verdade.

Todos sabem — ou deveriam saber — que a detecção precoce de um câncer pode ser a diferença entre um tratamento bem-sucedido e um óbito. Quanto antes for detectado o tumor, melhor. E ele será apanhado cada vez mais cedo. O problema com essa nova fase vai ser passar do limite do bom senso e entrar num universo de neurose e ansiedade.

Passaportes unidirecionais
O cientista alemão Sebastian Thrun, citado na reportagem do WSJ, imagina um mundo em que os mais inocentes objetos de uso diário se tornarão “armas de vigilância diagnóstica uma banheira que examina seu corpo para detectar massas anormais que podem exigir investigação; um espelho que pode verificar se há sinais pré-cancerosos em seu corpo; um programa de computador que (com o seu consentimento) vasculharia sua página do Instagram ou Facebook enquanto você dorme à noite, avaliando mudanças nas suas fotos que pudessem dar sinais da doença”.

Essa ultravigilância levaria a mais detecções precoces? Sem dúvida. Mas transformaria em potencialmente “cancerosas” pessoas que não são. E isso aumentaria os custos médicos a um ponto que o tratamento de outras doenças seria negligenciado. Acabamos de ver isso acontecer durante a pandemia. “Um mundo em que o câncer fosse normalizado como uma condição crônica administrável seria uma coisa maravilhosa”, escreveu o historiador e médico Steven Shapin, em 2010. “Mas um mundo de fator de risco em que todos nos consideramos pré-cancerosos não daria certo. Isso pode diminuir a incidência de algumas formas de malignidade e, ao mesmo tempo, aumentar enormemente o número de gente saudável sob tratamento médico. Seria uma estranha vitória, em que o preço a ser pago para impedir a propagação do câncer pelo corpo é sua propagação descontrolada pela cultura.”

O doutor Siddhartha Mukherjee fala do perigo que significa ter uma passagem (mental) só de ida para Cancerland. “A romancista e crítica Susan Sontag escreveu certa vez sobre um passaporte entre o reino dos saudáveis e o reino dos enfermos, imaginando uma passagem bidirecional: homens e mulheres podem adoecer, mas alguns retornam ao bem-estar. Ao inventar a nova cultura de vigilância do câncer, temo que fechamos as fronteiras dos reinos. Temo que agora vamos possuir passaportes unilaterais para o reino da doença. O que encontraremos lá depende de nós”.

O salão dos mil brasileiros
Segundo o Instituto Nacional do Câncer, do Ministério da Saúde, o Brasil terá uma média de 625 mil novos casos da doença por ano até 2022. Isso corresponde a cerca de 0,3% da população brasileira. Em outras palavras: imagine um salão lotado com mil brasileiros. Naquele salão, três pessoas deverão contrair algum tipo de câncer. Desses três doentes, um vai morrer.

Seria ideal que nenhuma pessoa tivesse uma doença tão grave, e que ninguém morresse por causa dela. Um único caso pode ser devastador para quem adoece e para as pessoas ao seu redor. (Disso eu entendo: minha mãe foi aquela única vítima no salão imaginário com mil brasileiros). Esses números mostram que o fantasma é terrível. Mas numericamente não tão grande quanto pode parecer por causa de sua fama sinistra.

A cura para o câncer através da prevenção ou do tratamento está chegando a cada dia. Boa parte dos que ficaram doentes hoje vive uma vida próxima à que levavam antes do diagnóstico. Precisam de vigilância constante, exames regulares, tratamentos. Mas a “sentença de morte” é cada vez menos aplicada. É a chance para que a gente lide melhor, mentalmente, com uma doença que muitos ainda nem ousam dizer o nome.

Nossa Cancerland deveria ser um território para doentes reais, cada vez em menor número e cada dia com melhores condições de atendimento e tratamento. E vida que segue para resto de nós. Atentos aos sinais do próprio corpo. Mas sem o pânico irracional que já nos causou tantos problemas com a recente pandemia.

Leia também “O fim da segunda onda”

Dagomir Marquezi. colunista - Revista Oeste


quarta-feira, 9 de junho de 2021

O BRASIL, COM TODO O GÁS - Percival Puggina

São boas as informações que chegam sobre a situação da economia nacional. E isso acontece malgrado a ação de tantos que puxam o país para baixo, pois, para se dar bem, precisam que as coisas vão de mal a pior.  Sabemos todos que, em Economia, as expectativas orientam os investimentos sem os quais não há desenvolvimento. Nesse setor, expectativas favoráveis, promissoras, podem parecer início de namoro, mas não são. Elas envolvem algo que todo investidor leva muito a sério: dinheiro.

O Brasil está a todo o gás
O Wall Street Journal diz que a retomada da economia brasileira surpreende. 
Chamou a matéria para a capa. De fato, a expectativa de o PIB crescer 5% neste ano reverte o pessimismo e é um número que impressiona em nossa série histórica. Mas a matéria informa, também, que temos problemas e cita a dívida interna.  Estão aí as duas faces da moeda: o setor privado é ágil, dinâmico, criativo; o setor público lento, reacionário a mudanças, a reformas, a privatizações. Um pisa no acelerador; o outro, no freio. A base parlamentar do governo é parte desse freio e sinal do divórcio entre o Congresso Nacional e a nação.  Não deixa de ser um bom indicativo constatar que o agronegócio, contra o qual tanto agiu e se manifestou a esquerda brasileira, seja a poderosa alavanca de nossa economia.

O Brasil, dizia eu há pouco num vídeo que gravei, é um balão, cheio de gás, querendo alçar voo e realizar nossos sonhos, mas está preso ao chão por amarras que o impedem de se erguer. É um modelo institucional todo errado, um sistema eleitoral errado, uma errada relação entre a sociedade e o Estado, e uma visão também errada sobre o que seja a democracia. Uma usina de sucessivas crises. Tudo isso teria tido solução no processo constituinte de 1988, se houvesse lá uma consciência sobre a transitoriedade dos preceitos numa sociedade em transformação. Nossos constituintes, notadamente os que atuavam pelo lado esquerdo, liderados por Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, estavam decididos a constitucionalizar sua visão de Estado e de sociedade.

Eles são parte das amarras que prendem ao chão esse imenso balão, pronto para voar.  
Eles andaram juntos nos anos 80, trabalharam juntos na Assembleia Nacional Constituinte, empurraram a Constituição para a esquerda, encenaram um falso antagonismo que durante um quarto de século enganou e removeu da disputa política nacional todo o lado direito do arco ideológico
Eles, agora, resolveram sair do namoro por baixo dos panos e “juntar os trapinhos”. Aproxima-se a hora, portanto, de receberem das urnas a resposta da sociedade brasileira.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


domingo, 30 de maio de 2021

O novo coronavírus veio de um laboratório nos EUA, sugere China - Revista Oeste

Cristyan Costa

Pressionado, o país asiático reagiu à investigação norte-americana que vai apurar a gênese do patógeno

O Partido Comunista da China (PCC) insinuou que o novo coronavírus originou-se nos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores do país asiático sugeriu que o patógeno “escapou” do Fort Detrick, centro de pesquisa biomédica norte-americano. “São mais de 200 laboratórios biológicos americanos espalhados pelo mundo. Quantos segredos escondem?”, interpelou Zhao Lijian, chanceler do PCC, em pronunciamento na sexta-feira 28. A fala é uma resposta à decisão do presidente Joe Biden de pedir uma investigação sobre a gênese da covid-19.

Na semana passada, um relatório do governo norte-americano revelou que o coronavírus surgiu no laboratório chinês, hipótese considerada desde o governo do ex-presidente Donald Trump. A papelada foi obtida pelo jornal Wall Street Journal. Entre outros pontos, o documento salienta que, no centro de pesquisas, três funcionários foram hospitalizados, em novembro de 2019, com covid-19. Um mês depois de a OMS decretar a pandemia de coronavírus, a Revista Oeste noticiou que o PCC escondeu o potencial do patógeno. Dessa forma, o Ocidente não conseguiu se preparar.

Laboratório Detrick
Detrick é um laboratório de ponta que fica no estado de Maryland, próximo da capital norte-americana, e onde o Exército dos EUA desenvolve toxinas e antitoxinas, sistemas de defesa para pragas e doenças. Em agosto de 2019, o laboratório recebeu uma ordem do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) para encerrar operações e pesquisas com vírus e bactérias perigosos por questões de segurança. Segundo o CDC, havia um problema de descarte de materiais usados em pesquisas, que poderiam contaminar o solo e água da região. A Organização Mundial da Saúde ainda não tomou lado na história, mas prometeu uma “investigação imparcial”.
 
Revista Oeste

Leia também: “A estratégia do Partido Comunista da China”, reportagem publicada na Edição 58 da Revista Oeste


quinta-feira, 27 de maio de 2021

A pandemia do silêncio começa a ceder - Senadores criticam postura de Aziz e dizem que ele está fazendo papel de ‘advogado’ e ‘comentarista’

Afonso Marangoni

Presidente da CPI fez vários contrapontos às falas de senadores aliados ao governo 

Após fazer vários contrapontos às falas de senadores aliados ao Palácio do Planalto na oitiva do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), foi criticado nesta quinta-feira, 27, por integrantes da comissão que o classificaram como “comentarista da comissão” e “advogado de São Paulo”.

As declarações foram dadas após Aziz afirmar que o governo federal não investiu no Instituto Butantan para o desenvolvimento da CoronaVac. O presidente da CPI afirmou que o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), quis dar a entender que foram repassados recursos para esta finalidade. [esse senador que ainda preside a CPI não deveria ter sequer seu nome indicado para participar da CPI Covidão ou de qualquer outra - menos ainda para o cargo de presidente.
A vantagem é que com o 'cabeleira' na relatoria e o senador Omar presidindo fica ainda mais fácil o desmonte da Covidão; 
o passado de ambos, as folhas.... ops ... os currículos dos dois e de familiares, não permitiriam em um país sério, que sequer fossem candidatos a vereadores.
Mas, o relator Calheiros já levou um arrocho em passado recente - para não perder o mandato teve que cair da cadeira de presidente - e  o senador Omar teve familiares encarcerados por corrupção na área de Saúde. Enquanto aqui, na Pindorama, conseguem ocupar os cargos mais importantes de uma CPI criada para 'prender ladrões da saúde pública'. A presença do 'drácula' - vulgo do senador petista Humberto Costa - seria mais útil para o conceito da Covidão, se ele fosse o ocupante do cargo de vice-presidente.]

Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas; preside da CPI da Covid, Omar Aziz; e relator da CPI da Covid, Renan Calheiros | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas; preside da CPI da Covid, Omar Aziz; e relator da CPI da Covid, Renan Calheiros | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Leia mais: “Dimas Covas: cronograma de entrega da CoronaVac vai atrasar”

“Vossa excelência está atuando como comentarista da comissão. Vossa excelência não é analista da fala dos senadores. Presidente de Comissão não tem este papel”, apontou o senador Marcos Rogério (DEM-RO), que finalizou:Você está atuando como advogado de São Paulo”.  “O senhor está sendo advogado de defesa. Ele [Dimas Covas] está ao lado de dois advogados de defesa, um advogado e um advogado que é o senhor”, criticou o senador Eduardo Girão (Podemos-CE). “Não, eu sou engenheiro”, respondeu Aziz.

O presidente da Comissão afirmou que não estava defendendo o governo de São Paulo, mas o Instituto Butantan, que “não tem politicagem”. Girão ainda alfinetou: “Está ficando feio, senador”. Aziz respondeu: “Pode ficar muito feio, a verdade tem que ser dita, a verdade é uma: não se repassou adiantado nem um real para comprar vacina de ninguém a não ser da AstraZeneca”. “Não dá nem pra disfarçar, presidente”, voltou a criticar Girão.

 Dagomir Marquezi
 
A pandemia do silêncio começa a ceder
Surgem novas evidências de que o novo coronavírus pode mesmo ter sido criado em laboratório. Cientistas e países ocidentais cobram uma investigação transparente 
 
O que aconteceria se um novo vírus mortal paralisasse o mundo a partir de um incidente ocorrido no Brasil? 
O que fariam a Organização Mundial da Saúde e os países mais poderosos do mundo se autoridades brasileiras deixassem que o vírus se espalhasse antes de avisar a comunidade global? 
Em quantos dias teria início uma ampla investigação internacional no nosso território? 
Qual o tamanho da indenização que seria cobrada do governo brasileiro pelo estrago na economia mundial?


Edição de arte Oeste | Foto: Shutterstock

Bem, o Brasil não é a China.A covid-19 explodiu em parte porque o Partido Comunista Chinês foi omisso sobre a saúde em outros países e escondeu a pandemia durante seus meses iniciais ao mentir para organizações internacionais de saúde pública”, escreveu o senador republicano Ben Sasse no Wall Street Journal. “O PCC explorou o sofrimento do mundo em desenvolvimento para fazer avançar seus interesses. Do seu jeito mafioso, Pequim fez com que a distribuição de suas vacinas estivesse vinculada ao rompimento de relações diplomáticas com Taiwan ou à adoção da Huawei — a gigantesca agência de tecnologia e espionagem chinesa — para fornecer serviço de 5G. E está cobrando preços astronômicos por um lixo de vacina.”

Entre 24 e 29 de janeiro de 2020 (segundo o próprio governo chinês), o regime comunista importou uma quantidade massiva de equipamentos de proteção pessoal, incluindo 2 bilhões de máscaras. Só no dia 30 a OMS declarou a emergência médica global, já anunciando que a China não tinha culpa nenhuma. No início de junho de 2020, o ministro de Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, afirmou que as notícias de adiamento do anúncio da doença eram “completamente mentirosas”.

Ao que tudo indica, enquanto o resto do mundo era devastado pela covid-19, a China se protegia com o equipamento que comprou de outros países antes de dar o alerta. Ou a gente não teria números como estes, hoje:  Como a China, o país mais populoso, onde aparentemente o vírus mais letal dos últimos tempos surgiu e se espalhou antes de ser identificado, está em 99º lugar entre os países mais infectados (90.908 casos), atrás até da Faixa de Gaza?

Perguntas pedem respostas. E o regime do Partido Comunista Chinês resistiu e continua resistindo a dar qualquer satisfação ao mundo sobre seus atos. Depois de muita insistência, o presidente Xi Jinping permitiu, em janeiro deste ano, a entrada de cientistas ligados à Organização Mundial da Saúde para uma investigação sobre as origens da pandemia. A comissão, representando uma organização já submissa a Pequim, enviou 17 cientistas internacionais, estritamente vigiados por igual número de cientistas chineses. Tiveram apenas 14 dias para uma investigação que demandaria meses se fosse séria. O veredicto foi que o vírus havia surgido espontaneamente, como um fruto da natureza. Segundo esse princípio, doenças catastróficas como a covid-19 podem pipocar a qualquer momento em qualquer lugar onde exista vida selvagem.

Aparentemente a pandemia do silêncio começa a ceder. No dia 14 deste mês, um grupo de 18 cientistas (de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Suíça) publicou uma carta aberta na revista Science com um título simples e direto: “Investiguem as origens da covid-19”. Os signatários dizem que “mais investigações são necessárias para determinar a origem da pandemia; as teorias de liberação acidental do vírus de um laboratório ou o transbordamento zoonótico permanecem viáveis”.

O grupo dos 18 revelou um detalhe pouco divulgado da investigação inicial realizada pela OMS: “Informações, dados e amostras para a primeira fase de estudos foram coletados e sumarizados pela metade chinesa da equipe; o resto do time tirou suas conclusões a partir dessa análise. Apenas quatro das 313 páginas do relatório e seus anexos se referem à possibilidade de um acidente de laboratório”.

Os 18 cientistas, ligados a instituições como o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e às universidades de Chicago, Toronto, Basileia e Stanford, não têm receio de dizer o óbvio: “Uma clareza maior sobre as origens desta pandemia é necessária e possível de ser obtida. Devemos desenvolver seriamente hipóteses sobre ambas as possibilidades, o surgimento natural e o vazamento de um laboratório, até que tenhamos dados suficientes. Uma investigação apropriada deveria ser transparente, objetiva, orientada por dados, incluir outros experts, ser sujeita a supervisão independente e gerenciada responsavelmente de forma a minimizar os impactos de conflitos de interesse. Agências de saúde pública e laboratórios precisam abrir seus registros ao público”.

Em março, outro grupo de cientistas já havia divulgado uma carta aberta pedindo uma “investigação legal completa e sem restrições das origens da covid-19”. Essa carta foi além da simples declaração de princípios e listou um manual detalhado de procedimentos técnicos para qualquer investigação do tipo. “Se falharmos em examinar completamente e com coragem as origens desta pandemia, nós nos arriscamos a estar despreparados para uma pandemia potencialmente mais grave no futuro”, completou a carta, que pede à comunidade internacional uma investigação séria e definitiva. Entre os signatários, estão cientistas de França, Austrália, Espanha, Nova Zelândia, EUA, Bélgica, Reino Unido, Áustria e Alemanha.

Os pedidos de mais esclarecimentos não se limitam à comunidade científica. Em 30 de março, governos de 14 países declararam num comunicado conjunto: “Juntos, apoiamos uma análise e uma avaliação transparentes e independentes, livres de interferência e influência indevidas. Expressamos nossas preocupações comuns em relação ao recente estudo convocado pela OMS na China, ao mesmo tempo em que reforçamos a importância de trabalharmos juntos para o desenvolvimento e o uso de um estudo rápido, eficaz, transparente, com base científica e processo independente de avaliação internacional de tais surtos de origem desconhecida no futuro”. Os países signatários, todos democráticos, são: Austrália, Canadá, República Checa, Dinamarca, Estônia, Israel, Japão, Letônia, Lituânia, Noruega, Coreia do Sul, Eslovênia, Reino Unido e Estados Unidos. “Com todos os dados em mãos”, afirma o documento, “a comunidade internacional deve acessar as origens da covid-19 de forma independente, aprender as valiosas lições dessa pandemia e prevenir as devastadoras consequências dos surtos de doenças.”

Laboratórios “brincam de Deus” e criam vírus mais perigosos do que os que já existem na natureza

A pressão por respostas está aumentando. O governo da Austrália é o mais firme na insistência por uma investigação independente, o que azedou a relação entre os dois países. A jornalista Sharri Markson, do canal Sky News australiano, divulgou em 9 de maio uma matéria explosiva sobre um livro escrito por um cientista ligado ao comando das Forças Armadas chinesas, Xu Dezhong, propondo o uso militar do coronavírus — cinco anos antes da atual pandemia. O livro menciona uma “nova era de armas genéticas” por meio da manipulação de vírus, transformados em armas e lançados “de maneira como nunca aconteceu antes”.

A matéria mostra também uma publicação assinada pelo mesmo Xu Dezhong falando abertamente no emprego de coronavírus como arma. Aponta inclusive que elas não devem ser usadas nos períodos mais quentes do dia, o que mataria os vírus antes que entrassem em ação. Vai além, sugerindo que um ataque em larga escala provocaria um colapso no sistema de saúde dos países atingidos, com baixas adicionais. E comenta outra “vantagem”: “Ataques com armas biológicas podem causar doenças psicológicas e mentais agudas e crônicas, como reações de estresse agudo”. Xu Dezhong continua dando aulas para a elite dos militares chineses.

Por citar o livro de Xu Dezhong como um segredo só agora revelado, o texto de Sharri Markson foi classificado de distorcido por “agências checadoras”. E o título está à venda na Amazon, e esgotado. O fato de o livro ser vendido abertamente torna a situação ainda mais preocupante. O uso de coronavírus como arma parece estar sendo discutido sem maiores restrições nos círculos militares chineses.  Por enquanto ninguém leva a sério a teoria do Sars-CoV-2 como arma militar. Mesmo a matéria de Sharri Markson deixa claro que a atual pandemia provavelmente surgiu por acidente. O que nos remete ao texto do autor britânico Nicholas Wade, que escreveu sobre ciências para o New York Times por 30 anos, e já citado aqui na Revista Oeste.

Numa atualização de seu artigo (com o título “Origem da Covid — Seguindo as Pistas”) em 2 de maio, Wade reafirma que não é só o governo da China que teme a conclusão de que o novo coronavírus seja resultado de um vazamento de laboratório. O que está em jogo é toda uma visão da ciência, toda uma cadeia internacional de laboratórios que “brincam de Deus”, criando vírus ainda mais perigosos para o homem do que os que já existem na natureza.

É a pesquisa conhecida como “ganho de função”, ou GOF. Doenças em potencial são criadas para que possam ser combatidas. Nessa linha de ação, o vírus da “gripe espanhola” de 1918 foi recriado em laboratório. Até o vírus da terrível poliomielite, que estava extinto, voltou a existir. Tudo em nome da “ciência”, essa deusa vaga tão adorada ultimamente. Uma descoberta de vazamento em Wuhan poria em xeque toda essa forma irresponsável de “fazer ciência”. Segundo Antonio Regalado, editor da MIT Technology Review, a descoberta poderia “sacudir o edifício científico de alto a baixo”.

Wade coloca em dúvida outra crença do mundo científico. Segundo ele, a manipulação genética era feita realmente de maneira primitiva como “um cortar e colar” de genomas que deixavam marcas evidentes. Não mais. Um novo método, apelidado de seamless (ou “sem costura”), não deixa nenhuma pista de manipulação.

A diretora Shi Zheng-li estava trabalhando no laboratório que dirige, em Wuhan, em vírus chamados de “quimeras”, pois uniam dois vírus naturais para criar um terceiro, artificial. Seguia os estudos e orientações do dr. Ralph S. Baric, pesquisador de coronavírus da Universidade da Carolina do Norte. Nos EUA, a dra. Shi pesquisava em laboratórios de nível de biossegurança 4 (de contenção máxima). Em Wuhan, o nível de biossegurança dos laboratórios era 2 e 3.

Ela teria conseguido criar artificialmente o novo coronavírus como uma “quimera” no seu instituto? Por alguma razão, o vírus teria escapado acidentalmente para o resto do mundo? Não teremos respostas enquanto o governo chinês não permitir uma investigação honesta e completa.

Ditaduras vivem nas sombras, e tornam-se suspeitas mesmo quando não cometem os crimes de que são acusadas. O próprio diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, marxista conhecido pela posição amistosa com o regime chinês, declarou abertamente que a possibilidade de o vírus ter escapado de um laboratório não foi avaliada o suficiente. E defendeu recentemente a formação de “mais missões [à China] envolvendo especialistas”, que ele estaria pronto a lançar.

Enfim, a parte mais livre do mundo começa a sair do torpor e exigir respostas
E o Brasil? Aqui, já temos o veredicto: a covid-19 foi criada pelo presidente Jair Bolsonaro para “matar pretos e pobres”.  
Qualquer crítica ao governo da China é considerada crime de lesa-pátria.  
O Partido Comunista Chinês conta até com o apoio da CPI de Renan Calheiros, que já tem suas musas da submissão: as senadoras Mara Gabrilli (“Eu sinto uma gratidão gigantesca à China”) e Kátia Abreu (“Qualquer um que tiver vacina eu sou capaz de deitar no chão e deixar que pise em cima de mim”).

A pandemia da covid-19 era para ser uma questão sanitária a resolver por critérios técnicos. Mas se transformou numa encruzilhada política. Estamos vivendo um daqueles momentos históricos em que cada cidadão é levado a escolher entre a obediência cega a uma tirania ou à luta pela liberdade. “Nestes tempos especialmente problemáticos, defenda a liberdade”, aconselhou Gordon G. Chang, jornalista e escritor especializado em assuntos chineses. “Nós podemos não ter outra chance.”

Leia também “Como surgiu o novo coronavírus?”


Dagomir Marquezi, nascido em São Paulo, é escritor, roteirista e jornalista. Autor dos livros Auika!, Alma Digital, História Aberta, 50 Pilotos — A Arte de Se Iniciar uma Série e Open Channel D: The Man from U.N.C.L.E. Affair. Prêmio Funarte de dramaturgia com a peça Intervalo. Ligado especialmente a temas relacionados com cultura pop, direitos dos animais e tecnologia.

 


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Fake News - Alexandre Garcia: "A quem interessa calar opinião?"

 Correio Braziliense


''Não cesso de ver fake news em lugar de fatos, e o estranho é que só agora o Supremo, a Câmara e o Senado passaram a se preocupar com isso''

Quase 100 mil vidas ceifadas, milhões de empregos estraçalhados, milhares de empresas fechadas. No entanto, dois dos três poderes da República têm como prioridade fake news. 
Como se a desgraça imposta por esse estranho e atípico vírus fosse resolvida quando o brasileiro recebesse vacina obrigatória contra notícias falsas. 
Nos meus anos de vida, a primeira fake news de que lembro foi em janeiro de 1952 — eu tinha 11 anos —, em O Cruzeiro, a revista de maior circulação na época. O fotógrafo Ed Keffel fez fotos numa montagem e a revista publicou como discos voadores na Barra da Tijuca. E vendeu muito por isso. Desde então, não cesso de ver fake news em lugar de fatos, e o estranho é que só agora o Supremo, a Câmara e o Senado passaram a se preocupar com isso.
Parece mais um movimento comercial contra o fim de monopólio da informação.

César Maia, pai do presidente da Câmara, denunciou algo mais pérfido que uma notícia falsa: o factóide. Parece fato, tem aparência de fato, é embrulhado como fato, mas serve para “embrulhar” o leitor, o ouvinte, o telespectador. O Wall Street Journal acaba de ter uma espécie de rebelião na redação, exigindo que notícia e opinião venham separados, não misturados. Fofocas e mexericos costumam vir disfarçados de notícia. A preocupação do Congresso e do Supremo, no entanto, só visa as redes sociais, exatamente o instrumento pelo qual todos ganharam voz, para reivindicar, desabafar, sugerir, opinar, criticar. Como se trata de gente, não de anjos, também há ódios, mentiras, maus conselhos, ofensas. Para esses, a própria comunidade digital tem os anticorpos: a capacidade de pesquisar e derrubar a mentira, de responder, de boicotar, de expor o ofensor.

E as leis também têm os remédios, o Código Penal e até a Lei de Segurança Nacional. O que querem inventar então? 
A quem interessa calar opinião, restringir a liberdade de expressão, a censura prévia, o direito de defesa, acusar de crime não previsto na legislação? 
Fica no ar o mau cheiro da fumaça de totalitarismo. Uma caça às bruxas, mais parecendo um macartismo de sinal invertido.

Que personagens da ficção esses agentes da censura estariam personificando? 
O perigoso Big Brother, o Irmão mais Velho, de George Orwell, que policiava até pensamento?
Melhor que seja um risível Mago de Oz, que, atrás do biombo que o protegia, ameaçava com fogo e trovões, mas acabou desmascarado como charlatão pela menina Dorothy.

Alexandre Garcia, jornalista - Coluna no Correio Braziliense